Esta foi uma semana de grande emotividade política. Desde o momento em que deflagraram as bombas em Madrid até às declarações finais dos líders partidários de Espanha a emoção era palpável e cada um dizia, pensava, desejava, desde as coisas mais sensatas aos maiores disparates. Claro que é lógico que cada um “puxe a brasa á sua sardinha” e tente interpretar os factos segundo uma visão que veja justificar as suas convicções. Já me irrita que se diga que os adversários afirmaram coisas que nem lhes passou pela cabeça. Porque há coisas que são, parece-me, incontornáveis.
Os actos terroristas são sempre uma chantagem política. Nunca podem ser aceitáveis. Tal como os reféns, numa linha mais soft mas também altamente condenável. Misturar gente anónima e inocente com desígnios políticos, mesmo que concordemos com eles, não é aceitável. Quando esses actos atingem uma escala como estes, mais visíveis, dos 11 de Setembro ou Março deixam todo o mundo sensível horrorizado. É certo que nas guerras morrem milhares de pessoas anónimas e inocentes – por isso odeio as guerras – mas há a “desculpa” de se estar em guerra e as leis da guerra serem essas. Não me posso contudo esquecer Hiroshima, num momento em que a guerra estava já, praticamente, ganha e onde morreu mais gente do que nos “11s” - Setembro + Março...
Depois achei curioso que se questionasse se estes ataques tinham motivos políticos. Então o que haviam de ter? E para se poder combater o que os motiva tem de se entender os motivos. Ou então caímos nós noutro fundamentalismo : é o Mal absoluto, como o Diabo. Não, quando há acto humano é porque há motivo político por pior e inaceitável que ele seja.
Quanto ao governo Espanhol é uma espécie de fábula: quem tudo quer tudo perde. O PP tinha tudo na mão, tinha conseguido vencer o crise do Prestige, tinha vencido o desagrado pela intervenção no Iraque, as últimas sondagens davam-lhe a maioria e quis aproveitar as últimas gotinhas para ver se chegava à maioria absoluta. O pior é que as gotinhas eram gotinhas de sangue e o tiro saiu pela culatra. A Espanha somou 2 + 2 e achou que algo estava mal. Mostrou-o
Por último uma nota quanto à manifestação de Sábado à porta do PP. Tenho lido, aqui nos blogs, comentários a essa manifestação com aspas no que se refere a expontânea. Não percebo. Mas o que é que acham que é uma manifestação expontânea??? Certo dia, pessoas que não se conhecem de lado nenhum, sentem no seu íntimo uma vontade de ir para um local e dizerem umas verdades em vós alta, pronto, lá vão! Por favor! Foi expontânea porque não foi preparada com antecedência, tão simples como isso. E escrever um cartaz leva 10 minutos. E porque não foi convocada por nenhum partido. Tudo isso define a espontaneidade. Agora que as pessoas falaram umas com as outras e se chamaram por msn ou net, isso já se sabe, e não altera nada. Não vejo onde se justifique as aspas. Ou então nunca pode ser expontânea, será sempre organizada. Haja bom senso.
M.L.
segunda-feira, 15 de março de 2004
sábado, 13 de março de 2004
Livros emprestados
Anda a correr na net um abaixo assinado em defesa da continuação do empréstimo público nas bibliotecas portugueses. Parece-me da maior justiça, e até me custa relacionar com os possíveis “direitos de autor”, a implementação uma medida que pretenda impedir esse empréstimo. Até porque Portugal nem sequer é dos países onde se pratique mais esse costume de utilizar em casa livros de bibliotecas. Tanto quanto me apercebo, o povo português não lê lá muito e ponto final. Lê uns jornais ou umas revistas e lá vai comprando uns livrinhos que por vezes empresta aos amigos. Mas não são os das bibliotecas públicas trazidos para casa que arruinam os editores.
Ora a propósito disto, e em jeito de comentário ao modo como alguns de nós lidamos com a “autoridade”, não resisto a contar uma história:
Há uns tempos uma amiga minha foi fazer compras a um Supermercado. Pagou, pegou nos sacos das compras e ao passar a porta, soa um apito altíssimo que faz suspender toda a gente olhando suspeitosamente para ela. Aparece de imediato um polícia que a acompanha junto da Caixa onde os sacos são revistados para ver o que teria ela furtado! Nada. Tudo o que ali estava tinha sido pago. Pede-se para despejar a carteira e o resultado é o mesmo: só objectos pessoais. Entretanto a multidão engrossa perante o vexame da minha amiga. Ora, entre as coisas que tinham saído da grande carteira que trazia, vinha um livro. E alguém, entendido na matéria, de certo, alvitra: “Não será um livro de biblioteca?” Bingo! Como ela é professora universitária tinha trazido uma obra da “sua” biblioteca e não o tinham desmagnetizado. Faz-se a experiência e de facto o livro apita. Pronto, muitas desculpas, e “faz favor de passar, minha senhora”. Que nada, diz ela. “Vá o Sr. Polícia à frente a apitar com o livro e eu vou atrás com os sacos! “ E foi assim mesmo. O polícia, coradíssimo, lá passou a apitar e ela, triunfante, foi atrás dele até sair do Supermercado.
Senti-me vingada, por interposta pessoa, de alguns vexames que nos fazem passar.
M.L.
Ora a propósito disto, e em jeito de comentário ao modo como alguns de nós lidamos com a “autoridade”, não resisto a contar uma história:
Há uns tempos uma amiga minha foi fazer compras a um Supermercado. Pagou, pegou nos sacos das compras e ao passar a porta, soa um apito altíssimo que faz suspender toda a gente olhando suspeitosamente para ela. Aparece de imediato um polícia que a acompanha junto da Caixa onde os sacos são revistados para ver o que teria ela furtado! Nada. Tudo o que ali estava tinha sido pago. Pede-se para despejar a carteira e o resultado é o mesmo: só objectos pessoais. Entretanto a multidão engrossa perante o vexame da minha amiga. Ora, entre as coisas que tinham saído da grande carteira que trazia, vinha um livro. E alguém, entendido na matéria, de certo, alvitra: “Não será um livro de biblioteca?” Bingo! Como ela é professora universitária tinha trazido uma obra da “sua” biblioteca e não o tinham desmagnetizado. Faz-se a experiência e de facto o livro apita. Pronto, muitas desculpas, e “faz favor de passar, minha senhora”. Que nada, diz ela. “Vá o Sr. Polícia à frente a apitar com o livro e eu vou atrás com os sacos! “ E foi assim mesmo. O polícia, coradíssimo, lá passou a apitar e ela, triunfante, foi atrás dele até sair do Supermercado.
Senti-me vingada, por interposta pessoa, de alguns vexames que nos fazem passar.
M.L.
Bebés pobres, bebés ricos
Como tem de ser, por mais vasta que seja a cultura geral de cada um, todos nós temos umas áreas de estimação onde nos sentimos melhor informados para compensar todas as outras onde o que sabemos é mesmo superficial. A minha área "de estimação" tem a ver com miudagem, educação, saúde, respostas sociais a diversas necessidades. E é por isso que me decidi a partilhar aqui uma dúvida que me tem crescido de um modo inquietante nos últimos tempos.
Como se sabe, o Ministério da Educação assume a educação desde o chamado "pré-escolar" até ao final do "ensino superior". Tarefa gigantesca e por isso também é que é um Ministério gigantesco. Mas, antes do pré-escolar, (admitindo que essa resposta está implementada, de facto, por todo o país, o que nem vale a pena dizer que é uma utopia) as crianças até aos 3 anos só podem receber uma resposta social em infantários ou creches, que são do foro da Segurança Social. Tal como os ATL são as chamadas respostas de apoio à Família. Partilham esta responsabilidade com a Segurança Social as múltiplas Misericórdias espalhadas pelo país. De sublinhar o papel da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, obviamente a maior e mais rica - é uma espécie de ministério paralelo.
Os senhores que ultimamente nos governam têm seguido uma política de alienar tudo o que podem e, muito rapidamente aquilo que, por definição, não dá lucro. É claro que as políticas sociais não são para dar lucro e, portanto, quanto menos se fizer, melhor. Isto para dizer que os infantários da Segurança Social - onde se paga segundo uma tabela de acordo com o IRS dos pais - têm listas de espera muito maiores do que as das operações nos hospitais. Na zona de Lisboa, é vulgar para 20 futuras vagas os infantários terem de 200 a 300 inscrições.
Mas o que me levou a escrever hoje aqui, é o saber que pouca gente tem consciência de um facto muito chocante. Se por um lado, se vai dando uns passos no sentido da inclusão de crianças com deficiência no ensino público, estamos a criar guetos sociais entre os bebés. Segundo as normas que os estes infantários têm de cumprir, a prioridade de admissão é para famílias com menores rendimentos. Certíssimo. Mas não é preciso muita imaginação para concluir que ao escolher 20 de 200 candidatos, os menores dos menores dos menores rendimentos é... rendimento zero. Portanto os nossos infantários vão ficar entupidos com crianças de famílias que vivam no limiar da pobreza. Exclusivamente! Exagerei ao falar em guetos?
Alguém se lembra de uns cartazes do PP onde se proclamava "Vamos criar mais lugares em creches!" ? E o Dr. Bagão é um ministro PP, não é? A verdade é que não disseram de que creches estavam a falar. Agora é que se percebe que afinal se referiam a creches privadas. Só pode ser. Excluindo da resposta pública as famílias com um pouco mais de recursos, estas têm de se encaminhar para o privado onde pagam por filho o correspondente a um salário mínimo. Portanto a mensagem do cartaz foi mal interpretada: não era aos pais que se dirigia, era aos proprietários dos infantários privados prometendo um aumento de lucros. Bate tudo certo. Eu é que fui uma parva!
M.L.
Como se sabe, o Ministério da Educação assume a educação desde o chamado "pré-escolar" até ao final do "ensino superior". Tarefa gigantesca e por isso também é que é um Ministério gigantesco. Mas, antes do pré-escolar, (admitindo que essa resposta está implementada, de facto, por todo o país, o que nem vale a pena dizer que é uma utopia) as crianças até aos 3 anos só podem receber uma resposta social em infantários ou creches, que são do foro da Segurança Social. Tal como os ATL são as chamadas respostas de apoio à Família. Partilham esta responsabilidade com a Segurança Social as múltiplas Misericórdias espalhadas pelo país. De sublinhar o papel da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, obviamente a maior e mais rica - é uma espécie de ministério paralelo.
Os senhores que ultimamente nos governam têm seguido uma política de alienar tudo o que podem e, muito rapidamente aquilo que, por definição, não dá lucro. É claro que as políticas sociais não são para dar lucro e, portanto, quanto menos se fizer, melhor. Isto para dizer que os infantários da Segurança Social - onde se paga segundo uma tabela de acordo com o IRS dos pais - têm listas de espera muito maiores do que as das operações nos hospitais. Na zona de Lisboa, é vulgar para 20 futuras vagas os infantários terem de 200 a 300 inscrições.
Mas o que me levou a escrever hoje aqui, é o saber que pouca gente tem consciência de um facto muito chocante. Se por um lado, se vai dando uns passos no sentido da inclusão de crianças com deficiência no ensino público, estamos a criar guetos sociais entre os bebés. Segundo as normas que os estes infantários têm de cumprir, a prioridade de admissão é para famílias com menores rendimentos. Certíssimo. Mas não é preciso muita imaginação para concluir que ao escolher 20 de 200 candidatos, os menores dos menores dos menores rendimentos é... rendimento zero. Portanto os nossos infantários vão ficar entupidos com crianças de famílias que vivam no limiar da pobreza. Exclusivamente! Exagerei ao falar em guetos?
Alguém se lembra de uns cartazes do PP onde se proclamava "Vamos criar mais lugares em creches!" ? E o Dr. Bagão é um ministro PP, não é? A verdade é que não disseram de que creches estavam a falar. Agora é que se percebe que afinal se referiam a creches privadas. Só pode ser. Excluindo da resposta pública as famílias com um pouco mais de recursos, estas têm de se encaminhar para o privado onde pagam por filho o correspondente a um salário mínimo. Portanto a mensagem do cartaz foi mal interpretada: não era aos pais que se dirigia, era aos proprietários dos infantários privados prometendo um aumento de lucros. Bate tudo certo. Eu é que fui uma parva!
M.L.
sexta-feira, 12 de março de 2004
Tanto ódio
Por feitio, por convicção, por educação, sou pacifista. Respeito profundamente a vida humana e o “dente por dente e olho por olho” sempre me pareceu um conceito primitivo e selvagem. É evidente que há monstros, ditadores sanguinários que devem ser neutralizados e impedidos de continuar os seus crimes. Mas, mesmo para os monstros, não acredito na pena de morte, seria descer ao nível deles. Daí a minha dificuldade em entender certos modos de pensar e de agir.
