terça-feira, 9 de setembro de 2003

Ops :-


As imagens do Cão de Guarda não estão disponíveis, porque o servidor onde elas estão alojadas está em baixo. Regresse mais tarde para as ver. Entretanto, passe uma vista de olhos pelos outros posts.

Gatos de Schrödinger (1) :-


[rotating neutron star]
Estrela de neutrões em rotação [simulação]

The day after :-


Nenhum discurso de George W terá tido um impacto tão negativo junto dos norte-americanos, como o de ontem à noite.

Pela primeira vez, os nove candidatos às primárias do Partido Democrata foram unânimes em criticar a administração Bush na gestão da crise do Iraque. E, também pela primeira vez, a crítica parece estar a ressonar muito bem com uma cada vez mais ansiosa sociedade norte-americana.

Diz-se que são "pornográficos" os 87 mil milhões de dólares que o Presidente está a pedir para continuar a “guerra ao terrorismo”. Ainda para mais, quando comparados com o completo desinvestimento em matérias internas delicadas.

Diz-se, também, que o falhanço total por parte da diplomacia norte-americana na construção de uma rede de apoio internacional à gestão da crise do Iraque, irá penalizar os Estados Unidos por longos anos. Claro que por cá ninguém acredita - nem nunca acreditou - que Inglaterra e Estados Unidos possam ser consideradas uma força multinacional. E nem com os GNR portugueses à mistura se deixará de pensar em unilateralismo.

Diz-se tudo isto na rádio, nos jornais e na internet; e sente-se um cheirinho no ar a complicações lá para os lados do conservadorismo republicano.

Exclusivamente por curiosidade, transcrevo algumas das coisas que ouvi nos corredores durante o dia de hoje:
«Was he on TV?"
«I have to remember to vote next time.»
«I swear I saw the strings coming out of his arms...»
«He makes use of a language nobody understands.»
«If this country was a business, he would be in jail.»
«$87 billion more? For what?»
«I'm glad I didn't listen to it.»

segunda-feira, 8 de setembro de 2003

Bushalidades ou o minimalismo repetitivo :-


Depois de quase termos morto a televisão cá de casa, hoje foi dia de a reanimarmos.

Há alguns meses, fartinhos das campanhas pró guerra da CNN, decidimos que seria altura de ceder o sinal por cabo exclusivamente aos computadores. Não tivesse sido a ameaça de nunca mais vermos os jogos de basketball universitário que recomeçam em Janeiro, e a tal caixinha dos milagres ter-se-ia tornado o objecto mais ostracizado por estas bandas.

Mas, dizia eu, hoje foi domingo de Páscoa para as ondas Hertzianas. Recorrendo a uma antena digna de um museu de história do século XX, e com a dificuldade inerente à existência de uma multitude de frequências, os canais lá foram sendo resintonizados. Primeiro, o canal da Universidade. Depois, as sucursais locais da CBS, da ABC, da NBC e por aí adiante. Um canal hispânico pelo meio e, finalmente, a sucursal local desse bastião do reaccionarismo, mais conhecido por FOX.

A ocasião justificava o esforço. Afinal, George W iria discursar perante a Nação sobre os recentes desenvolvimentos da guerra no Iraque e da batalha contra o terrorismo, pelo que decidimos seria altura de voltar a ouvi-lo. Já tinham passado alguns meses desde a última vez que o tínhamos feito, pelo que esperávamos estar mais tolerantes.

Puro engano, claro está.

George W disse hoje exactamente as mesmas coisas que disse no dia 12 de Setembro de 2001. E exactamente as mesmas coisas que disse no dia 13 de Setembro de 2001; e em Dezembro de 2001; e em Junho de 2002; e em Março de 2003. As mesmas coisas, sem tirar nem pôr: «War on terror (…) fought on many fronts in many places»; «We will spend what is necessary (…) to make our nation more secure.»; «This will take time and require sacrifice»; «I have directed Secretary of State Colin Powell to introduce a new Security Council resolution (…)»; «We’ve been tested (…) and the dangers have not passed.»; «We are serving in freedom’s cause (…)»

O meu amigo Ryan – um americano de gema do estado de Nova Iorque – disse-me, poucos meses depois do 11 de Setembro, «o melhor é desligar sempre que o W falar. Assim, poderemos fazer de conta que temos um presidente consistente com os valores que a América representa». Devia ter seguido o aviso à risca.

