Acabo de ouvir uma notícia magnífica na rádio. Tenho uma dúvida – será que será aproveitada para abertura de todos os telejornais da noite?
O que acabei de ouvir, é que uma equipa médica conseguiu re-implantar um braço amputado num jovem que o tinha perdido há 9 dias. Após um acidente de carro o jovem ficou sem um braço o qual se tentou colocar de imediato. Mas uma grave infecção impediu o sucesso dessa operação. Portanto os médicos “colaram” esse membro a uma perna, mantendo os principais canais de circulação em funcionamento, e quando a infecção se considerou ultrapassada, voltaram a implantar o braço.
Eu nem imagino as dificuldades que estarão inerentes a esta operação! Mas parece-me “magia científica” todo este processo. Fico maravilhada que tal se tenha podido realizar, e são casos como este que me voltam a dar confiança na raça humana e na ciência. O progresso científico é qualquer coisa de deslumbrante quando, como neste caso, é orientado para a melhoria de vida.
Vamos ver se logo à noite os noticiários abrem com esta notícia ou com o Benfica.
M.L.
quinta-feira, 4 de março de 2004
Mistérios que me ultrapassam
Entendo pouco ( para não confessar que quase nada) dessas coisas de audiências e shares que servem para avaliar os programas de TV. Quero dizer, entendo o que o senso comum também entende - ter audiência quer dizer muita gente a assistir. E por isso, há certos resultados que não consigo engolir por muito que me esforce.
Que as telenovelas tenham grande audiência, percebe-se. Alguns concursos, enfim, também. Algumas séries um bocado tontas, faz sentido que sejam vistas. Mas, em nome de quê, por alma de quem, é que um concurso chamado “O Preço Certo em Euros” está entre os 10 programas mais vistos ? O enredo aliciante é este:
Tres ou quatro concorrentes tiram uns números numa tômbola, e o que tirar o número mais alto ganha. Primeira parte.
O que ganhou vai olhar para uma série de objectos de valor variável, entre viagens, aparelhagens, carro, mobílias, malas, uma colecção de coisas mais ou menos inúteis, e depois deve adivinhar quanto custa aquela tralha toda. Segunda parte.
Ah ! Pode ser ajudado por uns amigos que da plateia lhe vão berrando em altas vozes os seus palpites. Pronto. O concorrente lá diz o que lhe parece e, imagine-se (!) ou ganha ou...perde. Que emocionante. Como é que esta coisa é uma das 10 mais vistas nos nossos 4 canais ? ? ?
M.L
Que as telenovelas tenham grande audiência, percebe-se. Alguns concursos, enfim, também. Algumas séries um bocado tontas, faz sentido que sejam vistas. Mas, em nome de quê, por alma de quem, é que um concurso chamado “O Preço Certo em Euros” está entre os 10 programas mais vistos ? O enredo aliciante é este:
Tres ou quatro concorrentes tiram uns números numa tômbola, e o que tirar o número mais alto ganha. Primeira parte.
O que ganhou vai olhar para uma série de objectos de valor variável, entre viagens, aparelhagens, carro, mobílias, malas, uma colecção de coisas mais ou menos inúteis, e depois deve adivinhar quanto custa aquela tralha toda. Segunda parte.
Ah ! Pode ser ajudado por uns amigos que da plateia lhe vão berrando em altas vozes os seus palpites. Pronto. O concorrente lá diz o que lhe parece e, imagine-se (!) ou ganha ou...perde. Que emocionante. Como é que esta coisa é uma das 10 mais vistas nos nossos 4 canais ? ? ?
M.L
quarta-feira, 3 de março de 2004
Coerência a quanto obrigas
Ao ler um post do Barnabé onde se citava o comportamento do autarca Avelino Ferreira Torres e as suas nulas consequências, encontrei um comentário engraçado. Alguém, pessoa de certo cordata, bem educada, e de sensibilidade disse:
“Eu gosto do Avelino Ferreira Torres! É um homem com personalidade e carácter que não tem medo de dizer o que pensa, ao contrário de vocês que se escondem num blog para aquilo que não têm coragem de dizer em pessoa....já nem falo dos que assinam com nicknames. É muito mais fácil quando ninguém sabe quem somos, não é?”
Querem saber onde está a graça? É que este comentador que não “se esconde” com nickname, chama-se António Matos, e não deixa endereço no que escreve. Só por curiosidade fui procurar no 118 pt e a resposta foi que o universo era excessivamente grande para procederem à busca. Ainda limitei à zona de Lisboa e a resposta foi a mesma. Portanto este valente, que dá a cara, assina com um primeiro nome e um apelido dos mais vulgares em Portugal! Assim sim, isto é coragem!
M.L.
“Eu gosto do Avelino Ferreira Torres! É um homem com personalidade e carácter que não tem medo de dizer o que pensa, ao contrário de vocês que se escondem num blog para aquilo que não têm coragem de dizer em pessoa....já nem falo dos que assinam com nicknames. É muito mais fácil quando ninguém sabe quem somos, não é?”
Querem saber onde está a graça? É que este comentador que não “se esconde” com nickname, chama-se António Matos, e não deixa endereço no que escreve. Só por curiosidade fui procurar no 118 pt e a resposta foi que o universo era excessivamente grande para procederem à busca. Ainda limitei à zona de Lisboa e a resposta foi a mesma. Portanto este valente, que dá a cara, assina com um primeiro nome e um apelido dos mais vulgares em Portugal! Assim sim, isto é coragem!
M.L.
Tadinho do Jet-Set...
Como creio que faz toda a gente, também eu quando compro o jornal dou uma olhadela pela papelada que está pendurada no quiosque. É mesmo por isso que se fazem títulos de artigos tão apelativos. Para despertar o interesse e obrigar a comprar o jornal confirmando aquilo que o título diz ( como todos sabemos é um truque, grande parte das vezes o conteúdo é bem diferente e apetece pedir um reembolso).
E, os do género tabloide, até têm títulos que, por mais distraído que se esteja, chamam mesmo a atenção! O que faz que me tenha preocupado ultimamente com os perigos que pairam pelo nosso Jet-Set.