Quando foi o 11 de Setembro fiquei estarrecida. Mesmo não aceitando morte nenhuma, mas se os alvos tivessem sido apenas o Pentágono ou a Casa Branca, continuava a não aceitar mas digamos que compreendia. O terem atingido as Torres aquela hora, cheias de gente, senti que não aceitava nem sequer compreendia. Nunca por nunca. Matar e matar gente inocente só como aviso, era uma monstruosidade.
Este 11 de Março faz reacender a mesma incredulidade. Como é possível ? Aquela gente não tem nada a ver com o Poder, com os Centros de Decisão. O Poder deste mundo não anda de comboio suburbano às 8 da manhã. Anda de carro com motorista ou avião privado. E isto, volto a dizer, compreendendo mas não aceitando que se mate seja quem fôr. O horror de Madrid é uma amostra de ódio, selvagem, descontrolado, que não parece ser humano. Porquê odiar-se tanto? Indiscriminadamente. E friamente, planificadamente, de um modo que, pelas informações, ainda poderia ser pior. Que loucura pode levar homens a pensar com cuidado e rigor, durante muito tempo, no modo mais eficaz de matar, e matar na maior quantidade possível? Não consigo imaginar. Esta explosão brutal de ódio em estado puro deixa-me mesmo sem capacidade de pensar. Se o que se pretendia era chocar então conseguiram – o que todos sentimos é horror e choque. Mas, volta a perguntar, para quê?
M.L.
Quando foi o 11 de Setembro fiquei estarrecida. Mesmo não aceitando morte nenhuma, mas se os alvos tivessem sido apenas o Pentágono ou a Casa Branca, continuava a não aceitar mas digamos que compreendia. O terem atingido as Torres aquela hora, cheias de gente, senti que não aceitava nem sequer compreendia. Nunca por nunca. Matar e matar gente inocente só como aviso, era uma monstruosidade.
Este 11 de Março faz reacender a mesma incredulidade. Como é possível ? Aquela gente não tem nada a ver com o Poder, com os Centros de Decisão. O Poder deste mundo não anda de comboio suburbano às 8 da manhã. Anda de carro com motorista ou avião privado. E isto, volto a dizer, compreendendo mas não aceitando que se mate seja quem fôr. O horror de Madrid é uma amostra de ódio, selvagem, descontrolado, que não parece ser humano. Porquê odiar-se tanto? Indiscriminadamente. E friamente, planificadamente, de um modo que, pelas informações, ainda poderia ser pior. Que loucura pode levar homens a pensar com cuidado e rigor, durante muito tempo, no modo mais eficaz de matar, e matar na maior quantidade possível? Não consigo imaginar. Esta explosão brutal de ódio em estado puro deixa-me mesmo sem capacidade de pensar. Se o que se pretendia era chocar então conseguiram – o que todos sentimos é horror e choque. Mas, volta a perguntar, para quê?
M.L.
quinta-feira, 11 de março de 2004
Não entendo
Como é possível que se faça aproveitamento político de um horror como o atentado de hoje. Tenho ouvido alguns comentários e nem quero acreditar. É claro que se pergunta a quem aproveita isto tudo. Que se pergunta quem tem capacidade de organização para uma acção destas. Diz-se que a ETA estava desmembrada, os cabecilhas presos, as principais linhas controladas; mesmo assim fizeram-no? Mas a Al Qeda por quê? Para quê? Que ódio é este? Tenho de parar e ficar em silêncio para pensar. A hora é mesmo de silêncio.
M.L.
M.L.
Sem palavras
Esta manhã tinha várias ideias para posts que tinha pensado deixar aqui ficar hoje. Neste momento desapareceram completamente! Há momentos onde as palavras perdem o seu sentido habitual. Só ficam os sentimentos, o espanto, o horror, a incompreensão. Como é possível? Para quê? Como pode ser planeado com tanta frieza e calculismo a morte de seres humanos completamente inocentes, trabalhadores, imigrantes, jovens, crianças...???? É possível ? Foi. Temos de acreditar.
M.L.
M.L.
terrorismos
quando cheguei a La Paz, quase meia-noite de um dia de greves, de bloqueios, de violência, e deparei com um restaurante-bar-pontodeencontro judeu, repleto de jovens, fiquei admirado, muito admirado. já no Titicaca peruano encontrara 3 raparigas israelitas de 20-21 anos, e ficara surpreendido. afinal, depois de 2-3 anos no exército, com bombas a explodir ao lado, precisavam da Amazónia ou do salar de Uyuni, 'para refazerem a cabeça'
depois disso, na primeira manifestação em defesa da Palestina, em Lisboa, não consegui suportar mais que uma palavra anti-israelita, como se os dois lados da barricada pudessem separar os bons e os maus
estes atentados em Madrid justificam todo o repúdio. e mesmo que Aznar e PP se sirvam dele para uma manifestação, se eu fosse espanhol, estaria nela. contra o terrorismo dos muros da vergonha no Médio Oriente ou contra as bombas das ETA, contra os terrorismos
zé
Mais gastos à vista
Partidas da sociedade de consumo! Se há criatura anti-consumista, acho que sou eu. Por educação, feitio, eu sei lá, mas a verdade é que penso várias vezes antes de comprar qualquer coisa e não me tenho dado mal com isso.
Quando apareceram os DVD fiquei interessada, como toda a gente, é certo que têm grandes vantagens sobre as gravações de vídeo, mas os preços dos primeiros leitores eram assustadores. Adiante, achei que era um bem completamente supérfluo. E, já agora, porque entre um filme em vídeo e uma ida ao cinema a segunda opção vence aos pontos – nada se compara para mim à magia da sala escura, e ao grande ecran.
Depois os “leitores” de DVD começaram a baixar de preço vertiginosamente e a fazer pensar, mas a tal costela anti-consumista dizia-me que o que devia comprar era um leitor/gravador e esses ainda eram incomportáveis. Portanto, mais uma vez... adiante !
Só que agora apanhei um golpe baixo. Passo pela Fnac e descubro que alguns dos meus filmes de culto aparecem em versão DVD. Muitos deles nem mesmo em vídeo sabia que alguma vez tivessem sido editados. Pronto. Lá terá de ser. Parte-se o mealheiro e entra um leitor de DVD em mais uma casa portuguesa.
M.L.
Quando apareceram os DVD fiquei interessada, como toda a gente, é certo que têm grandes vantagens sobre as gravações de vídeo, mas os preços dos primeiros leitores eram assustadores. Adiante, achei que era um bem completamente supérfluo. E, já agora, porque entre um filme em vídeo e uma ida ao cinema a segunda opção vence aos pontos – nada se compara para mim à magia da sala escura, e ao grande ecran.
Depois os “leitores” de DVD começaram a baixar de preço vertiginosamente e a fazer pensar, mas a tal costela anti-consumista dizia-me que o que devia comprar era um leitor/gravador e esses ainda eram incomportáveis. Portanto, mais uma vez... adiante !
Só que agora apanhei um golpe baixo. Passo pela Fnac e descubro que alguns dos meus filmes de culto aparecem em versão DVD. Muitos deles nem mesmo em vídeo sabia que alguma vez tivessem sido editados. Pronto. Lá terá de ser. Parte-se o mealheiro e entra um leitor de DVD em mais uma casa portuguesa.
M.L.
Dias felizes e dias infelizes
Frase de um post de Luís Rainha no BdE:
«Quem nunca teve um daqueles dias tão recheados de más notícias, correrias, desgraças de formatos e cores variáveis, que parece mesmo pesar-nos demais no peito, emitindo ao entardecer pequenos presságios de dor à laia de aviso de colapso iminente?«
É tal e qual assim. O recheio dos dias tem a mania de vir em cachos de momentos maus ou momentos bons. É um raio de uma magia qualquer. Toda a gente passa por momentos onde parece que as forças dos deuses todos se uniram para nos tramar. Não há nada que não corra mal. Quando se pensa que já tudo aconteceu, descobrimos que ainda há um pequenino azar para nos cair em cima.
O bom, é que a fórmula inversa também funciona. É por revoadas. Há ocasiões onde parece que uma fada azul ou um anjo de azas brancas anda a tomar conta de nós. Tudo nos corre bem. Como se a sorte atraísse mais sorte. E esta fórmula, comigo, tem a mania das grandezas e não se fica por “dias” é mesmo “épocas”. Ao contrário do Luís tive ontem um dia glorioso, completamente doirado, onde tudo o que desejava milagrosamente aconteceu. Quase tenho medo de respirar ainda assim a bola de sabão mágica rebente, e este momento desapareça. Se não rebentar, pode ser que me esteja a aproximar de uma dessas épocas onde a alegria atrai alegria. É a noção, que a linguagem brasileira tornou popular, de “pensamento positivo”. Só que acho que para se pensar positivo temos de ter um ponto de partida já positivo. Nos momentos mais cinzentos não se encontra um ponto sólido para firmar a escada para começarmos a subir. Deve ser por isso que Portugal anda deprimido e pessimista. Olhamos à volta e é difícil encontrar o tal ponto positivo. A não ser que se considere que uma vez que não pode estar pior, agora o caminho só pode ser para cima...
M.L.
«Quem nunca teve um daqueles dias tão recheados de más notícias, correrias, desgraças de formatos e cores variáveis, que parece mesmo pesar-nos demais no peito, emitindo ao entardecer pequenos presságios de dor à laia de aviso de colapso iminente?«
É tal e qual assim. O recheio dos dias tem a mania de vir em cachos de momentos maus ou momentos bons. É um raio de uma magia qualquer. Toda a gente passa por momentos onde parece que as forças dos deuses todos se uniram para nos tramar. Não há nada que não corra mal. Quando se pensa que já tudo aconteceu, descobrimos que ainda há um pequenino azar para nos cair em cima.
O bom, é que a fórmula inversa também funciona. É por revoadas. Há ocasiões onde parece que uma fada azul ou um anjo de azas brancas anda a tomar conta de nós. Tudo nos corre bem. Como se a sorte atraísse mais sorte. E esta fórmula, comigo, tem a mania das grandezas e não se fica por “dias” é mesmo “épocas”. Ao contrário do Luís tive ontem um dia glorioso, completamente doirado, onde tudo o que desejava milagrosamente aconteceu. Quase tenho medo de respirar ainda assim a bola de sabão mágica rebente, e este momento desapareça. Se não rebentar, pode ser que me esteja a aproximar de uma dessas épocas onde a alegria atrai alegria. É a noção, que a linguagem brasileira tornou popular, de “pensamento positivo”. Só que acho que para se pensar positivo temos de ter um ponto de partida já positivo. Nos momentos mais cinzentos não se encontra um ponto sólido para firmar a escada para começarmos a subir. Deve ser por isso que Portugal anda deprimido e pessimista. Olhamos à volta e é difícil encontrar o tal ponto positivo. A não ser que se considere que uma vez que não pode estar pior, agora o caminho só pode ser para cima...
M.L.
quarta-feira, 10 de março de 2004
Chineses
Quando li esta notícia,
“Depois da divulgação de panfletos anti-aborto pela SOS Vida, o representante de Taiwan em Portugal exige um pedido de desculpas por parte da associação, além de uma declaração por parte do Governo português” ,
pareceu-me uma inevitabilidade de todo este triste processo. É que ainda por cima, se há povo que adore crianças é o povo chinês. Eu conheço mais ou menos bem certos aspectos da China e não aprecio todos. De um modo geral até ponho grandes reservas a alguma da sua forma de pensar e a muitos dos seus valores. Mas se há coisa simpática, para uma mentalidade europeia é a sua forma de tratar crianças sobretudo pequeninas. Eles adoram crianças. Creio que o golpe do “filho único” deve ter sido mais duro ainda ali do que o seria para outros povos. Portanto aquela ideia terrível do pedo-canibalismo calculo que se chega lá aidna somos atingidos por um míssil sem percebermos o que se passou.
M.L.
“Depois da divulgação de panfletos anti-aborto pela SOS Vida, o representante de Taiwan em Portugal exige um pedido de desculpas por parte da associação, além de uma declaração por parte do Governo português” ,
pareceu-me uma inevitabilidade de todo este triste processo. É que ainda por cima, se há povo que adore crianças é o povo chinês. Eu conheço mais ou menos bem certos aspectos da China e não aprecio todos. De um modo geral até ponho grandes reservas a alguma da sua forma de pensar e a muitos dos seus valores. Mas se há coisa simpática, para uma mentalidade europeia é a sua forma de tratar crianças sobretudo pequeninas. Eles adoram crianças. Creio que o golpe do “filho único” deve ter sido mais duro ainda ali do que o seria para outros povos. Portanto aquela ideia terrível do pedo-canibalismo calculo que se chega lá aidna somos atingidos por um míssil sem percebermos o que se passou.
