segunda-feira, 16 de fevereiro de 2004

As raparigas lá de casa

Como eu amei as raparigas lá de casa

discretas fabricantes da penumbra
guardavam o meu sono como se guardassem
o meu sonho
repetiam comigo as primeiras palavras
como se repetissem os meus versos
povoavam o silencio da casa
anulando o chão os pés as portas por onde
saíam
deixando sempre um rastro de hortelã
traziam a manhã
cada manhã
o cheiro do pão fresco da humidade da terra
do leite acabado de ordenhar

(se voltassem a passar todas juntas agora
veríeis como ficava no ar o odor doce e materno
das manadas quando passam)
aproximavam-se as raparigas lá de casa
e eu escutava a inquieta maresia
dos seus corpos
umas vezes duros e frios como seixos
outras vezes tépidos como o interior dos frutos
no outono
penteavam-se
e as suas mãos eram leves e frescas como as folhas
na primavera

não me lembro da cor dos olhos quando olhava
os olhos das raparigas lá de casa
mas sei que era neles que se acendia
o sol
ou se agitava a superfície dos lagos
do jardim com lagos a que me levavam de mãos dadas
as raparigas lá de casa
que tinham namorados e com eles
traíam
a nossa indefinível cumplicidade

eu perdoava sempre e ainda agora perdoo
às raparigas lá de casa
porque sabia e sei que apenas o faziam
por ser esse o lado mau de sua inexplicável bondade
o vício da virtude da sua imensa ternura
da ternura inefável do meu primeiro amor
do meu amor pelas raparigas lá de casa.


Emanuel Félix, poeta açoreano
(poema extraído do livro «Habitação das Chuvas»)

susana

domingo, 15 de fevereiro de 2004

Cuspir...para onde???

Apesar de em momentos de irritação haver quem pense que se está a andar para trás, ou que a vida “dantes” era melhor do que hoje, creio que a maioria das pessoas sabe que não é assim. Eu sou das que acha que a vida hoje é bem mais cómoda e fácil do que nos séculos anteriores! E, de um modo geral, as regras de civilidade caminham nesse sentido. Vem isto a propósito, de ter ouvido a conhecida expressão cuspir para o ar ( idêntica a “quem semeia ventos”) e achar que quanto mais civilizado se é menos se cospe. É uma coisa cultural e educativa. Eu não cuspo. E o meu filho não cospe. E creio que os meus netos não cuspirão. Mas... há uns séculos era tão normal e necessário que até havia uns objectos chamados “escarradores” – creio que ainda se encontram em antiquários. Um pouco como os actuais cinzeiros, eram umas tigelinhas de loiça ou de metal, e usavam-se para cuspir lá para dentro uma vez que para o chão de um estabelecimento, escritório, etc, era feio. Hoje, dentro de casa realmente já não se faz, mas na rua, é constantemente. Já repararam nos corredores do metro? E nunca viram num sinal vermelho o condutor – por vezes de um carrão de marca – abrir o vidro e mandar uma forte cuspinhadela cá para fóra? Vamos ter esperança e acreditar que com o passar do tempo o controlo vai aumentar e as nossas ruas ficam mais limpas. Que, por enquanto...
M.L.

sábado, 14 de fevereiro de 2004

Leituras em diagonal

Recebido por email, mas não resisto a partilhar. Uma boa amostra da capacidade de reduzir muita conversa ao verdadeiramente essencial. Reparem bem no papel das insónias nestas complicadas histórias...

Marcel Proust " À la recherche du temps perdu".

Resumo: Um rapaz asmático sofre de insónias porque a mãe não lhe dá um
beijinho de boas-noites. No dia seguinte (pág. 486. I vol.), come um bolo
e escreve um livro. Nessa noite (pág. 1344. VI vol.) tem um ataque de asma
porque a namorada (ou namorado?) se recusa a dar-lhe uns beijinhos.
Tudo termina num baile (vol. VII) onde estão todos muito veIhinhos e
pronto.

