domingo, 29 de fevereiro de 2004

29 de Fevereiro

Hoje é aquele dia a mais que o tempo nos oferece de 4 em 4 anos.
Desde criança que lhe acho graça. Parece um brinde. Este não é “o primeiro dia do resto da nossa vida” é um dia àparte da nossa vida. Por mim, acho que como está cá a mais, se deve poder fazer o que não se faz nos outros todos. Mas a imaginação não me chega! Tudo o que me lembro, também penso, sinto, faço, em qualquer dia do ano.
Mas que desperdício!!!

M.L.

EMEL

A partir de amanhã a EMEL anuncia uma grande melhoria no estacionamento lisboeta – passam agora a existir uns cartões para facilitar o estacionamento e não é indispensável procurar um parquímetro.
Quanto à EMEL em geral, ainda tenho umas contas a ajustar e vou voltar ao assunto mais tarde. Mas em relação a este belo benefício, para o utente a única vantagem é não se preocupar com trocos. Porque de resto, paga-se exactamente o mesmo e ainda por cima adiantado. Quando os parquímetros foram montados, havia o porta-moedas multibanco (creio que se chamava assim) e podíamos pagar desse modo. Depois isso acabou. Neste momento, o máximo que se pode estacionar são 3 horas e por essas 3 horas pagam-se 2 euros = 400 escudos. Mesmo a um sábado de manhã. Se por acaso nos despachámos mais depressa, ora, paciência quem mandou ser rápido. Está pago, está pago.
Com esta bela invenção deixa de haver desculpa quando o parquímetro está avariado ( o que acontece com alguma frequência) porque se pode ter sempre o tal cartãozinho miraculoso. E claro que a EMEL embolsa logo de antemão o dinheiro referente ao pagamento desses cartões. Não está mal o benefício.
M.L.

29 de Fevereiro

Hoje é aquele dia a mais que o tempo nos oferece de 4 em 4 anos.
Desde criança que lhe acho graça. Parece um brinde. Este não é “o primeiro dia do resto da nossa vida” é um dia àparte da nossa vida. Por mim, acho que como está cá a mais, se deve poder fazer o que não se faz nos outros todos. Mas a imaginação não me chega! Tudo o que me lembro, também penso, sinto, faço, em qualquer dia do ano.
Mas que desperdício!!!
M.L.

Vermelhos ou Encarnados

Uma das facetas que mais me agradam na blogosfera ( nos blogs que eu leio, como é evidente, era impossível e nem me apetecia lê-los todos...) é não só a diversidade de temas que se abordam como a paixão, mais a sério ou mais divertida com que são tratados.
Ontem foi dia de futebol porque o Benfica fazia anos. Cem anos. Realmente são muitos e foi engraçado ver por aí postadas várias bandeirinhas encarnadas, de águia de aza aberta.
O futebol não é coisa que me faça emocionar muito, embora agora que falo no assunto acho que o primeiro post que escrevi aqui, no Cão de Guarda, era exactamente sobre o tema, chamava-se O 3º Efe. Mas o que é interessante observar como um sinal dos tempos é que com a Democracia e o decorrer dos anos a diferença entre Sporting e Benfica é apenas e só clubística. Eu até pendo para o primeiro, por ambiente familiar. Mas ainda não foi assim há tanto tempo que se considerava o Sporting como um clube elitista, de meninos bem, enquanto o Benfica era o clube do povo. E ia-se mais longe – o Benfica era encarnado! Portanto era do povo, só podia!!! Eram uns tempos onde havia diferença entre encarnado e vermelho. Encarnado era uma côr. Vermelho uma posição política.
M.L.

sábado, 28 de fevereiro de 2004

Até é verdade

Experimentem. Olhem que é verdade.
De aorcdo com uma pqsieusa de uma uinrvesriddae ignlsea, nao ipomtra
a odrem plea qaul as lrteas de uma plravaa etaso, a úncia csioa
iprotmatne é que a piremria e útmlia lrteas etejasm no lgaur crteo.
O rseto pdoe ser uma ttaol csãofnuo que vcoe pdoe anida ler sem
gnderas pobrlmea. Itso é poqrue nós nao lmeos cdaa lrtea isladoa, mas
a plravaa cmoo um tdoo.
Cosiruo não?
M.L.

«Être et Avoir» o ensino reabilitado

Fui ver um filme que tinha adiado por várias vezes e já receava que me fugisse. Não é a primeira vez que de desleixo um pouco com um espectáculo ou exposição e quando dou por mim, acabou e fico desapontadíssima. Ia com uma boa expectativa, que antes de mais devo dizer que foi compensada. O filme é belíssimo e merece os elogios que até hoje ouvi. Além de o tema me ser duplamente grato – fui criada em casa de professores ( daqueles mesmo a sério!) e há muitos anos que lido com pedagogias várias, crianças, pais e respectivos professores. O ensino a todos os níveis é algo que me é muito familiar.
Acontece é que vou ter de voltar para saborear como deve ser aquela hora e meia. A sala não estava muito cheia, mas por cada adulto contava-se uma criança, e crianças relativamente pequenas. Possivelmente, devidamente preparadas até seria interessante ver as reacções dos miúdos, mas aqueles estavam à espera de ver “uma história” e a agitação durante aquela hora e meia foi mais que muita. Para além dos que saiam para fazer xixi ou comprar bolachas, a maior parte ia perguntando “ele está a falar com quem?”, “e agora o que vão fazer?”, “porque é que ele está a chorar?”, ou “mas eu quando mudei de escola não chorei!” o que tornou muito complicado prestar atenção ao que se passava no écran.
Mas vou voltar. Um professor nas vésperas da reforma, com uma classe de 13 crianças que iam da pré até ao liceu, organizando-as com disciplina, ternura, cuidado, dando-lhes espaço sem ser demais, ouvindo-os mas também fazendo-se ouvir. A relação com as famílias num meio rural, num ambiente onde a natureza está mesmo ali, ao estender da mão.
Vou voltar. A uma hora sem crianças onde possa deixar-me envolver pelo filme.



M.L.

Amizade é...

Ontem, passei mais de 7 horas a conversar com uma amiga que tem estado fisicamente longe. Há telefonemas e emails, mas claro que não é a presença, os olhos nos olhos. Os planos iniciais metiam jantar em restaurante e um cinema. Foi tudo sendo mudado à medida que a conversa avançava porque o que nos sabia bem era o prazer de estar juntas. Encontro obrigatório e ritual no café na Fnac com uma passagem também fatal pelos livros e músicas, e depois valeu tudo: um salto a umas compras domésticas urgentes mais um pequeno electrodoméstico, e “já agora” vamos deixar isto à tua casa, e “já agora” para que é que se vai sair se estamos aqui tão bem. E a magia da profunda amizade é esse entendimento sem palavras. Falou-se de política, dos filhos, da vida noutro país, do nosso passado, do alívio de ela ter terminado uma gigantesca tese de doutoramento, de namorados, desta coisa dos blogs (que lá na outra terra não têm esta expressão) de sentimentos, de arte, de amigos e seus problemas, da nossa vida profissional, de mais política, rimos muito, emocionámo-nos ainda mais, dissemos das saudades que tínhamos tido. Amizade é tudo isto. O saber que “ o outro” é diferente de nós e que isso nos enriquece; respeitar e amar essa diferença; entendermo-nos com uma troca de olhares que as palavras são só a cristalização do pensamento e por vezes são inúteis; o fazer planos e mudá-los alegremente; rirmo-nos com características dos outros, muito diferentes das nossas, mas que lhe dão mais côr; o profundo prazer de estar juntas sem que isso seja uma obrigação.
Acho que quando nasci a fada que se debruçou no meu berço me deu a maior prenda do mundo – “vais acreditar na amizade”. Realmente encontrei-a... Ela existe.
M.L.

CARTA AO PÚBLICO NÃO PÚBLICADA...

Em respota às afirmações pessoais de Luís Villas-Boas e sem carácter ciêntifico algum, a Rita - minha mais que tudo - escreveu uma carta ao director do Público, mas esta nunca chegou a ser publicada. Pergunto-me quais os critérios de selecção nas publicações e de uma coisa estou certa, a imparcialidade não é ali chamada...

Aqui vos transcrevo a carta:

O que é afinal a homossexualidade?

Li atentamente a carta do senhor Carlos Gilbert na edição de Público de dia 24 de Fevereiro de 2004 e estranho como algumas pessoas heterossexuais (suponho ser o caso) pensam saber de modo pleno o que é a homossexualidade para afirmar que é uma "moda" ou insinuar que não há monogamia nas relações homossexuais. Lamento informar mas está totalmente errado. A homossexualidade não é uma moda, mas sim uma orientação sexual, tal como a heterossexualidade. O tipo de relações existentes entre pessoas homossexuais (quer casais de duas mulheres ou de dois homens) são tão diversos como o tipo de relações que existe entre os heterossexuais. Não há, e quem conhece de facto uma amosta significativa da população homossexual sabe-o, uma maneira típica de comportamentos, valores, atitudes, ideologias, pensamentos nas pessoas homossexuais e por esse motivo é possível encontrar pessoas de todos os géneros, tal como uma amostra das pessoas heterossexuais mostra o mesmo.

Visto que continua a desinformação entre muitos membros da população portuguesa gostaria de deixar alguns dados para esclarecimento que são dados tipicamente para quem está pouco informado sobre estas questões da orientação sexual homossexual.

O que é a homossexualidade?

Independentemente do sexo por que cada pessoa se interessa, existe na maioria das pessoas uma capacidade para amar. E por amor não queremos dizer só sexo, mas também o desejo de intimidade, afectividade e companheirismo. Na realidade, tanto a homossexualidade, como a heterossexualidade não são muito mais do que isto, excepto que num caso a atração sexual e afectiva é dirigida a pessoas do mesmo sexo e no outro caso a pessoas de sexo diferente. A partir de 1970 começou a surgir uma perspectiva positiva, generalizada, em relação à homossexualidade. A APA (American Psychiatric Association) retirou a homossexualidade do seu "Manual de Diagnóstico e Estatística de Distúrbios Mentais" (DSM) em 1973, depois de rever estudos e provas que revelavam que a homossexualidade não se enquadra nos critérios utilizados na categorização de doenças mentais. Psicológos e sexólogos chegaram à conclusão de que a homossexualidade é uma variante da normalidade.

Os homossexuais são reconhecíveis fisicamente?

Geralmente não é possível ver a homossexualidade através da aparência. Os gays e as lésbicas têm a mesma aparência e agem tal e qual como todas as outras pessoas. As pessoas com maneirismos são uma minoria entre os homossexuais.

As pessoas podem "tornar-se" homossexuais?