Embora as palavras - sempre as mesmas - de George W possam ter sido necessárias e oportunas no dia 12 de Setembro de 2001, o certo é que elas estão hoje profundamente desadequadas das reais necessidades norte-americanas: revitalização económica; luta contra o desemprego, pobreza e exclusão social; reinvestimento na educação; defesa do ambiente. Além disso, essas mesmas palavras têm servido de suporte a políticas McCarthy-istas de restrição às liberdades individuais, as quais têm o seu expoente máximo no chamado Patriot Act: um autêntico mimo de estados-polícia, adorado por uns e odiado por outros.

A amplitude de sensibilidades políticas nos Estados Unidos é hoje maior do que terá alguma vez sido depois da guerra do Vietname. E os discursos minimalista-repetitivos de George W, como o de esta noite, têm vindo a contribuir, e muito, para essa polarização.

A nossa televisão, essa, vai voltar a um quase total descanso, pelo menos até Novembro de 2004, regressando aqui e ali sempre que houver um jogo de basketball.

Osso de escabeche (2) :-


New York Cheesecake

Ingredientes para a Massa: Bolachas Digestive moídas (1 chávena) [os mais gulosos podem usar bolachas Oreo]; açúcar (3 colheres de sopa); manteiga (3 colheres de sopa).

Ingredientes para o Recheio: Queijo cremoso, tipo Philadelphia, à temperatura ambiente (1 kg); açúcar (1 chávena); farinha (3 colheres de sopa); ovos (4); sour cream (1 chávena) [em substituição pode ser usado 1 queijo fresco batido com natas, ou 1 iogurte]; extracto de baunilha (1 colher de sopa).

Tempo de preparação: 100 minutos.

Custo: 10 a 12 euros.

Dificuldade: ** [de *fácil a ***difícil].

Preparação da Massa: Derrete-se a manteiga e juntam-se as bolachas moídas e o açúcar. Este preparado serve para forrar o fundo e os lados de uma forma de fundo móvel com 25 cm de diâmetro. Leva-se ao forno pré-aquecido (180 ºC) durante aproximadamente 10 minutos, até secar.

Preparação do Recheio: Bate-se bem o queijo cremoso com o açúcar e a farinha a velocidade média. Adicionam-se os ovos um a um, batendo bem depois de cada adição. Juntam-se o sour cream (ou substituto) e o extracto de baunilha. De seguida, deita-se este recheio sobre a massa que forra a forma e leva-se ao forno durante uma hora, a 180 ºC. Desliga-se o forno e deixa-se repousar durante 30 minutos. Depois de arrefecer, desenforma-se e, se se desejar, cobre-se a superfície com doce de framboesa ou morango.

Sabe melhor frio e no dia a seguir.

sábado, 6 de setembro de 2003

Mensagens codificadas (2) :-


O blog de esquerda escreve uma nota de boas-vindas ao Cão de Guarda que é uma ode à simpatia. E, como se tal não bastasse, vai ao ponto de transcrever o que aqui foi escrito sobre o filme 11'09''01. Quem parece não ter gostado muito foi um dos seus leitores, que comenta a transcrição sem nunca chegar a perceber que o texto em causa é, tão só, uma memória descritiva. Mas, que mais se poderia esperar vindo de alguém que se diz leitor assíduo disto? Já nem nas mais recônditas zonas do Alabama se conseguem encontrar "pérolas" deste calibre.

A formiga de langton tem um amigo belga - ou português a viver na Bélgica - que a visita pela calada da noite. Tenho quase a certeza que esse amigo belga da formiga é o mesmo que por aqui se tem passeado frequentemente nos últimos dias. É bom ter amigos assim: BlogoFiéis.

O País Relativo linkou o Cão de Guarda nas suas páginas, categorizando-o como "blogue à esquerda". Devo confessar que isto me deixou um bocado à rasca inicialmente. Tentei perceber o porquê de tal adjectivação, e só depois de uma demorada e atenta releitura das minhas notas é que o consegui. Não tem rigorosamente nada a ver com os textos serem ou não de esquerda. Tem só a ver com o facto de eles serem bons. "É como ter o Figo a jogar pela ou contra a nossa equipa", deverão ter pensado.