Vejo a Lili Caneças que, com uma marrada no chão podia ter ido desta para melhor, segundo a própria. Lá se comparou ao Feher, o que dá para suspeitar que também se imaginaria com a repercussão mediática que o jogador teve. Fiquei logo impressionada a imaginar ver em todos os telejornais, e por repetidas vezes, a cabecinha da Lili a dar no chão. Mas a providência poupou-nos a tal provação.
Agora leio que o mordomo do Sr. Castelo Branco lhe ia dando com um ferro de engomar. Ai, ai, que é coisa pesada! Os mordomos são terríveis. É por isso que eu não quero ter nenhum. Se esta estrela do nosso firmamento também fosse para os anjinhos como é que nos abastecíamos de jóias que tanta falta nos fazem? Parece que ele as traz aos quilos para uso pessoal, mas como é bom rapaz sempre as cede aos amigos a preço de fábrica.
Estas duas notícias fizeram-me esquecer deficits, aborto, eleições, desemprego, Haiti, Iraque, esses problemas menores que às vezes me ocorrem. Não há como uma boa chamada de atenção para as coisas graves da vida.
M.L.
E, os do género tabloide, até têm títulos que, por mais distraído que se esteja, chamam mesmo a atenção! O que faz que me tenha preocupado ultimamente com os perigos que pairam pelo nosso Jet-Set.
Vejo a Lili Caneças que, com uma marrada no chão podia ter ido desta para melhor, segundo a própria. Lá se comparou ao Feher, o que dá para suspeitar que também se imaginaria com a repercussão mediática que o jogador teve. Fiquei logo impressionada a imaginar ver em todos os telejornais, e por repetidas vezes, a cabecinha da Lili a dar no chão. Mas a providência poupou-nos a tal provação.
Agora leio que o mordomo do Sr. Castelo Branco lhe ia dando com um ferro de engomar. Ai, ai, que é coisa pesada! Os mordomos são terríveis. É por isso que eu não quero ter nenhum. Se esta estrela do nosso firmamento também fosse para os anjinhos como é que nos abastecíamos de jóias que tanta falta nos fazem? Parece que ele as traz aos quilos para uso pessoal, mas como é bom rapaz sempre as cede aos amigos a preço de fábrica.
Estas duas notícias fizeram-me esquecer deficits, aborto, eleições, desemprego, Haiti, Iraque, esses problemas menores que às vezes me ocorrem. Não há como uma boa chamada de atenção para as coisas graves da vida.
M.L.
Volta, Afonso Costa!
A lei da despenalização do aborto vai a discussão. É correcto que os media falem e informem sobre o assunto, é o que se esperava do seu profissionalismo. O que eu não esperava era ouvir, logo de manhã, na Antena 1, uma investigação jornalística sobre... o que pensam as igrejas sobre o assunto. Qual o interesse para o caso? Primeiro já se sabe essa opinião até à exaustão. E, eu julgava, que tirando o tempo sinistro da “Concordata”, aqui em Portugal a Igreja estava separada do Estado. As leis civis são uma coisa e as leis religiosas outra. Será que a repórter não quer alargar o estudo sobre o que acha a igreja sobre o divórcio? E já agora bani-lo do código civil? E como foi questionar um muçulmano sobre o tema, que tal saber o que pensa sobre os direitos da mulher?
É evidente que quem for católico deverá seguir os mandamentos da sua igreja. É lá com ele. Aliás, neste assunto, é uma grande vantagem para este tipo de famílias. Já viram? Quem controla os nascimentos terá um, dois, filhos. E como os tempos estão maus já há uma maioria de filhos únicos. Os outros naturalmente que terão dez ou quinze, não é? De modo que se tudo isto não fosse uma grande treta, os mais conservadores multiplicavam-se como coelhos e os outros extinguiam-se naturalmente. Era esperar uns tempos e o problema estava resolvido. Qual referendo, qual quê! Era só uma questão de tempo.
M.L.
É evidente que quem for católico deverá seguir os mandamentos da sua igreja. É lá com ele. Aliás, neste assunto, é uma grande vantagem para este tipo de famílias. Já viram? Quem controla os nascimentos terá um, dois, filhos. E como os tempos estão maus já há uma maioria de filhos únicos. Os outros naturalmente que terão dez ou quinze, não é? De modo que se tudo isto não fosse uma grande treta, os mais conservadores multiplicavam-se como coelhos e os outros extinguiam-se naturalmente. Era esperar uns tempos e o problema estava resolvido. Qual referendo, qual quê! Era só uma questão de tempo.
M.L.
terça-feira, 2 de março de 2004
Sigamos o ...cherne?... o papel?
Depois de uma reunião exaustiva de 4, 5, 6, nem sei quantas horas, trago comigo esta pérola que diz bem do sistema onde nada a Administração Pública cá da terra.
Quem trabalha há anos na função pública já tem a consciência de que grande parte do mau funcionamento da dita, se deve ao excesso de hierarquia, à não delegação de competências, o que tem como consequência um "engarrafamento" enorme de papelada que tem sempre de ir "à consideração superior". E cada superior tem outro superior o que nos dá a impressão de que Kafka vivia num mundo cor-de-rosa comparado com o nosso.
Mas passemos adiante, que este é assunto para cá voltar mas não era disto que queria falar. Nessa famosa reunião interminável, abordando o problema de propostas que se fazem e nunca têm resposta, ou pedidos que desaparecem, ou documentos para nós importantes e que ficam esquecidos, dizia uma senhora com responsabilidades e pretendendo ajudar e ensinar: “É que não se devem esquecer que devem sempre seguir o papel!” Como ? Devemos seguir o papel ??? Ainda olhei para o lado a pensar que o cansaço me tinha feito ouvir mal. Mas era isso mesmo. Um técnico, um quadro, esforça-se por elaborar um documento, fundamenta-o, etc. mas nada feito se depois não for atrás dele até chegar a alguém que lhe dê a resposta. Assim a modos que um Hercule Poirot dos documentos... Ouve-se, e não se acredita! É mesmo uma Administração Pública expedita e funcional, não é?
M.L.
