quinta-feira, 19 de fevereiro de 2004
Por onde andam os colos ?
A completar, já há anos que me faz impressão ( que isto agora é coisa já antiga) o facto de nas zonas reservadas, nos transportes públicos, a "grávidas, deficientes e pessoas com crianças de colo", por sistema, vemos uma criança pequenina sentada no assento e a avó ou mãe, carregada de sacos, com ar fatigado, agarrada ao varão. Acho profundamente antipedagógico! Aquele lugar é para um adulto com uma criança ao colo ! A criancinha repimpada num grande assento, a baloiçar as pernas e por vezes a ferrar pontapés na pessoa da frente e o adulto a vigiá-la em pé é um absurdo. É mau porque o menino imagina que "tem direito" aquele lugar, e é mau porque acaba por não ter o tal colo que só lhe fazia bem.
M.L.
Carnaval e Consumismo
Como é? Moda na imaginação?
Quando eu era criança brincava-se muito ao "faz de conta", o que quer dizer aos polícias e ladrões, aos pais e filhos, aos médicos, aos cowboys e índios, às escolas... eu sei lá. era o que apetecia no momento, mas para isso quase sempre tinhamos que nos vestir de acordo com o "teatro" que se fazia. Roubava-se os sapatos e carteiras da mãe, colchas de cama, cabides, lenços, panelas, muita roupa dos mais crescidos e adaptações várias. Claro que não se ficava tal e qual o modelo, mas a imaginação fazia o resto.
Esses teatros que duravam todo o ano, tinham o seu ponto alto no Carnaval. Aí a máscara era mais "a sério" o que quer dizer que havia uns retoques da família, a avó fazia uma saia comprida de "dama antiga com uma cortina, ou um colete de pirata de um antigo do avô mais uns bordados por cima. mas aquele fato era mesmo nosso ninguém tinha um igual e podia continuar a servir para brincar o resto do ano em casa.
Não costumo ser saudosista, mas acho que estes fatos feitos em série, além de obviamente mais caros, são um pouco de usar e deitar fóra, não tem metade da magia dos meus!
M.L
Desabafo
Já percebeste o que os anos 90 fizeram contigo?
1. Tentas teclar o teu pin no display do micro-ondas;
2. Não jogas paciência com cartas de verdade há anos,
ou então nunca conheceste outra forma de jogar paciência!
3. Perguntas, via e-mail, se o teu colega ao lado vai
almoçar contigo e ele responde-te, por e-mail claro:
"Dá-me cinco minutos!";
4. Tens 15 números de telefone diferentes para falares
com a tua família de 3 pessoas;
5. O motivo pelo qual perdeste o contacto
com os teus antigos amigos e colegas é porque eles
têm um novo endereço de e-mail;
6. Não sabes o preço de um envelope comum;
7. Para ti, ser organizado significa ter vários
bloquinhos de Post-It de cores diferentes;
8. A maioria das piadas que conheces, recebeste por
e-mail (e ainda por cima ris-te sozinho...);
9. Já dizes o nome da firma onde trabalhas quando
atendes o telefone em casa;
10. Digitas o 0 para telefonar de tua casa;
11. Vais para o trabalho quando ainda está escuro,
voltas para casa quando já escureceu de novo;
12. Quando o teu computador pára de funcionar, parece
que foi o teu coração que parou. Ficas sem saber o que
fazer, sentes-te perdido;
13. Sentes-te nu quando te esqueces do telemóvel;
14. Leste este email e balanças-te afirmativamente com
a cabeça em diversos pontos;
e o pior é que é mesmo verdade!!!!
Então o ponto 10 como os telefones são mesmo iguais, é todos os dias!
M.L.
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2004
INFÂNCIA DESVALIDA (3ª parte)
Por outro lado os números de crianças recolhidas, parece-me desadequado. Não é que não haja necessidade de socorrer centenas de miúdos, mas, por favor, não os juntem. Não é um supermercado de protecção à criança! Uma casa que tenha mais de umas 12 crianças começa a não ser humana nem natural. Conheço outros casos de pessoas que descobrem fontes de financiamentos para as suas acções beneméritas e conhecem todos os truques para aproveitarem os subsídios possíveis mas nenhum tão vaidoso como este senhor. Não foi preciso estas declarações infelizes para o conhecer. Até acho que foi um bem ele ter dado esta barraca, sempre foi uma maneira de se poder arejar uma história que precisava de um pouco de ar fresco.
M.L.
INFÂNCIA DESVALIDA (2ª parte)
Temos depois as “famílias de acolhimento”; famílias apoiadas por serviços públicos a quem se paga para receberem a tal criança que não tem lar próprio. Já é uma resposta mais delicada, terá de haver muita vigilância do que se passa entre aquelas paredes, mas... é um lar, uma casa.
E também há a adopção. Também é uma resposta que convém ser cuidadosa, mas sem fundamentalismos. Muitas vezes os técnicos que decidem quais os casais com perfil adoptante, projectam as suas ideias, e muitas vezes inacreditáveis estereótipos. Os processos, como é norma na nossa terra, arrastam-se anos e anos pondo á prova a capacidade de resistência dos candidatos a pais.
E tudo isto, é sempre melhor do que o internamento, que deve ser o último recurso.
M.L.
INFÂNCIA DESVALIDA (1ª parte)
Sobre este triste assunto tinha tanto a dizer que, se calhar desdobro os comentários em vários posts para não ficar um lençol interminável.
Porque interminável é, de facto, o relato do que se passa com as crianças do nosso país. Ainda vemos por aí, alguns "Asilos da Infância Desvalida" o que é um bom nome, que de verdade ninguém lhes vale, e por vezes até seria melhor que os deixassem mesmo em paz! Um ponto a favor: acredito piamente, que muita gente esteja a agir com a melhor das intenções - aquela que costuma encher o inferno.
Uma criança nasce e vive num meio hostil, seja degradado materialmente, seja quanto a sentimentos. O que fazer? O bom-senso diz-nos que se calhar antes de mais influir sobre o meioi. Ver o que se passa. Como dar melhores condições aquela família. Como ajudar verdadeiramente. Mas isso é muito difícil e trabalhoso. A velhíssima parábola de ser melhor ensinar alguém a pescar do que dar-lhe o peixe, implica muito tempo e paciência. Dar o peixe, pode ser caro ( então hoje, o peixe só congelado!) mas é apenas isso e despacha-se depressa. Ensinar a pescar, é ainda mais caro ( implica a cana, o anzol, o isco) e leva muito tempo, que há quem diga que "é dinheiro" e muita paciência e compreensão.
O primeiro dos passos a dar em relação a uma criança que está mal é tratar toda a família de que ela é um sintoma. Castigar a família, é uma solução, mas é a pior. E retirar uma criança de uma família sem procurar outra solução é um erro grave - mesmo que seja para a colocar num lar de luxo ( o que o do Vilas Boas também não é)
M.L.
Quando o Professor era candidato
Mas a lata do professor também tem que se lhe diga! Se eu também lhe desse notas como ele gosta de fazer às pessoas dava negativa em memória! Lá para 1989 (ena pai, há tanto tempo, no outro milénio...) quando Marcelo concorria à Câmara de Lisboa, ouviram-se mimos do tipo de que ele "cantava o fado", afirmava em plena campanha que Sampaio fazia o que mandava o PC e a campanha estava entregue a quadros comunistas ( que susto!) Garantiu que ia por fim à carreita política de Álvaro Cunhal, para não falar do tal mergulho no Tejo a provar que a água era cristalina... Tive acesso a estes mimos através de arquivos de crónicas de TV. Cá se fazem e cá se pagam, não é ?