As pessoas não "se tornam" homossexuais, mas antes descobrem essa faceta da sua sexualidade. Para praticamente todos os homossexuais, a homossexualidade não é uma escolha. A única escolha feita, quando decidimos viver a nossa sexualidade plenamente, é a de sermos honestos, de sermos nós próprios e de, acima de tudo, sermos felizes.

Será que é mesmo assim?

1. Nas relações homossexuais um ou uma faz o papel de mulher e o outro ou a outra de homem.
Errado. Nas relações homossexuais os parceiros partilham indiscriminadamente os papeis consignados socialmente a ambos os sexos. Isto quer dizer que nenhum finge que é do sexo oposto.

2. Os homossexuais são mais obcecados pelo sexo.
Errado. Sexo é tanto ou tão pouco importante para os homossexuais como para os heterossexuais. O que notamos, na realidade, é que a diferença entre a sexualidade masculina e feminina é bastante mais significativa do que a diferença entre a sexualidade homossexual e heterossexual.

3. Os homens homossexuais são pedófilos e molestam crianças.
Errado. Há proporcionalmente menos homens homossexuais do que homens heterossexuais que abusam sexualmente de crianças.

4. A homossexualidade é causada por um trauma durante a infância.
Errado. Ninguém sabe porque é que algumas pessoas são homossexuais. Há teorias diferentes que falam de hereditariedade e do ambiente. A maioria dos homossexuais não tiveram dificuldades especiais durante a sua infância.

5. Os filhos de homossexuais tornam-se homossexuais.
Errado. As investigações científicas que têm sido feitas mostram que estas crianças tornam-se tanto ou tão pouco homossexuais como os filhos de heterossexuais.

6. Os homossexuais sentem-se atraídos por todos os membros do seu sexo.
Errado. Não é suficiente que a pessoa seja do mesmo sexo. Os homossexuais têm critérios de escolha do parceiro tão exigentes como os heterossexuais.

7. Informação positiva sobre a homossexualidade resulta em mais pessoas "se
tornarem" homossexuais.
Errado. Informação positiva não faz com que haja mais homossexuais. Surgem sim mais pessoas com coragem para se assumir visto que a informação ajuda a diminuir os preconceitos.

8. Uma pessoa é homossexual porque não consegue relacionar-se com os membros do sexo oposto.
Errado. A homossexualidade não tem nada a ver com capacidades de atrair o sexo oposto. Tem sim com o facto de os homossexuais se interessarem por pessoas do mesmo sexo.

Rita
Lisboa

in
http://cacaoccino.blogspot.com/2004_02_01_cacaoccino_archive.html#1077785844887093

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2004

Ecopontos e ...”educação à força”

Lá mais atrás, tinha escrito uma vez "Reciclar a simpatia". Chamava nesse post a atenção para o facto da separação dos materiais a reciclar não ser tão simples como os anúncios faziam crer. E continuo a achar o mesmo: num país com tanto analfabeto funcional, ler e compreender as indicações que lá estão escritas não é para qualquer um.
Mas adiante. Desta vez a notícia que me faz pasmar é outra. Penso que só pode ser brincadeira de Carnaval, a proposta de multar (?) os cidadãos que deixem no lixo material reciclavel, se tiverem um Ecoponto perto de casa. Estão a brincar, com certeza! Ora vamos a ver:
1 - O que se entende por "perto de casa"? 1, 2, 5, 10 quilómetros?
2 - A norma abrange qualquer pessoa? Ou especifica "pessoa dos 15 aos 60 anos, saudável, sem problemas motores nem de coluna"?
3 - Quem vai pagar a multa? A dona da casa? O filho que pôs o lixo à porta?
4 - Como se vai provar que "aquele lixo" é "daquela pessoa" ? Se eu quiser mal ao meu vizinho, digo que o lixo é dele e fico-me a rir...
5 - O mais interessante vai ser a fiscalização. Parece que para as finanças, controlos de qualidade, assuntos assim secundários, faltam fiscais. Mas é uma boa medida para combater o desemprego, criar os "fiscais do lixo". É que vão ser precisos muitos e muitos milhares. O que aí vem de postos de trabalho!
Por outro lado, lembrava que talvez não fosse má ideia, vigiar o esvaziamento dos tais depósitos dos Ecopontos. Porque se TODOS os cidadãos desta terra cumprissem religiosamente estas orientações, eu gostaria de apreciar as consequências. Nesta altura do campeonato, já é fácil verificar que muitos depósitos ficam a deitar por fóra, sem ninguém os esvaziar. As empresas de recolha não são multadas?
E por último, depois de recolhidos, estes lixos vão sempre para a reciclagem? É que ouvi uns zunzuns de que há por aí câmaras que os vão despejar nas lixeiras... Só pode ser mentira, não é?
M.L.

1984

Esta história das "escutas" aos grandes deste mundo ( Secretário Geral da O.N.U., Hans Blist, etc.) tem aspectos quase caricatos mas no conjunto é assustador. Porque afinal quem é o Big Brother? Estas operações de invasão da privacidade são decididas por quem? Dito de outro modo, quem vai ser responsabilizado? Pelo que me lembro, Watergate fez cair um governo, desta vez fica tudo em branca núvem?
Quando disse acima que tem algo de caricato, é puro humor cinzento (que nem chega a negro...) porque afinal pareciam que o que eles diziam não era ouvido, porque ninguém ligava nenhuma! Mas não, prova-se que eram bem escutados. Até demais, bolas, não era preciso tanto!
Claro que o pior cego é o que não quer ver e o pior surdo o que não quer ouvir...
M.L.

É só cultura ! (p'ro menino e p'ra menina)

Conversa ouvido no metro entre jovens alunas de uma Escola Superior de Educação

- Não sei bem como vou fazer este trabalho, e já tenho pouco tempo...
- Também acho que é difícil.
- O que vale é que a peça tem poucas personagens, mas como é que as vou vestir para fantoches?
- É que é tudo muito escuro, cores escuras.
- Pois é! Ainda com a Maria pode fazer-se um fantoche de cores clarinhas, mas o Romeiro, o Telmo e mesmo D. Manuel de Portugal deve ser preto ou castanho.
- E é para crianças de 5 anos. Tão sombrio, já viste?
- Ou menos... E achas elas que vão perceber?

Não resisti e meti-me na conversa. Tinha razão no que estava a suspeitar. O trabalho para aquela cadeira era “traduzir” para fantoches o “Frei Luís de Sousa” - para crianças de cinco anos !
Ás vezes nem sei quem não regula bem, se eu, se pessoas tidas por responsáveis.
P.S. Isto é a sério, não foi uma brincadeira.

M.L.

Quando o mar bate na rocha

Através da imprensa chega-nos uma dança de informações e números um 9ocado contraditórios quanto ao que se gasta em medicamentos, o que se poupou ou quem paga mais nesta história toda.
A Ordem dos Médicos garante que estes estão a passar mais receitas de genéricos (o “mais” é relativo porque dantes não se receitavam) e que este ano foi muito positivo.
Por outro lado a Associação Nacional de Farmácias diz que os utentes poderiam ter poupado 40 milhões de euros se os médicos tivessem realmente receitado “a sério”. Isto, pelo que a ANF diz, porque o Estado deixou de comparticipar pelo preço de venda ao público e comparticipa sobre um preço mais baixo, os genéricos.
[Há também gente pouco informada, que imagina que se o genérico é mais barato não deve ser tão bom... E ouvi contar de casos onde o doente começou a acumular: tomava o medicamento que já tinha (para aproveitar) e por cima o genérico, fazendo autênticas overdoses!]
Mas o engraçado é que neste ping-pong de acusações, como era de prever, o Estado ainda poupou 36 milhões de euros e os utentes pagaram mais 85 milhões. Nada que nos espante, o mexilhão é o mesmo...

M.L.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2004

Ainda dizem que somos pessimistas!

Andou por aí a circular um estudo a dizer que os portugueses são pessimistas. Logo na altura achei que aquilo estava um pouco pobrezinho e incompleto, porque esse estudo esquecia que por um lado temos um enorme sentido de humor, - pode ser humor negro, mas é humor! - e por outro lado parecia-me que o pessimismo é, perante uma situação, realçar os seus aspectos negativos ( o optimista realçará os positivos...) e achei que não era exactamente isso que se passava cá no burgo.
Ora, BINGO ! Hoje é divulgado um estudo da Proteste / Deco efectuado em 13 países e 55 cidades, onde se pode concluir que na nossa terra se paga o mesmo, ou mais, por muitos produtos que se podem comprar em grande parte de países europeus. Se a isto se associar a média do salário nacional, e a taxa crescente de desemprego, quem acha que somos pessimistas?
Para andar muito contentinhos só mesmo uns totós! O que o português é na minha opinião, é realista! E mais nada!
M.L.

Feios, porcos e maus

No Barnabé, o Daniel Oliveira escreveu um post falando de uma petição que corre para atribuir cidadania europeia aos cidadãos residentes. Explica que se trabalham, pagam impostos, obedecem às leis, ou seja, têm os deveres, seria justo terem também os direitos.
Acredito que este tema vá dar muita controvérsia, porque se compreendem e até aceitam posições diferentes. Mas chocou-me um comentário, logo o segundo na caixa de comentários, que diz textualmente : “Muita desta gente veio para a Europa apenas com o intuito de poder vir ganhar dinheiro, simplesmente porque a Europa é rica e a América fica muito longe”.
Primeiro, o falar em : esta gente. Esta gente??? Os portugueses que foram há 100 anos para o Brasil com o intuito de ganhar dinheiro, ou os que imigraram para o Canadá, para a Alemanha, França, Luxemburgo,.... creio que foi com o intuito de ganhar dinheiro. Só que neste caso não é “esta gente” é “a nossa gente”.
Depois a continuação: “porque a Europa é rica e a América fica longe”. Como é? A Europa é rica? A pessoa que escreve, e deve ser europeu, é rico? O que é isso da Europa? E depois a continuação “...a América fica muito longe” ou seja a Europa é uma 2ª escolha, os menos pobres vão para a América, os mais pobres ficam pela Europa.
Será que tem uma ideia do que são as leis de imigração para a América? E “esta gente” que vem destes países pobres, os seus países de origem são pobres porque certamente eles são preguiçosos, talvez burros, ignorantes, “feios, porcos e maus”, será? Possivelmente o comentário foi escrito sem reflectir, no impulso do momento, e pensando melhor talvez a pessoa não o tivesse feito. Dou-lhe o benefício da duvida.
Mas que há quem assim pense e é lamentável, isso é um facto. Vamos ver o que este post do Barnabé vai dar, que o dia ainda agora começou...

M.L.

Necessidades...