Quem trabalha há anos na função pública já tem a consciência de que grande parte do mau funcionamento da dita, se deve ao excesso de hierarquia, à não delegação de competências, o que tem como consequência um "engarrafamento" enorme de papelada que tem sempre de ir "à consideração superior". E cada superior tem outro superior o que nos dá a impressão de que Kafka vivia num mundo cor-de-rosa comparado com o nosso.
Mas passemos adiante, que este é assunto para cá voltar mas não era disto que queria falar. Nessa famosa reunião interminável, abordando o problema de propostas que se fazem e nunca têm resposta, ou pedidos que desaparecem, ou documentos para nós importantes e que ficam esquecidos, dizia uma senhora com responsabilidades e pretendendo ajudar e ensinar: “É que não se devem esquecer que devem sempre seguir o papel!” Como ? Devemos seguir o papel ??? Ainda olhei para o lado a pensar que o cansaço me tinha feito ouvir mal. Mas era isso mesmo. Um técnico, um quadro, esforça-se por elaborar um documento, fundamenta-o, etc. mas nada feito se depois não for atrás dele até chegar a alguém que lhe dê a resposta. Assim a modos que um Hercule Poirot dos documentos... Ouve-se, e não se acredita! É mesmo uma Administração Pública expedita e funcional, não é?
M.L.
Nem todos os gostos são iguais
Já percebi algumas coisas aqui da blogosfera e uma delas é que, quanto a gostos cinematográficos, é cada um por si. Das primeiras vezes ainda pensei, ao ler uma opinião de um blogger que apreciava, que “podia ir por ele”. Passou-se isso com um filme, depois com dois, e a partir do terceiro comecei a desconfiar. É estranho mas a regra tem sido – do que os outros gostam eu também costumo gostar, mas muitas vezes vou mais além e aprecio o que eles acham mau. Devo ser acomodatícia, o que se chama “boa boca”. Mas, ná... não é bem assim, porque também falam de muita coisa que não me diz nada, mesmo filmes com algum prestígio. Resumindo, são mesmo gostos.
Esta conversa vem a propósito de um post no “Natureza do Mal”, blog que de uma forma geral eu aprecio, e que desanca completamente o Something’s Gotta Give, avisando para não se ir lá perder tempo e dinheiro, que “devia ter desconfiado quando viu a sala cheia”, o filme é “uma nulidade”, “uma vacuidade de mau gosto”, “uma comédia pornográfica”. Bom, chega de citações. Até parecia que lhe tinha uma raiva especial! Eu, felizmente, vi o filme antes de ler este comentário porque era óbvio que não tinha ido lá e tinha perdido uma excelente comédia.
"Alguém tem de ceder" ( o título não é famoso não ), perdoe-me o Natureza do Mal mas tem muita graça, os actores estão no registo que lhes é pedido, e a Diane Keaton não é de modo nenhum “ridícula” como ele acha, faz uma magnífica mulher da sua idade. Está belíssima. Os homens sim, são um bocado ridicularizados, mas ele ainda deve ser muito novo para sentir essas dores... Só tive pena que a Diane não tivesse ficado mesmo com o jovem médico.
Este é o filme que vinga as tais mulheres de 50 que são trocadas por 2 de 25.
M.L.
Esta conversa vem a propósito de um post no “Natureza do Mal”, blog que de uma forma geral eu aprecio, e que desanca completamente o Something’s Gotta Give, avisando para não se ir lá perder tempo e dinheiro, que “devia ter desconfiado quando viu a sala cheia”, o filme é “uma nulidade”, “uma vacuidade de mau gosto”, “uma comédia pornográfica”. Bom, chega de citações. Até parecia que lhe tinha uma raiva especial! Eu, felizmente, vi o filme antes de ler este comentário porque era óbvio que não tinha ido lá e tinha perdido uma excelente comédia.
"Alguém tem de ceder" ( o título não é famoso não ), perdoe-me o Natureza do Mal mas tem muita graça, os actores estão no registo que lhes é pedido, e a Diane Keaton não é de modo nenhum “ridícula” como ele acha, faz uma magnífica mulher da sua idade. Está belíssima. Os homens sim, são um bocado ridicularizados, mas ele ainda deve ser muito novo para sentir essas dores... Só tive pena que a Diane não tivesse ficado mesmo com o jovem médico.
Este é o filme que vinga as tais mulheres de 50 que são trocadas por 2 de 25.
M.L.
100 sites já aderiram à campanha digital!
Sara Cacao
Mais de 100 sites em Portugal já aderiram à Campanha Digital Contra o Preconceito a LGBT.
A rede ex aequo, a Associação de jovens lésbicas, gays, bissexuais, transgéneros e simpatizantes, lançou no passado dia 1 de Junho de 2003 uma campanha digital contra o preconceito dirigido à população em geral.
A realização desta iniciativa primeiro no Brasil, e logo adaptada em Portugal e a sua adesão, são reflexo de uma consciência cada vez maior entre todos de que a orientação sexual e identidade de género não devem ser motivo de discriminação, assim como o reconhecimento dos direitos individuais e colectivos da comunidade LGBT.
Até ao momento mais de 100 sites portugueses aderiram a esta campanha. Conscientes da importância da temática LGBT, o site, apresenta nas suas páginas, banners que contêm frases que pretendem levar o cibernauta, não só a pensar sobre as mesmas e a reflectir sobre o preconceito existente para com a população LGBT, mas também ao clicar nos banners irão aceder à página da campanha onde é possível encontrar respostas às questões e dúvidas sobre os assuntos de temática LGBT.

segunda-feira, 1 de março de 2004
Lucidez, que refrescante!
Toca o telefone e um amigo avisa-me “Liga para o NTV, tá a falar o Machado Vaz sobre o tipo do Algarve!” Percebo logo o que ele quer dizer porque tínhamos estado a falar esta tarde do mesmo. Corro para o televisor e ainda apanho quase tudo do programa Amores do Machado Vaz e Gabriela Moita. Que alívio, uma opinião fundamentada, clara, lúcida, e ainda por cima sem azedume. Aqueles dois tiveram apenas a ironia q.b. porque era impossível não a ter mas, depois do que ali disseram acredito que muita gente, pelo menos pense duas vezes antes de falar com ligeireza sobre o assunto. Desta vez houve a serenidade de profissionais.