M.L.
Compras e Vendas
Por favor!!!!!!
Não me vendam o Algarve, que faz falta cá à malta.
Que tal venderem o governo, se alguém o quiser comprar?
M.L.
terça-feira, 17 de fevereiro de 2004
Sentimentos, Emoções e Números
Mas quando me atrevo a dizer "que grande parte do país desejava" não é a minha intuição que fala, desta vez são números. Se a sondagem feita fala verdade, grande parte do país quer um referendo, quer que esse referendo seja feito com brevidade, prepara-se para desta vez não se distraír e votar mesmo, e ... por fim mas não por último, vai votar pela despenalização da I.V.G.
Isto se os números não mentem.
é certo que isto é uma batalha, não é o fim da guerra, mas já é uma luzinha.
M.L.
Diferenças
http://www.os-caes-ladram-e-a-caravana-passa.weblog.com.pt
um post "soldados americanos revistam terrorista".
Lembrei-me que vem aí o 25 de Abril e da fotografiam do miúdo a enfiar o cravo na espingarda do soldado...
Outros tempos.
M.L.
Amiga do Diabo
Hoje fui a uma farmácia. Simplemente comprar aspirina. Havia várias pessoas à minha frente e era fácil ver as receitas que iam mostrando ao farmaceutico. Nenhuma dessas receitas tinha menos de 3 ou 4 medicamentos e pelos conselhos que ia ouvindo esses 3 ou 4 seriam para as mesmas mazelas: "Ponha esta pomada à noite e esta pílula é para depois das refeições; o comprimido é logo ao acordar e este líquidozinho se tiver muita comichão" por exemplo. (confesso que inventei mas o estilo é mais ou menos este) A pessoa tinha uma alergia e procurava alívio. Certo, não é?
Então porque é que a saúde mental tem tão má fama?! Estou cansada de ouvir "está encharcada/o em drogas! foi ao psiquiatra e parece um zombi". Quando vou saber o que é, na maioria das vezes é uma depressão tratada com um ansiolítico e um antidepressivo. Duas drogas complementares. E que, obviamente, se são fortes demais para o doente ele deveria informar o médico para alterar a medicação! Porque das duas uma: ou é demasiado forte, como tratar uma constipação com antibiótico de 4 em 4 horas, e o médico deve acertar o diagnóstico, ou é o medo da droga em si que faz ver tudo com cores muito escuras.
Porque é que a alergia precisava de 4 drogas? Esse doente estava encharcado em pomadas?Porque há tanto receio da psiquiatria? Mas devo ser eu que estou enganada porque, como disse ao princípio, toda a gente pensa ao contrário.
M.L.
Portugal versus Estados Unidos
Nós temos cá alguém, que se perfila como candidato à presidência, e que o mínimo que se pode dizer é que é um saboroso alimento das colunas sociais com variados affairs sentimentais. É lá com ele. Nunca lhe atiraria nenhuma pedra. Mas, lá que tem graça tem. o que nuns casos é defeito noutros é vantagem por tornar a pessoa mais humana.
M.L.
Assim vai o país
« Salário Médio em Espanha: 1400 euros
Salário Médio em Portugal: 600 euros»
Ora, como se sabe, isto de médias é a velha graça de "se tu comes um frango e eu não como nada quer dizer que cada um comeu meio frango" podemos concluir que dado o nível de escandalosa riqueza que alguns dos nossos compatriotas exibem, a nossa classe média , o que dantes se chamava "remediados" ( palavra acanhadinha e conformada....) desaparece do mapa!
M.L.
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2004
Pais e Filhos
Um é a Invasão dos Bárbaros, e outro o Big Fish; o terceiro ainda não o vi portanto não vou falar hoje. Destes dois, gostei muitissimo para além das razões técnicas, que possivelmente não domino, sobretudo pelas emoções que despertam. E é de estranhar porque, até há pouco, este tema era muito pouco aproveitado. Com crianças pequeninas, sim senhor, mas conflitos resolvidos com ternura final entre filhos-homens e pais-idosos é um ângulo novo pelo menos para mim. E já vi muito cinema! E sobretudo porque a ternura entre homens ainda é invulgar, mesmo na vida real o homem gosta de pensar que "domina " a emoção e não a deve mostrar. Que belo pode ser mostrar o contrário. É mesmo a emoção que torna o homem verdadeiramente homem.
M.L.
A minha política é o trabalho
Mas o que se passa em Portugal? Confesso que me inquieta e perturba muito. Há um desinteresse que parece patológico. Lembra-me tempos de que não gostei.
M.L.
As raparigas lá de casa
discretas fabricantes da penumbra
guardavam o meu sono como se guardassem
o meu sonho
repetiam comigo as primeiras palavras
como se repetissem os meus versos
povoavam o silencio da casa
anulando o chão os pés as portas por onde
saíam
deixando sempre um rastro de hortelã
traziam a manhã
cada manhã
o cheiro do pão fresco da humidade da terra
do leite acabado de ordenhar
(se voltassem a passar todas juntas agora
veríeis como ficava no ar o odor doce e materno
das manadas quando passam)
aproximavam-se as raparigas lá de casa
e eu escutava a inquieta maresia
dos seus corpos
umas vezes duros e frios como seixos
outras vezes tépidos como o interior dos frutos
no outono
penteavam-se
e as suas mãos eram leves e frescas como as folhas
na primavera
não me lembro da cor dos olhos quando olhava
os olhos das raparigas lá de casa
mas sei que era neles que se acendia
o sol
ou se agitava a superfície dos lagos
do jardim com lagos a que me levavam de mãos dadas
as raparigas lá de casa
que tinham namorados e com eles
traíam
a nossa indefinível cumplicidade
eu perdoava sempre e ainda agora perdoo
às raparigas lá de casa
porque sabia e sei que apenas o faziam
por ser esse o lado mau de sua inexplicável bondade
o vício da virtude da sua imensa ternura
da ternura inefável do meu primeiro amor
do meu amor pelas raparigas lá de casa.
Emanuel Félix, poeta açoreano
(poema extraído do livro «Habitação das Chuvas»)
susana
domingo, 15 de fevereiro de 2004
Cuspir...para onde???
M.L.
sábado, 14 de fevereiro de 2004
Leituras em diagonal
Marcel Proust " À la recherche du temps perdu".
Resumo: Um rapaz asmático sofre de insónias porque a mãe não lhe dá um
beijinho de boas-noites. No dia seguinte (pág. 486. I vol.), come um bolo
e escreve um livro. Nessa noite (pág. 1344. VI vol.) tem um ataque de asma
porque a namorada (ou namorado?) se recusa a dar-lhe uns beijinhos.
Tudo termina num baile (vol. VII) onde estão todos muito veIhinhos e
pronto.
2) Leão Tolstoi, "Guerra e Paz", (1800 páginas)
Resumo: Um rapaz não quer ir à guerra e por isso Napoleão invade
Moscovo. A rapariga casa-se com outro. Fim.