NR: Alguém viu o Bernardino Soares na inauguarção da festa do Avante? Ia jurar que o tinha visto ontem à noite a servir às mesas do restaurante onde fui jantar, bem longe da Atalaia. Muito longe, mesmo.

sexta-feira, 5 de setembro de 2003

quinta-feira, 4 de setembro de 2003

Darwinismos :-


É um axioma das teorias da evolução, o facto de que a diversidade genética é uma mais-valia das espécies, tendo sido essa a forma encontrada pela Natureza para permitir uma resposta eficiente às veleidades do ambiente. Nesse contexto, faz sentido afirmar que não há objectos genéticos criados pela Natureza que sejam irrelevantes.

Mas, o mesmo já não poderá ser dito no que a seres artificialmente gerados diz respeito. O caniche - uma raça inventada pelos humanos para responder a anseios inexplicáveis - é o expoente máximo do non-sense genético.

Tudo isto vem a (des)propósito de um artigo que me foi dado a conhecer pelo meu amigo Zé - o inocente instigador do Cão de Guarda. O artigo, publicado no DN de hoje e assinado por Santana Lopes, é uma balofice de conteúdo. São dois parágrafos escritos com base na técnica literária da reprodução do acessório e do inútil. Dois parágrafos em que o autor fala de si, dos media, da política, da política e dos media, da política e de si, de si e dos media.
“Pedro Santana Lopes” - como certamente se auto-referirá todas as manhãs ao espelho - é um retrocesso evolutivo; uma de-sofisticação do género.

Um homem que assenta as suas convicções políticas em referências constantes a um longínquo congresso do pê-pê-dê--pê-esse-dê, onde o que de mais terá feito foi sentar-se ao lado de Sá Carneiro. Um homem que eleva a sua imagem, fazendo-se mostrar ao lado de mulheres que mais parecem caniches de fala fácil. Um homem que possui o dom da multiplicação das palavras irrelevantes de cada vez que fala ou escreve. Um homem que acredita na sua autoridade intelectual, porque escreve em ene jornais e fala em ene televisões e debita disparates em ene rádios. Um homem que gere a câmara municipal da capital de um país europeu como se fosse um centro comercial de vaidades. Um homem que acredita que irá ser presidente da república de um país que se quer moderno e inteligente. Tal homem, só poderá ser um equívoco da espécie.

Um perigoso equívoco, though.

Mensagens codificadas (1) :-


Ah..., como seria bom saber escrever sobre futebol como o fazem Frederico & Artur. Mas - enorme consolo! - saboreio guloso o facto indesmentível de que jogo melhor do que qualquer um deles; muito melhor, até. E sinto as nuvens, por ainda só terem passado 2 anos desde a última grande conquista nacional... Ops, terei libertado fantasmas antigos?

Em resposta à angústia do Miguel Cabrita: Não será o clustering um mecanismo de defesa perante a mudança de escala? Porquê ter medo de uma blogosfera grande, se ela será sempre - independentemente do seu tamanho - a soma de pequenas blogosferas? Será a blogosfera um invariante de escala com dimensão fractal?

Fico extremamente satisfeito com o insucesso das negociações entre o Glória Fácil e o Terras do Nunca, relativas a um tão blogado merging. A bem da produção local; contra as grandes superfícies de consumo.

NR: Tenho a sensação que a BlogoSondagem não está a funcionar muito bem. Espero que os tipos da Pollhost.com saibam o que se passa. Entretanto, continuem a votar. Vejam os resultados antes de votar e tentem perceber se o vosso voto foi, ou não, contabilizado. Se não o tiver sido, ladrem-me um e-mail. Thanks.

quarta-feira, 3 de setembro de 2003

Síndrome de Olivença :-


O encontro ocasional entre dois portugueses, a 5 mil kilómetros de distância de Portugal, revela sempre a mesma estrutura de diálogo:

- Olá, por aqui?
- Sim pá, estive agora a dar uma aula e vou ter uma reunião.
- E as coisas, estão a correr bem?
- Estão... muito bem, até.

[Silêncio prolongado. Altura para procurar o caminho de fuga mais curto.]