Já aqui falei do meu programa de humor favorito.
Pelo menos de manhã, não perco o “Palmilha Dentada” e recomendo-o a todos, para começar o dia com um largo sorriso. Mas hoje o sorriso tornou-se gargalhada, ao pequeno almoço cá de casa. O tema de reflexão do “Palmilha” foi o drama das famílias numerosas com uma única casa de banho. É certo que famílias numerosas cada vez há menos. E também é verdade que não será o caso da minha. Mas como demonstrava o “Palmilha” bastam 3 pessoas para fazer uma multidão quando há pressa! E, oh, que sabedoria...
A verdade é que as necessidades de uma higiene mais apurada têm aumentado com o rodar dos anos. Os andares das Avenidas Novas, em Lisboa (já foram “novas” há 80 anos) eram espaços com 8, 10 assoalhadas e uma única casa de banho. Hoje, as leis de construção nunca o permitiriam. E as necessidades vão realmente aumentando. A família que o “Palmilha” estava a entrevistar lamentava-se porque bem queria ter outro filho mas era completamente impossível sem outra casa de banho. E também citava casos de divórcio pelo mesmo motivo.
Sem ir tão longe, temos de reconhecer que esse é um dos “dramas” do nosso tempo. Oh, higiene a quanto obrigas!!!
M.L.

Generosidade com o dinheiro alheio

Por acaso, não sou nada sensível às campanhas de publicidade. Acho até que, muitas vezes funciono ao contrário do previsto e desconfio dos produtos muito publicitados. É evidente que acontece, por vezes, despertar-me a curiosidade o modo como algumas coisas são apresentadas, também não sou exactamente o perfeito “espírito de contradição”... Há frases e expressões que parecem meias tontas e creio que por isso mesmo “entram no ouvido” e acabam por ser usadas no quotidiano de todos nós.
Mas isto vem a propósito de um anúncio que tem o tal efeito oposto ao pretendido – no meu caso em concreto.
O Banco Totta quer convencer-nos a abrir uma conta-ordenado com o chamariz de que uma percentagem do lucro irá para a AMI. Não é exactamente publicidade enganosa, mas olhem que anda por lá perto. Uma conta-ordenado é, para todos os efeitos, um crédito aberto, (embora com limites, é certo) com tudo o que isso implica: podemos gastar mais do que temos mas depois pagamos com língua de palmo. E, é desse lucro que o banco vai ter, que dará uma percentagem, mínima, à AMI.
Não, muito obrigada! Tenho muita simpatia pela AMI, tanta que prescindo de intermediários; prefiro ir directamente à fonte.
M.L.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2004

Enfim, gostos...

Há uma voltinha que costumo dar todos os dias, não com o cão que não o tenho (este vou-o passeando graças à simpatia do dono...) mas pelos blogs da minha maior simpatia, a ver o que se diz e se pensa por aí. Demoro-me mais e comento alguma coisa nos que se situam mais à esquerda, mas dou uma olhadela também nos que, mais clara ou menos discretamente podemos definir como de direita. Gosto de ver tudo.
E, não gostando nada de generalizar, há contudo uma constante que me incomoda. ( Claro que posso estar enganada e ter sempre tropeçado nas excepções que confirmam a regra...mas. ..) Há comentadores de direita que vêm a blogs de esquerda, educadamente contrapor as suas razões, muitas vezes repetindo os mesmos argumentos à exaustão mas, enfim, estão no seu pleno direito. Com menos frequência tenho visto a inversa – gente de esquerda aventurar-se aos terrenos da direita para criticar alguns pontos. Mas o que vejo muitíssimo é, de vez em quando, irromperem, como toiros desembolados, umas criaturas que se limitam a insultar. Acabei agora mesmo de ver um desses casos. Não vêm dizer nada, vêm dizer insultos puros. Qual será o gozo? Já tenho reparado que ao fim de alguns dias, cansam-se e não voltam.
Sempre é preciso uma paciência...
M.L.

Preso por ter cão... ( mas não "de guarda"!)

É bastante vulgar uma pessoa ter a sensação de que perante uma escolha ou opinião, faça como fizer será sempre criticada. (criticada negativamente, é bom de ver)
Vem isto a propósito de um post do Rui Tavares no Barnabé, onde criticava a Xis do "Público" e logo lhe caíram em cima censurando que estava a para ali a mandar vir mas... também lia a revista. Este tipo de argumento, com que obviamente também apanho, deixa-me sempre irritada. É que é o perfeito sofisma, porque se dizemos que não vimos / ou ouvimos / ou lemos, é claro que a crítica até tem a sua razão: “Então se não viu como é que diz que é mau?!”. Mas se confirmamos que estamos a dizer isso com fundamento, porque vimos, a crítica é ao contrário “Pois, é mau, é mau, mas sempre vai vendo!” Sinto-me completamente encurralada porque, por esta ordem de ideias, NUNCA se poderia criticar nada!
Em relação a vários programas da TV costumo ver um ou dois antes de tomar uma posição(apesar de, confesso, muitas vezes já antecipadamente ter minha opinião, que só se confirma). É claro que até com este método posso apanhar com a resposta: “Tiveste a pouca sorte de ver os piores”. Mas defendo que o método de ir ver, mas de espírito aberto para mudar de opinião, se for caso disso, ainda é o mais correcto. Reconheço que quase sempre sem sorte, pelo que já tenho tido pegas valentes!
De facto vivemos no país da história “do velho, o rapaz e o burro

M.L.

Sinais Exteriores de Ternura

Quando ontem fui reler o Zé Gomes Ferreira ( ao que nos podem levar os concursos de TV!) acabei por ficar colada ao livro, a relembrar passados. E logo na primeira poesia que escolhi, o primeiro verso, “dá-me a tua mão” desencadeou montes de recordações.
O mundo da ternura é enorme mas é de grande delicadeza. E o gesto de “dar a mão” sendo dos mais puros, mais limpos, é um dos que mais me perturba. É certo que se começa por dar a mão quando se é criança e é um gesto de confiança e entrega. Quando damos a mão ao adulto acreditamos que estamos protegidos, que estamos a salvo do mal.
Mais tarde, ainda criança mas mais crescidos, entre amigos, é cumplicidade é algo de indizível. Nunca hei-de esquecer, uma menina dos seus 10 anos que, transferida para uma terra estranha e uma escola desconhecida, se queixava à mãe com uma vozinha a tremer “Mas, mãe, eu cá não tenho uma amiga-de-dar-a-mão !”
E, em adulto, é um gesto no limiar do gesto erótico, mas mesmo no limiar. É aquela margem onde tudo é ainda permitido, se pode ousar, se pode sonhar, mas se pode também recuar. É um toque muito expressivo, mas inocente. Se me permitem, para mim, é talvez de todos o mais sensual. Exactamente por tudo ser ainda permitido.

M.L.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2004

Zé Gomes Ferreira

Há minutos, uma concorrente do concurso da RTP “Um contra todos” declarou que nunca tinha ouvido falar em José Gomes Ferreira

XXIII(mais outra canção para a inventada)
Dá-me a tua mão

Deixa que a minha solidão
prolongue mais a tua
- para aqui os dois de mãos dadas
nas noites estreladas,
a ver os fantasmas a dançarem na lua.

Dá-me a tua mão, companheira
até o Abismo da Ternura Derradeira
(entre 1943 e 1945)

ou
musicada pelo Lopes Graça
XXXV(pastoral)
Ó pastor que choras,
O teu rebanho onde está?
- Deita as mágoas fóra,
carneiros é o que mais há.

Uns de finos modos,
Outros vis por desprazer...
Mas carneiros todos
Com carne de obedecer.

Quem te pôs na orelha
essas cerejas, pastor?
São de cor vermelha,
Vai pintá-las de outra cor.

Vai pintar os frutos
As amoras, os rosais...
Vai pintar de luto
As papoilas dos trigais.
(entre 1945 e 1948)
Já se percebe porque a pergunta à concorrente era “quem se designava por “poeta militante”. Militante na dupla acepção – militante na poesia, militante na política

M.L.

Aviso aos pais

Ontem, por motivos familiares, fui ao cinema ver um filme chamado “A Casa Assombrada”. Não, não vou entrar no campo da crítica de cinema, outro dia será. O que me deixou inquieta foi aquilo ser um filme da Disney, com o Eddie Murphy, e com todas as indicações de se tratar de um filme bom para meninos. Era Comédia/Fantasia. Eu ia tranquila quanto a isso, e apesar de uma voz amiga, me ter dito “tens a certeza de que não é mesmo assombrada?” ia muito convicta de que era tudo a brincar e muito levezinho. Bolas, o Gasparzinho também era um fantasma, não era? E não me lembro de ouvir falar em crianças que tivessem pesadelos com o Gasparzinho.
Pois bem, os fantasmas, de facto, podiam ser vistos por qualquer idade. Uns perfeitamente reais que, plofft, desapareciam em nuvem, outros transparentes como no Harry Potter. Quanto a fantasmas, no problem, qualquer criança de hoje come-os ao pequeno-almoço
Mas há uma sequência, muuuuito prolongada, passada numa cripta/túmulo de um cemitério que, aviso quaisquer pais para terem cuidado. O Eddie tem de abrir um túmulo e tirar uma chave. Só que a chave está “enterrada” no corpo de uma espécie de múmia que cria vida própria. E. segundos depois, ele vê-se perseguido por hordas de criaturas, naquele estado semi-putrefacto onde ainda não são esqueletos mas estão em estado avançado de decomposição. Talvez fosse para ter graça, o medo do Eddie, mas o que vi à minha volta foi muita gente a fechar os olhos e agarrados às cadeiras.
Acabou bem, é claro. Mas, à saída, os sorrisos que vi eram muito amarelos.
Alguém me diz qual a vantagem daquelas imagens? Exorcizar o medo da morte? Rir com o horror? Atenção, era para crianças, era da Disney!

.
M.L.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2004

Zeca Afonso



Não gosto de me lembrar que já foi há 17 anos.
Parece-me ainda tão perto, a emoção, a cumplicidade, os sentimentos tão fortes.
São outros os momentos que quero lembrar:
Quando se comprava os discos em vinil, entre amigos para ajudar o Zeca.
Quando foi para Moçambique pelas dificuldades que lhe embaraçavam a vida como um novelo cheio de nós.
25 de Abril, sonho, alegria, esperança, tudo é possível!!!
O Zeca a cantar e a não se lembrar a letra das canções entre a galhofa da malta que se metia com ele. O Zeca em vários registos, a canção de combate, o profundo lirismo, a influência da música de África.
O amigo. O companheiro. O sentimental.
É claro que continua connosco. E continuará enquanto nós também por cá andarmos.
E como é belo ouvir jovens de hoje voltarem a cantar as suas cantigas. Nunca haverá melhor homenagem nem melhor modo de garantir esse toque continuidade.
Por favor continuem a cantá-lo.