3) Luís de Camôes, "Os Lusíadas"
Resumo: Um poeta com insónias decide chatear o rei e contar-lhe uma
história de marinheiros que, depois de alguns problemas (logo resolvidos por uma deusa porreiraça), têm o justo prémio numa ilha cheia de gajas boas.
4) Gustave Flaubert "Madame Bovary", (378 páginas)
Resumo: Uma dona de casa engana o marido com o padeiro, o leiteiro, o
carteiro, o homem do talho, o merceeiro, e um vizinho cheio de massa.
Envenena-se e morre.
5) William Shakespeare, "Hamlet"
Resumo: Um príncipe com insónias passeia pelas muralhas do castelo
quando o fantasma do pai lhe diz que foi morto pelo tio que dorme com a mãe,
cujo homem de confiança é o pai da namorada que entretanto se suicida ao
saber que o príncipe matou o seu pai para se vingar do tio que tinha matado
o pai do seu namorado e dormia com a mãe. O príncipe mata o tio que
dorme com a mãe, depois de falar com urna caveira e morre, assassinado pelo
irmão da namorada, a mesma que era doida e que se tinha suicidado.
6) Anónimo colectivo. Novo Testamento (4 versões)
Resumo: Uma mulher com insónias dá à luz um filho cujo pai é uma
pomba. O filho cresce e abandona a carpintaria para formar uma seita de
pescadores. Por causa de um bufo, é preso e morre.
M.L.
Consumismo
E depois estranham que os portugueses andem cheios de dívidas? Viva o Amor, os namorados e S.Valentim, mas com beijinhos que não se compram nem vendem.
M.L.
sexta-feira, 13 de fevereiro de 2004
Eu estava cheínha de razão!!!
Tinha referido num post anterior que se viam as diferenças de gerações se se assistisse ao concurso “Quem quer ser milionário?” pois a malta jovem acertava em música e desporto e os mais velhos em história, literatura e política.
Estou neste momento a comprovar a minha teoria. Nesta mesma noite, uma senhora, aparentando bem mais de 20 anos, não sabia quem era o actual presidente da Rússia, sendo as hipóteses ( pasme-se!) Lenine, Gorbachov, Putin e Staline. A senhora não sabia mesmo. Respondeu ao acaso. Logo depois, outro jovem, na mesma faixa de idade, à pergunta se, no soneto de Camões, Jacob tinha servido Labão durante 7 anos por, 1- Ter contrato de trabalho, ou 2 – Por decisão familiar ou 3 – Porque era seu escravo, ou 4 - Por querer casar com a filha também não fazia ideia.
Está visto, literatura, história e política são coisas de cotas.
M.L.
Que bom dizer bem!
No público de hoje vinha esta notícia:
«As antigas casas dos guardas florestais da serra de Sintra vão ser restauradas para turismo de natureza, passando a ser abastecidas com energia solar, anunciou hoje fonte da Agência Municipal de Energia de Sintra (AMES).»
Na continuação dava para entender que as casas seriam aproveitadas e utilizadas sem estragar a natureza envolvente, pois a energia utilizada e necessária ao conforto era não poluente. Aquelas casinhas encantadoras abandonadas cortavam o coração. Excelente ideia. Confesso que muitas vezes tenho criticado a câmara de Sintra por excesso de tolerância em relação a crimes ambientais, mas se isto fôr o que parece pela notícia, só posso dar os parabéns. E faço-o com muito gosto!
M.L.
Gerações...
M.L.
desemprego, desprotecção social, competitividade?
o desemprego atingiu 6,4% da população portuguesa em 2003, dizem as estatísticas oficiais, mais 26,5% do que em 2002. mas continuarão apaniguados do capitalismo selvagem e da extrema-direita bafienta a pedir mais despedimentos, menos protecção no desemprego e na doença, mais competitividade. precisam é de combatividade
zé
Reciclar a simpatia não era mau...
Mas, além de antipática a mensagem é falsa. Suspeito que o criativo da agência de publicidade não costuma utilizar o ecoponto. Porque, meus amigos, NÃO É no azul põe-se papel e cartão, no verde põe-se vidro e no amarelo embalagens. Isso, acredito que o macaco fazia. Mas tenho as maiores dúvidas que o tal bicho visse que o papel de fax já não serve, que o vidro se fôr de cristal ou de janela também não serve, e as embalagens devem ir limpas. Valha-me Sant’Ecoponto!
Por outro lado, o dinheiro dessa publicidade talvez fosse bem empregue em pagar a mais camionetas para esvaziar os recipientes cheios. Ou é azar meu, ou por onde costumo passar o espectáculo é triste de ver, por os recipientes transbordarem de material. Com aquelas vistas não há boa vontade que resista, apetece é fugir e deitar tudo no lixo normal.
M.L.
Sexta-feira... 13?
As sextas-feiras têm de agradável serem véspera de fim-de-semana. Há muito quem sorria com essa ideia, a não ser os super-pessimistas que recordam que sábado é ante-véspera de 2ª... Há também aqueles para quem às 6ª se acumula tudo o que vai ter de se despachar antes desse famoso fim-de-semana. Oh, perversão!!! Apetece lastimar-me porque é quase sempre o meu triste caso.
M.L.
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2004
Onde estão as fogueiras?
«Quando uma pessoa é toxicodependente, foi avisada e contra todo o conselho da família, dos amigos, da estrutura, mantém a sua situação de toxicodependência, eu pergunto: De quem é a responsabilidade?»
A resposta implícita é que quem fala lava daí as suas mãos. Eu digo que é uma frase espantosa porque quem a proferiu foi a pessoa responsável por toda a política portuguesa. Esta posição já deu origem a uma fila enorme de comentários em vários blogs, mas tendo este espaço vou utilizá-lo para mostrar o meu espanto. Fiquei atónita porque o responsável máximo pela educação, saúde, justiça em Portugal lava as mãos do problema da toxicodependência porque "a responsabilidade" é dos próprios que criaram o problema apesar dos avisos da família, amigos, etc. Um barco sai para o mar apesar de avisado que vem a´uma tempestade, se naufragar é bem feito porque devia ter tido cuidado e não se ter posto em risco.
Quem habita este mundo, sabe que o problema da droga é um problema dos finais do século, gravíssimo, que abrange todas as classes sociais, e que não se resolve com "força de vontade". Um dos problemas dessa doença é exactamente perder a força de vontade. E se temos a imagem do drogado-arrumador-de-carros ou gatuno de meia tijela, e isso mete medo ao cidadão comum, podemos lembrarmo-nos que há artistas célebres dependentes de drogas mas nunca roubaram porque ganham muitíssimo dinheiro e não precisam de roubar. Ou seja, o drogado não rouba porque é drogado, rouba porque não tem dinheiro para comprar a tal droga. Dito de outra maneira: se a cocaína fosse ao preço da aspirina, eles morriam como tordos,mas não roubavam. portanto o que deve meter medo às pessoas são os dealers que promovem os negócios, que lavam o dinheiro em negócios lícitos, que iniciam miúdos às portas dos liceus. O consumidor em si é um doente de uma doença terrível. Sacudi-lo porque "a culpa é dele"??