- Quando é que vais a Portugal?
- Vim de lá agora...
- Ah! Eu sou capaz de lá ir no Natal. É mais barato.
- Eu desisti de ir no Natal. Não tenho tempo nenhum para mim. Passo o tempo todo a visitar primos que não sabia que tinha.
- Pois é, eu também.
- Olha, temos que jantar um dia destes.
- Está bem, pá. Manda-me um email para combinarmos.
- OK.

[Segundo silêncio longo. Reafina-se a pontaria para o percurso de fuga. É agora, ou mais 10 minutos de conversa.]

- Eh pá, estou atrasado para uma reunião. Até à próxima, pá.
- Adeus, pá.

Ufa... Agora é esperar mais dois meses até reencontrar este de novo.

Da BIOsfera à blogosfera :-


É de papel,
o foguetão que me lançou na blogosfera.

De papel pardo resistente;
com listas grossas horizontais
de um verde igual ao da floresta dos meus sonhos.

Tem a palavra "mundo" escrita a negro-cósmico;
e três pequenos motores de hidrogénio líquido.

No ocaso de cada dia-Terra,
desenha trajectórias curvilíneas,
pelo meio das estrelas coladas no céu.

Olhando o azul em baixo,
procura a diferença e a igualdade,
a justiça e a liberdade,
na construção das fronteiras humanas.

Depois,
quando pela enésima vez o Sol se põe,
aproveita a micro-gravidade,
e adormece a ver outros mundos crescer.

É um foguetão de papel,
às riscas verdes,
com três motores pequenos de hidrogénio líquido
e a palavra "mundo" escrita a negro-cósmico,
aquele foguetão que me lançou,
devagarinho,
na blogosfera.

Florida ballot (2) :-


Lançamos hoje de novo um desafio em forma de BlogoSondagem aos leitores do Cão de Guarda.

À pergunta "A blogosfera é de... ", espera-se que respondam em consciência e bem informados. O boletim de voto encontra-se na "Coluna Invertebrada", do lado esquerdo do Cão de Guarda. Já agora, na mesma coluna, tentem encontrar o que Bush & Companhia ainda não conseguiram.

Relativamente à BlogoSondagem-piloto que ontem se deu por terminada, os resultados à pergunta "Quem é mais caniche?", foram os seguintes: Depois de uma enorme incerteza nos últimos dias - tendo-se chegado a utilizar o recurso ao número de bíblias e de imagens de Nossa Senhora de Fátima que cada um tem na sua mesa de cabeceira -, Paulinho das Feiras e Bagão dos Pobres acabaram por terminar empatados com 29% dos votos cada um. Em terceiro lugar, ficou aquele que todos - incluindo ele - pensavam iria terminar em primeiro: Santana Flopes não foi além de uns inexpressivos 17% de votos expressos, tendo relegado para quarto lugar quem acabou por ser prejudicado pelo facto de já não haver co-incinerização em Portugal: Sousa Santos reuniu 11% dos votos dos cidadãos da blogosfera. Em quinto, posicionaram-se ex-aequo Tufas, o verdadeiro, e Inha Caras Jardim, com uns residuais 5% de votos cada. José W Fernandes passou por completo ao lado desta BlogoSondagem, não tendo reunido um único voto.

Os resultados foram validados pela Comissão Blogosférica de Eleições e serão rectificados pelos tribunais superiores portugueses num prazo mínimo de 25 anos.

terça-feira, 2 de setembro de 2003

11'09''01 - September 11 :-


11'09''01 é uma manta de retalhos cinematográfica. São 11 produções independentes, cada uma com a duração exacta de 11 minutos e 09 segundos. Relata-nos 11 visões diferentes sobre o mesmo acontecimento: o 11 de Setembro.

Mostra-nos a sua relativa importância junto de um grupo de crianças afegãs refugiadas no Irão; ou ainda, o impacto que teve junto de membros da liga das mulheres de Sebrenica, na Bósnia-Herzegovina.

É cómico - e trágico -, quando retrata a aventura de 5 rapazes à procura de Bin Laden, que julgam ter visto a passear-se pelas ruas da sua cidade natal, no Burkina-Faso.

Dá-nos a conhecer um manifesto político sobre liberdade e justiça, através de uma carta escrita por um chileno - refugiado em Londres - ao povo americano, relatando os acontecimentos de terça-feira, 11 de Setembro, ... de 1973, no Chile.