M.L.

Foguetes





Escrevi ainda ontem um postezinho a descair para o piegas sobre os benefícios da despoluição sonora do campo, versus cidade.
Venho acrescentar um P.S. mais realista de um facto de que me tinha esquecido.
Basta uma palavra: foguetes. Acho que não preciso de dizer mais nada. Quem já passou por uma ”alvorada” às 7 da manhã sabe do que falo. Ou outros não me vão entender.

(antes que me esqueça, sabem o que é "deitar foguetes antes da festa"? não sei porque é que me fui lembrar das presidenciais... pois se a festa ainda vem tão longe )


M.L.

Sempre-em-pé



Quando eu era criança lembro-me de ver uns brinquedos chamados sempre-em-pé, coisa muito simples mas engraçada: era como 2 bolinhas de ping-pong coladas, numa estava desenhada uma cara, e na outra uns traços correspondiam ao corpo. Na base do “corpo” havia uma substância pesada, e como o conjunto era muito leve, mesmo que se deitasse o boneco, ele imediatamente se “punha em pé”, porque o corpo era mais leve que os pés.
Quem se dê ao cuidado de prestar atenção ao que dizem pessoas que ligam para programas de rádio ou alguns “interactivos” (?) de TV, ouve muitas vezes este tipo de diálogo:
- Bom dia, caro ouvinte. Então, bem disposto/a?
- Sempre!!!
- Óptimo, isso é que se quer.
........etc.
Fico sempre a pensar que não ouvi bem. Alguém que esteja SEMPRE bem disposto só pode ser um totó. E ainda por cima com o aplauso risonho do animador que fala com ele. Mas lá que este diálogo é frequente, ai isso é.
Dado o ar feliz e contente do “nosso primeiro” só me dá para lembrar os sempre-em-pé ou, na versão moderna, os sempre-bem-dispostos.
Será que estes senhores andam num mundo real? Só ouvem e vêm aquilo que querem? Os “sempre-em-pé” tinham pés de chumbo mas a cabeça era muito levezinha – pois se era oca!






M.L.

domingo, 22 de fevereiro de 2004

De volta ao passado III

Uma vez pode ser descuido ou distracção. Duas vezes já se vê que é intencional, mas poderá ser uma “flor de retórica”. Agora quando passa a ser sistemático já nos pode causar cuidados. Por que raio, o Durão Barroso quer reduzir Portugal às chefias do PSD/PP ? Quem não aceita as suas conclusões é porque “não quer o melhor para Portugal”???? É que já nem fala em povo português, por exemplo, enche a boca com PORTUGAL. É o tipo de linguagem que, de tão demagógica, acaba por perder o efeito pretendido. Assim como que uma espécie de “eixo do mal” dos pequeninos...
Por favor, Dr. Durão, poupe-nos! Já ouvimos esse discurso há 40 anos.
M.L.

Ouvir o silêncio

Quando se vive numa cidade grande (mas Lisboa será cidade grande?) criamos umas defesas especiais, e deixamos de ouvir o ruído de fundo permanente. É uma espécie de “surdez citadina” específica. Não estou a pensar nos casos extremos de buzinas, ambulâncias, o coro infernal de máquinas de construção civil; falo do som geral de uma cidade que nem se dá muito por ele. Mas se, por acaso, passamos uns dias, um fim-de-semana que seja, numa aldeia, longe da estrada, de repente começamos a ouvir a vida. A natureza está cheia de animais! São galos, cães e gatos, rolas, passarinhos com piares diferentes entre si, rãs, grilos, cigarras... E no meio desses sons muito vivos, há por vezes momentos de verdadeiro silêncio. Silêncio que só se atenua quando ouvimos mesmo muito ao longe o sino da igreja para lá do monte.
M.L.

Pedir a mão

Neste fim-de-semana, mais prolongado por obra e graça do Carnaval, tive ocasião de fazer umas “releituras” de que estava a precisar. E, num romance, tropecei por várias vezes em situações onde personagens masculinas vão (ou evitam ir / ou desejam ir / ou planeiam ir) “pedir” meninas em casamento, aos pais das ditas. Conforme o estatuto social, e a época, pode tratar-se de uma cerimónia imponente, ou coisa mais simples e modesta. Aliás, literatura à parte, ainda recentemente vimos nos nossos cinemas um filme romântico “O amor acontece” onde um inglês vinha “pedir a mão” de uma rapariga portuguesa, numa sequência ridícula e absurda tal como era contada.
Mas o que me deixa a pensar é o que a noção implica: pede-se uma coisa que é de alguém e que desejamos possuir, não é? Portanto, as raparigas pertencem aos pais, até estes as cederem aos futuros maridos. Só para ficar mais nítido o significado do acto é fazer um exercício de imaginação muito fácil e virar a situação “do avesso” : imaginem que uma rapariga vai a casa do namorado pedi-lo aos pais em casamento! Porque é que a imagem nos choca?
M.L.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2004

Humor

Acabo de ouvir o "Palmilha Dentada", minutos diários de humor que não perco, porque dá para começar o dia com um sorriso. Para mim é melhor programa de humor do momento!!!
Excelente!
M.L.

Pontos de vista ...

Pois é! Tudo depende da informação.
Ouvido, cá por casa, na boca de um otimista em relação ao Portugal-Inglaterra:
"Portugal meteu 2 golos ! " Espantei-me, mas antes de me alegrar, ele concluíu : "Um na própria balisa"
Por vezes encontro estranhas semelhanças entreo futebol e a nossa terra...
M.L.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2004

Cá vamos, cantando e rindo...

Já se sabia, mas é bom ver em letra de imprensa [ é que ninguém inventa, nada não senhor!]
« Pouco depois de assumir a pasta da Justiça, Celeste Cardona defendeu a extinção do Gabinete de Auditoria e Modernização por considerá-lo inútil.
Quase dois anos depois, o gabinete onde já trabalharam 16 funcionários conta apenas com o motorista, já que todos os outros foram transferidos. Essa realidade não impediu a ministra de nomear, a semana passada, dois jovens quadros para a direcção.
A nova directora tem 30 anos e licenciou-se em 1997. O sub-director tem 29 anos, licenciou-se em 2001 e tem como única experiência profissional a de consultor de um gabinete do Ministério.
O «Diário de Notícias» diz que estas nomeações estão a causar mal-estar no Ministério da Justiça, dado que os dois quadros têm pouca experiência e vão receber os ordenados máximos permitidos na Função Pública, ficando imediatamente abaixo do primeiro-ministro.
Assim, a direcção vai receber uma remuneração de 5541 euros e o sub-director vai receber 5380.»
Então? Poupadinha, trocou 16 por 2, e ainda jovens com muita vida à frente. Ganda negócio!!!!
M.L.

Por onde andam os colos ?

Desde que se inventaram as cadeirinhas "de transportar bebés" tornou-se moda levar as criancinhas nessas famosas cadeirinhas, que parecem cestos de supermercado acolchoados, em vez do os transportar simplesmente ao colo. É certo que ainda existem as "bolsas canguru" onde algumas mães mais antiquadas levam os seus bebés perto do coração, mas cada vez são mais raras. O que está in é tirar a criança do carro nesse "artefacto" e levá-la directamente para o infantário, encaixada no cesto/ cadeirinha.
A completar, já há anos que me faz impressão ( que isto agora é coisa já antiga) o facto de nas zonas reservadas, nos transportes públicos, a "grávidas, deficientes e pessoas com crianças de colo", por sistema, vemos uma criança pequenina sentada no assento e a avó ou mãe, carregada de sacos, com ar fatigado, agarrada ao varão. Acho profundamente antipedagógico! Aquele lugar é para um adulto com uma criança ao colo ! A criancinha repimpada num grande assento, a baloiçar as pernas e por vezes a ferrar pontapés na pessoa da frente e o adulto a vigiá-la em pé é um absurdo. É mau porque o menino imagina que "tem direito" aquele lugar, e é mau porque acaba por não ter o tal colo que só lhe fazia bem.
M.L.

Carnaval e Consumismo

Agora que o Carnaval está à porta, não se entra em qualquer supermercado ou "loja de 300" sem sermos rodeados dos mais variados fatos de máscaras. Cada ano se escolhe e compra já feito um fato que corresponde ao que é "moda" para esse ano nas crianças.
Como é? Moda na imaginação?
Quando eu era criança brincava-se muito ao "faz de conta", o que quer dizer aos polícias e ladrões, aos pais e filhos, aos médicos, aos cowboys e índios, às escolas... eu sei lá. era o que apetecia no momento, mas para isso quase sempre tinhamos que nos vestir de acordo com o "teatro" que se fazia. Roubava-se os sapatos e carteiras da mãe, colchas de cama, cabides, lenços, panelas, muita roupa dos mais crescidos e adaptações várias. Claro que não se ficava tal e qual o modelo, mas a imaginação fazia o resto.
Esses teatros que duravam todo o ano, tinham o seu ponto alto no Carnaval. Aí a máscara era mais "a sério" o que quer dizer que havia uns retoques da família, a avó fazia uma saia comprida de "dama antiga com uma cortina, ou um colete de pirata de um antigo do avô mais uns bordados por cima. mas aquele fato era mesmo nosso ninguém tinha um igual e podia continuar a servir para brincar o resto do ano em casa.
Não costumo ser saudosista, mas acho que estes fatos feitos em série, além de obviamente mais caros, são um pouco de usar e deitar fóra, não tem metade da magia dos meus!
M.L

Desabafo

Há uns tempos que receci via email estes comentários:

Já percebeste o que os anos 90 fizeram contigo?

1. Tentas teclar o teu pin no display do micro-ondas;

2. Não jogas paciência com cartas de verdade há anos,
ou então nunca conheceste outra forma de jogar paciência!

3. Perguntas, via e-mail, se o teu colega ao lado vai
almoçar contigo e ele responde-te, por e-mail claro:
"Dá-me cinco minutos!";

4. Tens 15 números de telefone diferentes para falares
com a tua família de 3 pessoas;

5. O motivo pelo qual perdeste o contacto
com os teus antigos amigos e colegas é porque eles
têm um novo endereço de e-mail;

6. Não sabes o preço de um envelope comum;

7. Para ti, ser organizado significa ter vários
bloquinhos de Post-It de cores diferentes;

8. A maioria das piadas que conheces, recebeste por
e-mail (e ainda por cima ris-te sozinho...);

9. Já dizes o nome da firma onde trabalhas quando
atendes o telefone em casa;

10. Digitas o 0 para telefonar de tua casa;

11. Vais para o trabalho quando ainda está escuro,
voltas para casa quando já escureceu de novo;

12. Quando o teu computador pára de funcionar, parece
que foi o teu coração que parou. Ficas sem saber o que
fazer, sentes-te perdido;

13. Sentes-te nu quando te esqueces do telemóvel;

14. Leste este email e balanças-te afirmativamente com
a cabeça em diversos pontos;

e o pior é que é mesmo verdade!!!!