2) Leão Tolstoi, "Guerra e Paz", (1800 páginas)

Resumo: Um rapaz não quer ir à guerra e por isso Napoleão invade
Moscovo. A rapariga casa-se com outro. Fim.


3) Luís de Camôes, "Os Lusíadas"
Resumo: Um poeta com insónias decide chatear o rei e contar-lhe uma
história de marinheiros que, depois de alguns problemas (logo resolvidos por uma deusa porreiraça), têm o justo prémio numa ilha cheia de gajas boas.

4) Gustave Flaubert "Madame Bovary", (378 páginas)
Resumo: Uma dona de casa engana o marido com o padeiro, o leiteiro, o
carteiro, o homem do talho, o merceeiro, e um vizinho cheio de massa.
Envenena-se e morre.

5) William Shakespeare, "Hamlet"

Resumo: Um príncipe com insónias passeia pelas muralhas do castelo
quando o fantasma do pai lhe diz que foi morto pelo tio que dorme com a mãe,
cujo homem de confiança é o pai da namorada que entretanto se suicida ao
saber que o príncipe matou o seu pai para se vingar do tio que tinha matado
o pai do seu namorado e dormia com a mãe. O príncipe mata o tio que
dorme com a mãe, depois de falar com urna caveira e morre, assassinado pelo
irmão da namorada, a mesma que era doida e que se tinha suicidado.


6) Anónimo colectivo. Novo Testamento (4 versões)
Resumo: Uma mulher com insónias dá à luz um filho cujo pai é uma
pomba. O filho cresce e abandona a carpintaria para formar uma seita de
pescadores. Por causa de um bufo, é preso e morre.

M.L.

Consumismo

Parece que hoje é Dia dos Namorados. Na idade média as pessoas guiavam-se pelo santo do dia. Como havia milhares de santos havia um para cada dia e ainda sobravam milhares... Na actual sociedade substitui-se o santo por uma ideia, profissão etc. Alguns muito bem intencionados mas sem qualquer importância porque ninguém liga. É um pretexto para se falar do acontecimento mas no resto do ano quem se lembra do dia do não-fumador, o dia do peão ou dia do bombeiro (só quando há fogos, é claro) Mas, o que me incomoda um pouco são os “dias” importados e acarinhados pelo comércio para se ganhar mais algum. Este é um deles. S. Valentim e os namorados era lá com os saxões. Até há uns anos nunca tal por cá se falou. Mas é que os nossos feriados não são tão consumistas, estão a ver? Sto António, São João São Pedro, dá para uns manjericos, para uns alhos-porros, umas jantaradas mas pouco mais a nível de compras. Quanto ao Dia do trabalhador que festejamos depois do 25 de Abril (dantes festejava-se com uma carga de pancada da polícia) não dá para comprar nada. Até o Dia da Mãe, (e do Pai, e agora dos Avós, e deve vir o do Mano, o do Padrinho, do Tio, do Primo... viva a Família, que essa já tem Dia - 15 de Maio ) também já entrou no consumismo. Já não é a flor e o beijinho, é o valente eletrodoméstico.
E depois estranham que os portugueses andem cheios de dívidas? Viva o Amor, os namorados e S.Valentim, mas com beijinhos que não se compram nem vendem.


M.L.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2004

Eu estava cheínha de razão!!!




Tinha referido num post anterior que se viam as diferenças de gerações se se assistisse ao concurso “Quem quer ser milionário?” pois a malta jovem acertava em música e desporto e os mais velhos em história, literatura e política.
Estou neste momento a comprovar a minha teoria. Nesta mesma noite, uma senhora, aparentando bem mais de 20 anos, não sabia quem era o actual presidente da Rússia, sendo as hipóteses ( pasme-se!) Lenine, Gorbachov, Putin e Staline. A senhora não sabia mesmo. Respondeu ao acaso. Logo depois, outro jovem, na mesma faixa de idade, à pergunta se, no soneto de Camões, Jacob tinha servido Labão durante 7 anos por, 1- Ter contrato de trabalho, ou 2 – Por decisão familiar ou 3 – Porque era seu escravo, ou 4 - Por querer casar com a filha também não fazia ideia.
Está visto, literatura, história e política são coisas de cotas.