M.L.
Ideias Feitas
Embirro com ideias feitas.
Esta é uma frase parva porque ninguém gosta de ideias feitas, já o nome é ofensivo! Só que as nossas são originais e correctas, as dos outros é que são "feitas"... Mas creio que me faço compreender: há muitas noções que, porque são partilhadas por uma maioria, são tidas como verdades incontestáveis e nunca nos interrogamos sobre elas.
Ultimamente andamos a recuperar o conceito de auto-estima. E isto porque durante muitos e muitos anos, era considerado egoísmo e feio, pensarmos em nós. A pessoa bem formada pensava sempre primeiro nos outros e deixava-se ficar para último. Era assim que "devia ser". Até que houve quem protestasse, que por exemplo não se podia dar o que não se tinha e quem não recebia amor dificilmente o dava, etc., etc. A conhecida história/metáfora de que num avião um adulto acompanhado de uma criança, se fôr necessário recorrer às máscaras de oxigénio deve primeiro colocar a sua e só depois, lúcido, colocar a da criança. O que quer dizer que vai tudo no mesmo sentido, para se viver em sociedade temos de gostar dos outros mas também, e se calhar primeiro, gostar de nós mesmos. Uma volta de quase 180 graus.
O que é giro, é que se cumprirmos os célebres "mandamentos" - e nada mais correcto e isento do que os mandamentos da lei de Deus - diz-se que os 10 se podem resumir em "Amar a Deus sobre todas as coisas" e...."Amar o próximo como a nós mesmo". Não vem cá com ideias de amar mais do que a nós! É tal e qual - ao próximo como a nós mesmo.
M.L.
Esta é uma frase parva porque ninguém gosta de ideias feitas, já o nome é ofensivo! Só que as nossas são originais e correctas, as dos outros é que são "feitas"... Mas creio que me faço compreender: há muitas noções que, porque são partilhadas por uma maioria, são tidas como verdades incontestáveis e nunca nos interrogamos sobre elas.
Ultimamente andamos a recuperar o conceito de auto-estima. E isto porque durante muitos e muitos anos, era considerado egoísmo e feio, pensarmos em nós. A pessoa bem formada pensava sempre primeiro nos outros e deixava-se ficar para último. Era assim que "devia ser". Até que houve quem protestasse, que por exemplo não se podia dar o que não se tinha e quem não recebia amor dificilmente o dava, etc., etc. A conhecida história/metáfora de que num avião um adulto acompanhado de uma criança, se fôr necessário recorrer às máscaras de oxigénio deve primeiro colocar a sua e só depois, lúcido, colocar a da criança. O que quer dizer que vai tudo no mesmo sentido, para se viver em sociedade temos de gostar dos outros mas também, e se calhar primeiro, gostar de nós mesmos. Uma volta de quase 180 graus.
O que é giro, é que se cumprirmos os célebres "mandamentos" - e nada mais correcto e isento do que os mandamentos da lei de Deus - diz-se que os 10 se podem resumir em "Amar a Deus sobre todas as coisas" e...."Amar o próximo como a nós mesmo". Não vem cá com ideias de amar mais do que a nós! É tal e qual - ao próximo como a nós mesmo.
M.L.
terça-feira, 9 de março de 2004
Prós e Contras
Nem sempre oiço este programa da RTP. Começa tarde e acaba tardíssimo para as minhas horas normais de sono e, além disso, não aprecio a moderadora. Pertence aquela escola agressiva de inquirir as pessoas que, não sei se as incomoda a elas mas a mim que assisto, incomoda-me muito. Mas ontem abri uma excepção porque o tema me interessava muito e os participantes abriam o apetite. É claro que, dado a escolha dos participantes o tema não deveria ser “educação” e sim “novas famílias” e esse aspecto foi realçado quando as coisas começaram a aquecer por várias vezes.
Bem, vamos ao Vilas-Boas. Era uma das atracções como é óbvio, mas foi uma decepção. Sou suspeita, porque já aqui disse que sempre detestei o homem, mas ontem nem dava para detestar o suficiente. Deve ter ouvido tantas ou tão poucas que agora só falava de leis. Mas o homem não é militar? Não é “psicólogo”? Agora é jurista? A verdade é que jogou completamente à defesa, afinal não disse nada daquilo que disseram que ele disse! Tadinho! Bom, é certo que muitas vezes o que se diz retirado do contexto assume aspectos que parecem perfeitos disparates. Isso é frequente, mas a pessoa quando o nota imediatamente faz publicar um esclarecimento. Ainda muito recentemente se deu um caso destes com uma notícia da Lusa. Ora o Sr. Major não só não chamou a atenção como reforçou as suas declarações na TV. Só ontem veio com a conversa de que tinha sido outro o seu discurso. Batoteiro!
O Miguel Vale de Almeida estava ali por causa do major. Era óbvio. Se o tema fosse apenas educação, além da M.ª Emília Brederode e Eduardo Sá, deveria estar ou outro pedagogo ou na sociologia, dentro da sociologia da família. Claro que se o tema vier a ser “novas famílias” o painel já será mais correcto. Mas afinal, com tanta falta de luta pelo lado Vilas-Boas o discurso do Miguel teve de ser muito mais sereno. E foi. Vinha documentado, mas como a conversa não foi por ali, os temas ficaram apenas levantados.
O que achei completamente extraordinário foi a escolha das famílias, representativas. Gostei mesmo muito que, como família monoparental, viesse um pai e uma filha. E um pai excelente. Pareceu-me uma muito boa escolha, mas ficou a faltar a mãe com um ou vários filhos. Acho que havia espaço para os dois casos, e devemos reconhecer que é muito mais frequente a monoparentalidade ser representada pela mãe e filhos. Também foi correcto (até pela polémica recente) a presença de uma família homossexual. E aquela mostrou-se uma boa mãe, dificilmente se lhe poderia apontar qualquer coisa. Faltou contudo a representação de algo, frequentíssimo, que é a família “reconstruída”. É talvez, estatisticamente, o mais vulgar, haver filhos de um primeiro e um segundo casamento – onde estavam eles?
Agora o que foi delicioso foi a escolha da “família tradicional”. Calculo que a produção do programa é anti-família- tradicional. Só pode. E não poderia ter feito melhor trabalho. É que “aquilo” é inacreditável em 2004. Vamos ver:
Obviamente de um meio social bem elevado. Marido de profissão liberal, encontra a mulher na faculdade e casam. Ela com um curso superior rigorosamente igual ao dele, arruma a sua formação e dedica-se a ser a fada do lar. Começam a ter filhos. Até ao momento 3, mas ainda são jovens ele afirma, com um sorriso significativo, que esperam ter muitos mais. Ele falou todo o tempo de antena enquanto a mulher sorria e abanava a cabeça. Aparentemente nem lhes passa pela cabeça que os anos em que ela andou a estudar poderiam ter sido melhor aproveitados. Talvez um curso de puericultura, ou ciências domésticas... O modelo que transmitiram chegava a ser engraçado, de tão antiquado era. Quantas famílias encontramos em Portugal representadas por aqueles dois? Só para rir.
Quanto á Educação que era o motivo do programa, deve ficar para outro programa... Falou um professor e um aluno, o primeiro dizendo coisas um pouco controversas. A Mª Emília argumentou bastante bem em relação a alguns comentários de César das Neves que não se vê bem a que título ali estava. Eduardo Sá tentou sempre levantar a bandeira do bom senso e tolerância familiar. Enfim um debate a prosseguir depois desdobrando o “dois em um” – um sobre Novas Famílias, e outro sobre Educação
M.L.
Bem, vamos ao Vilas-Boas. Era uma das atracções como é óbvio, mas foi uma decepção. Sou suspeita, porque já aqui disse que sempre detestei o homem, mas ontem nem dava para detestar o suficiente. Deve ter ouvido tantas ou tão poucas que agora só falava de leis. Mas o homem não é militar? Não é “psicólogo”? Agora é jurista? A verdade é que jogou completamente à defesa, afinal não disse nada daquilo que disseram que ele disse! Tadinho! Bom, é certo que muitas vezes o que se diz retirado do contexto assume aspectos que parecem perfeitos disparates. Isso é frequente, mas a pessoa quando o nota imediatamente faz publicar um esclarecimento. Ainda muito recentemente se deu um caso destes com uma notícia da Lusa. Ora o Sr. Major não só não chamou a atenção como reforçou as suas declarações na TV. Só ontem veio com a conversa de que tinha sido outro o seu discurso. Batoteiro!
O Miguel Vale de Almeida estava ali por causa do major. Era óbvio. Se o tema fosse apenas educação, além da M.ª Emília Brederode e Eduardo Sá, deveria estar ou outro pedagogo ou na sociologia, dentro da sociologia da família. Claro que se o tema vier a ser “novas famílias” o painel já será mais correcto. Mas afinal, com tanta falta de luta pelo lado Vilas-Boas o discurso do Miguel teve de ser muito mais sereno. E foi. Vinha documentado, mas como a conversa não foi por ali, os temas ficaram apenas levantados.
O que achei completamente extraordinário foi a escolha das famílias, representativas. Gostei mesmo muito que, como família monoparental, viesse um pai e uma filha. E um pai excelente. Pareceu-me uma muito boa escolha, mas ficou a faltar a mãe com um ou vários filhos. Acho que havia espaço para os dois casos, e devemos reconhecer que é muito mais frequente a monoparentalidade ser representada pela mãe e filhos. Também foi correcto (até pela polémica recente) a presença de uma família homossexual. E aquela mostrou-se uma boa mãe, dificilmente se lhe poderia apontar qualquer coisa. Faltou contudo a representação de algo, frequentíssimo, que é a família “reconstruída”. É talvez, estatisticamente, o mais vulgar, haver filhos de um primeiro e um segundo casamento – onde estavam eles?
Agora o que foi delicioso foi a escolha da “família tradicional”. Calculo que a produção do programa é anti-família- tradicional. Só pode. E não poderia ter feito melhor trabalho. É que “aquilo” é inacreditável em 2004. Vamos ver:
Obviamente de um meio social bem elevado. Marido de profissão liberal, encontra a mulher na faculdade e casam. Ela com um curso superior rigorosamente igual ao dele, arruma a sua formação e dedica-se a ser a fada do lar. Começam a ter filhos. Até ao momento 3, mas ainda são jovens ele afirma, com um sorriso significativo, que esperam ter muitos mais. Ele falou todo o tempo de antena enquanto a mulher sorria e abanava a cabeça. Aparentemente nem lhes passa pela cabeça que os anos em que ela andou a estudar poderiam ter sido melhor aproveitados. Talvez um curso de puericultura, ou ciências domésticas... O modelo que transmitiram chegava a ser engraçado, de tão antiquado era. Quantas famílias encontramos em Portugal representadas por aqueles dois? Só para rir.
Quanto á Educação que era o motivo do programa, deve ficar para outro programa... Falou um professor e um aluno, o primeiro dizendo coisas um pouco controversas. A Mª Emília argumentou bastante bem em relação a alguns comentários de César das Neves que não se vê bem a que título ali estava. Eduardo Sá tentou sempre levantar a bandeira do bom senso e tolerância familiar. Enfim um debate a prosseguir depois desdobrando o “dois em um” – um sobre Novas Famílias, e outro sobre Educação
M.L.
Sondagens e reacções naturais
Há um fenómeno muito engraçado quanto às sondagens de opinião. Eu, declaro já, que não percebo mesmo nada do assunto. Números não é comigo, ponto final. Tenho de acreditar que quem faz esses estudos sabe o que faz, e não posso criticar uma coisa que não sei.
Mas, o interessante é ver que quando o que as sondagens vêm ao encontro daquilo que nós pensamos, ficamos reforçadíssimos e a sentir como éramos inteligentes porque já sabíamos aquilo que os números vêm confirmar. Se por azar dizem o contrário do que pensamos, fica-se logo com a ideia de que o trabalho foi mal feito, não é possível aquele resultado.
Eu contra mim falo, porque sinto exactamente o que acabei de escrever! Também me irrito quando não se confirma o que penso e fico toda contente no caso oposto.