Que todos somos vítimas de estereotipos culturais não é novidade. Que em assuntos de famílias, cada um defende aquilo que lhe soa melhor, também será normal. Mas onde o Machado Vaz foi muito claro e foi importante ouvi-lo, é que um técnico não pode falar de assuntos da sua formação como se não fosse especialista. Ou é, e não pode dizer disparates, ou não é e não pode ser referenciado como se o fosse. Estou a ser obscura? Se o tal senhor do Algarve fosse citado como o major Villas Boas, poderia falar de comportamentos “normais” que pensaríamos que estava a falar para a tropa; se fôr citado como psicólogo Villas Boas então creio que os seus colegas de profissão podem e devem sair a terreiro. Foi bom ouvir o Machado Vaz e a Gabriela Moita.
M.L.
Que todos somos vítimas de estereotipos culturais não é novidade. Que em assuntos de famílias, cada um defende aquilo que lhe soa melhor, também será normal. Mas onde o Machado Vaz foi muito claro e foi importante ouvi-lo, é que um técnico não pode falar de assuntos da sua formação como se não fosse especialista. Ou é, e não pode dizer disparates, ou não é e não pode ser referenciado como se o fosse. Estou a ser obscura? Se o tal senhor do Algarve fosse citado como o major Villas Boas, poderia falar de comportamentos “normais” que pensaríamos que estava a falar para a tropa; se fôr citado como psicólogo Villas Boas então creio que os seus colegas de profissão podem e devem sair a terreiro. Foi bom ouvir o Machado Vaz e a Gabriela Moita.
M.L.
Óscars e ilusões
Como já disse um pouco mais atrás, nunca se pode agradar a todos e muitas vezes somos “presos por ter cão ou presos por o não ter”.
Mas custa a acreditar nos Óscares deste ano.
É certo que não vi todos os filmes nomeados. Também é verdade que não sou especialista de cinema. Mas posso considerar-me uma espectadora informada. Até vi e gostei de “O Senhor dos Aneis”. Tenho o defeito de apreciar ficção científica ( embora, nem por isso, em cinema; prefiro-a escrita) se por acaso aquela saga se pode inscrever nessa categoria. Sim senhor, fui ver e gostei mais da 3ª parte. Não chego ao ponto de lhe chamar um gigantesco jogo de vídeo. Mas, senhor!, limpar quase todas as categorias para que foi nomeado!!! Se não é a máquina comercial a funcionar não sei o que lhe chamar.
Vá lá que ainda ficou alguma coisa para o Mistic River e Lost in Translation. É para o desalento não ser total.
M.L
Mas custa a acreditar nos Óscares deste ano.
É certo que não vi todos os filmes nomeados. Também é verdade que não sou especialista de cinema. Mas posso considerar-me uma espectadora informada. Até vi e gostei de “O Senhor dos Aneis”. Tenho o defeito de apreciar ficção científica ( embora, nem por isso, em cinema; prefiro-a escrita) se por acaso aquela saga se pode inscrever nessa categoria. Sim senhor, fui ver e gostei mais da 3ª parte. Não chego ao ponto de lhe chamar um gigantesco jogo de vídeo. Mas, senhor!, limpar quase todas as categorias para que foi nomeado!!! Se não é a máquina comercial a funcionar não sei o que lhe chamar.
Vá lá que ainda ficou alguma coisa para o Mistic River e Lost in Translation. É para o desalento não ser total.
M.L
Haiti ? Iraque?
É engraçado como é obvio "dois peses e duas medidas".
As Nações Unidas mandam para o Haiti uma força para restabelecer a paz. Desta vez, mesmo sendo ali ao pé da porta, os Estados Unidos ( quero dizer a sua Administração) não tiveram aquela pressa toda que há um ano tiveram para ir "levar a democracia" ao Iraque.
Desta vez deixaram que a O.N.U. fizesse o seu papel.
É claro que é assim que deve ser. A O.N.U. devia servir para isso mesmo - e é pena que só agora interviessem. Contudo permanece a dúvida: o Haiti era um regime democrático? Foi-no alguma vez? E nem um embargozinho, como a Cuba?
Pois é. Uns são filhos, ouros enteados.
M.L.
As Nações Unidas mandam para o Haiti uma força para restabelecer a paz. Desta vez, mesmo sendo ali ao pé da porta, os Estados Unidos ( quero dizer a sua Administração) não tiveram aquela pressa toda que há um ano tiveram para ir "levar a democracia" ao Iraque.
Desta vez deixaram que a O.N.U. fizesse o seu papel.
É claro que é assim que deve ser. A O.N.U. devia servir para isso mesmo - e é pena que só agora interviessem. Contudo permanece a dúvida: o Haiti era um regime democrático? Foi-no alguma vez? E nem um embargozinho, como a Cuba?
Pois é. Uns são filhos, ouros enteados.
M.L.
"Doenças de Homens"
Para os amigos do BdE onde parece que anda tudo constipado...
( e sinceros desejos de melhoras)
Pachos na testa,
terço na mão,
uma botija,
chá de limão
Zaragatoas,
vinho com mel,
três aspirinas,
creme na pele
Grito de medo,
chamo a mulher :
Ai Lurdes Lurdes
que vou morrer !
Mede-me a febre,
vê-me a goela,
cala os miúdos,
fecha a janela.
Não quero canja,
nem a salada,
Ai Lurdes, Lurdes,
não vales nada !
Se tu sonhasses
como me sinto,
já vejo a morte
nunca te minto
Já vejo o inferno,
chamas, diabos,
anjos estranhos,
cornos e rabos
Vejo demónios
nas suas danças
tigres sem listras,
bodes sem tranças
Choros de coruja,
risos de grilo
Ai Lurdes, Lurdes
fica comigo
Não é o pingo
de uma torneira,
Põe-me a Santinha
à cabeceira
Compõe-me a colcha,
fala ao prior,
pousa o Jesus
no cobertor.
Chama o Doutor,
passa a chamada,
Ai Lurdes, Lurdes
nem dás por nada !
Faz-me tisanas
e pão de ló,
não te levantes
que fico só
Aqui sózinho
a apodrecer,
Ai Lurdes, Lurdes
que vou morrer !