Então o ponto 10 como os telefones são mesmo iguais, é todos os dias!
M.L.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2004

INFÂNCIA DESVALIDA (3ª parte)

E agora o Sr. Villas ( acho que é com éle duplo) Boas. Este senhor que já é conhecido há bastante tempo porque é uma classe especial : um fura-vidas jet-set. É amigo íntimo de toda a gente importante, consegue subsídios e dinheiro lá para o seu lar, vindo de toda a parte. Aliás, no site da Fundação, até lá vem que é apadrinhado pelos Duques de Bragança, atenção que não é qualquer um ! Existe cá pelo burgo este tipo de pessoas que desenvolvem muito trabalho vistoso porque sabem mexer os cordelinhos necessários.
Por outro lado os números de crianças recolhidas, parece-me desadequado. Não é que não haja necessidade de socorrer centenas de miúdos, mas, por favor, não os juntem. Não é um supermercado de protecção à criança! Uma casa que tenha mais de umas 12 crianças começa a não ser humana nem natural. Conheço outros casos de pessoas que descobrem fontes de financiamentos para as suas acções beneméritas e conhecem todos os truques para aproveitarem os subsídios possíveis mas nenhum tão vaidoso como este senhor. Não foi preciso estas declarações infelizes para o conhecer. Até acho que foi um bem ele ter dado esta barraca, sempre foi uma maneira de se poder arejar uma história que precisava de um pouco de ar fresco.
M.L.

INFÂNCIA DESVALIDA (2ª parte)

Claro que há casos, muitos até, onde a miséria é moral. Crianças maltratadas, violadas, rejeitadas. Meninos criados em ambiente de abandono, de indiferença. Mas também aí, na minha opinião há trabalho a fazer com a família. Essas famílias “disfuncionais”, desde que se invista, podem receber orientação e “tratamento”. São sempre situações complicadas mas para isso é que há técnicos e trabalho de equipa, não é? Por outro lado, para além dos pais, é muitas vezes possível encontrar no agregado familiar, tios, padrinhos, primos, cunhados, compadres, eu sei lá, parentes mesmo afastados que com o apoio económico que se vai gastar quando se interna uma criança numa instituição, poderão dar uma resposta muito mais semelhante à vida que a criança tinha na sua casa, e portanto mais adequada.
Temos depois as “famílias de acolhimento”; famílias apoiadas por serviços públicos a quem se paga para receberem a tal criança que não tem lar próprio. Já é uma resposta mais delicada, terá de haver muita vigilância do que se passa entre aquelas paredes, mas... é um lar, uma casa.
E também há a adopção. Também é uma resposta que convém ser cuidadosa, mas sem fundamentalismos. Muitas vezes os técnicos que decidem quais os casais com perfil adoptante, projectam as suas ideias, e muitas vezes inacreditáveis estereótipos. Os processos, como é norma na nossa terra, arrastam-se anos e anos pondo á prova a capacidade de resistência dos candidatos a pais.
E tudo isto, é sempre melhor do que o internamento, que deve ser o último recurso.
M.L.

INFÂNCIA DESVALIDA (1ª parte)

As declarações do Dr. Vilas Boas a uma jornalista com chamada na 1º página, causaram, como seria de prever, o maior ruido. Aqui na blogosfera o ruído, felizmente, atingiu altíssimos decibeis.
Sobre este triste assunto tinha tanto a dizer que, se calhar desdobro os comentários em vários posts para não ficar um lençol interminável.
Porque interminável é, de facto, o relato do que se passa com as crianças do nosso país. Ainda vemos por aí, alguns "Asilos da Infância Desvalida" o que é um bom nome, que de verdade ninguém lhes vale, e por vezes até seria melhor que os deixassem mesmo em paz! Um ponto a favor: acredito piamente, que muita gente esteja a agir com a melhor das intenções - aquela que costuma encher o inferno.
Uma criança nasce e vive num meio hostil, seja degradado materialmente, seja quanto a sentimentos. O que fazer? O bom-senso diz-nos que se calhar antes de mais influir sobre o meioi. Ver o que se passa. Como dar melhores condições aquela família. Como ajudar verdadeiramente. Mas isso é muito difícil e trabalhoso. A velhíssima parábola de ser melhor ensinar alguém a pescar do que dar-lhe o peixe, implica muito tempo e paciência. Dar o peixe, pode ser caro ( então hoje, o peixe só congelado!) mas é apenas isso e despacha-se depressa. Ensinar a pescar, é ainda mais caro ( implica a cana, o anzol, o isco) e leva muito tempo, que há quem diga que "é dinheiro" e muita paciência e compreensão.
O primeiro dos passos a dar em relação a uma criança que está mal é tratar toda a família de que ela é um sintoma. Castigar a família, é uma solução, mas é a pior. E retirar uma criança de uma família sem procurar outra solução é um erro grave - mesmo que seja para a colocar num lar de luxo ( o que o do Vilas Boas também não é)
M.L.

Quando o Professor era candidato

A troca de galhadertes entre o Dr. Santana e o Dr. Rebelo de Sousa tem servido para animar a malta e já provocou um dos posts mais engraçados e bem sucedidos do Daniel no Barnabé.
Mas a lata do professor também tem que se lhe diga! Se eu também lhe desse notas como ele gosta de fazer às pessoas dava negativa em memória! Lá para 1989 (ena pai, há tanto tempo, no outro milénio...) quando Marcelo concorria à Câmara de Lisboa, ouviram-se mimos do tipo de que ele "cantava o fado", afirmava em plena campanha que Sampaio fazia o que mandava o PC e a campanha estava entregue a quadros comunistas ( que susto!) Garantiu que ia por fim à carreita política de Álvaro Cunhal, para não falar do tal mergulho no Tejo a provar que a água era cristalina... Tive acesso a estes mimos através de arquivos de crónicas de TV. Cá se fazem e cá se pagam, não é ?
M.L.

Compras e Vendas

Não sei se será feitio ou educação, mas sempre me incomodou ouvir a palavra "comprar" usada em sentido, digamos, simbólico. Para mim, compram-se coisas, usar esse termo para o que não seja de facto comprável, deixa-me com pele de galinha. No futebol "compram-se" pessoas com naturalidade: o clube tal comprou o Nini, vendeu o Chiquinho, e o outro clube comprou o Cabeçada e vendeu o Gato. Agora acabo de ouvir na rádio, por operadores turísticos, que fulano ajuda a vender o Algarve.
Por favor!!!!!!
Não me vendam o Algarve, que faz falta cá à malta.
Que tal venderem o governo, se alguém o quiser comprar?
M.L.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2004

Sentimentos, Emoções e Números

Como muita gente esperava as "arguídas" de Aveiro foram absolvidas. Aparentemente, o tribunal fez uma pirueta legal, para justificar uma sentença que grande parte do país desejava. Chamo pirueta legal porque, absolver por "falta de provas", depois de tantos meios utilizados, alguns que até me envergonham como cidadã ( por semelhantes ao que se utilizaria para um traficante de droga ) como as escutas telefónicas, exames físicos, vexames totais! Se mesmo assim não têm provas, o que justificou o julgamento? O que tenho ouvido é que o sentimento geral foi de alívio. Nem consigo conceber o que seria se toda aquela gente fosse castigada. Como era, metiam as mulheres e os maridos na cadeia? E os filhos que já existem, ficavam na creche da prisão? Há absurdos que só com muita imaginação se concebem.
Mas quando me atrevo a dizer "que grande parte do país desejava" não é a minha intuição que fala, desta vez são números. Se a sondagem feita fala verdade, grande parte do país quer um referendo, quer que esse referendo seja feito com brevidade, prepara-se para desta vez não se distraír e votar mesmo, e ... por fim mas não por último, vai votar pela despenalização da I.V.G.
Isto se os números não mentem.
é certo que isto é uma batalha, não é o fim da guerra, mas já é uma luzinha.
M.L.

Diferenças

Num passeio pela blogosfera emcontrei neste blog
http://www.os-caes-ladram-e-a-caravana-passa.weblog.com.pt
um post "soldados americanos revistam terrorista".
Lembrei-me que vem aí o 25 de Abril e da fotografiam do miúdo a enfiar o cravo na espingarda do soldado...
Outros tempos.
M.L.

Amiga do Diabo

O que vou dizer deve estar políticamente incorrecto, porque toda a gente diz o contrário. É mesmo remar contra a corrente. Mas...
Hoje fui a uma farmácia. Simplemente comprar aspirina. Havia várias pessoas à minha frente e era fácil ver as receitas que iam mostrando ao farmaceutico. Nenhuma dessas receitas tinha menos de 3 ou 4 medicamentos e pelos conselhos que ia ouvindo esses 3 ou 4 seriam para as mesmas mazelas: "Ponha esta pomada à noite e esta pílula é para depois das refeições; o comprimido é logo ao acordar e este líquidozinho se tiver muita comichão" por exemplo. (confesso que inventei mas o estilo é mais ou menos este) A pessoa tinha uma alergia e procurava alívio. Certo, não é?
Então porque é que a saúde mental tem tão má fama?! Estou cansada de ouvir "está encharcada/o em drogas! foi ao psiquiatra e parece um zombi". Quando vou saber o que é, na maioria das vezes é uma depressão tratada com um ansiolítico e um antidepressivo. Duas drogas complementares. E que, obviamente, se são fortes demais para o doente ele deveria informar o médico para alterar a medicação! Porque das duas uma: ou é demasiado forte, como tratar uma constipação com antibiótico de 4 em 4 horas, e o médico deve acertar o diagnóstico, ou é o medo da droga em si que faz ver tudo com cores muito escuras.
Porque é que a alergia precisava de 4 drogas? Esse doente estava encharcado em pomadas?Porque há tanto receio da psiquiatria? Mas devo ser eu que estou enganada porque, como disse ao princípio, toda a gente pensa ao contrário.
M.L.