É intensamente gráfico, segundo a produção mexicana.

Tem o seu expoente máximo através de Sean Penn: uma extraordinária metáfora sobre percepção e realidade. Sobre os mundos revelados pela luz projectada - com a queda das torres do World Trade Center - em sítios onde antes havia sombra.

Penso que em Portugal ainda só é possível vê-lo em festivais de cinema e vídeo. Mas vale a pena estar atento.

segunda-feira, 1 de setembro de 2003

Outdoors :-


Vou ali juntar-me à formiga de langton e ajudá-la a destruir outdoors. Todos. Regresso amanhã à noite. Espero. "Dot"

O paradigma da diferença :-


O jornal Público publica hoje dois artigos de opinião que ilustram o que de mais sério e interessante, e o que de mais boçal e rídiculo, pode ser afirmado relativamente a processos de renovação partidária.

Mas, mais interessante, é o facto de o excelente artigo de José Neves antecipar aquilo que está escrito, mais abaixo, no inenarrável artigo de Paulo Penedos. Reza assim: «(...) paradigmática de uma cultura intelectual de debate que transversa várias culturas políticas, da esquerda à direita. Para essas culturas políticas, criadas sobre o axioma de que os fins são distintos dos meios, a representação do mundo só pode ser dialéctica. Ou estão connosco ou estão contra nós.»

A leitura de José Neves sobre o processo de [contradictória] renovação do PC é um excelente manifesto de modernidade. E é mais amplo do que se propõe; sublinha a cada vez maior importância e oportunidade das organizações sociais longitudinais, lançando um claro aviso de que a modenização [renovação] do PC - ou de qualquer outro partido político - só poderá ser feita no quadro de um maior movimentismo, de um maior representativismo.

O artigo de Paulo Penedos é da altura dos descobrimentos. É desadequado, boçal e roça o rídiculo de quem se quer mostrar como o mensageiro da boa moral politico-partidária. E, em alguns momentos, chega mesmo a fazer uso de uma linguagem de "trazer por casa", dirigida a uma classe política dinossáurica e em vias de extinção.

Talvez valha a pena reproduzir aqui as últimas palavras de cada um dos artigos.
José Neves: «Por isto, para os comunistas, a única opção de poder é a de um comunismo mais movimentista do que nunca.»
Paulo Penedos: «(...) convoque [Ferro Rodrigues] um congresso extraordinário e parta para a disputa das eleições europeias com a casa arrumada e com um projecto mobilizador para Portugal e para os portugueses!»

Desconfio sempre quando um texto acaba com as palavras "Portugal", "portugueses" e com um ponto de exclamação. E, são raros os textos que acabam com a palavra "movimentista".

Re: Thank you! :-


Um aviso aos mais incautos dos que regressam hoje de férias, ansiosos por se colarem ao monitor do computador a ler as últimas do Cão de Guarda.

Cuidado com os e-mails cujo subject seja parecido com Re: Your details; Re: Thank You!; Re: Your Application. Se aparecerem escritas coisas do género Please see the attached file for details, e se o attachement for um ficheiro com extensão pif, então estão, muito provavelmente, na presença de um vírus ou de um worm. Não abram essas mensagems e apaguem-nas imediatamente (algumas são chatas de apagar no Outlook Express e só é possível fazê-lo através do webmail do servidor). Finalmente, corram um programa de antí-virus para verificar que nada ficou contaminado.

Depois, com a serenidade que estas ocasiões exigem, instalem o Linux por cima do Windows e digam "bye-bye Bill Gates".

domingo, 31 de agosto de 2003

Osso de escabeche (1) :-


American breakfast for two

Ingredientes: ovos (5); pimento verde (1/2); pimento vermelho (1/2); jalapeño (1/2); tomate maduro (1); queijo mozarella lascado (1 colher de sopa); corn chips (10 de tamanho médio); salsa (qb); sal e pimenta (qb); azeite (qb); salsichas pequenas frescas de porco (4); batata (1); laranjas (4); pão fresco (qb).

Tempo de preparação: 20 minutos.

Custo: entre 5 e 10 euros.

Dificuldade: * [de *fácil a ***difícil].