M.L.

Que bom dizer bem!



No público de hoje vinha esta notícia:
«As antigas casas dos guardas florestais da serra de Sintra vão ser restauradas para turismo de natureza, passando a ser abastecidas com energia solar, anunciou hoje fonte da Agência Municipal de Energia de Sintra (AMES).»
Na continuação dava para entender que as casas seriam aproveitadas e utilizadas sem estragar a natureza envolvente, pois a energia utilizada e necessária ao conforto era não poluente. Aquelas casinhas encantadoras abandonadas cortavam o coração. Excelente ideia. Confesso que muitas vezes tenho criticado a câmara de Sintra por excesso de tolerância em relação a crimes ambientais, mas se isto fôr o que parece pela notícia, só posso dar os parabéns. E faço-o com muito gosto!
M.L.

Gerações...

Um exercício sociológico ( ? ) engraçado é assistir ao “Quem quer ser milionário?” com uma família de várias gerações. Vá lá ... duas, também não é preciso exagerar. E vamos pensar em gente com alguma cultura. Perguntas sobre música actual, bandas e seus vocalistas, zás, os jovens acertam logo. Passamos a questões de literatura ou história – é a vez dos pais, sem hesitações. Agora é desporto, sobretudo futebol mas os outros também servem – vencem os jovens. Geografia, é mais os pais, mas pode haver empate. Política – pais. Informática ou tecnologias desse tipo – filhos. Cinema : empate total conforme a data do filme! É engraçadíssimo.


M.L.

desemprego, desprotecção social, competitividade?


o desemprego atingiu 6,4% da população portuguesa em 2003, dizem as estatísticas oficiais, mais 26,5% do que em 2002. mas continuarão apaniguados do capitalismo selvagem e da extrema-direita bafienta a pedir mais despedimentos, menos protecção no desemprego e na doença, mais competitividade. precisam é de combatividade

Reciclar a simpatia não era mau...

Eu não sei quem é que gere e organiza os “ecopontos”. Deve ser uma empresa que depois de recolher os materiais os recicla e aproveita os lucros. A verdade é que tem gasto bom dinheiro em publicidade. Já perdi de conta os diversos anúncios, e que passam em horários nobres, portanto muito caros tanto quanto sei. Mas a mensagem a incentivar o cidadão anónimo a colaborar nos tais 3 R passa sempre por dizerem que pôr os lixos no ecoponto é facílimo. Ou são criancinhas inexperientes que percebem logo, ou até bebés que acertam com os formatos das caixinhas, e se bem me lembro até já entrou um macaco que via logo onde enfiar o produto no locar certo. Para mim, a mensagem é antipática por arrogante – eu cá não gosto que me chamem burra, fico logo de pé (ou pata ) atrás.
Mas, além de antipática a mensagem é falsa. Suspeito que o criativo da agência de publicidade não costuma utilizar o ecoponto. Porque, meus amigos, NÃO É no azul põe-se papel e cartão, no verde põe-se vidro e no amarelo embalagens. Isso, acredito que o macaco fazia. Mas tenho as maiores dúvidas que o tal bicho visse que o papel de fax já não serve, que o vidro se fôr de cristal ou de janela também não serve, e as embalagens devem ir limpas. Valha-me Sant’Ecoponto!
Por outro lado, o dinheiro dessa publicidade talvez fosse bem empregue em pagar a mais camionetas para esvaziar os recipientes cheios. Ou é azar meu, ou por onde costumo passar o espectáculo é triste de ver, por os recipientes transbordarem de material. Com aquelas vistas não há boa vontade que resista, apetece é fugir e deitar tudo no lixo normal.