E, a propósito, lembro-me sempre, de que há bastantes anos havia no meu serviço uma comissão de trabalhadores. Acontece que eu era uma espécie de "presidente da mesa". Apareciam muitas propostas que eram discutidas e votadas. Um dos colegas fazia muitas propostas e fundamentava-as mas, por vezes, perdia. Dizia então: "Deixa-me explicar melhor; não entenderam" e voltava a argumentar. Votava-se e ele perdia. Repetia: "Desculpa, não entenderam, com certeza. Eu explico melhor" E isto sucessivamente até eu já me rir de gargalhada e dizer: "Desculpa lá! Toda a gente percebeu, só que não concordam!!!!" Lembro-me muitas vezes deste meu amigo, pois se ele estava tão certo de ter razão como era possível não concordarem com ele!?! Todos nós somos um bocadinho assim.
M.L.
Mas, o interessante é ver que quando o que as sondagens vêm ao encontro daquilo que nós pensamos, ficamos reforçadíssimos e a sentir como éramos inteligentes porque já sabíamos aquilo que os números vêm confirmar. Se por azar dizem o contrário do que pensamos, fica-se logo com a ideia de que o trabalho foi mal feito, não é possível aquele resultado.
Eu contra mim falo, porque sinto exactamente o que acabei de escrever! Também me irrito quando não se confirma o que penso e fico toda contente no caso oposto.
E, a propósito, lembro-me sempre, de que há bastantes anos havia no meu serviço uma comissão de trabalhadores. Acontece que eu era uma espécie de "presidente da mesa". Apareciam muitas propostas que eram discutidas e votadas. Um dos colegas fazia muitas propostas e fundamentava-as mas, por vezes, perdia. Dizia então: "Deixa-me explicar melhor; não entenderam" e voltava a argumentar. Votava-se e ele perdia. Repetia: "Desculpa, não entenderam, com certeza. Eu explico melhor" E isto sucessivamente até eu já me rir de gargalhada e dizer: "Desculpa lá! Toda a gente percebeu, só que não concordam!!!!" Lembro-me muitas vezes deste meu amigo, pois se ele estava tão certo de ter razão como era possível não concordarem com ele!?! Todos nós somos um bocadinho assim.
M.L.
Dia do Filho
Ontem foi Dia da Mulher. Para mim, hoje é o Dia do Filho. O meu rapaz faz anos e o post de hoje é para ele. PARABÉNS, meu querido!
Do meu ponto de vista, este é o dia mais importante do ano, se calhar também pelo facto do rapaz ter sido exemplar único. Quem põe os ovos todos no mesmo cesto tem tendência a cuidar exageradamente dele. Mas acho que fiz obra asseada!
O que tem graça é que em todos os 9 de Março vem a ladainha comum à esmagadora maioria dos pais:
“Já tantos??!”
“Ainda ontem nasceu!”
“Como o tempo passa depressa!!!”
Mas eu fico bem feliz por ver como este tempo passou. Afinal passou tão bem, e a nossa resistência às inevitáveis tempestades da vida tem resultado. Ver crescer um filho é dos momentos de felicidade que a vida nos pode dar, de felicidade pura, transparente, luminosa. Uma imagem que ainda me aquece, quando me sinto menos bem, é recordá-lo a correr muito, calcanhares a baterem no rabo, de braços abertos para mim. Já lá vão tantos anos mas aquela carinha radiosa a correr ao meu encontro é uma imagem de luz que me justifica ter vivido. Pensamos então que tudo vale a pena. Obrigada, querido.
M.L.
Do meu ponto de vista, este é o dia mais importante do ano, se calhar também pelo facto do rapaz ter sido exemplar único. Quem põe os ovos todos no mesmo cesto tem tendência a cuidar exageradamente dele. Mas acho que fiz obra asseada!
O que tem graça é que em todos os 9 de Março vem a ladainha comum à esmagadora maioria dos pais:
“Já tantos??!”
“Ainda ontem nasceu!”
“Como o tempo passa depressa!!!”
Mas eu fico bem feliz por ver como este tempo passou. Afinal passou tão bem, e a nossa resistência às inevitáveis tempestades da vida tem resultado. Ver crescer um filho é dos momentos de felicidade que a vida nos pode dar, de felicidade pura, transparente, luminosa. Uma imagem que ainda me aquece, quando me sinto menos bem, é recordá-lo a correr muito, calcanhares a baterem no rabo, de braços abertos para mim. Já lá vão tantos anos mas aquela carinha radiosa a correr ao meu encontro é uma imagem de luz que me justifica ter vivido. Pensamos então que tudo vale a pena. Obrigada, querido.
M.L.
segunda-feira, 8 de março de 2004
8 de Março
É engraçado observar como um facto tão pacífico e, até certo ponto, aparentemente consensual, pode gerar posições tão fortes e antagónicas. Refiro-me a ter sido consagrado o 8 de Março como o Dia da Mulher. E, como quase sempre que as posições se extremam, rapidamente se perde a razão. Porque, no meu ponto de vista, o que acontece é misturarem-se conceitos e ideias e nessa caldeirada começamos a discutir coisas diferentes. Vamos ver se consigo expor as minhas ideias com alguma clareza:
Há quem recuse celebrar este dia. Afirme que só faria sentido se existisse um Dia do Homem. E é verdade. Se pensarmos neste dia como de defesa e protecção, como se se tratasse de uma minoria social, entendo que haja quem não o aceite. Na mesma linha o Dia da Criança e o Dia da Mulher, pode ser um pouco... enfim, ofensivo. Também eu reajo um pouco às revistas "femininas", e fez-me confusão o "Sic Mulher". Parece-me que é uma separação exclusivamente sócio-cultural e de estereótipos Mas, a verdade verdadeira, é que não sendo uma minoria, o género feminino ainda é tratado por todo o mundo de um modo discriminatório. Que tem havido, sobretudo nos países do norte, um avanço espectacular no último século e sobretudo nas últimas décadas, é um facto inquestionável. Mas que o "nascer-se mulher" é ainda enfrentar um mundo de dificuldades, creio ser consensual. Lá por ser desagradável, não quer dizer que não seja AINDA um facto que não se pode varrer para debaixo do tapete. Já sei, já sei, que há cada vez mais excepções,( ainda bem!) mas são, por enquanto, excepções.
Mas há a outra faceta. Por algum motivo se escolheu o 8 de Março. Não se pensa que o 1º de Maio, por ser o Dia do Trabalhador seja duma minoria e necessitar protecção, pois não?.As mulheres do 8 de Março são as operárias americanas que enfrentaram o mundo do trabalho. Não são as mulheres-criança, com necessidade de serem protegidas pelos homens, nem são as mulheres-flores, delicadas, frágeis, que devem ser levadas ao colo. É a Mulher-Força que se comemora neste dia. A que vai lutando lado a lado com os seus companheiros para que este mundo seja mais justo. É claro que sócio-culturalmente há diferenças de género. Não acho nada mal, até porque esses valores atribuidos à mulher são bons valores humanos, valores que qualquer homem não deveria renegar por serem considerados "femininos". Não são femininos nesse sentido, são humanos, e isso é bom e justo. Agrada-me essa diferença de género, por enquanto. E é tão bom um mundo com a diversidade de homens e mulheres.
É verdade, sou mulher, e este é um dia de luta e de festa.
M.L
É engraçado observar como um facto tão pacífico e, até certo ponto, aparentemente consensual, pode gerar posições tão fortes e antagónicas. Refiro-me a ter sido consagrado o 8 de Março como o Dia da Mulher. E, como quase sempre que as posições se extremam, rapidamente se perde a razão. Porque, no meu ponto de vista, o que acontece é misturarem-se conceitos e ideias e nessa caldeirada começamos a discutir coisas diferentes. Vamos ver se consigo expor as minhas ideias com alguma clareza:
Há quem recuse celebrar este dia. Afirme que só faria sentido se existisse um Dia do Homem. E é verdade. Se pensarmos neste dia como de defesa e protecção, como se se tratasse de uma minoria social, entendo que haja quem não o aceite. Na mesma linha o Dia da Criança e o Dia da Mulher, pode ser um pouco... enfim, ofensivo. Também eu reajo um pouco às revistas "femininas", e fez-me confusão o "Sic Mulher". Parece-me que é uma separação exclusivamente sócio-cultural e de estereótipos Mas, a verdade verdadeira, é que não sendo uma minoria, o género feminino ainda é tratado por todo o mundo de um modo discriminatório. Que tem havido, sobretudo nos países do norte, um avanço espectacular no último século e sobretudo nas últimas décadas, é um facto inquestionável. Mas que o "nascer-se mulher" é ainda enfrentar um mundo de dificuldades, creio ser consensual. Lá por ser desagradável, não quer dizer que não seja AINDA um facto que não se pode varrer para debaixo do tapete. Já sei, já sei, que há cada vez mais excepções,( ainda bem!) mas são, por enquanto, excepções.
Mas há a outra faceta. Por algum motivo se escolheu o 8 de Março. Não se pensa que o 1º de Maio, por ser o Dia do Trabalhador seja duma minoria e necessitar protecção, pois não?.As mulheres do 8 de Março são as operárias americanas que enfrentaram o mundo do trabalho. Não são as mulheres-criança, com necessidade de serem protegidas pelos homens, nem são as mulheres-flores, delicadas, frágeis, que devem ser levadas ao colo. É a Mulher-Força que se comemora neste dia. A que vai lutando lado a lado com os seus companheiros para que este mundo seja mais justo. É claro que sócio-culturalmente há diferenças de género. Não acho nada mal, até porque esses valores atribuidos à mulher são bons valores humanos, valores que qualquer homem não deveria renegar por serem considerados "femininos". Não são femininos nesse sentido, são humanos, e isso é bom e justo. Agrada-me essa diferença de género, por enquanto. E é tão bom um mundo com a diversidade de homens e mulheres.
É verdade, sou mulher, e este é um dia de luta e de festa.
M.L
Literatura e Cinema
Recentemente instalou-se nalgumas editoras um costume, que terá as suas razões comerciais, mas que não aprecio por aí além. Depois de um romance ter sido adaptado a filme, a capa do livro pasa a ser montada sobre uma imagem de uma cena desse filme. Muito frequentemente até com a imagem do actor principal.
Está claro que podemos cair na velha tentação da dúvida da origem do-ovo-e–da-galinha: se alguém viu o filme primeiro, pode ser chamado a querer comprar o romance em causa e esse desejo ter sido desencadeado por relembrar a imagem do filme... E isso é bom para as editoras. Mas, se o filme foi inspirado no livro, é porque este surgiu primeiro, não é? E para mim (por isso não aprovar este método) acho muito redutor limitar a imaginação de cada um às imagens, mesmo que muito boas, de um realizador. A personagem que eu encontrei a primeira vez que li qualquer romance, “inventei-a” eu, de acordo com as palavras do escritor. Mesmo sendo presunção, gosto da minha imaginação e desagrada-me que mandem nela. É certo que muitas vezes vejo adaptações e penso:”Mas que bem! Este actor está mesmo a calhar para esta personagem!” É por isso que a adaptação é boa. Mas o romance deve ter vida própria e autónoma. É essa a riqueza da literatura.
M.L.
Está claro que podemos cair na velha tentação da dúvida da origem do-ovo-e–da-galinha: se alguém viu o filme primeiro, pode ser chamado a querer comprar o romance em causa e esse desejo ter sido desencadeado por relembrar a imagem do filme... E isso é bom para as editoras. Mas, se o filme foi inspirado no livro, é porque este surgiu primeiro, não é? E para mim (por isso não aprovar este método) acho muito redutor limitar a imaginação de cada um às imagens, mesmo que muito boas, de um realizador. A personagem que eu encontrei a primeira vez que li qualquer romance, “inventei-a” eu, de acordo com as palavras do escritor. Mesmo sendo presunção, gosto da minha imaginação e desagrada-me que mandem nela. É certo que muitas vezes vejo adaptações e penso:”Mas que bem! Este actor está mesmo a calhar para esta personagem!” É por isso que a adaptação é boa. Mas o romance deve ter vida própria e autónoma. É essa a riqueza da literatura.
M.L.
domingo, 7 de março de 2004
Reflexões sobre o que é Educar
“ Sabem, eu tinha um fato espacial.
Tudo aconteceu assim:
- Papá – disse eu – quero ir à Lua.
- Com certeza – disse ele, voltando a olhar para o livro que estava a ler. Era a obra de Jerome K. Jerome, Três Homens num Bote, obra que ele já devia saber de cor.
- Papá, por favor! – disse eu – Estou a falar a sério.
Desta vez, ele fechou o livro, marcando-o com um dedo, e disse amavelmente:
-Já te disse que estava bem. Podes ir.
-Pois... mas como?
-Eh!? – Parecia levemente surpreendido – Mas... o problema é teu, Clifford.