Preparação: Cortam-se os pimentos, o jalapeño e o tomate aos cubos pequenos e passam-se por lume médio, numa frigideira com um fio de azeite, durante 5 minutos. Misturam-se os ovos previamente batidos e deixa-se em lume médio-brando durante 5 ou mais minutos, mexendo regularmente para evitar pegar ao fundo. Quando os ovos estiverem quase cozidos, polvilha-se com uma mistura de queijo mozarella, salsa picada e pimenta. Juntam-se as corn chips e deixa-se repousar durante um ou dois minutos.

Serve-se acompanhado com batatas fritas aos cubos pequenos e salsichas grelhadas. Pão e sumo de laranja natural completam a mesa.

sexta-feira, 29 de agosto de 2003

Regular Gas :-


Muito se falou e disse sobre a legitimidade da guerra do Iraque e sobre o impacto que ela poderia vir a ter na economia da américa do norte e do mundo.

Mas assim mais terra-a-terra - sem grandes elaborações - o facto é que estou a pagar 1,6 dólares por galão de gasolina, quando há ano e meio pagava pouco mais de um dólar. Não sei para o que é que esta guerra serviu, mas para baixar o preço da gasolina não foi concerteza.

Só espero que isto venha a ter um efeito devastador nos eleitores americanos.

Ponto final parágrafo.

[Em breve, voltarei mais seriamente ao tema das próximas eleições primárias americanas. Do atlântico ao pacífico; do golfo do méxico aos grandes lagos. Agora, tenho que ir trabalhar noutras coisas.]

Mil trezentos e dezasseis vírgula sete :-


Há números muito simples e o número um é, seguramente, o mais simples de todos.

Utilizamo-lo tão frequentemente que nos esquecemos que é um número. É nosso, por ser banal. É Intí­mo e cruel. 1 caniche; 1 presidente americano inenarrável; 1 presidente da câmara municipal de Lisboa La Féria; 1 ministro da defesa que acredita no milagre de Fátima. 1 labrador castanho; 1 livro do Nick Hornby; 1 disco do Caetano; 1 jantar em Ocracoke com a pessoa que se ama. O número um quantifica, igualmente, o que de mais único gostamos e o que de mais único detestamos.

Mas há números muito mais complicados do que o 1; muito mais difí­ceis de se percepcionar. Números tão grandes que são literalmente do «outro mundo». Como, por exemplo, 70 triliões - um sete seguido de 22 zeros -, que representa a quantidade estimada de estrelas no Universo; dez vezes mais do que o número de grãos de areia das praias do planeta Terra.

Do outro lado do espectro, os números muito pequenos, podem também ser inimagináveis. Qual é a concepção que se tem do diâmetro de um protão que, em metros, é um milésimo de bilionésimo - um zero, uma ví­rgula, mais 14 zeros e o algarismo um no fim?

Mas estas são grandezas de outros mundos. Mundos para o Hubble e o CERN nos ajudarem a perceber melhor. Aqui, na nossa escala, os números parecem mais simples. Ou talvez não.

Tudo isto vem a propósito de um número aparentemente simples. Tão simples como outro qualquer que consigam imaginar. Um número «deste mundo»; muito mais próximo de 1, do que de 70 triliões, ou de um milésimo de bilionésimo. Mas que, mesmo assim, está a causar uma enorme dor de cabeça ao ministro da saúde e aos gestores do sistema de saúde pública nacional.

1316 é um número provisório. Resulta de um estudo promovido pelo Observatório Nacional de Saúde (ONSa), e representa a estimativa do número de mortos causados pela onda de calor da primeira quinzena de Agosto.

Mas, mesmo não sendo um número grande ou pequeno, 1316 mais parece um número «do outro mundo».

Primeiro, o relatório (formato zip) publicado pelo ONSa está incrivelmente mal escrito e mal estruturado, para além das quantidades aí referidas parecerem não estar muito bem definidas. Mais, o resultado numérico da análise efectuada foi "acidentalmente" arredondado, pelos autores do estudo, de 1316,7 para 1316, violando regras básicas de tratamento de resultados. Mas, claro que isto é irrelevante, porque 1317 é a mesmíssima coisa que 1316, não fosse o erro associado a uma análise deste tipo necessariamente grande. Só que, pasme-se, o estudo em causa não refere uma única fonte de incerteza. 1316 certinhos é o resultado final; nem mais, nem menos; nem mais ou menos.

