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domingo, 6 de maio de 2007

(Cadáver Esquisito)

Há uns tempos na FCSH da UNL entre a conversa ia circulando um papel onde íamos criando nossos cadáveres esquisitos. Aqui fica o único cadáver dessa tarde/noite a ser recuperado:
falo por ti em mim
sou assim assim
mais ou menos a direito
menos a mais acordado
tu tás em mim
porque sou assim assim
assim azul, distante
corres-me de estante em estante
o amante bebe espumante e diz
para a mulher: "amo-te tante!"
só, sozinho, honestamente amante
porque em mim, ainda sou constante
tu, eu, nós, e o nada, tudo é alarmante
Criado por:
C.C.
David C.
Carlos S.
Bruno C.
Maria N. (que não escreveu nenhuma linha neste cadáver, mas...)

BMC

segunda-feira, 16 de abril de 2007

pecados íntimos com vida

Em letras enormes do tamanho

do medo da solidão da angústia

um cartaz denuncia que um homem e uma mulher

se encontraram num bar de hotel

numa tarde de chuva

entre zunidos de conversa

e inventaram o amor com carácter de urgência

deixando cair dos ombros o fardo incómodo da monotonia

quotidiana

(Daniel Filipe, A Invenção do Amor)

quarta-feira, 4 de abril de 2007

pequeno apontamento (com regozijo dentro)

não sei se respondo ou se pergunto.
sou uma voz que nasceu na penumbra do vazio.
estou um pouco ébria e estou crescendo numa pedra.
não tenho a sabedoria do mel ou a do vinho.
de súbito ergo-me como uma torre de sombra fulgurante.
a minha ebriedade é a da sede e a da chama.
com esta pequena centelha quero incendiar o silêncio.
o que eu amo não sei. amo em total abandono.
sinto a minha boca dentro das árvores e de uma oculta nascente.
indecisa e ardente, algo ainda não é flor em mim.
não estou perdida, estou entre o vento e o olvido.
quero conhecer a minha nudez e ser o azul da presença.
não sou a destruição cega nem a esperança impossível.
sou alguém que espera ser aberto por uma palavra.

antónio ramos rosa



susana