M.L.

Sexta-feira... 13?



As sextas-feiras têm de agradável serem véspera de fim-de-semana. Há muito quem sorria com essa ideia, a não ser os super-pessimistas que recordam que sábado é ante-véspera de 2ª... Há também aqueles para quem às 6ª se acumula tudo o que vai ter de se despachar antes desse famoso fim-de-semana. Oh, perversão!!! Apetece lastimar-me porque é quase sempre o meu triste caso.


M.L.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2004

Onde estão as fogueiras?

Primeiro ouvi pela rádio e li depois já num blog, esta frase espantosa:
«Quando uma pessoa é toxicodependente, foi avisada e contra todo o conselho da família, dos amigos, da estrutura, mantém a sua situação de toxicodependência, eu pergunto: De quem é a responsabilidade?»
A resposta implícita é que quem fala lava daí as suas mãos. Eu digo que é uma frase espantosa porque quem a proferiu foi a pessoa responsável por toda a política portuguesa. Esta posição já deu origem a uma fila enorme de comentários em vários blogs, mas tendo este espaço vou utilizá-lo para mostrar o meu espanto. Fiquei atónita porque o responsável máximo pela educação, saúde, justiça em Portugal lava as mãos do problema da toxicodependência porque "a responsabilidade" é dos próprios que criaram o problema apesar dos avisos da família, amigos, etc. Um barco sai para o mar apesar de avisado que vem a´uma tempestade, se naufragar é bem feito porque devia ter tido cuidado e não se ter posto em risco.
Quem habita este mundo, sabe que o problema da droga é um problema dos finais do século, gravíssimo, que abrange todas as classes sociais, e que não se resolve com "força de vontade". Um dos problemas dessa doença é exactamente perder a força de vontade. E se temos a imagem do drogado-arrumador-de-carros ou gatuno de meia tijela, e isso mete medo ao cidadão comum, podemos lembrarmo-nos que há artistas célebres dependentes de drogas mas nunca roubaram porque ganham muitíssimo dinheiro e não precisam de roubar. Ou seja, o drogado não rouba porque é drogado, rouba porque não tem dinheiro para comprar a tal droga. Dito de outra maneira: se a cocaína fosse ao preço da aspirina, eles morriam como tordos,mas não roubavam. portanto o que deve meter medo às pessoas são os dealers que promovem os negócios, que lavam o dinheiro em negócios lícitos, que iniciam miúdos às portas dos liceus. O consumidor em si é um doente de uma doença terrível. Sacudi-lo porque "a culpa é dele"??
À pergunta, de quem é a responsabilidade, eu diria que é de quem não luta contra o narcotráfico, de quem ataca as vítimas e não os criminosos. Desejo sinceramente que o Dr. Barroso nunca venha a saber que no melhor pano cai a nódoa, e que o Deus em que me parece que acredita lhe afaste esse cálice da boca. Porque, de resto, a Inquisição acabou há algum tempo e as fogueiras estão apagadas e frias.

M.L.