Segundo, o impacto polí­tico da divulgação do relatório, resulta claramente da janela de oportunidade que foi criada pelo que de parecido se passou em França. Ou seja, estamos na presença, uma vez mais, de um número político, tão igual a tantos outros números do passado.

O problema, claro está, é que 1316 é por enquanto - e talvez por muito mais tempo -, um número tão irrelevante para a discussão em torno do impacto do excesso de calor na saúde pública dos portugueses, como é o número 305 [hectares ardidos] irrelevante para a discussão em torno do impacto da má gestão florestal e agrícola nos incêndios florestais. É que, enquanto só soubermos fazer contabilidade, continuaremos a olhar para os números como meros aglomerados de algarismos árabes.

O passo importante, esse, só será dado quando os integrarmos na nossa experiência. Quando os entendermos tão bem, que anteciparemos a dimensão do seu impacto nas nossas vidas. Quando os dominarmos, ao ponto de os manipular em nosso benefí­cio. Para que não se repitam. Nem estes, nem outros parecidos.

quinta-feira, 28 de agosto de 2003

I Have a Dream :-


«[...] I have a dream that one day this nation will rise up and live out the true meaning of its creed: "We hold these truths to be self-evident: that all men are created equal." I have a dream that one day on the red hills of Georgia the sons of former slaves and the sons of former slaveowners will be able to sit down together at a table of brotherhood. I have a dream that one day even the state of Mississippi, a desert state, sweltering with the heat of injustice and oppression, will be transformed into an oasis of freedom and justice. I have a dream that my four children will one day live in a nation where they will not be judged by the color of their skin but by the content of their character. I have a dream today. [...]»

Faz hoje 40 anos.

quarta-feira, 27 de agosto de 2003

Florida ballot (1)* :-


Com o intuito assumido de sensibilizar o povo português para as novas tecnologias da informação e de contribuir para a modernização do nosso sistema eleitoral, o Cão de Guarda disponibiliza, a partir de hoje, um sistema de QuickVote à lá CNN.com.

Obviamente que a primeira pergunta não poderia ser outra, senão aquela que tentasse identificar as preferências caninas dos leitores do Cão de Guarda. Os candidatos a votação são de natureza fictícia e qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência.

Como nestas coisas da tecnologia o que conta é a máquina e não o humano, o sistema só aceita um voto por endereço IP, que é quase o mesmo que dizer «um voto por computador». Contudo, isso está longe de implicar que o assíduo e adepto leitor do Cão de Guarda não possa exercer o seu direito e dever mais do que uma vez. Longe disso. De facto, para o fazer, basta que tome de assalto os computadores dos seus amigos e inimigos e que expresse, com a ajuda dos ratos deles, todo o seu potencial de expressão democrática. Assim, não só votará mais do que uma vez, como conseguirá bloquear qualquer tentativa de voto nesse computador por parte de outra pessoa.

Os resultados desta sondagem serão cientificamente analisados por um especialista em estatística e jornalista licenciado pela Escola Superior de Comunicação Social de Lisboa. [O gajo é meu amigo e eu, por vontade própria, estou a pagar-lhe uma avença de 1500 euros/mês com dinheiros da Câmara Municipal de Oeiras. Faço-o só porque me apetece e ai de quem me chatear com perguntas sobre o assunto. Qualquer semelhança com o caso do amigo do Isaltino é fruto do acaso.]

* O título desta nota foi alterado de "Vota online!" para "Florida Ballot (1)" por motivos de consistência futura (nada que tenha a ver com memória futura).

domingo, 24 de agosto de 2003

Às moscas na segunda circular :-


Durante alguns meses, a segunda circular de Lisboa, entre Benfica e o Campo Grande, terá tido a maior densidade de estádios de futebol do mundo. Enquanto se construiam dois novos, deitavam-se abaixo outros dois. Os primeiros, erguidos à luz de decisões que violam as mais básicas regras de planeamento e de bom senso; os segundos, deitados abaixo fazendo fé na segunda lei da termodinâmica.

Ontem, foi o primeiro jogo oficial no novo estádio-centro-comercial de Alvalade. Com uma capacidade para 55 mil pessoas, o jogo Sporting-Belenenses não conseguiu atrair mais de 30 mil almas. Um autêntico fiasco.