O Papá era assim. Quando uma vez lhe disse que queria comprar uma bicicleta, ele respondeu-me: “Está bem, compra”, sem sequer pestanejar; por isso fui ao mealheiro que estava na sala de jantar, tencionando tirar o suficiente para comprar a bicicleta. Mas só lá havia onze dólares e quarenta e três cêntimos e, assim só comprei a bicicleta dali a mil milhas de relva cortada. Eu não disse mais nada ao Papá, pois se não houvesse dinheiro no cesto, não havia em mais lado nenhum; o Papá não ligava aos bancos (.......)” etc.
Este texto é da primeira página de um livro de ficção científica, de um autor que eu aprecio muito, Robert A. Heinlein. Mas não é sobre ficção científica que eu gostava de falar e sim sobre educação. Esta situação parece-me exemplar de um correcto momento educativo. É claro que sem se ter lido o romance não se pode saber que este pai já tinha ensinado ao filho como se construía uma cana, se colocava o anzol e qual o melhor isco. Entre o “dar o peixe” e o “mandar à pesca” tem de haver o momento de “ensinar como se pesca”, como é evidente. Mas tenho a firme convicção (e creio saber do que falo, que é a minha profissão) de que o problema mais grave da educação actual é os pais/educadores não encontrarem o ponto certo entre o facilitar exageradamente os gostos e desejos dos seus rebentos, ou o recusarem também radicalmente numa atitude de desinteresse por aquilo que é pedido. Encontrar esse ponto de equilíbrio não é nada fácil, mas é a base do processo educativo, acreditem.
M.L.
Tudo aconteceu assim:
- Papá – disse eu – quero ir à Lua.
- Com certeza – disse ele, voltando a olhar para o livro que estava a ler. Era a obra de Jerome K. Jerome, Três Homens num Bote, obra que ele já devia saber de cor.
- Papá, por favor! – disse eu – Estou a falar a sério.
Desta vez, ele fechou o livro, marcando-o com um dedo, e disse amavelmente:
-Já te disse que estava bem. Podes ir.
-Pois... mas como?
-Eh!? – Parecia levemente surpreendido – Mas... o problema é teu, Clifford.
O Papá era assim. Quando uma vez lhe disse que queria comprar uma bicicleta, ele respondeu-me: “Está bem, compra”, sem sequer pestanejar; por isso fui ao mealheiro que estava na sala de jantar, tencionando tirar o suficiente para comprar a bicicleta. Mas só lá havia onze dólares e quarenta e três cêntimos e, assim só comprei a bicicleta dali a mil milhas de relva cortada. Eu não disse mais nada ao Papá, pois se não houvesse dinheiro no cesto, não havia em mais lado nenhum; o Papá não ligava aos bancos (.......)” etc.
Este texto é da primeira página de um livro de ficção científica, de um autor que eu aprecio muito, Robert A. Heinlein. Mas não é sobre ficção científica que eu gostava de falar e sim sobre educação. Esta situação parece-me exemplar de um correcto momento educativo. É claro que sem se ter lido o romance não se pode saber que este pai já tinha ensinado ao filho como se construía uma cana, se colocava o anzol e qual o melhor isco. Entre o “dar o peixe” e o “mandar à pesca” tem de haver o momento de “ensinar como se pesca”, como é evidente. Mas tenho a firme convicção (e creio saber do que falo, que é a minha profissão) de que o problema mais grave da educação actual é os pais/educadores não encontrarem o ponto certo entre o facilitar exageradamente os gostos e desejos dos seus rebentos, ou o recusarem também radicalmente numa atitude de desinteresse por aquilo que é pedido. Encontrar esse ponto de equilíbrio não é nada fácil, mas é a base do processo educativo, acreditem.
M.L.
Emails
Podemos classificar nossos amigos de diversas maneiras conforme os mails que nos enviam.
Amigos "On-Line":
Mal acabamos de enviar um mail a resposta já está de volta.
Amigos "Off-Line":
Depois de um ano e oito meses a resposta vem... e sem referência.
Amigos "ADSL":
Aqueles que pensam que toda a gente tem banda larga. Só mandam mails enormes com animações em flash, vídeos, mp3, mpeg, etc...
Amigos "Tarados":
Só mandam badalhoquices, incluindo animais e bizarrias. Quase nos matam de vergonha quando abrimos os mails deles com alguém nas redondezas.
Amigos "Vale a pena ver de novo":
Aqueles que nos mandam aqueles mails que circulam na internet há mais de cinquenta anos como se fosse a primeira vez. Depois de seis meses, voltam a mandar.
Amigos "Fox Mulder":
Acreditam em todas teorias de conspiração e reenviam-nas para toda gente. Ainda fazem o comentário para todos lerem com atenção.
Amigos "Madre Tereza":
Estão sempre a enviar mails de pessoas com doenças, crianças desaparecidas, necessidade de dadores de sangue, etc.
Amigos "Paulo Coelho":
Enviam permanentemente totens, correntes, esoterismo, numerologias, etc.
Amigos "de Peniche":
Mandamo-lhes dez mails e eles não retribuem nem com meio.
Amigos "Bin Laden":
Só mandam mails bomba: ou têm vírus ou não abrem.
Amigos "Telegrama":
Nao usam acentuacao nem pontuacao
Amigos "Morse":
Aq q so sb esc em cod.
Amigos "Só Quando Precisam":
Aqueles que só se lembram de te mandar mails se for para pedir alguma coisa.
Amigos "Jack in the Box":
Encaminham o texto dentro de um anexo, que está dentro de um anexo, que está dentro de um anexo, que está dentro de um anexo, que está entro de...
Amigos "Sem Noção":
Mandam no mínimo 118 mails por dia. Pensam que temos bastante tempo para os ler.
M.L.
Amigos "On-Line":
Mal acabamos de enviar um mail a resposta já está de volta.
Amigos "Off-Line":
Depois de um ano e oito meses a resposta vem... e sem referência.
Amigos "ADSL":
Aqueles que pensam que toda a gente tem banda larga. Só mandam mails enormes com animações em flash, vídeos, mp3, mpeg, etc...
Amigos "Tarados":
Só mandam badalhoquices, incluindo animais e bizarrias. Quase nos matam de vergonha quando abrimos os mails deles com alguém nas redondezas.
Amigos "Vale a pena ver de novo":
Aqueles que nos mandam aqueles mails que circulam na internet há mais de cinquenta anos como se fosse a primeira vez. Depois de seis meses, voltam a mandar.
Amigos "Fox Mulder":
Acreditam em todas teorias de conspiração e reenviam-nas para toda gente. Ainda fazem o comentário para todos lerem com atenção.
Amigos "Madre Tereza":
Estão sempre a enviar mails de pessoas com doenças, crianças desaparecidas, necessidade de dadores de sangue, etc.
Amigos "Paulo Coelho":
Enviam permanentemente totens, correntes, esoterismo, numerologias, etc.
Amigos "de Peniche":
Mandamo-lhes dez mails e eles não retribuem nem com meio.
Amigos "Bin Laden":
Só mandam mails bomba: ou têm vírus ou não abrem.
Amigos "Telegrama":
Nao usam acentuacao nem pontuacao
Amigos "Morse":
Aq q so sb esc em cod.
Amigos "Só Quando Precisam":
Aqueles que só se lembram de te mandar mails se for para pedir alguma coisa.
Amigos "Jack in the Box":
Encaminham o texto dentro de um anexo, que está dentro de um anexo, que está dentro de um anexo, que está dentro de um anexo, que está entro de...
Amigos "Sem Noção":
Mandam no mínimo 118 mails por dia. Pensam que temos bastante tempo para os ler.
M.L.
sexta-feira, 5 de março de 2004
Tonino Guerra
(reescrevendo O Mel)
Terá chovido durante cem dias e a água infiltrada
pelas raízes das ervas
chegou à biblioteca banhando as palavras
guardadas
Quando tornou o bom tempo,
o jovem
levou os livros todos por uma escada até ao telhado
e abriu-os ao sol para que o ar quente
enxugasse o papel molhado.
Um mês de boa estação passou
esperava dos livros um sinal de vida.
Uma manhã finalmente as páginas começaram
a ondular ligeiras no sopro do vento
parecia que tinha chegado um enxame aos telhados
e ele chorava porque os livros falavam.
zé
Terá chovido durante cem dias e a água infiltrada
pelas raízes das ervas
chegou à biblioteca banhando as palavras
guardadas
Quando tornou o bom tempo,
o jovem
levou os livros todos por uma escada até ao telhado
e abriu-os ao sol para que o ar quente
enxugasse o papel molhado.
Um mês de boa estação passou
esperava dos livros um sinal de vida.
Uma manhã finalmente as páginas começaram
a ondular ligeiras no sopro do vento
parecia que tinha chegado um enxame aos telhados
e ele chorava porque os livros falavam.
zé
Cá no Paraíso
Lido no D.N. que segundo a Marktest:
«Dois terços dos portugueses querem uma remodelação imediata no Governo de Durão Barroso, contra 29% que se dispõe a esperar pelas eleições europeias para ver mexidas no elenco ministerial»
e ainda
«Entre os nomes que ocupam as cadeiras governamentais, Manuela Ferreira Leite surge destacada: com os portugueses a decidir, a ministra das Finanças seria a primeira a deixar o cargo. Os inquiridos não perdoam a Ferreira Leite as dificuldades económicas dos últimos tempos - 32,7% defende a sua saída. Curiosamente, são as classe alta e média-alta que mais penalizam a ministra das Finanças: 34% contra 32,5 da classe média-baixa/baixa.»
Será difícil perceber que, como já disse bastante mais atrás, isto está cada vez mais a parecer um país do 3º mundo, com a classe média a desaparecer? Os "um bocadinho ricos" já estão a pagar a crise.
M.L.
«Dois terços dos portugueses querem uma remodelação imediata no Governo de Durão Barroso, contra 29% que se dispõe a esperar pelas eleições europeias para ver mexidas no elenco ministerial»
e ainda
«Entre os nomes que ocupam as cadeiras governamentais, Manuela Ferreira Leite surge destacada: com os portugueses a decidir, a ministra das Finanças seria a primeira a deixar o cargo. Os inquiridos não perdoam a Ferreira Leite as dificuldades económicas dos últimos tempos - 32,7% defende a sua saída. Curiosamente, são as classe alta e média-alta que mais penalizam a ministra das Finanças: 34% contra 32,5 da classe média-baixa/baixa.»
Será difícil perceber que, como já disse bastante mais atrás, isto está cada vez mais a parecer um país do 3º mundo, com a classe média a desaparecer? Os "um bocadinho ricos" já estão a pagar a crise.
M.L.
Civismo, Educação e Estacionamento
Conduzir um automóvel é um dos actos mais sérios da vida em sociedade. Por isso é que para se ter licença de o fazer, se tem de tirar uma carta de condução. É certo que nos podemos imaginar num rali através do deserto onde tudo é nosso, mas desçamos à terra e temos de concluir que a esmagadora maioria dos condutores o faz em estradas ou ruas onde circulam os seus semelhantes. Sabendo isto, acho que tanto ou mais importante que fazer obedecer às nossas ordens o”bicho” onde nos sentamos, é respeitar os direitos dos que connosco partilham as mesmas estradas ou ruas.
É certo que o estacionamento em Lisboa é, no mínimo, difícil. São raros os prédios com garagens, os parques são poucos, e os gratuitos pouquíssimos. A EMEL lá disciplina através de pagamentos o pequeno estacionamento que vamos encontrando. E sabemos como os seus fiscais andam de cronómetro em punho a controlar se o tempo que pagámos foi ultrapassado. Por isso, porque até sou cumpridora, goste ou não goste, me irrita profundamente uma classe de “chicos espertos” que descobriram a pólvora: quando precisam de ir a qualquer sítio, não estão de modas, deixam o carrinho onde lhes dá jeito com os 4 piscas ligados (às vezes nem sequer isso) e vão à sua vida. Eu tenho reparado, que se dão até ao luxo de ligar o alarme. Não é ir num pulo comprar o jornal, ou tocar à campainha para o filho descer a escada. Ná. É mesmo para ir almoçar, cortar o cabelo, escolher a prenda para o dia da mãe...
Desculpem, mas eu passo-me completamente com as segundas filas. Já tenho ficado bloqueada (eu, que PAGUEI O ESTACIONAMENTO! ou às vezes à porta da minha casa) mais de meia hora até à chegada do meu carcereiro, calmamente a palitar os dentes. E o curioso é que creio que a EMEL nestes casos não actual porque eles não estão a ocupar o “seu” espaço. É claro. Estão a ocupar é a faixa de rodagem!
M.L.