Lobo Antunes
M.L.
( e sinceros desejos de melhoras)
Pachos na testa,
terço na mão,
uma botija,
chá de limão
Zaragatoas,
vinho com mel,
três aspirinas,
creme na pele
Grito de medo,
chamo a mulher :
Ai Lurdes Lurdes
que vou morrer !
Mede-me a febre,
vê-me a goela,
cala os miúdos,
fecha a janela.
Não quero canja,
nem a salada,
Ai Lurdes, Lurdes,
não vales nada !
Se tu sonhasses
como me sinto,
já vejo a morte
nunca te minto
Já vejo o inferno,
chamas, diabos,
anjos estranhos,
cornos e rabos
Vejo demónios
nas suas danças
tigres sem listras,
bodes sem tranças
Choros de coruja,
risos de grilo
Ai Lurdes, Lurdes
fica comigo
Não é o pingo
de uma torneira,
Põe-me a Santinha
à cabeceira
Compõe-me a colcha,
fala ao prior,
pousa o Jesus
no cobertor.
Chama o Doutor,
passa a chamada,
Ai Lurdes, Lurdes
nem dás por nada !
Faz-me tisanas
e pão de ló,
não te levantes
que fico só
Aqui sózinho
a apodrecer,
Ai Lurdes, Lurdes
que vou morrer !
Lobo Antunes
M.L.
domingo, 29 de fevereiro de 2004
29 de Fevereiro
Hoje é aquele dia a mais que o tempo nos oferece de 4 em 4 anos.
Desde criança que lhe acho graça. Parece um brinde. Este não é “o primeiro dia do resto da nossa vida” é um dia àparte da nossa vida. Por mim, acho que como está cá a mais, se deve poder fazer o que não se faz nos outros todos. Mas a imaginação não me chega! Tudo o que me lembro, também penso, sinto, faço, em qualquer dia do ano.
Mas que desperdício!!!
M.L.
Desde criança que lhe acho graça. Parece um brinde. Este não é “o primeiro dia do resto da nossa vida” é um dia àparte da nossa vida. Por mim, acho que como está cá a mais, se deve poder fazer o que não se faz nos outros todos. Mas a imaginação não me chega! Tudo o que me lembro, também penso, sinto, faço, em qualquer dia do ano.
Mas que desperdício!!!
M.L.
EMEL
A partir de amanhã a EMEL anuncia uma grande melhoria no estacionamento lisboeta – passam agora a existir uns cartões para facilitar o estacionamento e não é indispensável procurar um parquímetro.
Quanto à EMEL em geral, ainda tenho umas contas a ajustar e vou voltar ao assunto mais tarde. Mas em relação a este belo benefício, para o utente a única vantagem é não se preocupar com trocos. Porque de resto, paga-se exactamente o mesmo e ainda por cima adiantado. Quando os parquímetros foram montados, havia o porta-moedas multibanco (creio que se chamava assim) e podíamos pagar desse modo. Depois isso acabou. Neste momento, o máximo que se pode estacionar são 3 horas e por essas 3 horas pagam-se 2 euros = 400 escudos. Mesmo a um sábado de manhã. Se por acaso nos despachámos mais depressa, ora, paciência quem mandou ser rápido. Está pago, está pago.
Com esta bela invenção deixa de haver desculpa quando o parquímetro está avariado ( o que acontece com alguma frequência) porque se pode ter sempre o tal cartãozinho miraculoso. E claro que a EMEL embolsa logo de antemão o dinheiro referente ao pagamento desses cartões. Não está mal o benefício.
M.L.
Quanto à EMEL em geral, ainda tenho umas contas a ajustar e vou voltar ao assunto mais tarde. Mas em relação a este belo benefício, para o utente a única vantagem é não se preocupar com trocos. Porque de resto, paga-se exactamente o mesmo e ainda por cima adiantado. Quando os parquímetros foram montados, havia o porta-moedas multibanco (creio que se chamava assim) e podíamos pagar desse modo. Depois isso acabou. Neste momento, o máximo que se pode estacionar são 3 horas e por essas 3 horas pagam-se 2 euros = 400 escudos. Mesmo a um sábado de manhã. Se por acaso nos despachámos mais depressa, ora, paciência quem mandou ser rápido. Está pago, está pago.
Com esta bela invenção deixa de haver desculpa quando o parquímetro está avariado ( o que acontece com alguma frequência) porque se pode ter sempre o tal cartãozinho miraculoso. E claro que a EMEL embolsa logo de antemão o dinheiro referente ao pagamento desses cartões. Não está mal o benefício.
M.L.
29 de Fevereiro
Hoje é aquele dia a mais que o tempo nos oferece de 4 em 4 anos.
Desde criança que lhe acho graça. Parece um brinde. Este não é “o primeiro dia do resto da nossa vida” é um dia àparte da nossa vida. Por mim, acho que como está cá a mais, se deve poder fazer o que não se faz nos outros todos. Mas a imaginação não me chega! Tudo o que me lembro, também penso, sinto, faço, em qualquer dia do ano.
Mas que desperdício!!!
M.L.
Desde criança que lhe acho graça. Parece um brinde. Este não é “o primeiro dia do resto da nossa vida” é um dia àparte da nossa vida. Por mim, acho que como está cá a mais, se deve poder fazer o que não se faz nos outros todos. Mas a imaginação não me chega! Tudo o que me lembro, também penso, sinto, faço, em qualquer dia do ano.
Mas que desperdício!!!
M.L.
Vermelhos ou Encarnados
Uma das facetas que mais me agradam na blogosfera ( nos blogs que eu leio, como é evidente, era impossível e nem me apetecia lê-los todos...) é não só a diversidade de temas que se abordam como a paixão, mais a sério ou mais divertida com que são tratados.
Ontem foi dia de futebol porque o Benfica fazia anos. Cem anos. Realmente são muitos e foi engraçado ver por aí postadas várias bandeirinhas encarnadas, de águia de aza aberta.