Portugal versus Estados Unidos

Já se sabia da existência de modelos morais diferentes - e ainda bem. Também não é nenhuma novidade o puritanismo dos Estados Unidos com aspectos histéricos, quando não caricatos - lembram-se do menino que no Jardim de Infãncia deu um beijinho numa menina e teve de mudar de escola por assédio sexual ? - que não tem nada a ver com os nossos costumes. O que me faz sorrir hoje é o leque de 180º em certos aspectos. O candidato democrático mais bem colocado ficou debaixo de fogo por qualquer coisa da sua vida privada, passada há tempos e que envolvia saias. Que eu percebesse ninguém se queixou, nõa houve nada de mal, talvez algo que se devia resolver entre um homem e a sua companheira como 2 pessoas adultas. mas o barulho já é muito.
Nós temos cá alguém, que se perfila como candidato à presidência, e que o mínimo que se pode dizer é que é um saboroso alimento das colunas sociais com variados affairs sentimentais. É lá com ele. Nunca lhe atiraria nenhuma pedra. Mas, lá que tem graça tem. o que nuns casos é defeito noutros é vantagem por tornar a pessoa mais humana.
M.L.

Assim vai o país

Lido noutro Blog ( Blogo Social Português)

« Salário Médio em Espanha: 1400 euros
Salário Médio em Portugal: 600 euros»


Ora, como se sabe, isto de médias é a velha graça de "se tu comes um frango e eu não como nada quer dizer que cada um comeu meio frango" podemos concluir que dado o nível de escandalosa riqueza que alguns dos nossos compatriotas exibem, a nossa classe média , o que dantes se chamava "remediados" ( palavra acanhadinha e conformada....) desaparece do mapa!
M.L.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2004

Pais e Filhos

Estão neste momento a passar em cinemas de Lisboa pelo menos três filmes que tratam de relações entre pais e filhos. Refiro-me a filhos adultos e a relações difíceis.
Um é a Invasão dos Bárbaros, e outro o Big Fish; o terceiro ainda não o vi portanto não vou falar hoje. Destes dois, gostei muitissimo para além das razões técnicas, que possivelmente não domino, sobretudo pelas emoções que despertam. E é de estranhar porque, até há pouco, este tema era muito pouco aproveitado. Com crianças pequeninas, sim senhor, mas conflitos resolvidos com ternura final entre filhos-homens e pais-idosos é um ângulo novo pelo menos para mim. E já vi muito cinema! E sobretudo porque a ternura entre homens ainda é invulgar, mesmo na vida real o homem gosta de pensar que "domina " a emoção e não a deve mostrar. Que belo pode ser mostrar o contrário. É mesmo a emoção que torna o homem verdadeiramente homem.
M.L.

A minha política é o trabalho

Li ontem, numa notícia de rodapé, num telejornal, um facto que depois tentei confirmar mas ou a notícia nunca saiu do rodapé ou já tinha sido lida. Pode ser que achassem que não tinha importância. E era que, numa autarquia cujo nome não fixei, tinha havido eleições intercalares. Normal, não é? Parece que por problemas com a Assembleia Municipal pelo que dizia no tal rodapé. Tinha ganho o partido X. Também normal. O que me deixou a pensar é que de quatrocentos e tal eleitores ( devia ser terra pequena ) contaram ao todo uns quarenta votos, mais coisa menos coisa. Pelas minhas contas uns 10% do universo eleitoral... Ainda me deu para pensar que contando com os eleitos para a junta, assembleia etc e provavelmente suas famílias, não votou ninguém “de fóra”. É o que se pode chamar uma eleição bastante familiar, não será?
Mas o que se passa em Portugal? Confesso que me inquieta e perturba muito. Há um desinteresse que parece patológico. Lembra-me tempos de que não gostei.
M.L.

As raparigas lá de casa

Como eu amei as raparigas lá de casa

discretas fabricantes da penumbra
guardavam o meu sono como se guardassem
o meu sonho
repetiam comigo as primeiras palavras
como se repetissem os meus versos
povoavam o silencio da casa
anulando o chão os pés as portas por onde
saíam
deixando sempre um rastro de hortelã
traziam a manhã
cada manhã
o cheiro do pão fresco da humidade da terra
do leite acabado de ordenhar

(se voltassem a passar todas juntas agora
veríeis como ficava no ar o odor doce e materno
das manadas quando passam)
aproximavam-se as raparigas lá de casa
e eu escutava a inquieta maresia
dos seus corpos
umas vezes duros e frios como seixos
outras vezes tépidos como o interior dos frutos
no outono
penteavam-se
e as suas mãos eram leves e frescas como as folhas
na primavera

não me lembro da cor dos olhos quando olhava
os olhos das raparigas lá de casa
mas sei que era neles que se acendia
o sol
ou se agitava a superfície dos lagos
do jardim com lagos a que me levavam de mãos dadas
as raparigas lá de casa
que tinham namorados e com eles
traíam
a nossa indefinível cumplicidade

eu perdoava sempre e ainda agora perdoo
às raparigas lá de casa
porque sabia e sei que apenas o faziam
por ser esse o lado mau de sua inexplicável bondade
o vício da virtude da sua imensa ternura
da ternura inefável do meu primeiro amor
do meu amor pelas raparigas lá de casa.


Emanuel Félix, poeta açoreano
(poema extraído do livro «Habitação das Chuvas»)

susana

domingo, 15 de fevereiro de 2004

Cuspir...para onde???

Apesar de em momentos de irritação haver quem pense que se está a andar para trás, ou que a vida “dantes” era melhor do que hoje, creio que a maioria das pessoas sabe que não é assim. Eu sou das que acha que a vida hoje é bem mais cómoda e fácil do que nos séculos anteriores! E, de um modo geral, as regras de civilidade caminham nesse sentido. Vem isto a propósito, de ter ouvido a conhecida expressão cuspir para o ar ( idêntica a “quem semeia ventos”) e achar que quanto mais civilizado se é menos se cospe. É uma coisa cultural e educativa. Eu não cuspo. E o meu filho não cospe. E creio que os meus netos não cuspirão. Mas... há uns séculos era tão normal e necessário que até havia uns objectos chamados “escarradores” – creio que ainda se encontram em antiquários. Um pouco como os actuais cinzeiros, eram umas tigelinhas de loiça ou de metal, e usavam-se para cuspir lá para dentro uma vez que para o chão de um estabelecimento, escritório, etc, era feio. Hoje, dentro de casa realmente já não se faz, mas na rua, é constantemente. Já repararam nos corredores do metro? E nunca viram num sinal vermelho o condutor – por vezes de um carrão de marca – abrir o vidro e mandar uma forte cuspinhadela cá para fóra? Vamos ter esperança e acreditar que com o passar do tempo o controlo vai aumentar e as nossas ruas ficam mais limpas. Que, por enquanto...
M.L.

sábado, 14 de fevereiro de 2004

Leituras em diagonal

Recebido por email, mas não resisto a partilhar. Uma boa amostra da capacidade de reduzir muita conversa ao verdadeiramente essencial. Reparem bem no papel das insónias nestas complicadas histórias...

Marcel Proust " À la recherche du temps perdu".

Resumo: Um rapaz asmático sofre de insónias porque a mãe não lhe dá um
beijinho de boas-noites. No dia seguinte (pág. 486. I vol.), come um bolo
e escreve um livro. Nessa noite (pág. 1344. VI vol.) tem um ataque de asma
porque a namorada (ou namorado?) se recusa a dar-lhe uns beijinhos.
Tudo termina num baile (vol. VII) onde estão todos muito veIhinhos e
pronto.

2) Leão Tolstoi, "Guerra e Paz", (1800 páginas)

Resumo: Um rapaz não quer ir à guerra e por isso Napoleão invade
Moscovo. A rapariga casa-se com outro. Fim.


3) Luís de Camôes, "Os Lusíadas"
Resumo: Um poeta com insónias decide chatear o rei e contar-lhe uma
história de marinheiros que, depois de alguns problemas (logo resolvidos por uma deusa porreiraça), têm o justo prémio numa ilha cheia de gajas boas.

4) Gustave Flaubert "Madame Bovary", (378 páginas)
Resumo: Uma dona de casa engana o marido com o padeiro, o leiteiro, o
carteiro, o homem do talho, o merceeiro, e um vizinho cheio de massa.
Envenena-se e morre.

5) William Shakespeare, "Hamlet"

Resumo: Um príncipe com insónias passeia pelas muralhas do castelo
quando o fantasma do pai lhe diz que foi morto pelo tio que dorme com a mãe,
cujo homem de confiança é o pai da namorada que entretanto se suicida ao
saber que o príncipe matou o seu pai para se vingar do tio que tinha matado
o pai do seu namorado e dormia com a mãe. O príncipe mata o tio que
dorme com a mãe, depois de falar com urna caveira e morre, assassinado pelo
irmão da namorada, a mesma que era doida e que se tinha suicidado.


6) Anónimo colectivo. Novo Testamento (4 versões)
Resumo: Uma mulher com insónias dá à luz um filho cujo pai é uma
pomba. O filho cresce e abandona a carpintaria para formar uma seita de
pescadores. Por causa de um bufo, é preso e morre.

M.L.

Consumismo

Parece que hoje é Dia dos Namorados. Na idade média as pessoas guiavam-se pelo santo do dia. Como havia milhares de santos havia um para cada dia e ainda sobravam milhares... Na actual sociedade substitui-se o santo por uma ideia, profissão etc. Alguns muito bem intencionados mas sem qualquer importância porque ninguém liga. É um pretexto para se falar do acontecimento mas no resto do ano quem se lembra do dia do não-fumador, o dia do peão ou dia do bombeiro (só quando há fogos, é claro) Mas, o que me incomoda um pouco são os “dias” importados e acarinhados pelo comércio para se ganhar mais algum. Este é um deles. S. Valentim e os namorados era lá com os saxões. Até há uns anos nunca tal por cá se falou. Mas é que os nossos feriados não são tão consumistas, estão a ver? Sto António, São João São Pedro, dá para uns manjericos, para uns alhos-porros, umas jantaradas mas pouco mais a nível de compras. Quanto ao Dia do trabalhador que festejamos depois do 25 de Abril (dantes festejava-se com uma carga de pancada da polícia) não dá para comprar nada. Até o Dia da Mãe, (e do Pai, e agora dos Avós, e deve vir o do Mano, o do Padrinho, do Tio, do Primo... viva a Família, que essa já tem Dia - 15 de Maio ) também já entrou no consumismo. Já não é a flor e o beijinho, é o valente eletrodoméstico.
E depois estranham que os portugueses andem cheios de dívidas? Viva o Amor, os namorados e S.Valentim, mas com beijinhos que não se compram nem vendem.


M.L.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2004

Eu estava cheínha de razão!!!