É certo que o estacionamento em Lisboa é, no mínimo, difícil. São raros os prédios com garagens, os parques são poucos, e os gratuitos pouquíssimos. A EMEL lá disciplina através de pagamentos o pequeno estacionamento que vamos encontrando. E sabemos como os seus fiscais andam de cronómetro em punho a controlar se o tempo que pagámos foi ultrapassado. Por isso, porque até sou cumpridora, goste ou não goste, me irrita profundamente uma classe de “chicos espertos” que descobriram a pólvora: quando precisam de ir a qualquer sítio, não estão de modas, deixam o carrinho onde lhes dá jeito com os 4 piscas ligados (às vezes nem sequer isso) e vão à sua vida. Eu tenho reparado, que se dão até ao luxo de ligar o alarme. Não é ir num pulo comprar o jornal, ou tocar à campainha para o filho descer a escada. Ná. É mesmo para ir almoçar, cortar o cabelo, escolher a prenda para o dia da mãe...
Desculpem, mas eu passo-me completamente com as segundas filas. Já tenho ficado bloqueada (eu, que PAGUEI O ESTACIONAMENTO! ou às vezes à porta da minha casa) mais de meia hora até à chegada do meu carcereiro, calmamente a palitar os dentes. E o curioso é que creio que a EMEL nestes casos não actual porque eles não estão a ocupar o “seu” espaço. É claro. Estão a ocupar é a faixa de rodagem!
M.L.
Piadinha
Recebida de FW
Um alemão, um francês, um inglês e um português comentam sobre um
quadro de Adão e Eva no Paraíso.
O alemão disse:
- Olhem que perfeição de corpos: ela esbelta e espigada, ele com este
corpo atlético, os músculos perfilados... Devem ser alemães.
Imediatamente, o francês reagiu
- Não acredito. É evidente o Erotismo que se desprende de ambas as
figuras... ela tão feminina... ele tão masculino... Sabem que em breve
chegará a tentação... Devem ser franceses.
Movendo negativamente a cabeça, o inglês comenta:
- Que nada! Notem... a serenidade dos seus rostos, a delicadeza da
pose, a sobriedade do gesto. Só podem ser ingleses.
Depois de alguns segundos mais de contemplação, o português exclama:
- Não concordo. Olhem bem: não têm roupa, não têm sapatos, não têm
casa, só têm uma triste maçã para comer, com um 1º ministro que os pôs de
tanga, não protestam e ainda pensam que estão no Paraíso.
Só podem ser Portugueses!!!!
M.L.
Um alemão, um francês, um inglês e um português comentam sobre um
quadro de Adão e Eva no Paraíso.
O alemão disse:
- Olhem que perfeição de corpos: ela esbelta e espigada, ele com este
corpo atlético, os músculos perfilados... Devem ser alemães.
Imediatamente, o francês reagiu
- Não acredito. É evidente o Erotismo que se desprende de ambas as
figuras... ela tão feminina... ele tão masculino... Sabem que em breve
chegará a tentação... Devem ser franceses.
Movendo negativamente a cabeça, o inglês comenta:
- Que nada! Notem... a serenidade dos seus rostos, a delicadeza da
pose, a sobriedade do gesto. Só podem ser ingleses.
Depois de alguns segundos mais de contemplação, o português exclama:
- Não concordo. Olhem bem: não têm roupa, não têm sapatos, não têm
casa, só têm uma triste maçã para comer, com um 1º ministro que os pôs de
tanga, não protestam e ainda pensam que estão no Paraíso.
Só podem ser Portugueses!!!!
M.L.
quinta-feira, 4 de março de 2004
Vida? ... mas qual Vida ?
Uma coisa que me incomoda nestes movimentos “Pró-vida” (ou pró-prisão como os adversários lhe chamam) é que enchem muito a boca com todos os possíveis Apoios ou Ajudas à Grávida, mas não falam na Ajuda à Criança.
Ora, pelo que entendo, a mulher que não deseja uma gravidez não é pela gravidez em si, isso são 9 meses que se passam com maior ou menor incómodo. O grave é depois.
É o preço exorbitante dos infantários, porque os oficiais são quase inexistentes. É o custo do vestuário e das fraldas. É o arranjar tempo para dar a verdadeira atenção que qualquer criança merece. É o comprar e preparar convenientemente a sua alimentação. É a disponibilidade e paciência para a educar com valores e regras correctas. É conseguir que o patrão lhe dê as férias de acordo com as férias escolares. É tempo e capacidade para o acompanhar nas suas aprendizagens escolares.
...bem, acho que paro aqui, porque já me entenderam.
Um filho é algo de precioso que, quando vem no momento certo, parece um milagre. Quando o desejamos, a nossa vida reorganiza-se em função dele, tudo vale a pena, é magicamente o centro dos nossos interesses. Mas para que isso suceda os pais não podem pensar que é “um sacrifício”. Quando tal acontece, a criança não é amada, e com isso sim, com isso era importante preocuparmo-nos. Toda a criança tem o direito a ser amada. Tem o direito a ter os seus bens fundamentais – comida, teto e agasalho – mas sobretudo afecto dos adultos que cuidam dela. E disso não me parece que os “Pró-vida” cuidem lá muito. Não nos esqueçamos que estes movimentos nascem numa Direita, que em Espanha gritava “Viva la Muerte!”
M.L.
Ora, pelo que entendo, a mulher que não deseja uma gravidez não é pela gravidez em si, isso são 9 meses que se passam com maior ou menor incómodo. O grave é depois.
É o preço exorbitante dos infantários, porque os oficiais são quase inexistentes. É o custo do vestuário e das fraldas. É o arranjar tempo para dar a verdadeira atenção que qualquer criança merece. É o comprar e preparar convenientemente a sua alimentação. É a disponibilidade e paciência para a educar com valores e regras correctas. É conseguir que o patrão lhe dê as férias de acordo com as férias escolares. É tempo e capacidade para o acompanhar nas suas aprendizagens escolares.
...bem, acho que paro aqui, porque já me entenderam.
Um filho é algo de precioso que, quando vem no momento certo, parece um milagre. Quando o desejamos, a nossa vida reorganiza-se em função dele, tudo vale a pena, é magicamente o centro dos nossos interesses. Mas para que isso suceda os pais não podem pensar que é “um sacrifício”. Quando tal acontece, a criança não é amada, e com isso sim, com isso era importante preocuparmo-nos. Toda a criança tem o direito a ser amada. Tem o direito a ter os seus bens fundamentais – comida, teto e agasalho – mas sobretudo afecto dos adultos que cuidam dela. E disso não me parece que os “Pró-vida” cuidem lá muito. Não nos esqueçamos que estes movimentos nascem numa Direita, que em Espanha gritava “Viva la Muerte!”
M.L.
Espero que seja notícia de abertura
Acabo de ouvir uma notícia magnífica na rádio. Tenho uma dúvida – será que será aproveitada para abertura de todos os telejornais da noite?
O que acabei de ouvir, é que uma equipa médica conseguiu re-implantar um braço amputado num jovem que o tinha perdido há 9 dias. Após um acidente de carro o jovem ficou sem um braço o qual se tentou colocar de imediato. Mas uma grave infecção impediu o sucesso dessa operação. Portanto os médicos “colaram” esse membro a uma perna, mantendo os principais canais de circulação em funcionamento, e quando a infecção se considerou ultrapassada, voltaram a implantar o braço.
Eu nem imagino as dificuldades que estarão inerentes a esta operação! Mas parece-me “magia científica” todo este processo. Fico maravilhada que tal se tenha podido realizar, e são casos como este que me voltam a dar confiança na raça humana e na ciência. O progresso científico é qualquer coisa de deslumbrante quando, como neste caso, é orientado para a melhoria de vida.
Vamos ver se logo à noite os noticiários abrem com esta notícia ou com o Benfica.
M.L.
O que acabei de ouvir, é que uma equipa médica conseguiu re-implantar um braço amputado num jovem que o tinha perdido há 9 dias. Após um acidente de carro o jovem ficou sem um braço o qual se tentou colocar de imediato. Mas uma grave infecção impediu o sucesso dessa operação. Portanto os médicos “colaram” esse membro a uma perna, mantendo os principais canais de circulação em funcionamento, e quando a infecção se considerou ultrapassada, voltaram a implantar o braço.
Eu nem imagino as dificuldades que estarão inerentes a esta operação! Mas parece-me “magia científica” todo este processo. Fico maravilhada que tal se tenha podido realizar, e são casos como este que me voltam a dar confiança na raça humana e na ciência. O progresso científico é qualquer coisa de deslumbrante quando, como neste caso, é orientado para a melhoria de vida.
Vamos ver se logo à noite os noticiários abrem com esta notícia ou com o Benfica.
M.L.
Mistérios que me ultrapassam
Entendo pouco ( para não confessar que quase nada) dessas coisas de audiências e shares que servem para avaliar os programas de TV. Quero dizer, entendo o que o senso comum também entende - ter audiência quer dizer muita gente a assistir. E por isso, há certos resultados que não consigo engolir por muito que me esforce.
Que as telenovelas tenham grande audiência, percebe-se. Alguns concursos, enfim, também. Algumas séries um bocado tontas, faz sentido que sejam vistas. Mas, em nome de quê, por alma de quem, é que um concurso chamado “O Preço Certo em Euros” está entre os 10 programas mais vistos ? O enredo aliciante é este:
Tres ou quatro concorrentes tiram uns números numa tômbola, e o que tirar o número mais alto ganha. Primeira parte.
O que ganhou vai olhar para uma série de objectos de valor variável, entre viagens, aparelhagens, carro, mobílias, malas, uma colecção de coisas mais ou menos inúteis, e depois deve adivinhar quanto custa aquela tralha toda. Segunda parte.
Ah ! Pode ser ajudado por uns amigos que da plateia lhe vão berrando em altas vozes os seus palpites. Pronto. O concorrente lá diz o que lhe parece e, imagine-se (!) ou ganha ou...perde. Que emocionante. Como é que esta coisa é uma das 10 mais vistas nos nossos 4 canais ? ? ?
M.L
Que as telenovelas tenham grande audiência, percebe-se. Alguns concursos, enfim, também. Algumas séries um bocado tontas, faz sentido que sejam vistas. Mas, em nome de quê, por alma de quem, é que um concurso chamado “O Preço Certo em Euros” está entre os 10 programas mais vistos ? O enredo aliciante é este:
Tres ou quatro concorrentes tiram uns números numa tômbola, e o que tirar o número mais alto ganha. Primeira parte.
O que ganhou vai olhar para uma série de objectos de valor variável, entre viagens, aparelhagens, carro, mobílias, malas, uma colecção de coisas mais ou menos inúteis, e depois deve adivinhar quanto custa aquela tralha toda. Segunda parte.
Ah ! Pode ser ajudado por uns amigos que da plateia lhe vão berrando em altas vozes os seus palpites. Pronto. O concorrente lá diz o que lhe parece e, imagine-se (!) ou ganha ou...perde. Que emocionante. Como é que esta coisa é uma das 10 mais vistas nos nossos 4 canais ? ? ?
M.L
quarta-feira, 3 de março de 2004
Coerência a quanto obrigas
Ao ler um post do Barnabé onde se citava o comportamento do autarca Avelino Ferreira Torres e as suas nulas consequências, encontrei um comentário engraçado. Alguém, pessoa de certo cordata, bem educada, e de sensibilidade disse:
“Eu gosto do Avelino Ferreira Torres! É um homem com personalidade e carácter que não tem medo de dizer o que pensa, ao contrário de vocês que se escondem num blog para aquilo que não têm coragem de dizer em pessoa....já nem falo dos que assinam com nicknames. É muito mais fácil quando ninguém sabe quem somos, não é?”
Querem saber onde está a graça? É que este comentador que não “se esconde” com nickname, chama-se António Matos, e não deixa endereço no que escreve. Só por curiosidade fui procurar no 118 pt e a resposta foi que o universo era excessivamente grande para procederem à busca. Ainda limitei à zona de Lisboa e a resposta foi a mesma. Portanto este valente, que dá a cara, assina com um primeiro nome e um apelido dos mais vulgares em Portugal! Assim sim, isto é coragem!
M.L.
“Eu gosto do Avelino Ferreira Torres! É um homem com personalidade e carácter que não tem medo de dizer o que pensa, ao contrário de vocês que se escondem num blog para aquilo que não têm coragem de dizer em pessoa....já nem falo dos que assinam com nicknames. É muito mais fácil quando ninguém sabe quem somos, não é?”
Querem saber onde está a graça? É que este comentador que não “se esconde” com nickname, chama-se António Matos, e não deixa endereço no que escreve. Só por curiosidade fui procurar no 118 pt e a resposta foi que o universo era excessivamente grande para procederem à busca. Ainda limitei à zona de Lisboa e a resposta foi a mesma. Portanto este valente, que dá a cara, assina com um primeiro nome e um apelido dos mais vulgares em Portugal! Assim sim, isto é coragem!