O futebol não é coisa que me faça emocionar muito, embora agora que falo no assunto acho que o primeiro post que escrevi aqui, no Cão de Guarda, era exactamente sobre o tema, chamava-se O 3º Efe. Mas o que é interessante observar como um sinal dos tempos é que com a Democracia e o decorrer dos anos a diferença entre Sporting e Benfica é apenas e só clubística. Eu até pendo para o primeiro, por ambiente familiar. Mas ainda não foi assim há tanto tempo que se considerava o Sporting como um clube elitista, de meninos bem, enquanto o Benfica era o clube do povo. E ia-se mais longe – o Benfica era encarnado! Portanto era do povo, só podia!!! Eram uns tempos onde havia diferença entre encarnado e vermelho. Encarnado era uma côr. Vermelho uma posição política.
M.L.
Ontem foi dia de futebol porque o Benfica fazia anos. Cem anos. Realmente são muitos e foi engraçado ver por aí postadas várias bandeirinhas encarnadas, de águia de aza aberta.
O futebol não é coisa que me faça emocionar muito, embora agora que falo no assunto acho que o primeiro post que escrevi aqui, no Cão de Guarda, era exactamente sobre o tema, chamava-se O 3º Efe. Mas o que é interessante observar como um sinal dos tempos é que com a Democracia e o decorrer dos anos a diferença entre Sporting e Benfica é apenas e só clubística. Eu até pendo para o primeiro, por ambiente familiar. Mas ainda não foi assim há tanto tempo que se considerava o Sporting como um clube elitista, de meninos bem, enquanto o Benfica era o clube do povo. E ia-se mais longe – o Benfica era encarnado! Portanto era do povo, só podia!!! Eram uns tempos onde havia diferença entre encarnado e vermelho. Encarnado era uma côr. Vermelho uma posição política.
M.L.
sábado, 28 de fevereiro de 2004
Até é verdade
Experimentem. Olhem que é verdade.
De aorcdo com uma pqsieusa de uma uinrvesriddae ignlsea, nao ipomtra
a odrem plea qaul as lrteas de uma plravaa etaso, a úncia csioa
iprotmatne é que a piremria e útmlia lrteas etejasm no lgaur crteo.
O rseto pdoe ser uma ttaol csãofnuo que vcoe pdoe anida ler sem
gnderas pobrlmea. Itso é poqrue nós nao lmeos cdaa lrtea isladoa, mas
a plravaa cmoo um tdoo.
Cosiruo não?
M.L.
De aorcdo com uma pqsieusa de uma uinrvesriddae ignlsea, nao ipomtra
a odrem plea qaul as lrteas de uma plravaa etaso, a úncia csioa
iprotmatne é que a piremria e útmlia lrteas etejasm no lgaur crteo.
O rseto pdoe ser uma ttaol csãofnuo que vcoe pdoe anida ler sem
gnderas pobrlmea. Itso é poqrue nós nao lmeos cdaa lrtea isladoa, mas
a plravaa cmoo um tdoo.
Cosiruo não?
M.L.
«Être et Avoir» o ensino reabilitado
Fui ver um filme que tinha adiado por várias vezes e já receava que me fugisse. Não é a primeira vez que de desleixo um pouco com um espectáculo ou exposição e quando dou por mim, acabou e fico desapontadíssima. Ia com uma boa expectativa, que antes de mais devo dizer que foi compensada. O filme é belíssimo e merece os elogios que até hoje ouvi. Além de o tema me ser duplamente grato – fui criada em casa de professores ( daqueles mesmo a sério!) e há muitos anos que lido com pedagogias várias, crianças, pais e respectivos professores. O ensino a todos os níveis é algo que me é muito familiar.
Acontece é que vou ter de voltar para saborear como deve ser aquela hora e meia. A sala não estava muito cheia, mas por cada adulto contava-se uma criança, e crianças relativamente pequenas. Possivelmente, devidamente preparadas até seria interessante ver as reacções dos miúdos, mas aqueles estavam à espera de ver “uma história” e a agitação durante aquela hora e meia foi mais que muita. Para além dos que saiam para fazer xixi ou comprar bolachas, a maior parte ia perguntando “ele está a falar com quem?”, “e agora o que vão fazer?”, “porque é que ele está a chorar?”, ou “mas eu quando mudei de escola não chorei!” o que tornou muito complicado prestar atenção ao que se passava no écran.
Mas vou voltar. Um professor nas vésperas da reforma, com uma classe de 13 crianças que iam da pré até ao liceu, organizando-as com disciplina, ternura, cuidado, dando-lhes espaço sem ser demais, ouvindo-os mas também fazendo-se ouvir. A relação com as famílias num meio rural, num ambiente onde a natureza está mesmo ali, ao estender da mão.
Vou voltar. A uma hora sem crianças onde possa deixar-me envolver pelo filme.
M.L.
Acontece é que vou ter de voltar para saborear como deve ser aquela hora e meia. A sala não estava muito cheia, mas por cada adulto contava-se uma criança, e crianças relativamente pequenas. Possivelmente, devidamente preparadas até seria interessante ver as reacções dos miúdos, mas aqueles estavam à espera de ver “uma história” e a agitação durante aquela hora e meia foi mais que muita. Para além dos que saiam para fazer xixi ou comprar bolachas, a maior parte ia perguntando “ele está a falar com quem?”, “e agora o que vão fazer?”, “porque é que ele está a chorar?”, ou “mas eu quando mudei de escola não chorei!” o que tornou muito complicado prestar atenção ao que se passava no écran.
Mas vou voltar. Um professor nas vésperas da reforma, com uma classe de 13 crianças que iam da pré até ao liceu, organizando-as com disciplina, ternura, cuidado, dando-lhes espaço sem ser demais, ouvindo-os mas também fazendo-se ouvir. A relação com as famílias num meio rural, num ambiente onde a natureza está mesmo ali, ao estender da mão.
Vou voltar. A uma hora sem crianças onde possa deixar-me envolver pelo filme.
M.L.
Amizade é...