À pergunta, de quem é a responsabilidade, eu diria que é de quem não luta contra o narcotráfico, de quem ataca as vítimas e não os criminosos. Desejo sinceramente que o Dr. Barroso nunca venha a saber que no melhor pano cai a nódoa, e que o Deus em que me parece que acredita lhe afaste esse cálice da boca. Porque, de resto, a Inquisição acabou há algum tempo e as fogueiras estão apagadas e frias.
M.L.
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2004
Vestuário e símbolos religiosos
Os franceses, andam a discutir uma lei para saber se os estudantes podem usar símbolos ostensivamente religiosos nas escolas. Atrás disto vem o facto de as jovens muçulmanas usarem ou não o que se designa por “véu”, ou agora “lenço”. E discute-se se são obrigadas ou é por livre vontade. E ainda se é contra a liberdade da mulher ou na defesa do seu pudor. Ora o que eu sinto é que está tudo ainda muito mal explicado. Tentei informar-me e parece que véu, mesmo véu, é uma noção cá do ocidente. As católicas põem véu ou mantilha para ir à missa. Para uma sociedade islâmica há, desde a “burka” ( e, a minha 1ª opinião contra, era quando julgava que nos estávamos a referir a isso) ao pak chadar, ao chador, ao hijab, e nada disso são simples lenços como nós os imaginamos. A burka é um fato que tapa uma mulher da cabeça aos pés com um rendilhadozinho que lhe permite ver e respirar. Pode ser que uma pessoa assim tapada se sinta protegida mas fica desde logo segregada do resto da comunidade. Claro que pode ser um costume religioso mas só me lembra o homem-da-máscara-de-ferro e faz-me impressão, e falta de ar. Desculpem, não posso concordar. Mas o jibab, por exemplo, é um casaco todo fechado e um lenço na cabeça, como as nossas ceifeiras usavam. Isso não me faz impressão nenhuma. É com elas e suas famílias. Ou seja, como ocidental sinto que tapar o corpo, o cabelo e até luvas para as mãos é uma questão pessoal. Tapar tudo incluindo a cara, ou vendo-se unicamente os olhos, perturba-me um pouco.
Por outro lado, da parte francesa, parece-me (parece-me agora, se calhar mudo de ideias) de facto discriminatório e racista. Porque é que uma pessoa não se pode vestir como entende? Se calhar os piercings, tatuagens etc, também chocam, até porque muitos são feitos para chocar. E obrigam o miúdo a tirar o piercing antes de ir para a escola? Não sei, a sério. Sei que há 40 anos as raparigas não podiam entrar na Faculdade de Letras de Lisboa de calças compridas, mas achava mal! E se hoje fossem de chaddar? Entravam?
M.L.
terça-feira, 10 de fevereiro de 2004
Esclarecimento
Não sei se é a diferença de fusos, mas meu amigo/a, não deu para ver que eu estava a brincar? É claro que me estava a meter com os donos dos cães, os pobres cães não lêm português só cãoês. E também é claro que a porcaria que fazem nem é um "hábito" é uma muito biológica necessidade. O incrível é que a tal lei, que também existe em Portugal, é cumprida por uma percentagem mínima da população (embora haja quem a cumpra). Mas fiquei divertida ao ler, que o que escrevi por graça, parece já existir. Sempre é certo existirem fraldas??? O que mais me faltará ainda ver!
M.L.
Finalmente ! Que alegria!!!
No fim de semana, estava eu meio ensonada fazendo zaping pelos nossos canais quando apanho com uma reportagem que me provocou um choque de alegria. Finalmente entendi a estranha sensação de carência com que tenho andado. Lisboa andava com falta de qualquer coisa, mas eu não sabia definir...Já me tinha passado pela ideia a limpeza das ruas sujíssimas ? (hum?? nã!) o trânsito estar caótico ? ( ...hãã..talvez não) as casas degradadas ?( tão pouco!) falta de espaços verdes ?( quem quer verdura vai à praça), tantos buraços em ruas e passeios ? Nada disso. Eu estava como a sra. a quem apetecia "algo", de sofisticado, de chic, algo... enfim... tal como um ringue de patinagem no gelo!
Mas que bom, que bom, que bom! Assim como há uns anos "Sobral-de-Monte-Agraço-já-tinha-um-parque-infantil" agora, esta bela capital, tem patinagem no gelo, interessante actividade a que nos habituámos desde pequenininhos. Qual de nós não experimentou uns patinzinhos de gelo após os primeiros passos? Aliás se somos tão bons em hoquei em patins é porque treinámos antes disso na pista de gelo. Muito obrigada Dr. Santana Lopes por finalmente ter posto cobro a este legítimo anseio da população alfacinha. Já posso dormir muito mais descansada, pelo menos um bem de primeira necessidade já cá canta.
M.L.
Cães e seus donos.
Não acredito o hábito fazer coco de um cão seja um ponto negativo, nem mesmo que isso conte muito afinal ele não é um ser racional, mas pode ser treinado, adestrado para fazer ou não na rua. E o dono do cão? Será que esse não é realmente o culpado por esse péssimo hábito de emporcalhar as ruas de Lisboa e tantas outras pelo mundo afora?
Em São Paulo tem uma lei (não sei se é municipal, estadual ou federal) que obriga o dono do cão a recolher as fezes do animal. É normal vemos as 'dondocas' passeando com seus cachorrinhos e levando junto um par de luvas e uma sacolinha para o lixo e às vezes até vemos cachorros usando fraldas.
Sabemos que aqui no Brasil tem um negócio de leis que 'pegam' e que não pegam, então porque será que essa lei é seguida? Fiscais para multar os donos do cão não existem.
BitMaker
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2004
Cães
Portanto vinha aqui propor fraldas. Numa antiga telenovela, onde entrava a figura de um cangaceiro, Zeca Diabo, o perfeito dessa cidade brasileira tinha tido a ideia de obrigar os cavalos e burros da cidade a usar umas fraldas para a cidade ficar mais limpa. Lá não resultou. Mas entre as brilhantes ideias do Dr. Santana, vinha relembrar essa do perfeito Bem-Amado : fraldas para os cãezinhos de Lisboa. Os peões agradeciam.
M.L.
País temperado
E quanto ao calor idem aspas. Numa terra quente, lojas, táxis, serviços públicos, restaurantes, diversões, tudo estava fresco. Tínhamos verdadeiro calor ao andar a pé na rua. Nesta nossa bendita terra, no verão julgamos que morremos, parece uma surpresa sempre que aparece o calor. Desculpem-me, sou eu que sou anormal?
M.L.
Rafael Alberti
Quando tu apareceste,
penava eu nas entranhas mais profundas
duma cova sem ar e sem saída.
Esbracejava no escuro, agonizante,
ouvindo um estertor que esvoaçava
como o pulsar duma ave imperceptível.
Sobre mim derramaste os teus cabelos
e subi ao sol e vi que eram a aurora
cobrindo um alto mar de primavera.
Foi como se tivesse chegado ao mais formoso
porto do sul. Submergiam-se
em ti as mais lúcidas paisagens:
claros, agudos montes coroados
de neve rosada, fontes escondidas
na crespa sombra dos bosques.
Aprendi a descansar sobre os teus ombros
e a descer por rios e encostas,
a entrelaçar-me nos ramos estendidos
e a fazer do sono a minha morte mais doce.
Arcos me abriste e meus floridos anos
recém-erguidos para a luz repousaram
sob o amor da tua compacta sombra,
tirando o coração ao vento solto
e ajustando-o ao verde som do teu.