quarta-feira, 11 de fevereiro de 2004

Vestuário e símbolos religiosos

As 2 ou 4 vezes que vim anotar coisas neste blog, foi sempre a brincar, mesmo quando brincava com coisas que tinham uma parte de seriedade. Mas desta vez venho mesmo falar a sério. Ando muito confusa. E o pior é que sou uma criatura que tem muitas dúvidas e engana-se frequentemente. Desta vez pareço um cata-vento, leio o Barnabé e fico com uma ideia, depois o Blog de Esquerda e mudo um pouco, depois um artigo no Monde e volto a mudar, depois um semanário português... enfim, a confusão é enorme.
Os franceses, andam a discutir uma lei para saber se os estudantes podem usar símbolos ostensivamente religiosos nas escolas. Atrás disto vem o facto de as jovens muçulmanas usarem ou não o que se designa por “véu”, ou agora “lenço”. E discute-se se são obrigadas ou é por livre vontade. E ainda se é contra a liberdade da mulher ou na defesa do seu pudor. Ora o que eu sinto é que está tudo ainda muito mal explicado. Tentei informar-me e parece que véu, mesmo véu, é uma noção cá do ocidente. As católicas põem véu ou mantilha para ir à missa. Para uma sociedade islâmica há, desde a “burka” ( e, a minha 1ª opinião contra, era quando julgava que nos estávamos a referir a isso) ao pak chadar, ao chador, ao hijab, e nada disso são simples lenços como nós os imaginamos. A burka é um fato que tapa uma mulher da cabeça aos pés com um rendilhadozinho que lhe permite ver e respirar. Pode ser que uma pessoa assim tapada se sinta protegida mas fica desde logo segregada do resto da comunidade. Claro que pode ser um costume religioso mas só me lembra o homem-da-máscara-de-ferro e faz-me impressão, e falta de ar. Desculpem, não posso concordar. Mas o jibab, por exemplo, é um casaco todo fechado e um lenço na cabeça, como as nossas ceifeiras usavam. Isso não me faz impressão nenhuma. É com elas e suas famílias. Ou seja, como ocidental sinto que tapar o corpo, o cabelo e até luvas para as mãos é uma questão pessoal. Tapar tudo incluindo a cara, ou vendo-se unicamente os olhos, perturba-me um pouco.
Por outro lado, da parte francesa, parece-me (parece-me agora, se calhar mudo de ideias) de facto discriminatório e racista. Porque é que uma pessoa não se pode vestir como entende? Se calhar os piercings, tatuagens etc, também chocam, até porque muitos são feitos para chocar. E obrigam o miúdo a tirar o piercing antes de ir para a escola? Não sei, a sério. Sei que há 40 anos as raparigas não podiam entrar na Faculdade de Letras de Lisboa de calças compridas, mas achava mal! E se hoje fossem de chaddar? Entravam?

M.L.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2004

Esclarecimento

Ao meu "colega" BitMaker:
Não sei se é a diferença de fusos, mas meu amigo/a, não deu para ver que eu estava a brincar? É claro que me estava a meter com os donos dos cães, os pobres cães não lêm português só cãoês. E também é claro que a porcaria que fazem nem é um "hábito" é uma muito biológica necessidade. O incrível é que a tal lei, que também existe em Portugal, é cumprida por uma percentagem mínima da população (embora haja quem a cumpra). Mas fiquei divertida ao ler, que o que escrevi por graça, parece já existir. Sempre é certo existirem fraldas??? O que mais me faltará ainda ver!

M.L.

Finalmente ! Que alegria!!!



No fim de semana, estava eu meio ensonada fazendo zaping pelos nossos canais quando apanho com uma reportagem que me provocou um choque de alegria. Finalmente entendi a estranha sensação de carência com que tenho andado. Lisboa andava com falta de qualquer coisa, mas eu não sabia definir...Já me tinha passado pela ideia a limpeza das ruas sujíssimas ? (hum?? nã!) o trânsito estar caótico ? ( ...hãã..talvez não) as casas degradadas ?( tão pouco!) falta de espaços verdes ?( quem quer verdura vai à praça), tantos buraços em ruas e passeios ? Nada disso. Eu estava como a sra. a quem apetecia "algo", de sofisticado, de chic, algo... enfim... tal como um ringue de patinagem no gelo!
Mas que bom, que bom, que bom! Assim como há uns anos "Sobral-de-Monte-Agraço-já-tinha-um-parque-infantil" agora, esta bela capital, tem patinagem no gelo, interessante actividade a que nos habituámos desde pequenininhos. Qual de nós não experimentou uns patinzinhos de gelo após os primeiros passos? Aliás se somos tão bons em hoquei em patins é porque treinámos antes disso na pista de gelo. Muito obrigada Dr. Santana Lopes por finalmente ter posto cobro a este legítimo anseio da população alfacinha. Já posso dormir muito mais descansada, pelo menos um bem de primeira necessidade já cá canta.