Ontem, passei mais de 7 horas a conversar com uma amiga que tem estado fisicamente longe. Há telefonemas e emails, mas claro que não é a presença, os olhos nos olhos. Os planos iniciais metiam jantar em restaurante e um cinema. Foi tudo sendo mudado à medida que a conversa avançava porque o que nos sabia bem era o prazer de estar juntas. Encontro obrigatório e ritual no café na Fnac com uma passagem também fatal pelos livros e músicas, e depois valeu tudo: um salto a umas compras domésticas urgentes mais um pequeno electrodoméstico, e “já agora” vamos deixar isto à tua casa, e “já agora” para que é que se vai sair se estamos aqui tão bem. E a magia da profunda amizade é esse entendimento sem palavras. Falou-se de política, dos filhos, da vida noutro país, do nosso passado, do alívio de ela ter terminado uma gigantesca tese de doutoramento, de namorados, desta coisa dos blogs (que lá na outra terra não têm esta expressão) de sentimentos, de arte, de amigos e seus problemas, da nossa vida profissional, de mais política, rimos muito, emocionámo-nos ainda mais, dissemos das saudades que tínhamos tido. Amizade é tudo isto. O saber que “ o outro” é diferente de nós e que isso nos enriquece; respeitar e amar essa diferença; entendermo-nos com uma troca de olhares que as palavras são só a cristalização do pensamento e por vezes são inúteis; o fazer planos e mudá-los alegremente; rirmo-nos com características dos outros, muito diferentes das nossas, mas que lhe dão mais côr; o profundo prazer de estar juntas sem que isso seja uma obrigação.
Acho que quando nasci a fada que se debruçou no meu berço me deu a maior prenda do mundo – “vais acreditar na amizade”. Realmente encontrei-a... Ela existe.
M.L.
Acho que quando nasci a fada que se debruçou no meu berço me deu a maior prenda do mundo – “vais acreditar na amizade”. Realmente encontrei-a... Ela existe.
M.L.
CARTA AO PÚBLICO NÃO PÚBLICADA...
Em respota às afirmações pessoais de Luís Villas-Boas e sem carácter ciêntifico algum, a Rita - minha mais que tudo - escreveu uma carta ao director do Público, mas esta nunca chegou a ser publicada. Pergunto-me quais os critérios de selecção nas publicações e de uma coisa estou certa, a imparcialidade não é ali chamada...
Aqui vos transcrevo a carta:
O que é afinal a homossexualidade?
Li atentamente a carta do senhor Carlos Gilbert na edição de Público de dia 24 de Fevereiro de 2004 e estranho como algumas pessoas heterossexuais (suponho ser o caso) pensam saber de modo pleno o que é a homossexualidade para afirmar que é uma "moda" ou insinuar que não há monogamia nas relações homossexuais. Lamento informar mas está totalmente errado. A homossexualidade não é uma moda, mas sim uma orientação sexual, tal como a heterossexualidade. O tipo de relações existentes entre pessoas homossexuais (quer casais de duas mulheres ou de dois homens) são tão diversos como o tipo de relações que existe entre os heterossexuais. Não há, e quem conhece de facto uma amosta significativa da população homossexual sabe-o, uma maneira típica de comportamentos, valores, atitudes, ideologias, pensamentos nas pessoas homossexuais e por esse motivo é possível encontrar pessoas de todos os géneros, tal como uma amostra das pessoas heterossexuais mostra o mesmo.
Visto que continua a desinformação entre muitos membros da população portuguesa gostaria de deixar alguns dados para esclarecimento que são dados tipicamente para quem está pouco informado sobre estas questões da orientação sexual homossexual.
O que é a homossexualidade?
Independentemente do sexo por que cada pessoa se interessa, existe na maioria das pessoas uma capacidade para amar. E por amor não queremos dizer só sexo, mas também o desejo de intimidade, afectividade e companheirismo. Na realidade, tanto a homossexualidade, como a heterossexualidade não são muito mais do que isto, excepto que num caso a atração sexual e afectiva é dirigida a pessoas do mesmo sexo e no outro caso a pessoas de sexo diferente. A partir de 1970 começou a surgir uma perspectiva positiva, generalizada, em relação à homossexualidade. A APA (American Psychiatric Association) retirou a homossexualidade do seu "Manual de Diagnóstico e Estatística de Distúrbios Mentais" (DSM) em 1973, depois de rever estudos e provas que revelavam que a homossexualidade não se enquadra nos critérios utilizados na categorização de doenças mentais. Psicológos e sexólogos chegaram à conclusão de que a homossexualidade é uma variante da normalidade.
Os homossexuais são reconhecíveis fisicamente?
Geralmente não é possível ver a homossexualidade através da aparência. Os gays e as lésbicas têm a mesma aparência e agem tal e qual como todas as outras pessoas. As pessoas com maneirismos são uma minoria entre os homossexuais.
As pessoas podem "tornar-se" homossexuais?
As pessoas não "se tornam" homossexuais, mas antes descobrem essa faceta da sua sexualidade. Para praticamente todos os homossexuais, a homossexualidade não é uma escolha. A única escolha feita, quando decidimos viver a nossa sexualidade plenamente, é a de sermos honestos, de sermos nós próprios e de, acima de tudo, sermos felizes.
Será que é mesmo assim?
1. Nas relações homossexuais um ou uma faz o papel de mulher e o outro ou a outra de homem.
Errado. Nas relações homossexuais os parceiros partilham indiscriminadamente os papeis consignados socialmente a ambos os sexos. Isto quer dizer que nenhum finge que é do sexo oposto.
2. Os homossexuais são mais obcecados pelo sexo.
Errado. Sexo é tanto ou tão pouco importante para os homossexuais como para os heterossexuais. O que notamos, na realidade, é que a diferença entre a sexualidade masculina e feminina é bastante mais significativa do que a diferença entre a sexualidade homossexual e heterossexual.
3. Os homens homossexuais são pedófilos e molestam crianças.
Errado. Há proporcionalmente menos homens homossexuais do que homens heterossexuais que abusam sexualmente de crianças.
4. A homossexualidade é causada por um trauma durante a infância.
Errado. Ninguém sabe porque é que algumas pessoas são homossexuais. Há teorias diferentes que falam de hereditariedade e do ambiente. A maioria dos homossexuais não tiveram dificuldades especiais durante a sua infância.
5. Os filhos de homossexuais tornam-se homossexuais.
Errado. As investigações científicas que têm sido feitas mostram que estas crianças tornam-se tanto ou tão pouco homossexuais como os filhos de heterossexuais.