Ora adormecia, ora acordava sabendo
que não penava numa cova escura,
esbracejando sem ar e sem saída.
Porque tinhas finalmente aparecido.
zé
domingo, 8 de fevereiro de 2004
O Terceiro Efe
M.L.
sexta-feira, 6 de fevereiro de 2004
BitMakerDonosor
Enquanto na web...
(..)Assim que eu dei o meu primeiro passo no futuro. Logo notei uma grande diferença nas cores da cidade (Săo Paulo no caso). Estava muito mais cinza do que o normal... barulhos de deixar qualquer um tonto me assustavam a cada 15 segundos. Gritos, que muitas vezes me lembravam os Holigans, me deixavam pasmo. Bom, lá estava eu parado no meio da 23 de maio no dia de 30 de janeiro de 2034. sem saber pra onde ir, decidi andar em sentido centro, pois gostaria de saber se eu ainda moraria na zona norte. De longe eu avistava uma baderna, e os barulhos ficavam cada vez mais altos.
Chegando realmente no meio da baderna, eu fiquei espantado, ao ver a quantidade de corinthianos atrás das trincheiras. Todos bem armados, logo me perguntaram qual era meu time do coraçăo, com um tom meio ameaçador. Eu, sem demora afirmei que o timăo sempre estaria no meu coraçăo. Foi quando eles me contaram as novas: Palmeirenses e Corinthianos estavam em guerra para decidir quem dominaria a cidade daqui para frente. Logo eu perguntei dos Săopaulinos. E confesso que cai na gargalhada quando o Gilberto (da milícia corinthiana) me contou que o tricolor paulista tinha acabado de ficar com o vice campeonato da série C do Brasileiro. Acho que toda aquela agitaçăo me deu fome, e me aconselharam ir para a augusta, pois era a rua mais indicada para matar a fome. Depois de uma bela caminhada, cheguei na augusta. E o meu 3ş espanto foi: de 4 restaurantes 1 era Bobs. Fiquei abismado? Onde iria comer Cheddar do Mc? Onde? Estava deslocado, e corri para a banca, procurar um acontecimentos desde 2004, mas o seu Guenternito dono da banca me disse que livros com mais de 100 paginas somente seria encontrado na Saraiva Mega Paladium. Foi o que eu fiz, me locomovi até lá (antigo Teatro Municipal).(..)
que moça bonita
inesperadamente, ouvindo Pedro Luís e a Parede, bebendo uma Alhambra, Sierra Nevada com sol intenso, e relembrando Adriana Lisboa, "notou mais uma vez, com um carinho täo dolorido, que o ventre dela ficara um pouquinho protuberante depois da gravidez. Aquilo deixava seu corpo mais bonito. Mais real. Infelizmente, mais real."
que moça bonita, que moças bonitas
zé
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2004
entre Córdoba e Granada
(Paco Ibañez cantando Rafael Alberti)
galopa, cavalo quatralvo,
ginete do povo,
ao sol e à lua,
cavalo de espuma,
ginete do povo,
que a terra é tua
-#-
Vinde, vós que nunca fostes a Granada.
Há sangue caído, sangue que me chama.
Nunca entrei em Granada.
Há sangue caído do melhor dos irmäos.
Sangue nos mirtos e na água dos pátios.
Nunca fui a Granada.
Do melhor amigo, há sangue nas murtas.
Sangue no Darro, sangue no Genil.
Nunca vi Granada.
Se altas säo as torres, é alta a coragem.
Vinde por montanhas, por mares e campos.
Entrarei em Granada.
zé
domingo, 1 de fevereiro de 2004
ausência
Sem cessar, percorro os céus com os olhos
a tentar ver a estrela que estás contemplando.
Interrogo os viajantes de todas as terras
na esperança de encontrar
alguém que tivesse
aspirando a tua fragrância.
Quando os ventos sopram,
procuro recebê-los no rosto,
como se a brisa me trouxesse
notícias tuas.
Errante vou pelos caminhos,
sem rumo nem meta:
talvez uma canção
me recorde o teu nome.
Furtivamente, miro,
sem necessidade,
quantas pessoas encontro,
tentando avistar um rasgo
da tua formosura.
zé
sábado, 31 de janeiro de 2004
senhas/esquadros
eu ando pelo mundo prestando atenção
em cores que eu não sei o nome
eu quero chegar antes
pra sinalizar o estar de cada coisa
zé
sexta-feira, 30 de janeiro de 2004
quinta-feira, 29 de janeiro de 2004
agenda 2004
a propósito do 10º aniversário do Ano Internacional da Família, a coordenação nacional para os assuntos da família editou uma agenda: 6 de Janeiro - Dia de Reis, 14 de Fevereiro - Dia de S. Valentim, 24 de Fevereiro - Entrudo, 27 de Março - Dia Mundial do Teatro, 9 de Abril - Sexta-Feira Santa, 22 de Maio - 6º aniversário do Oceanário, 13 de Junho - Dia de Santo António, 24 de Junho - Dia de São João, 3 de Julho - Dia da Casa Pia, 26 de Julho - Dia dos Avós, 11 de Novembro - Dia de S. Martinho
que o São Pedro não se queixe por não lhe referirem o dia, admito, mas o 25 de Abril um simples domingo? já encontrei o esquecimento em 4 agendas (tantas quantas vi)
zé
domingo, 25 de janeiro de 2004
lost in translation
As she takes on half the world
Moving up and so alive
In her honey dripping beehive
Beehive
It's good, so good, it's so good
So good
Walking back to you
Is the hardest thing that
I can do
That I can do for you
For you
I'll be your plastic toy
I'll be your plastic toy
For you
Eating up the scum
Is the hardest thing for
Me to do
Just like honey
sofia
sexta-feira, 23 de janeiro de 2004
Alandro al
O Alandro al é um exemplo a seguir.
ltata.
quarta-feira, 21 de janeiro de 2004
sábado, 17 de janeiro de 2004
falhei, penitencio-me
li há pouco numa crónica sobre o DVD: "Os planos sobre o rosto são fugazes, talvez de forma a esconder o estrabismo de Maria Rita". ainda não tinha reparado, falhei, vou sair de palco
zé
sexta-feira, 16 de janeiro de 2004
pensamento do dia
li como título ‘Juiz aplica multa de 450 euros a cada benfiquista que lhe escreveu a pedir a libertação de Vale e Azevedo’ (claro que o pasquim não tratou o Dr. João Vale e Azevedo com esta dignidade) – ah Miguel, que dinheiro tão bem gasto
zé
o que achas disto zé?
filipa
capa do Independente: juiz Ricardo Cardoso aplicou multa de 445 euros a cada benfiquista que lhe escreveu a pedir a libertação de João Vale e Azevedo.
mais uma para as calendas
Bagão pretende alargar licença de parto em duas semanas (a propor até 2006, final da legislatura)
zé
quinta-feira, 15 de janeiro de 2004
Brel: le droit de rêver
ce qui compte dans une vie,
ce n'est pas la durée d'une vie,
c'est l'intensité d'une vie
zé
o Prof Marcelo será diabo, mas nem vermelho nem encarnado
saberá o Prof que o Benfica não se compara a outros clubes e que esses "um ou dois maus resultados" no início do ano do centenário, podem causar a agitação social que o Durão tanto teme? o Prof pode ser tão inteligente quanto um esquentador, mas de Benfica nada percebe
zé
terça-feira, 13 de janeiro de 2004
Esta na hora de dar um cão ao puto
- Sim?