M.L.

Cães e seus donos.

Citando este post abaixo, vou colocar minha visão Brasileira (ou Paulista) sobre esse assunto cães.

Não acredito o hábito fazer coco de um cão seja um ponto negativo, nem mesmo que isso conte muito afinal ele não é um ser racional, mas pode ser treinado, adestrado para fazer ou não na rua. E o dono do cão? Será que esse não é realmente o culpado por esse péssimo hábito de emporcalhar as ruas de Lisboa e tantas outras pelo mundo afora?

Em São Paulo tem uma lei (não sei se é municipal, estadual ou federal) que obriga o dono do cão a recolher as fezes do animal. É normal vemos as 'dondocas' passeando com seus cachorrinhos e levando junto um par de luvas e uma sacolinha para o lixo e às vezes até vemos cachorros usando fraldas.

Sabemos que aqui no Brasil tem um negócio de leis que 'pegam' e que não pegam, então porque será que essa lei é seguida? Fiscais para multar os donos do cão não existem.


BitMaker

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2004

Cães

Eu gosto de cães. Palavra. (também parecia mal vir a um blog chamado Cão de Guarda e dizer o contrário) Mas a sério que nada me move contra os cães, excepto um pequeno pormenor: fazem cocó. Quanto ao resto, grandes amigos! Fazem companhia, rosnam aos nossos inimigos, brincam com as crianças, lambuzam-nos todos de meiguice, quando são cachorrinhos são um encanto. Mas fazem cocó! Desculpem, mas andar em Lisboa é uma gincana que não permite um segundo de distracção - basta alguém assobiar, um raio de sol bater-nos na cara, um carro chiar a derrapar, um golpe de vento e catrapumba um pé em cheio na porcaria do cão. E além dos montinhos da propriamente dita, o resto do passeio costuma estar barrado com o que ficou na sola do sapato de alguém que teve um acidente igual antes de nós...
Portanto vinha aqui propor fraldas. Numa antiga telenovela, onde entrava a figura de um cangaceiro, Zeca Diabo, o perfeito dessa cidade brasileira tinha tido a ideia de obrigar os cavalos e burros da cidade a usar umas fraldas para a cidade ficar mais limpa. Lá não resultou. Mas entre as brilhantes ideias do Dr. Santana, vinha relembrar essa do perfeito Bem-Amado : fraldas para os cãezinhos de Lisboa. Os peões agradeciam.

M.L.

País temperado

Falar do tempo é quando não há mais nada a dizer, parece. Mas hoje apetece-me fazer este comentário porque vivemos numa terra que se diz de "clima temperado". Devia ser bom. Seria a tal eterna primavera, etc, blá, blá, blá. Acontece que já vivi em terras mesmo frias e outras mesmo quentes e juro que era muito mais agradável quanto a bem-estar. Nas terras frias, as casas têm aquecimento central e vidros duplos, assim que se entra a porta da rua o prédio está morninho. As lojas, cinemas, transportes, têm uma temperatura agradável, frio mesmo é na própria rua e aí há casacos, gorros, luvas. Eu, em Lisboa tenho um frio do caraças mas é em casa. Na rua até me aguento mas se vou da sala para a cozinha, do quarto para a casa de banho, sinto que morro enregelada!
E quanto ao calor idem aspas. Numa terra quente, lojas, táxis, serviços públicos, restaurantes, diversões, tudo estava fresco. Tínhamos verdadeiro calor ao andar a pé na rua. Nesta nossa bendita terra, no verão julgamos que morremos, parece uma surpresa sempre que aparece o calor. Desculpem-me, sou eu que sou anormal?
M.L.