Poucos jogos, ao longo deste campeonato, terão as caracterí­sticas que o de ontem teve. Um primeiro jogo oficial, por si, deveria ser suficiente para encher Alvalade. Além disso, não foi o Moreirense de Moreira de Cónegos que ali foi jogar, mas o Belenenses de Belém, que só no bairro da Ajuda deve ter adeptos suficientes para encher a bancada norte.

Talvez o Benfica, o Porto, ou ainda uma equipa maior das competições europeias, consiga trazer mais gente a Alvalade, mas não se pode esperar muito mais do que o que ontem se viu. E não vale a pena dizer que o jogo com o Manchester encheu, porque o Manchester não joga na Liga do Major Valentim.

E agora, multiplique-se tudo isto por um factor de dois. É que uns kilómetros mais a oeste, há outro gigante a erguer-se. Contas feitas, os 120 mil lugares dos dois estádios irão estar ocupados por pouco mais de 20 mil pessoas durante duas horas por semana.

Às moscas, portanto.

sexta-feira, 22 de agosto de 2003

Mensagens dos nossos Presidentes :-


A internet portuguesa está a transbordar de mensagens de presidentes. Uma pesquisa no google, com a string "mensagem do presidente" +site:pt, produz mais de dois mil resultados. É obra!

Além de muitas, as mensagens são diversas no conteúdo, estilo e apresentação. Na net portuguesa, abundam as mensagens dos inevitáveis presidentes de câmara municipal (sempre acompanhadas por fotografia, não se vá confundir o presidente em questão). Também lá estão as dos nossos CEO's, ao nível e em quantidade das dos presidentes de associações culturais e recreativas. E como nesta história não há melhor do que começar de pequenino, não poderiam faltar as escritas pelos presidentes de associações de estudantes. Tudo o resto, desde que tenha presidente, tem mensagem.

Mas a melhor de todas, pelas referências históricas, visão de futuro e ímpar qualidade literária é, sem sombra de dúvida, a versão inglesa da mensagem de Gilberto Madaíl, presidente da FPF.

Em vésperas de campeonato da Europa, só nos fica bem tamanho insight.

quarta-feira, 20 de agosto de 2003

Ainda Acontece, na rtp.pt :-


Há coisas que me deixam estupefacto: ou aquilo que se escreve em alguns dos sites portugueses é uma autêntica balela, ou algumas das decisões tomadas em Portugal são pornograficamente arbitrárias e levianas.

Repare-se no que ainda aparece publicado no site da RTP, relativamente ao programa Acontece: «Na RTP está o único telediário cultural da Europa que chega a milhões de espectadores pelo mundo fora. Do Teatro, Bailado, Literatura e Cinema às Artes Plásticas e ao novo mundo da Internet, todas as manifestações culturais têm lugar neste espaço informativo com a assinatura de Carlos Pinto Coelho. No ar há mais de oito anos, o Acontece é uma referência dentro do panorama televisivo português pela qualidade do seu jornalismo e pelo cuidado com que a informação é levada ao espectador.»

Que raio de RTP é esta, que continua a elevar aquilo que cruelmente destruiu?

sábado, 16 de agosto de 2003

Relatórios públicos só para alguns :-


Há alguns meses, foi publicamente anunciado, pelo ministério do ambiente, o resultado de um estudo elaborado por académicos portugueses, no qual se colocava em causa a decisão do ex-ministro do ambiente, José Sócrates, em proceder à co-incineração dos resíduos sólidos perigosos produzidos e acumulados, ao longo de décadas, pela indústria portuguesa.

Cedo, os opinion makers da nossa praça vieram declarar José Sócrates como o grande derrotado da evidência científica. Contudo, muito pouca gente teve acesso a esse relatório, e o que deveria ser de natureza pública acabou por circular, exclusivamente, nos meios de acesso restrito a assessores de ministro e directores de jornal. Produziram-se, nos pasquins dos últimos, as afirmações suficientes para educar o público; e foi assim, uma vez mais, que o Estado português achou que estava a comunicar com os cidadãos.

Entretanto, o relatório parece não existir ou, pelo menos, não é de acesso evidente. E os resíduos sólidos perigosos continuam sem ser tratados.