» Tem mano?
- Não, filho.
» â mãe eu quero um mano.
- Agora é difícil filho.
» â mãe, os outos meninos têm todos um mano e depois, e depois,... e depois, já não há mais manos, pa comprar um mano pa mim.
e assim atou a burra.
andrezero.
g'anda zé!
ó pá zé, isso é que é tomar bem conta do cão! qualquer dia dou por ti a passeá-lo no jardim da parada.
joão h j
segunda-feira, 12 de janeiro de 2004
alguém se lembra?
alguém se lembra de um primeiro-ministro de um país chamado Portugal criticar a burocracia de Lisboa? na educação, na saúde? um primeiro-ministro descentralizador? crítico da burocracia de Lisboa ou dos seus burrocratas? terei ouvido mal as notícias?
alguém viu o falso sorriso seráfico de bagão com o alberto joão? a aprovar a tese da cabala comunista que assalta ONG's e come crianças? a babar-se pelo canto da boca? com a cabala ou com a carne fresca?
zé
Marcelo Camelo
Paz, eu quero paz
Já me cansei de ser
a última a saber de ti
Se todo mundo sabe
quem te faz chegar mais tarde
eu já cansei de imaginar
você com ela
Diz pra mim se vale à pena, amor
A gente ria tanto
desses nossos desencontros
mas você passou do ponto
e agora eu já não sei mais ...
Eu quero paz
Quero dançar com outro par
pra variar, amor
Não dá mais pra fingir
que ainda não vi
as cicatrizes que ela fez
Se desta vez ela é senhora deste amor
pois vá embora, por favor
que não demora pra essa dor
sangrar
zé
quinta-feira, 1 de janeiro de 2004
segunda-feira, 29 de dezembro de 2003
acreditas em coincidências?
a semana passada o desenfreado consumo natalício, ontem a grande entrevista, hoje a acusação, durante os próximos dias o desenfreado derby da 2ª circular. joão, desculpa, mas acredito tanto em coincidências como no 'facto' de o JFK ter sido assassinado por um louco solitário
zé
latin'américa
Yo voy traer una mujer playera
Que su nombre sea Marti
Que su nombre sea Marti
Soy loco por ti de amores
Tenga como colores la espuma blanca de Latinoamérica
Y el cielo como bandera
Y el cielo como bandera
Soy loco por ti, América
Soy loco por ti de amores
Sorriso de quase nuvem
Os rios, canções, o medo
O corpo cheio de estrelas
O corpo cheio de estrelas
Como se chama a amante
Desse país sem nome, esse tango, esse rancho,
esse povo, dizei-me, arde
O fogo de conhecê-la
O fogo de conhecê-la
Soy loco por ti, América
Soy loco por ti de amores
El nombre del hombre muerto
Ya no se puede decirlo, quién sabe?
Antes que o dia arrebente
Antes que o dia arrebente
El nombre del hombre muerto
Antes que a definitiva noite se espalhe em Latinoamérica
El nombre del hombre es pueblo
El nombre del hombre es pueblo
Soy loco por ti, América
Soy loco por ti de amores
Espero a manhã que cante
El nombre del hombre muerto
Não sejam palavras tristes
Soy loco por ti de amores
Um poema ainda existe
Com palmeiras, com trincheiras, canções de guerra,
quem sabe canções do mar
Ai, hasta te comover
Ai, hasta te comover
Soy loco por ti, América
Soy loco por ti de amores
Estou aqui de passagem
Sei que adiante um dia vou morrer
De susto, de bala ou vício
De susto, de bala ou vício
Num precipício de luzes
Entre saudades, soluços, eu vou morrer de bruços
nos braços, nos olhos
Nos braços de uma mulher
Nos braços de uma mulher
Mais apaixonado ainda
Dentro dos braços da camponesa, guerrilheira,
manequim, ai de mim
Nos braços de quem me queira
Nos braços de quem me queira
Soy loco por ti, América
Soy loco por ti de amores
zé
terça-feira, 23 de dezembro de 2003
segunda-feira, 22 de dezembro de 2003
lamb
we'll be free
always and forever
be with me
we'll have love a'plenty
we'll have joys outnumbered
we'll share perfect moments
you and me
zé
quarta-feira, 26 de novembro de 2003
los hermanos
do que é feito o samba?
Quem se atreve a me dizer?
Não, eu não sambo mais em vão
O meu samba tem cordão
O meu bloco tem sem ter e ainda assim
Sambo bem a dois por mim
Bambo e só, mas sambo sim
Sambo por gostar de alguém gostar de
Me lavra a alma, me leva embora
Deixa haver samba no peito de quem chora
Quem se atreve a me dizer
do que é feito o samba ?
Quem se atreve a me dizer?
Quem me ensinou a te dizer
Vem que passa o teu sofrer
Foi mais um que deu as mãos entre nós dois
Eu entendo o seu depois
Não me entenda aqui por mal
Mas pro samba foi vital falar em
Me laça a alma, me leva agora
Já que um bom samba não tem lugar nem chora
Nem se atreva a me dizer
Do que é feito o samba
Nem se atreva a me dizer
zé
Vida de cão
quinta-feira, 20 de novembro de 2003
segunda-feira, 27 de outubro de 2003
Por uma necessidade imperiosa,
Pela nossa saúde,
Pela nossa nação,
P'lo raio que a parta, a ela.
Adiram e divulguem esta iniciativa.
mavatar
Mavatar.
sábado, 25 de outubro de 2003
quinta-feira, 23 de outubro de 2003
Vanessa da Mata
Ser um personagem distante
É facil beijar quem pouco te mexe
O difícil é tremer
Desejar demais, arder em febre
Ter medo do que não se conhece
De descontrolar-se, de se perder, de se esquecer
Mas seguir adiante
Gelar as mãos
Suar o rosto corado de sangue
Redicularizar-se
Palpitar o coração
Expor-se frágil dama, sendo homem ou mulher, às dolorosas boas penas
Se dar e às vezes se jogar a um desconhecido qualquer
Num gosto antídoto, intenso
Gostar do atrevimento e do profundo irrompendo
Fazer-se viver realmente em dobro
Perceber o que não se fazia perceber
É um sisco o provisório demais
Não ser radical e inteiro ao que pode o bem
O bom mesmo é viver a generosidade da entrega
Responder ao aperfeiçoamento que não havia ainda
A soma do que começa e do que finda
A vida e a morte quando se beija
Às vezes coragem é ficar de frente
Tremer e não correr perante o gigante
Se sentir inocente
Sonhar numa plenitude como se tivesse chegado a eternidade
E da nada mais importar-se
Falar palavras tontas numa dicção solene
Sentir o coração rebelde chocalhando, chamando, querendo, pedindo, independentemente
E então não resistir à fome que a alma e o corpo temem
Se ver na letra que a música grita, que antes, careta, não se suportava
Num susto se percebe docemente que agora existe um único sentido
Uma resposta em nenhuma pergunta
Tudo se torna dele
Das intensidades do amor que vão da angústia à felicidade
E é talvez a única arte que a arte transmita ao homem em sua total integridade
zé
A parvoíce do costume
Há momentos da vida de um país em que as pessoas deviam estar caladas. Género fazer um voto colectivo de silêncio e não dizer nada durante uma semana inteira.