Rafael Alberti


Quando tu apareceste,
penava eu nas entranhas mais profundas
duma cova sem ar e sem saída.
Esbracejava no escuro, agonizante,
ouvindo um estertor que esvoaçava
como o pulsar duma ave imperceptível.
Sobre mim derramaste os teus cabelos
e subi ao sol e vi que eram a aurora
cobrindo um alto mar de primavera.
Foi como se tivesse chegado ao mais formoso
porto do sul. Submergiam-se
em ti as mais lúcidas paisagens:
claros, agudos montes coroados
de neve rosada, fontes escondidas
na crespa sombra dos bosques.

Aprendi a descansar sobre os teus ombros
e a descer por rios e encostas,
a entrelaçar-me nos ramos estendidos
e a fazer do sono a minha morte mais doce.
Arcos me abriste e meus floridos anos
recém-erguidos para a luz repousaram
sob o amor da tua compacta sombra,
tirando o coração ao vento solto
e ajustando-o ao verde som do teu.
Ora adormecia, ora acordava sabendo
que não penava numa cova escura,
esbracejando sem ar e sem saída.

Porque tinhas finalmente aparecido.

domingo, 8 de fevereiro de 2004

O Terceiro Efe

Noite de futebol. Até 3 minutos do final do jogo parecia que o título ainda era uma hipótese, mas quase a acabar um golo de empate acaba com as esperanças neste lar ( apesar de matematicamente, etc e tal). Pronto. Paciência. Mas o que faz pensar é ver os machos adultos darem murros aos móveis, e alguns pontapés às portas, para escoar a raiva enquanto os machos pequeninos limpam a lágrima disfarçadamente e tentam que o beicinho não trema. E até esta femea da família de felinos, com uma clubite mais soft, também se sente desapontada... Mas que raio se passa connosco? Porque é que quando se tem a triste ideia de dizer "é só futebol" se apanha com um olhar assassino? Numa altura onde tanta coisa parece correr mal, se calhar uma vitória num jogo, assume por isso mesmo uma importância desmesurada. Já não é "só futebol", é o F que nos ficou!
M.L.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2004


BitMakerDonosor


Enquanto na web...



(..)Assim que eu dei o meu primeiro passo no futuro. Logo notei uma grande diferença nas cores da cidade (Săo Paulo no caso). Estava muito mais cinza do que o normal... barulhos de deixar qualquer um tonto me assustavam a cada 15 segundos. Gritos, que muitas vezes me lembravam os Holigans, me deixavam pasmo. Bom, lá estava eu parado no meio da 23 de maio no dia de 30 de janeiro de 2034. sem saber pra onde ir, decidi andar em sentido centro, pois gostaria de saber se eu ainda moraria na zona norte. De longe eu avistava uma baderna, e os barulhos ficavam cada vez mais altos.


Chegando realmente no meio da baderna, eu fiquei espantado, ao ver a quantidade de corinthianos atrás das trincheiras. Todos bem armados, logo me perguntaram qual era meu time do coraçăo, com um tom meio ameaçador. Eu, sem demora afirmei que o timăo sempre estaria no meu coraçăo. Foi quando eles me contaram as novas: Palmeirenses e Corinthianos estavam em guerra para decidir quem dominaria a cidade daqui para frente. Logo eu perguntei dos Săopaulinos. E confesso que cai na gargalhada quando o Gilberto (da milícia corinthiana) me contou que o tricolor paulista tinha acabado de ficar com o vice campeonato da série C do Brasileiro. Acho que toda aquela agitaçăo me deu fome, e me aconselharam ir para a augusta, pois era a rua mais indicada para matar a fome. Depois de uma bela caminhada, cheguei na augusta. E o meu 3ş espanto foi: de 4 restaurantes 1 era Bobs. Fiquei abismado? Onde iria comer Cheddar do Mc? Onde? Estava deslocado, e corri para a banca, procurar um “acontecimentos desde 2004”, mas o seu Guenternito dono da banca me disse que livros com mais de 100 paginas somente seria encontrado na Saraiva Mega Paladium. Foi o que eu fiz, me locomovi até lá (antigo Teatro Municipal).(..)