Tinha referido num post anterior que se viam as diferenças de gerações se se assistisse ao concurso “Quem quer ser milionário?” pois a malta jovem acertava em música e desporto e os mais velhos em história, literatura e política.
Estou neste momento a comprovar a minha teoria. Nesta mesma noite, uma senhora, aparentando bem mais de 20 anos, não sabia quem era o actual presidente da Rússia, sendo as hipóteses ( pasme-se!) Lenine, Gorbachov, Putin e Staline. A senhora não sabia mesmo. Respondeu ao acaso. Logo depois, outro jovem, na mesma faixa de idade, à pergunta se, no soneto de Camões, Jacob tinha servido Labão durante 7 anos por, 1- Ter contrato de trabalho, ou 2 – Por decisão familiar ou 3 – Porque era seu escravo, ou 4 - Por querer casar com a filha também não fazia ideia.
Está visto, literatura, história e política são coisas de cotas.


M.L.

Que bom dizer bem!



No público de hoje vinha esta notícia:
«As antigas casas dos guardas florestais da serra de Sintra vão ser restauradas para turismo de natureza, passando a ser abastecidas com energia solar, anunciou hoje fonte da Agência Municipal de Energia de Sintra (AMES).»
Na continuação dava para entender que as casas seriam aproveitadas e utilizadas sem estragar a natureza envolvente, pois a energia utilizada e necessária ao conforto era não poluente. Aquelas casinhas encantadoras abandonadas cortavam o coração. Excelente ideia. Confesso que muitas vezes tenho criticado a câmara de Sintra por excesso de tolerância em relação a crimes ambientais, mas se isto fôr o que parece pela notícia, só posso dar os parabéns. E faço-o com muito gosto!
M.L.

Gerações...

Um exercício sociológico ( ? ) engraçado é assistir ao “Quem quer ser milionário?” com uma família de várias gerações. Vá lá ... duas, também não é preciso exagerar. E vamos pensar em gente com alguma cultura. Perguntas sobre música actual, bandas e seus vocalistas, zás, os jovens acertam logo. Passamos a questões de literatura ou história – é a vez dos pais, sem hesitações. Agora é desporto, sobretudo futebol mas os outros também servem – vencem os jovens. Geografia, é mais os pais, mas pode haver empate. Política – pais. Informática ou tecnologias desse tipo – filhos. Cinema : empate total conforme a data do filme! É engraçadíssimo.


M.L.

desemprego, desprotecção social, competitividade?


o desemprego atingiu 6,4% da população portuguesa em 2003, dizem as estatísticas oficiais, mais 26,5% do que em 2002. mas continuarão apaniguados do capitalismo selvagem e da extrema-direita bafienta a pedir mais despedimentos, menos protecção no desemprego e na doença, mais competitividade. precisam é de combatividade

Reciclar a simpatia não era mau...

Eu não sei quem é que gere e organiza os “ecopontos”. Deve ser uma empresa que depois de recolher os materiais os recicla e aproveita os lucros. A verdade é que tem gasto bom dinheiro em publicidade. Já perdi de conta os diversos anúncios, e que passam em horários nobres, portanto muito caros tanto quanto sei. Mas a mensagem a incentivar o cidadão anónimo a colaborar nos tais 3 R passa sempre por dizerem que pôr os lixos no ecoponto é facílimo. Ou são criancinhas inexperientes que percebem logo, ou até bebés que acertam com os formatos das caixinhas, e se bem me lembro até já entrou um macaco que via logo onde enfiar o produto no locar certo. Para mim, a mensagem é antipática por arrogante – eu cá não gosto que me chamem burra, fico logo de pé (ou pata ) atrás.
Mas, além de antipática a mensagem é falsa. Suspeito que o criativo da agência de publicidade não costuma utilizar o ecoponto. Porque, meus amigos, NÃO É no azul põe-se papel e cartão, no verde põe-se vidro e no amarelo embalagens. Isso, acredito que o macaco fazia. Mas tenho as maiores dúvidas que o tal bicho visse que o papel de fax já não serve, que o vidro se fôr de cristal ou de janela também não serve, e as embalagens devem ir limpas. Valha-me Sant’Ecoponto!
Por outro lado, o dinheiro dessa publicidade talvez fosse bem empregue em pagar a mais camionetas para esvaziar os recipientes cheios. Ou é azar meu, ou por onde costumo passar o espectáculo é triste de ver, por os recipientes transbordarem de material. Com aquelas vistas não há boa vontade que resista, apetece é fugir e deitar tudo no lixo normal.

M.L.

Sexta-feira... 13?



As sextas-feiras têm de agradável serem véspera de fim-de-semana. Há muito quem sorria com essa ideia, a não ser os super-pessimistas que recordam que sábado é ante-véspera de 2ª... Há também aqueles para quem às 6ª se acumula tudo o que vai ter de se despachar antes desse famoso fim-de-semana. Oh, perversão!!! Apetece lastimar-me porque é quase sempre o meu triste caso.


M.L.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2004

Onde estão as fogueiras?

Primeiro ouvi pela rádio e li depois já num blog, esta frase espantosa:
«Quando uma pessoa é toxicodependente, foi avisada e contra todo o conselho da família, dos amigos, da estrutura, mantém a sua situação de toxicodependência, eu pergunto: De quem é a responsabilidade?»
A resposta implícita é que quem fala lava daí as suas mãos. Eu digo que é uma frase espantosa porque quem a proferiu foi a pessoa responsável por toda a política portuguesa. Esta posição já deu origem a uma fila enorme de comentários em vários blogs, mas tendo este espaço vou utilizá-lo para mostrar o meu espanto. Fiquei atónita porque o responsável máximo pela educação, saúde, justiça em Portugal lava as mãos do problema da toxicodependência porque "a responsabilidade" é dos próprios que criaram o problema apesar dos avisos da família, amigos, etc. Um barco sai para o mar apesar de avisado que vem a´uma tempestade, se naufragar é bem feito porque devia ter tido cuidado e não se ter posto em risco.
Quem habita este mundo, sabe que o problema da droga é um problema dos finais do século, gravíssimo, que abrange todas as classes sociais, e que não se resolve com "força de vontade". Um dos problemas dessa doença é exactamente perder a força de vontade. E se temos a imagem do drogado-arrumador-de-carros ou gatuno de meia tijela, e isso mete medo ao cidadão comum, podemos lembrarmo-nos que há artistas célebres dependentes de drogas mas nunca roubaram porque ganham muitíssimo dinheiro e não precisam de roubar. Ou seja, o drogado não rouba porque é drogado, rouba porque não tem dinheiro para comprar a tal droga. Dito de outra maneira: se a cocaína fosse ao preço da aspirina, eles morriam como tordos,mas não roubavam. portanto o que deve meter medo às pessoas são os dealers que promovem os negócios, que lavam o dinheiro em negócios lícitos, que iniciam miúdos às portas dos liceus. O consumidor em si é um doente de uma doença terrível. Sacudi-lo porque "a culpa é dele"??
À pergunta, de quem é a responsabilidade, eu diria que é de quem não luta contra o narcotráfico, de quem ataca as vítimas e não os criminosos. Desejo sinceramente que o Dr. Barroso nunca venha a saber que no melhor pano cai a nódoa, e que o Deus em que me parece que acredita lhe afaste esse cálice da boca. Porque, de resto, a Inquisição acabou há algum tempo e as fogueiras estão apagadas e frias.

M.L.



quarta-feira, 11 de fevereiro de 2004

Vestuário e símbolos religiosos

As 2 ou 4 vezes que vim anotar coisas neste blog, foi sempre a brincar, mesmo quando brincava com coisas que tinham uma parte de seriedade. Mas desta vez venho mesmo falar a sério. Ando muito confusa. E o pior é que sou uma criatura que tem muitas dúvidas e engana-se frequentemente. Desta vez pareço um cata-vento, leio o Barnabé e fico com uma ideia, depois o Blog de Esquerda e mudo um pouco, depois um artigo no Monde e volto a mudar, depois um semanário português... enfim, a confusão é enorme.
Os franceses, andam a discutir uma lei para saber se os estudantes podem usar símbolos ostensivamente religiosos nas escolas. Atrás disto vem o facto de as jovens muçulmanas usarem ou não o que se designa por “véu”, ou agora “lenço”. E discute-se se são obrigadas ou é por livre vontade. E ainda se é contra a liberdade da mulher ou na defesa do seu pudor. Ora o que eu sinto é que está tudo ainda muito mal explicado. Tentei informar-me e parece que véu, mesmo véu, é uma noção cá do ocidente. As católicas põem véu ou mantilha para ir à missa. Para uma sociedade islâmica há, desde a “burka” ( e, a minha 1ª opinião contra, era quando julgava que nos estávamos a referir a isso) ao pak chadar, ao chador, ao hijab, e nada disso são simples lenços como nós os imaginamos. A burka é um fato que tapa uma mulher da cabeça aos pés com um rendilhadozinho que lhe permite ver e respirar. Pode ser que uma pessoa assim tapada se sinta protegida mas fica desde logo segregada do resto da comunidade. Claro que pode ser um costume religioso mas só me lembra o homem-da-máscara-de-ferro e faz-me impressão, e falta de ar. Desculpem, não posso concordar. Mas o jibab, por exemplo, é um casaco todo fechado e um lenço na cabeça, como as nossas ceifeiras usavam. Isso não me faz impressão nenhuma. É com elas e suas famílias. Ou seja, como ocidental sinto que tapar o corpo, o cabelo e até luvas para as mãos é uma questão pessoal. Tapar tudo incluindo a cara, ou vendo-se unicamente os olhos, perturba-me um pouco.
Por outro lado, da parte francesa, parece-me (parece-me agora, se calhar mudo de ideias) de facto discriminatório e racista. Porque é que uma pessoa não se pode vestir como entende? Se calhar os piercings, tatuagens etc, também chocam, até porque muitos são feitos para chocar. E obrigam o miúdo a tirar o piercing antes de ir para a escola? Não sei, a sério. Sei que há 40 anos as raparigas não podiam entrar na Faculdade de Letras de Lisboa de calças compridas, mas achava mal! E se hoje fossem de chaddar? Entravam?

M.L.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2004

Esclarecimento

Ao meu "colega" BitMaker:
Não sei se é a diferença de fusos, mas meu amigo/a, não deu para ver que eu estava a brincar? É claro que me estava a meter com os donos dos cães, os pobres cães não lêm português só cãoês. E também é claro que a porcaria que fazem nem é um "hábito" é uma muito biológica necessidade. O incrível é que a tal lei, que também existe em Portugal, é cumprida por uma percentagem mínima da população (embora haja quem a cumpra). Mas fiquei divertida ao ler, que o que escrevi por graça, parece já existir. Sempre é certo existirem fraldas??? O que mais me faltará ainda ver!

M.L.

Finalmente ! Que alegria!!!