Depois da comunicação de Jorge Sampaio, este é um desses momentos. É que com as ansiedades que por aí andam de se interpretar esta e aquela frase, ou este e aquele gesto e, ainda, com as ansiedades de se saber o que vai acontecer a seguir, corre-se o enorme risco de só sairem disparates deste calibre.
joão h j - a-metamorfose
quarta-feira, 22 de outubro de 2003
não imagino
mas ando distraído, pareço distraído, nesta novela judiciária. o meu país, este país, não merece distracções
zé
Jorge Sampaio
As fronteiras dos espaços de exercício do poder começam a ficar mais bem definidas.
A partir deste momento, qualquer tentativa de politizar a justiça, ou judiciar a política, deverá ser fortemente criticada e denunciada.
O mesmo deverá ser feito relativamente a qualquer tentativa de deflectir o discurso de jorge sampaio, da sua trajectória de elevada referência institucional e política.
joão h j - a-metamorfose
segunda-feira, 20 de outubro de 2003
Um latido
e uma ROSNADELA ao Paulo Portas por transformar o pessoal de 18 anos em soldadinhos de chumbo a brincar às guerras no Alfeite. Depois do F 16 e dos submarinos só faltavam as marchas dos meninos vestidos de castanho ao som do hino.
Mavatar - www.atalaia.blogspot.com
domingo, 19 de outubro de 2003
Alinhamentos...
Porque é que a notícia da criança violada pelo pai foi segunda no alinhamento do Telejornal de hoje, logo a seguir à das escutas realizadas a Ferro, Pedroso e Costa? E, já agora, visto que Ferro estava nos Açores, porque é que a notícia referente ao congresso do PS-Açores só apareceu em quinto?
Cá se dizem, cá se ouvem!
O segredo de justiça já foi mais violado que os próprios miudos da Casa Pia!
Porém nunca como com estas transcrinções, ele foi tão bem violado! Bem no aspecto de merecido, porque apesar de violado o segredo de justiça saiu desta história a rir que nem um perdido.
Do género - Estás-te a cagar para mim, eu estou-me a cagar para ti!
Ferro vai cagar... Para o segredo de justiça, claro! Mas faz um favor a todos, vai bem longe e não voltes!
Satellite of Love
João Paulo II
Haverá algum tipo de poder mais odioso do que o latente - aquele que nos rodeia, que nos invade, e que não permite a sua destituição?
terça-feira, 14 de outubro de 2003
sábado, 11 de outubro de 2003
De quem foi a triste ideia?
O objecto mais detestável da internet portuguesa é a "tesoura da nestlé" associada à página do jornal Público.
quinta-feira, 9 de outubro de 2003
O que nunca quis escrever...
Infelizmente, tive que violar a regra 8 das "Instruções para uma Alimentação Comunitária". E tive de o fazer, porque alguém, num momento de afirmação invertebrada, decidiu postar um texto e assiná-lo com o nome de outra pessoa.
O Cão de Guarda é um espaço comunitário. A pessoa em causa, conseguiu, com um acto isolado, hipotecar a liberdade de um espaço comum...
Espero que se sinta realizada na sua pequenez existencial. E que os seus actos masturbatórios lhe proporcionem o prazer que não consegue encontrar através de um saudável e adulto convívio com o mundo.
João H J
Infeliz...
WatchDog
ainda ficas ?
beijo // de fugida
- até já
como se fosse atrás dos passos que acabaram de abandonar este lugar
(-) ou até qualquer dia
que ficou por dizer // a repetição monótona dos mesmos dias
// monotonia da perfeição dos mínimos gestos para dizerem o mínimo // de nós
(-) um destes dias até te dou um beijo // como dantes
como costumavas enrolar-te no meu espaço vazio
(-) espera
o atraso no tempo deixou de ser visível
p//
quarta-feira, 8 de outubro de 2003
~É tão belo como um sim numa sala negativa~
Hoje tive um dia horrível. Pensei/Vivi (n)o que é a opressão e senti o que é viver num sistema tirano. E doeu muito, cairam muitas lágrimas não convidadas e senti uma incompreensão total da parte do meu pequeno e alcançável mundo. Claro que o meu actual sistema é pequeno e não afecta assim tanta gente. Mas depois penso que afinal estamos rodeados dessa falta de respeito uns pelos outros e sofri ao pensar em que mundo é que os nossos ainda não existentes filhos vão crescer. Esta história foi feita de americanos com poder, de pessoas cada vez mais ligadas ao umbigo e de uma solidão, do outro lado e a sul do oceano.
Mas decidi vir saber do resto do mundo. E aí, cara, como dizer, caiu-me uma outra lágrima. Mas esta, trouxe-me de volta a esperança e a certeza que vale a pena estar atento. Que vale a pena batalhar mesmo quando falta um abraço.
E finalmente posso inspirar nem que seja só por uns momentos.
Margarida Vaz Taqs
tanto mar, tanto mar...
sei que estás em festa, pá
fico contente
e enquanto estou ausente
guarda um cravo para mim
eu queria estar na festa, pá
com a tua gente
e colher pessoalmente
uma flor do teu jardim
sei que há léguas a nos separar
tanto mar, tanto mar
sei também que é preciso, pá
navegar, navegar
lá faz primavera, pá
cá estou doente
manda urgentemente
algum cheirinho de alecrim
"tanto mar", chico buarque
WatchDog, originalmente postado aqui.
I'll be out of here soon
Uma das vantagens da democracia é a de os erros colectivos poderem ser emendados periodicamente.
WatchDog
segunda-feira, 6 de outubro de 2003
José
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, você?
você que é sem nome,
que zomba dos outros,
você que faz versos,
que ama, protesta?
e agora, José?
Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José?
E agora, José?
Sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio - e agora?
Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora?
Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse...
Mas você não morre,
você é duro, José!
Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja a galope,
você marcha, José!
José, para onde?
Carlos Drummond de Andrade
FJ
sábado, 4 de outubro de 2003
A Amizade em (p)ortugal ainda com “A” grande !
Assim o ministro decide a seu belo prazer a quem dar os seus favores de mérito para entrar em medicina, mesmo passando por cima da Lei, isto caros Amigos é muito mais que Amizade, é uma irmandade.
Outro senhor que demonstrou grande Amizade, desta vez para o senhor ministro, foi o senhor director geral do ensino superior, este titulo ficava bem com umas maísculas, talvez o senhor que vier a seguir mereça, quando este sair claro! Este consegue afirmar, em nome da Amizade só pode, que o senhor ministro não cometeu nenhuma ilegalidade, a Diana ( acho que ele a trata assim tu cá tu lá ) apesar de não cumprir dois requisitos essenciais desta lei de excepção, já por si injusta, que seriam o papá continuar a trabalhar em missão diplomática no estrangeiro e a menina (m)artins da (c)ruz ter concluído o 12º ano no estrangeiro!
Isto não importa para nada! Segundo o tal senhor (dges), a Diana tem outros requisitos que não estão na lei, devem ser: é boa rapariga, tem mais de 1.50m, tem o 12º ano... Diana... Vem ser um GNR ! E por favor prende esta gente toda, em nome da Amizade e da Verdade.