M.L.
Tadinho do Jet-Set...
Como creio que faz toda a gente, também eu quando compro o jornal dou uma olhadela pela papelada que está pendurada no quiosque. É mesmo por isso que se fazem títulos de artigos tão apelativos. Para despertar o interesse e obrigar a comprar o jornal confirmando aquilo que o título diz ( como todos sabemos é um truque, grande parte das vezes o conteúdo é bem diferente e apetece pedir um reembolso).
E, os do género tabloide, até têm títulos que, por mais distraído que se esteja, chamam mesmo a atenção! O que faz que me tenha preocupado ultimamente com os perigos que pairam pelo nosso Jet-Set.
Vejo a Lili Caneças que, com uma marrada no chão podia ter ido desta para melhor, segundo a própria. Lá se comparou ao Feher, o que dá para suspeitar que também se imaginaria com a repercussão mediática que o jogador teve. Fiquei logo impressionada a imaginar ver em todos os telejornais, e por repetidas vezes, a cabecinha da Lili a dar no chão. Mas a providência poupou-nos a tal provação.
Agora leio que o mordomo do Sr. Castelo Branco lhe ia dando com um ferro de engomar. Ai, ai, que é coisa pesada! Os mordomos são terríveis. É por isso que eu não quero ter nenhum. Se esta estrela do nosso firmamento também fosse para os anjinhos como é que nos abastecíamos de jóias que tanta falta nos fazem? Parece que ele as traz aos quilos para uso pessoal, mas como é bom rapaz sempre as cede aos amigos a preço de fábrica.
Estas duas notícias fizeram-me esquecer deficits, aborto, eleições, desemprego, Haiti, Iraque, esses problemas menores que às vezes me ocorrem. Não há como uma boa chamada de atenção para as coisas graves da vida.
M.L.
E, os do género tabloide, até têm títulos que, por mais distraído que se esteja, chamam mesmo a atenção! O que faz que me tenha preocupado ultimamente com os perigos que pairam pelo nosso Jet-Set.
Vejo a Lili Caneças que, com uma marrada no chão podia ter ido desta para melhor, segundo a própria. Lá se comparou ao Feher, o que dá para suspeitar que também se imaginaria com a repercussão mediática que o jogador teve. Fiquei logo impressionada a imaginar ver em todos os telejornais, e por repetidas vezes, a cabecinha da Lili a dar no chão. Mas a providência poupou-nos a tal provação.
Agora leio que o mordomo do Sr. Castelo Branco lhe ia dando com um ferro de engomar. Ai, ai, que é coisa pesada! Os mordomos são terríveis. É por isso que eu não quero ter nenhum. Se esta estrela do nosso firmamento também fosse para os anjinhos como é que nos abastecíamos de jóias que tanta falta nos fazem? Parece que ele as traz aos quilos para uso pessoal, mas como é bom rapaz sempre as cede aos amigos a preço de fábrica.
Estas duas notícias fizeram-me esquecer deficits, aborto, eleições, desemprego, Haiti, Iraque, esses problemas menores que às vezes me ocorrem. Não há como uma boa chamada de atenção para as coisas graves da vida.
M.L.
Volta, Afonso Costa!
A lei da despenalização do aborto vai a discussão. É correcto que os media falem e informem sobre o assunto, é o que se esperava do seu profissionalismo. O que eu não esperava era ouvir, logo de manhã, na Antena 1, uma investigação jornalística sobre... o que pensam as igrejas sobre o assunto. Qual o interesse para o caso? Primeiro já se sabe essa opinião até à exaustão. E, eu julgava, que tirando o tempo sinistro da “Concordata”, aqui em Portugal a Igreja estava separada do Estado. As leis civis são uma coisa e as leis religiosas outra. Será que a repórter não quer alargar o estudo sobre o que acha a igreja sobre o divórcio? E já agora bani-lo do código civil? E como foi questionar um muçulmano sobre o tema, que tal saber o que pensa sobre os direitos da mulher?
É evidente que quem for católico deverá seguir os mandamentos da sua igreja. É lá com ele. Aliás, neste assunto, é uma grande vantagem para este tipo de famílias. Já viram? Quem controla os nascimentos terá um, dois, filhos. E como os tempos estão maus já há uma maioria de filhos únicos. Os outros naturalmente que terão dez ou quinze, não é? De modo que se tudo isto não fosse uma grande treta, os mais conservadores multiplicavam-se como coelhos e os outros extinguiam-se naturalmente. Era esperar uns tempos e o problema estava resolvido. Qual referendo, qual quê! Era só uma questão de tempo.
M.L.
É evidente que quem for católico deverá seguir os mandamentos da sua igreja. É lá com ele. Aliás, neste assunto, é uma grande vantagem para este tipo de famílias. Já viram? Quem controla os nascimentos terá um, dois, filhos. E como os tempos estão maus já há uma maioria de filhos únicos. Os outros naturalmente que terão dez ou quinze, não é? De modo que se tudo isto não fosse uma grande treta, os mais conservadores multiplicavam-se como coelhos e os outros extinguiam-se naturalmente. Era esperar uns tempos e o problema estava resolvido. Qual referendo, qual quê! Era só uma questão de tempo.
M.L.
terça-feira, 2 de março de 2004
Sigamos o ...cherne?... o papel?
Depois de uma reunião exaustiva de 4, 5, 6, nem sei quantas horas, trago comigo esta pérola que diz bem do sistema onde nada a Administração Pública cá da terra.
Quem trabalha há anos na função pública já tem a consciência de que grande parte do mau funcionamento da dita, se deve ao excesso de hierarquia, à não delegação de competências, o que tem como consequência um "engarrafamento" enorme de papelada que tem sempre de ir "à consideração superior". E cada superior tem outro superior o que nos dá a impressão de que Kafka vivia num mundo cor-de-rosa comparado com o nosso.
Mas passemos adiante, que este é assunto para cá voltar mas não era disto que queria falar. Nessa famosa reunião interminável, abordando o problema de propostas que se fazem e nunca têm resposta, ou pedidos que desaparecem, ou documentos para nós importantes e que ficam esquecidos, dizia uma senhora com responsabilidades e pretendendo ajudar e ensinar: “É que não se devem esquecer que devem sempre seguir o papel!” Como ? Devemos seguir o papel ??? Ainda olhei para o lado a pensar que o cansaço me tinha feito ouvir mal. Mas era isso mesmo. Um técnico, um quadro, esforça-se por elaborar um documento, fundamenta-o, etc. mas nada feito se depois não for atrás dele até chegar a alguém que lhe dê a resposta. Assim a modos que um Hercule Poirot dos documentos... Ouve-se, e não se acredita! É mesmo uma Administração Pública expedita e funcional, não é?
M.L.
Quem trabalha há anos na função pública já tem a consciência de que grande parte do mau funcionamento da dita, se deve ao excesso de hierarquia, à não delegação de competências, o que tem como consequência um "engarrafamento" enorme de papelada que tem sempre de ir "à consideração superior". E cada superior tem outro superior o que nos dá a impressão de que Kafka vivia num mundo cor-de-rosa comparado com o nosso.
Mas passemos adiante, que este é assunto para cá voltar mas não era disto que queria falar. Nessa famosa reunião interminável, abordando o problema de propostas que se fazem e nunca têm resposta, ou pedidos que desaparecem, ou documentos para nós importantes e que ficam esquecidos, dizia uma senhora com responsabilidades e pretendendo ajudar e ensinar: “É que não se devem esquecer que devem sempre seguir o papel!” Como ? Devemos seguir o papel ??? Ainda olhei para o lado a pensar que o cansaço me tinha feito ouvir mal. Mas era isso mesmo. Um técnico, um quadro, esforça-se por elaborar um documento, fundamenta-o, etc. mas nada feito se depois não for atrás dele até chegar a alguém que lhe dê a resposta. Assim a modos que um Hercule Poirot dos documentos... Ouve-se, e não se acredita! É mesmo uma Administração Pública expedita e funcional, não é?
M.L.
Nem todos os gostos são iguais
Já percebi algumas coisas aqui da blogosfera e uma delas é que, quanto a gostos cinematográficos, é cada um por si. Das primeiras vezes ainda pensei, ao ler uma opinião de um blogger que apreciava, que “podia ir por ele”. Passou-se isso com um filme, depois com dois, e a partir do terceiro comecei a desconfiar. É estranho mas a regra tem sido – do que os outros gostam eu também costumo gostar, mas muitas vezes vou mais além e aprecio o que eles acham mau. Devo ser acomodatícia, o que se chama “boa boca”. Mas, ná... não é bem assim, porque também falam de muita coisa que não me diz nada, mesmo filmes com algum prestígio. Resumindo, são mesmo gostos.
Esta conversa vem a propósito de um post no “Natureza do Mal”, blog que de uma forma geral eu aprecio, e que desanca completamente o Something’s Gotta Give, avisando para não se ir lá perder tempo e dinheiro, que “devia ter desconfiado quando viu a sala cheia”, o filme é “uma nulidade”, “uma vacuidade de mau gosto”, “uma comédia pornográfica”. Bom, chega de citações. Até parecia que lhe tinha uma raiva especial! Eu, felizmente, vi o filme antes de ler este comentário porque era óbvio que não tinha ido lá e tinha perdido uma excelente comédia.
"Alguém tem de ceder" ( o título não é famoso não ), perdoe-me o Natureza do Mal mas tem muita graça, os actores estão no registo que lhes é pedido, e a Diane Keaton não é de modo nenhum “ridícula” como ele acha, faz uma magnífica mulher da sua idade. Está belíssima. Os homens sim, são um bocado ridicularizados, mas ele ainda deve ser muito novo para sentir essas dores... Só tive pena que a Diane não tivesse ficado mesmo com o jovem médico.
Este é o filme que vinga as tais mulheres de 50 que são trocadas por 2 de 25.
M.L.
Esta conversa vem a propósito de um post no “Natureza do Mal”, blog que de uma forma geral eu aprecio, e que desanca completamente o Something’s Gotta Give, avisando para não se ir lá perder tempo e dinheiro, que “devia ter desconfiado quando viu a sala cheia”, o filme é “uma nulidade”, “uma vacuidade de mau gosto”, “uma comédia pornográfica”. Bom, chega de citações. Até parecia que lhe tinha uma raiva especial! Eu, felizmente, vi o filme antes de ler este comentário porque era óbvio que não tinha ido lá e tinha perdido uma excelente comédia.
"Alguém tem de ceder" ( o título não é famoso não ), perdoe-me o Natureza do Mal mas tem muita graça, os actores estão no registo que lhes é pedido, e a Diane Keaton não é de modo nenhum “ridícula” como ele acha, faz uma magnífica mulher da sua idade. Está belíssima. Os homens sim, são um bocado ridicularizados, mas ele ainda deve ser muito novo para sentir essas dores... Só tive pena que a Diane não tivesse ficado mesmo com o jovem médico.
Este é o filme que vinga as tais mulheres de 50 que são trocadas por 2 de 25.
M.L.
100 sites já aderiram à campanha digital!
Sara Cacao
Mais de 100 sites em Portugal já aderiram à Campanha Digital Contra o Preconceito a LGBT.
A rede ex aequo, a Associação de jovens lésbicas, gays, bissexuais, transgéneros e simpatizantes, lançou no passado dia 1 de Junho de 2003 uma campanha digital contra o preconceito dirigido à população em geral.
A realização desta iniciativa primeiro no Brasil, e logo adaptada em Portugal e a sua adesão, são reflexo de uma consciência cada vez maior entre todos de que a orientação sexual e identidade de género não devem ser motivo de discriminação, assim como o reconhecimento dos direitos individuais e colectivos da comunidade LGBT.
Até ao momento mais de 100 sites portugueses aderiram a esta campanha. Conscientes da importância da temática LGBT, o site, apresenta nas suas páginas, banners que contêm frases que pretendem levar o cibernauta, não só a pensar sobre as mesmas e a reflectir sobre o preconceito existente para com a população LGBT, mas também ao clicar nos banners irão aceder à página da campanha onde é possível encontrar respostas às questões e dúvidas sobre os assuntos de temática LGBT.

segunda-feira, 1 de março de 2004
Lucidez, que refrescante!
Toca o telefone e um amigo avisa-me “Liga para o NTV, tá a falar o Machado Vaz sobre o tipo do Algarve!” Percebo logo o que ele quer dizer porque tínhamos estado a falar esta tarde do mesmo. Corro para o televisor e ainda apanho quase tudo do programa Amores do Machado Vaz e Gabriela Moita. Que alívio, uma opinião fundamentada, clara, lúcida, e ainda por cima sem azedume. Aqueles dois tiveram apenas a ironia q.b. porque era impossível não a ter mas, depois do que ali disseram acredito que muita gente, pelo menos pense duas vezes antes de falar com ligeireza sobre o assunto. Desta vez houve a serenidade de profissionais.