6. Os homossexuais sentem-se atraídos por todos os membros do seu sexo.
Errado. Não é suficiente que a pessoa seja do mesmo sexo. Os homossexuais têm critérios de escolha do parceiro tão exigentes como os heterossexuais.
7. Informação positiva sobre a homossexualidade resulta em mais pessoas "se
tornarem" homossexuais.
Errado. Informação positiva não faz com que haja mais homossexuais. Surgem sim mais pessoas com coragem para se assumir visto que a informação ajuda a diminuir os preconceitos.
8. Uma pessoa é homossexual porque não consegue relacionar-se com os membros do sexo oposto.
Errado. A homossexualidade não tem nada a ver com capacidades de atrair o sexo oposto. Tem sim com o facto de os homossexuais se interessarem por pessoas do mesmo sexo.
Rita
Lisboa
in http://cacaoccino.blogspot.com/2004_02_01_cacaoccino_archive.html#1077785844887093
Aqui vos transcrevo a carta:
O que é afinal a homossexualidade?
Li atentamente a carta do senhor Carlos Gilbert na edição de Público de dia 24 de Fevereiro de 2004 e estranho como algumas pessoas heterossexuais (suponho ser o caso) pensam saber de modo pleno o que é a homossexualidade para afirmar que é uma "moda" ou insinuar que não há monogamia nas relações homossexuais. Lamento informar mas está totalmente errado. A homossexualidade não é uma moda, mas sim uma orientação sexual, tal como a heterossexualidade. O tipo de relações existentes entre pessoas homossexuais (quer casais de duas mulheres ou de dois homens) são tão diversos como o tipo de relações que existe entre os heterossexuais. Não há, e quem conhece de facto uma amosta significativa da população homossexual sabe-o, uma maneira típica de comportamentos, valores, atitudes, ideologias, pensamentos nas pessoas homossexuais e por esse motivo é possível encontrar pessoas de todos os géneros, tal como uma amostra das pessoas heterossexuais mostra o mesmo.
Visto que continua a desinformação entre muitos membros da população portuguesa gostaria de deixar alguns dados para esclarecimento que são dados tipicamente para quem está pouco informado sobre estas questões da orientação sexual homossexual.
O que é a homossexualidade?
Independentemente do sexo por que cada pessoa se interessa, existe na maioria das pessoas uma capacidade para amar. E por amor não queremos dizer só sexo, mas também o desejo de intimidade, afectividade e companheirismo. Na realidade, tanto a homossexualidade, como a heterossexualidade não são muito mais do que isto, excepto que num caso a atração sexual e afectiva é dirigida a pessoas do mesmo sexo e no outro caso a pessoas de sexo diferente. A partir de 1970 começou a surgir uma perspectiva positiva, generalizada, em relação à homossexualidade. A APA (American Psychiatric Association) retirou a homossexualidade do seu "Manual de Diagnóstico e Estatística de Distúrbios Mentais" (DSM) em 1973, depois de rever estudos e provas que revelavam que a homossexualidade não se enquadra nos critérios utilizados na categorização de doenças mentais. Psicológos e sexólogos chegaram à conclusão de que a homossexualidade é uma variante da normalidade.
Os homossexuais são reconhecíveis fisicamente?
Geralmente não é possível ver a homossexualidade através da aparência. Os gays e as lésbicas têm a mesma aparência e agem tal e qual como todas as outras pessoas. As pessoas com maneirismos são uma minoria entre os homossexuais.
As pessoas podem "tornar-se" homossexuais?
As pessoas não "se tornam" homossexuais, mas antes descobrem essa faceta da sua sexualidade. Para praticamente todos os homossexuais, a homossexualidade não é uma escolha. A única escolha feita, quando decidimos viver a nossa sexualidade plenamente, é a de sermos honestos, de sermos nós próprios e de, acima de tudo, sermos felizes.
Será que é mesmo assim?
1. Nas relações homossexuais um ou uma faz o papel de mulher e o outro ou a outra de homem.
Errado. Nas relações homossexuais os parceiros partilham indiscriminadamente os papeis consignados socialmente a ambos os sexos. Isto quer dizer que nenhum finge que é do sexo oposto.
2. Os homossexuais são mais obcecados pelo sexo.
Errado. Sexo é tanto ou tão pouco importante para os homossexuais como para os heterossexuais. O que notamos, na realidade, é que a diferença entre a sexualidade masculina e feminina é bastante mais significativa do que a diferença entre a sexualidade homossexual e heterossexual.
3. Os homens homossexuais são pedófilos e molestam crianças.
Errado. Há proporcionalmente menos homens homossexuais do que homens heterossexuais que abusam sexualmente de crianças.
4. A homossexualidade é causada por um trauma durante a infância.
Errado. Ninguém sabe porque é que algumas pessoas são homossexuais. Há teorias diferentes que falam de hereditariedade e do ambiente. A maioria dos homossexuais não tiveram dificuldades especiais durante a sua infância.
5. Os filhos de homossexuais tornam-se homossexuais.
Errado. As investigações científicas que têm sido feitas mostram que estas crianças tornam-se tanto ou tão pouco homossexuais como os filhos de heterossexuais.
6. Os homossexuais sentem-se atraídos por todos os membros do seu sexo.
Errado. Não é suficiente que a pessoa seja do mesmo sexo. Os homossexuais têm critérios de escolha do parceiro tão exigentes como os heterossexuais.
7. Informação positiva sobre a homossexualidade resulta em mais pessoas "se
tornarem" homossexuais.
Errado. Informação positiva não faz com que haja mais homossexuais. Surgem sim mais pessoas com coragem para se assumir visto que a informação ajuda a diminuir os preconceitos.
8. Uma pessoa é homossexual porque não consegue relacionar-se com os membros do sexo oposto.
Errado. A homossexualidade não tem nada a ver com capacidades de atrair o sexo oposto. Tem sim com o facto de os homossexuais se interessarem por pessoas do mesmo sexo.
Rita
Lisboa
in http://cacaoccino.blogspot.com/2004_02_01_cacaoccino_archive.html#1077785844887093
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