Legenda : (e)ntre parêntesis encontram-se as maísculas encolhidas de vergonha.
Satellite of Love
sexta-feira, 3 de outubro de 2003
Como eu queria ir para Medicina...
Pensava eu que era muito bom ser filho de Ministro..., mas sem dúvida que não há nada como ser filho de ministro e de ex-embaixador..., ou será filho de ex-ministro e ex-embaixador...
Em lamego, o capitão foi demitido,ainda a noticia estava no ar. O que é que precisa mais o nosso P.M. para demitir o ministro que por sua vez também é ex-embaixador? Claro que é sempre mais fácil esperar que eles se demitam...
Não há nada como ter um ministro com complexos de não ser embaixador, ou será, um ministro que ainda se julga embaixador e que nos tempos livres exerce as funções de ministro?
Martins da Cruz
Casa com Música
~~.~~.~~.~~.~~.~~.
Plim, plim plim.
Tlintlão, plim plim.
plim, plim plimtlão
tlão tlão, tlão tintin
Plintlão tão tão tão plim...
I wish I could see the sea,
Plim tlim plim plim...
by my window.
Bem vamos lá todos exigir que o vizinho do lado abra um buraco no prédio para se poder ver o mar.
Deliberámos executar o nosso direito, o precedente está criado, é assim que funciona a justiça.
Azuleante
A morte de uma referência da blogosfera
O blogue a formiga de langton disse adeus à blogosfera.
E fê-lo, citando uma frase com mais de 50 anos, proferida pelo teólogo e cientista francês Pierre Teilhard de Chardin: An electronic membrane covering the Earth would wire all humanity together in a single nervous system.
A "PT-BlogoFractaLândia" ficou mais pobre.
WatchDog
quinta-feira, 2 de outubro de 2003
O Zé arranjou a bonita !
O que foste arranjar Zé, agora vamos ter 6 milhões de respostas á tua observação! Bem 6 milhões em Portugal e fora do nosso País, sim porque este blogg é internacional! Já ouvi falar que á 30 milhões de imigrantes... Isto vai ser chato !
Por favor não falem do Porto, porque só eles são uma naçãum!
Satellite of Love
Glorioso
Então pá ?! Como é que iamos por 6 milhoes dentro do estádio ?!?! A Catedral é grande mas não é o Vaticano !!! Assim sendo, já que temos que discriminar quem entra (e quem fica de fora), porque não escolher aqueles adeptos que , para além de o serem , até pagam as quotas mensais (€25) de socio !!! São os ditos adeptos praticantes que (tal como os católicos têm prioridade na entrada no paraiso) têm prioridade na inauguração do estádio ! Se tivesses ido á catequese tinhas percebido logo a justiça da coisa ...
Espero que a teologia presente não ofenda os teus valores laicos.
Devassos.
quarta-feira, 1 de outubro de 2003
Zé benfiquista...
Não sofras com isso, ò Zé.
Pensa que o estádio é bem capaz de cair antes da inauguração. E se não acontecer antes, há-de acontecer durante, ou pouco tempo depois.
É que, com a rapidez com que foi feito, com a habilidade dos engenheiros civis portugueses e com a manha dos dirigentes desportivos, o mais certo é aquilo ter areia da praia da Adraga, em vez de betão.
Além disso, no dia da inauguração, os acessos serão concerteza de terra batida, com entulho atirado para as bermas. Chegar lá vai ser mais do género fazer o Paris-Dakar a pé.
O do Sporting, pelo menos, parece ter coentros em vez de relva. E os outros, por esse país fora, têm mostrado algumas habilidades que se desconhecia serem características de estádios de futebol.
Olha, na américa, a liga profissional das gajas finou-se; foi à falência. No money, no soccer. E as gajas até dão uns toques. Mas o Estado aqui não é de Providência às Cimenteiras.
WatchDog
Glorioso?
antes extinguir o Glorioso no ano do Centenário, do que permitir que seja propriedade de quem não honra a memória e os princípios de um Benfica que foi Glorioso
zé
terça-feira, 30 de setembro de 2003
segunda-feira, 29 de setembro de 2003
Morder-lhes as calças :-
Os ingleses foram os primeiros. Os espanhóis já fizeram algum barulho. Os norte-americanos estão agora a começar uma longa maratona.
Dos quatro "quadrados dos Açores", já só falta Durão Barroso. A formiga e o anarca já deram o mote.
Terá Durão alguma vez tomado conhecimento de um relatório, onde supostamente estaria provada a existência de armas de destruição maciça no Iraque?
Se sim, por onde pára esse relatório? Se não, qual a motivação que o levou a coordenar a cimeira da "paz" nos Açores?
Continuarei sempre a desconfiar de apresentações em PowerPoint. Ainda mais, quando forem feitas perante audiências ignorantes e submissas.
WatchDog
Petisco
- Béu.
- Grrrr.
- Caim, caim, caim!!!
- Tem calma. É só para saberes quem manda.
- Já estou mais aliviado. Acho eu...
- Agora vira para cá a nalga para eu cheirar.
- Está bem, mas depois vira tu a tua, que como és muito grande não dá para um 69 olfactivo.
- Ahh. Andas a comer Orlando. Os teus donos têm a mania da poupança e compram dessa treta no Lidl, não é?
- Pois. Eu já me fiz de esquisito e passei dois dias sem comer, mas depois a fome venceu o paladar. Agora habituei-me e já não custa tanto.
- Aconteceu-me o mesmo. Mas aquilo dava-me cá uma volta aos intestinos que acabava por borrar a casa toda, não me aguentava. Agora dão-me Eukanuba. Até uivo de prazer.
- Deixa lá cheirar. Mas... mas... não me cheira a Eukanuba! Cheira-me a torta de chocolate e fiambre.
- Ah, pois é. O Sr. Ventura, o dono do café, estraga-me com mimos. Mas não é todos os dias que o meu dono não deixa porque aquilo dá-me o mesmo efeito do Orlando. Mas sabe tão bem... Agora é só quando ele está distraído a ler o jornal que Sr. Ventura me dá qualquer coisa. Pudera, passo o tempo todo a olhar para a vitrine com cara de fome e o homem tem pena. Deve pensar que não me dão que comer em casa.
- És guloso, já vi. Somos dois. Eu por exemplo adoro manteiga de amendoim.
- Ah sim? Nunca provei.
- Pois é. A minha dona adora que eu lamba aquilo. Ela barra aquilo na... na... bem, está a puxar-me, quer ir embora. Ó dona, só mais um bocadinho...
- Espera aí, barra aquilo aonde? Ei! Diz lá!
- Não consigo, a coleira está-me a esganaaaaaaaaaar.
- Não ouvi! Ladra mais alto!
- Gasp! Gasp!
- Bolas. Não é justo. Toma lá uma dentada, dono!
- Aiii! Porra. Filho da mãe, logo me havia de calhar um cão maluco por 100 contos. Tanto rafeiro a precisar de casa e fui comprar este atrasado mental. Chiça penico! Sorte malvada.
Luis Duarte
Mais uma Revelação
O problema - lamento desiludir os admiradores do caodeguarda - é que o Gramsci, nos seus passeios, costuma fugir de todos os outros cães que simplesmente olhem para ele o que inclui esses seres repugnantes chamados caniche.
FJ