No fim de semana, estava eu meio ensonada fazendo zaping pelos nossos canais quando apanho com uma reportagem que me provocou um choque de alegria. Finalmente entendi a estranha sensação de carência com que tenho andado. Lisboa andava com falta de qualquer coisa, mas eu não sabia definir...Já me tinha passado pela ideia a limpeza das ruas sujíssimas ? (hum?? nã!) o trânsito estar caótico ? ( ...hãã..talvez não) as casas degradadas ?( tão pouco!) falta de espaços verdes ?( quem quer verdura vai à praça), tantos buraços em ruas e passeios ? Nada disso. Eu estava como a sra. a quem apetecia "algo", de sofisticado, de chic, algo... enfim... tal como um ringue de patinagem no gelo!
Mas que bom, que bom, que bom! Assim como há uns anos "Sobral-de-Monte-Agraço-já-tinha-um-parque-infantil" agora, esta bela capital, tem patinagem no gelo, interessante actividade a que nos habituámos desde pequenininhos. Qual de nós não experimentou uns patinzinhos de gelo após os primeiros passos? Aliás se somos tão bons em hoquei em patins é porque treinámos antes disso na pista de gelo. Muito obrigada Dr. Santana Lopes por finalmente ter posto cobro a este legítimo anseio da população alfacinha. Já posso dormir muito mais descansada, pelo menos um bem de primeira necessidade já cá canta.

M.L.

Cães e seus donos.

Citando este post abaixo, vou colocar minha visão Brasileira (ou Paulista) sobre esse assunto cães.

Não acredito o hábito fazer coco de um cão seja um ponto negativo, nem mesmo que isso conte muito afinal ele não é um ser racional, mas pode ser treinado, adestrado para fazer ou não na rua. E o dono do cão? Será que esse não é realmente o culpado por esse péssimo hábito de emporcalhar as ruas de Lisboa e tantas outras pelo mundo afora?

Em São Paulo tem uma lei (não sei se é municipal, estadual ou federal) que obriga o dono do cão a recolher as fezes do animal. É normal vemos as 'dondocas' passeando com seus cachorrinhos e levando junto um par de luvas e uma sacolinha para o lixo e às vezes até vemos cachorros usando fraldas.

Sabemos que aqui no Brasil tem um negócio de leis que 'pegam' e que não pegam, então porque será que essa lei é seguida? Fiscais para multar os donos do cão não existem.


BitMaker

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2004

Cães

Eu gosto de cães. Palavra. (também parecia mal vir a um blog chamado Cão de Guarda e dizer o contrário) Mas a sério que nada me move contra os cães, excepto um pequeno pormenor: fazem cocó. Quanto ao resto, grandes amigos! Fazem companhia, rosnam aos nossos inimigos, brincam com as crianças, lambuzam-nos todos de meiguice, quando são cachorrinhos são um encanto. Mas fazem cocó! Desculpem, mas andar em Lisboa é uma gincana que não permite um segundo de distracção - basta alguém assobiar, um raio de sol bater-nos na cara, um carro chiar a derrapar, um golpe de vento e catrapumba um pé em cheio na porcaria do cão. E além dos montinhos da propriamente dita, o resto do passeio costuma estar barrado com o que ficou na sola do sapato de alguém que teve um acidente igual antes de nós...
Portanto vinha aqui propor fraldas. Numa antiga telenovela, onde entrava a figura de um cangaceiro, Zeca Diabo, o perfeito dessa cidade brasileira tinha tido a ideia de obrigar os cavalos e burros da cidade a usar umas fraldas para a cidade ficar mais limpa. Lá não resultou. Mas entre as brilhantes ideias do Dr. Santana, vinha relembrar essa do perfeito Bem-Amado : fraldas para os cãezinhos de Lisboa. Os peões agradeciam.

M.L.

País temperado

Falar do tempo é quando não há mais nada a dizer, parece. Mas hoje apetece-me fazer este comentário porque vivemos numa terra que se diz de "clima temperado". Devia ser bom. Seria a tal eterna primavera, etc, blá, blá, blá. Acontece que já vivi em terras mesmo frias e outras mesmo quentes e juro que era muito mais agradável quanto a bem-estar. Nas terras frias, as casas têm aquecimento central e vidros duplos, assim que se entra a porta da rua o prédio está morninho. As lojas, cinemas, transportes, têm uma temperatura agradável, frio mesmo é na própria rua e aí há casacos, gorros, luvas. Eu, em Lisboa tenho um frio do caraças mas é em casa. Na rua até me aguento mas se vou da sala para a cozinha, do quarto para a casa de banho, sinto que morro enregelada!
E quanto ao calor idem aspas. Numa terra quente, lojas, táxis, serviços públicos, restaurantes, diversões, tudo estava fresco. Tínhamos verdadeiro calor ao andar a pé na rua. Nesta nossa bendita terra, no verão julgamos que morremos, parece uma surpresa sempre que aparece o calor. Desculpem-me, sou eu que sou anormal?
M.L.

Rafael Alberti


Quando tu apareceste,
penava eu nas entranhas mais profundas
duma cova sem ar e sem saída.
Esbracejava no escuro, agonizante,
ouvindo um estertor que esvoaçava
como o pulsar duma ave imperceptível.
Sobre mim derramaste os teus cabelos
e subi ao sol e vi que eram a aurora
cobrindo um alto mar de primavera.
Foi como se tivesse chegado ao mais formoso
porto do sul. Submergiam-se
em ti as mais lúcidas paisagens:
claros, agudos montes coroados
de neve rosada, fontes escondidas
na crespa sombra dos bosques.

Aprendi a descansar sobre os teus ombros
e a descer por rios e encostas,
a entrelaçar-me nos ramos estendidos
e a fazer do sono a minha morte mais doce.
Arcos me abriste e meus floridos anos
recém-erguidos para a luz repousaram
sob o amor da tua compacta sombra,
tirando o coração ao vento solto
e ajustando-o ao verde som do teu.
Ora adormecia, ora acordava sabendo
que não penava numa cova escura,
esbracejando sem ar e sem saída.

Porque tinhas finalmente aparecido.

domingo, 8 de fevereiro de 2004

O Terceiro Efe

Noite de futebol. Até 3 minutos do final do jogo parecia que o título ainda era uma hipótese, mas quase a acabar um golo de empate acaba com as esperanças neste lar ( apesar de matematicamente, etc e tal). Pronto. Paciência. Mas o que faz pensar é ver os machos adultos darem murros aos móveis, e alguns pontapés às portas, para escoar a raiva enquanto os machos pequeninos limpam a lágrima disfarçadamente e tentam que o beicinho não trema. E até esta femea da família de felinos, com uma clubite mais soft, também se sente desapontada... Mas que raio se passa connosco? Porque é que quando se tem a triste ideia de dizer "é só futebol" se apanha com um olhar assassino? Numa altura onde tanta coisa parece correr mal, se calhar uma vitória num jogo, assume por isso mesmo uma importância desmesurada. Já não é "só futebol", é o F que nos ficou!
M.L.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2004


BitMakerDonosor


Enquanto na web...



(..)Assim que eu dei o meu primeiro passo no futuro. Logo notei uma grande diferença nas cores da cidade (Săo Paulo no caso). Estava muito mais cinza do que o normal... barulhos de deixar qualquer um tonto me assustavam a cada 15 segundos. Gritos, que muitas vezes me lembravam os Holigans, me deixavam pasmo. Bom, lá estava eu parado no meio da 23 de maio no dia de 30 de janeiro de 2034. sem saber pra onde ir, decidi andar em sentido centro, pois gostaria de saber se eu ainda moraria na zona norte. De longe eu avistava uma baderna, e os barulhos ficavam cada vez mais altos.


Chegando realmente no meio da baderna, eu fiquei espantado, ao ver a quantidade de corinthianos atrás das trincheiras. Todos bem armados, logo me perguntaram qual era meu time do coraçăo, com um tom meio ameaçador. Eu, sem demora afirmei que o timăo sempre estaria no meu coraçăo. Foi quando eles me contaram as novas: Palmeirenses e Corinthianos estavam em guerra para decidir quem dominaria a cidade daqui para frente. Logo eu perguntei dos Săopaulinos. E confesso que cai na gargalhada quando o Gilberto (da milícia corinthiana) me contou que o tricolor paulista tinha acabado de ficar com o vice campeonato da série C do Brasileiro. Acho que toda aquela agitaçăo me deu fome, e me aconselharam ir para a augusta, pois era a rua mais indicada para matar a fome. Depois de uma bela caminhada, cheguei na augusta. E o meu 3ş espanto foi: de 4 restaurantes 1 era Bobs. Fiquei abismado? Onde iria comer Cheddar do Mc? Onde? Estava deslocado, e corri para a banca, procurar um “acontecimentos desde 2004”, mas o seu Guenternito dono da banca me disse que livros com mais de 100 paginas somente seria encontrado na Saraiva Mega Paladium. Foi o que eu fiz, me locomovi até lá (antigo Teatro Municipal).(..)

que moça bonita


inesperadamente, ouvindo Pedro Luís e a Parede, bebendo uma Alhambra, Sierra Nevada com sol intenso, e relembrando Adriana Lisboa, "notou mais uma vez, com um carinho täo dolorido, que o ventre dela ficara um pouquinho protuberante depois da gravidez. Aquilo deixava seu corpo mais bonito. Mais real. Infelizmente, mais real."

que moça bonita, que moças bonitas

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2004

entre Córdoba e Granada


(Paco Ibañez cantando Rafael Alberti)

galopa, cavalo quatralvo,
ginete do povo,
ao sol e à lua,
cavalo de espuma,
ginete do povo,
que a terra é tua

-#-

Vinde, vós que nunca fostes a Granada.
Há sangue caído, sangue que me chama.
Nunca entrei em Granada.

Há sangue caído do melhor dos irmäos.
Sangue nos mirtos e na água dos pátios.
Nunca fui a Granada.

Do melhor amigo, há sangue nas murtas.
Sangue no Darro, sangue no Genil.
Nunca vi Granada.

Se altas säo as torres, é alta a coragem.
Vinde por montanhas, por mares e campos.
Entrarei em Granada.

domingo, 1 de fevereiro de 2004

ausência

(por Abu Bakr al-Turtusi, poeta arábigo-andaluz, ladrão de prazer)

Sem cessar, percorro os céus com os olhos
a tentar ver a estrela que estás contemplando.
Interrogo os viajantes de todas as terras
na esperança de encontrar
alguém que tivesse
aspirando a tua fragrância.

Quando os ventos sopram,
procuro recebê-los no rosto,
como se a brisa me trouxesse
notícias tuas.

Errante vou pelos caminhos,
sem rumo nem meta:
talvez uma canção
me recorde o teu nome.

Furtivamente, miro,
sem necessidade,
quantas pessoas encontro,
tentando avistar um rasgo
da tua formosura.