Que todos somos vítimas de estereotipos culturais não é novidade. Que em assuntos de famílias, cada um defende aquilo que lhe soa melhor, também será normal. Mas onde o Machado Vaz foi muito claro e foi importante ouvi-lo, é que um técnico não pode falar de assuntos da sua formação como se não fosse especialista. Ou é, e não pode dizer disparates, ou não é e não pode ser referenciado como se o fosse. Estou a ser obscura? Se o tal senhor do Algarve fosse citado como o major Villas Boas, poderia falar de comportamentos “normais” que pensaríamos que estava a falar para a tropa; se fôr citado como psicólogo Villas Boas então creio que os seus colegas de profissão podem e devem sair a terreiro. Foi bom ouvir o Machado Vaz e a Gabriela Moita.
M.L.
Que todos somos vítimas de estereotipos culturais não é novidade. Que em assuntos de famílias, cada um defende aquilo que lhe soa melhor, também será normal. Mas onde o Machado Vaz foi muito claro e foi importante ouvi-lo, é que um técnico não pode falar de assuntos da sua formação como se não fosse especialista. Ou é, e não pode dizer disparates, ou não é e não pode ser referenciado como se o fosse. Estou a ser obscura? Se o tal senhor do Algarve fosse citado como o major Villas Boas, poderia falar de comportamentos “normais” que pensaríamos que estava a falar para a tropa; se fôr citado como psicólogo Villas Boas então creio que os seus colegas de profissão podem e devem sair a terreiro. Foi bom ouvir o Machado Vaz e a Gabriela Moita.
M.L.
Óscars e ilusões
Como já disse um pouco mais atrás, nunca se pode agradar a todos e muitas vezes somos “presos por ter cão ou presos por o não ter”.
Mas custa a acreditar nos Óscares deste ano.
É certo que não vi todos os filmes nomeados. Também é verdade que não sou especialista de cinema. Mas posso considerar-me uma espectadora informada. Até vi e gostei de “O Senhor dos Aneis”. Tenho o defeito de apreciar ficção científica ( embora, nem por isso, em cinema; prefiro-a escrita) se por acaso aquela saga se pode inscrever nessa categoria. Sim senhor, fui ver e gostei mais da 3ª parte. Não chego ao ponto de lhe chamar um gigantesco jogo de vídeo. Mas, senhor!, limpar quase todas as categorias para que foi nomeado!!! Se não é a máquina comercial a funcionar não sei o que lhe chamar.
Vá lá que ainda ficou alguma coisa para o Mistic River e Lost in Translation. É para o desalento não ser total.
M.L
Mas custa a acreditar nos Óscares deste ano.
É certo que não vi todos os filmes nomeados. Também é verdade que não sou especialista de cinema. Mas posso considerar-me uma espectadora informada. Até vi e gostei de “O Senhor dos Aneis”. Tenho o defeito de apreciar ficção científica ( embora, nem por isso, em cinema; prefiro-a escrita) se por acaso aquela saga se pode inscrever nessa categoria. Sim senhor, fui ver e gostei mais da 3ª parte. Não chego ao ponto de lhe chamar um gigantesco jogo de vídeo. Mas, senhor!, limpar quase todas as categorias para que foi nomeado!!! Se não é a máquina comercial a funcionar não sei o que lhe chamar.
Vá lá que ainda ficou alguma coisa para o Mistic River e Lost in Translation. É para o desalento não ser total.
M.L
Haiti ? Iraque?
É engraçado como é obvio "dois peses e duas medidas".
As Nações Unidas mandam para o Haiti uma força para restabelecer a paz. Desta vez, mesmo sendo ali ao pé da porta, os Estados Unidos ( quero dizer a sua Administração) não tiveram aquela pressa toda que há um ano tiveram para ir "levar a democracia" ao Iraque.
Desta vez deixaram que a O.N.U. fizesse o seu papel.
É claro que é assim que deve ser. A O.N.U. devia servir para isso mesmo - e é pena que só agora interviessem. Contudo permanece a dúvida: o Haiti era um regime democrático? Foi-no alguma vez? E nem um embargozinho, como a Cuba?
Pois é. Uns são filhos, ouros enteados.
M.L.
As Nações Unidas mandam para o Haiti uma força para restabelecer a paz. Desta vez, mesmo sendo ali ao pé da porta, os Estados Unidos ( quero dizer a sua Administração) não tiveram aquela pressa toda que há um ano tiveram para ir "levar a democracia" ao Iraque.
Desta vez deixaram que a O.N.U. fizesse o seu papel.
É claro que é assim que deve ser. A O.N.U. devia servir para isso mesmo - e é pena que só agora interviessem. Contudo permanece a dúvida: o Haiti era um regime democrático? Foi-no alguma vez? E nem um embargozinho, como a Cuba?
Pois é. Uns são filhos, ouros enteados.
M.L.
"Doenças de Homens"
Para os amigos do BdE onde parece que anda tudo constipado...
( e sinceros desejos de melhoras)
Pachos na testa,
terço na mão,
uma botija,
chá de limão
Zaragatoas,
vinho com mel,
três aspirinas,
creme na pele
Grito de medo,
chamo a mulher :
Ai Lurdes Lurdes
que vou morrer !
Mede-me a febre,
vê-me a goela,
cala os miúdos,
fecha a janela.
Não quero canja,
nem a salada,
Ai Lurdes, Lurdes,
não vales nada !
Se tu sonhasses
como me sinto,
já vejo a morte
nunca te minto
Já vejo o inferno,
chamas, diabos,
anjos estranhos,
cornos e rabos
Vejo demónios
nas suas danças
tigres sem listras,
bodes sem tranças
Choros de coruja,
risos de grilo
Ai Lurdes, Lurdes
fica comigo
Não é o pingo
de uma torneira,
Põe-me a Santinha
à cabeceira
Compõe-me a colcha,
fala ao prior,
pousa o Jesus
no cobertor.
Chama o Doutor,
passa a chamada,
Ai Lurdes, Lurdes
nem dás por nada !
Faz-me tisanas
e pão de ló,
não te levantes
que fico só
Aqui sózinho
a apodrecer,
Ai Lurdes, Lurdes
que vou morrer !
Lobo Antunes
M.L.
( e sinceros desejos de melhoras)
Pachos na testa,
terço na mão,
uma botija,
chá de limão
Zaragatoas,
vinho com mel,
três aspirinas,
creme na pele
Grito de medo,
chamo a mulher :
Ai Lurdes Lurdes
que vou morrer !
Mede-me a febre,
vê-me a goela,
cala os miúdos,
fecha a janela.
Não quero canja,
nem a salada,
Ai Lurdes, Lurdes,
não vales nada !
Se tu sonhasses
como me sinto,
já vejo a morte
nunca te minto
Já vejo o inferno,
chamas, diabos,
anjos estranhos,
cornos e rabos
Vejo demónios
nas suas danças
tigres sem listras,
bodes sem tranças
Choros de coruja,
risos de grilo
Ai Lurdes, Lurdes
fica comigo
Não é o pingo
de uma torneira,
Põe-me a Santinha
à cabeceira
Compõe-me a colcha,
fala ao prior,
pousa o Jesus
no cobertor.
Chama o Doutor,
passa a chamada,
Ai Lurdes, Lurdes
nem dás por nada !
Faz-me tisanas
e pão de ló,
não te levantes
que fico só
Aqui sózinho
a apodrecer,
Ai Lurdes, Lurdes
que vou morrer !
Lobo Antunes
M.L.
domingo, 29 de fevereiro de 2004
29 de Fevereiro
Hoje é aquele dia a mais que o tempo nos oferece de 4 em 4 anos.
Desde criança que lhe acho graça. Parece um brinde. Este não é “o primeiro dia do resto da nossa vida” é um dia àparte da nossa vida. Por mim, acho que como está cá a mais, se deve poder fazer o que não se faz nos outros todos. Mas a imaginação não me chega! Tudo o que me lembro, também penso, sinto, faço, em qualquer dia do ano.
Mas que desperdício!!!
M.L.
Desde criança que lhe acho graça. Parece um brinde. Este não é “o primeiro dia do resto da nossa vida” é um dia àparte da nossa vida. Por mim, acho que como está cá a mais, se deve poder fazer o que não se faz nos outros todos. Mas a imaginação não me chega! Tudo o que me lembro, também penso, sinto, faço, em qualquer dia do ano.
Mas que desperdício!!!
M.L.
EMEL
A partir de amanhã a EMEL anuncia uma grande melhoria no estacionamento lisboeta – passam agora a existir uns cartões para facilitar o estacionamento e não é indispensável procurar um parquímetro.
Quanto à EMEL em geral, ainda tenho umas contas a ajustar e vou voltar ao assunto mais tarde. Mas em relação a este belo benefício, para o utente a única vantagem é não se preocupar com trocos. Porque de resto, paga-se exactamente o mesmo e ainda por cima adiantado. Quando os parquímetros foram montados, havia o porta-moedas multibanco (creio que se chamava assim) e podíamos pagar desse modo. Depois isso acabou. Neste momento, o máximo que se pode estacionar são 3 horas e por essas 3 horas pagam-se 2 euros = 400 escudos. Mesmo a um sábado de manhã. Se por acaso nos despachámos mais depressa, ora, paciência quem mandou ser rápido. Está pago, está pago.
Com esta bela invenção deixa de haver desculpa quando o parquímetro está avariado ( o que acontece com alguma frequência) porque se pode ter sempre o tal cartãozinho miraculoso. E claro que a EMEL embolsa logo de antemão o dinheiro referente ao pagamento desses cartões. Não está mal o benefício.
M.L.
Quanto à EMEL em geral, ainda tenho umas contas a ajustar e vou voltar ao assunto mais tarde. Mas em relação a este belo benefício, para o utente a única vantagem é não se preocupar com trocos. Porque de resto, paga-se exactamente o mesmo e ainda por cima adiantado. Quando os parquímetros foram montados, havia o porta-moedas multibanco (creio que se chamava assim) e podíamos pagar desse modo. Depois isso acabou. Neste momento, o máximo que se pode estacionar são 3 horas e por essas 3 horas pagam-se 2 euros = 400 escudos. Mesmo a um sábado de manhã. Se por acaso nos despachámos mais depressa, ora, paciência quem mandou ser rápido. Está pago, está pago.
Com esta bela invenção deixa de haver desculpa quando o parquímetro está avariado ( o que acontece com alguma frequência) porque se pode ter sempre o tal cartãozinho miraculoso. E claro que a EMEL embolsa logo de antemão o dinheiro referente ao pagamento desses cartões. Não está mal o benefício.
M.L.
29 de Fevereiro
Hoje é aquele dia a mais que o tempo nos oferece de 4 em 4 anos.
Desde criança que lhe acho graça. Parece um brinde. Este não é “o primeiro dia do resto da nossa vida” é um dia àparte da nossa vida. Por mim, acho que como está cá a mais, se deve poder fazer o que não se faz nos outros todos. Mas a imaginação não me chega! Tudo o que me lembro, também penso, sinto, faço, em qualquer dia do ano.
Mas que desperdício!!!
M.L.
Desde criança que lhe acho graça. Parece um brinde. Este não é “o primeiro dia do resto da nossa vida” é um dia àparte da nossa vida. Por mim, acho que como está cá a mais, se deve poder fazer o que não se faz nos outros todos. Mas a imaginação não me chega! Tudo o que me lembro, também penso, sinto, faço, em qualquer dia do ano.
Mas que desperdício!!!
M.L.
Vermelhos ou Encarnados
Uma das facetas que mais me agradam na blogosfera ( nos blogs que eu leio, como é evidente, era impossível e nem me apetecia lê-los todos...) é não só a diversidade de temas que se abordam como a paixão, mais a sério ou mais divertida com que são tratados.
Ontem foi dia de futebol porque o Benfica fazia anos. Cem anos. Realmente são muitos e foi engraçado ver por aí postadas várias bandeirinhas encarnadas, de águia de aza aberta.
O futebol não é coisa que me faça emocionar muito, embora agora que falo no assunto acho que o primeiro post que escrevi aqui, no Cão de Guarda, era exactamente sobre o tema, chamava-se O 3º Efe. Mas o que é interessante observar como um sinal dos tempos é que com a Democracia e o decorrer dos anos a diferença entre Sporting e Benfica é apenas e só clubística. Eu até pendo para o primeiro, por ambiente familiar. Mas ainda não foi assim há tanto tempo que se considerava o Sporting como um clube elitista, de meninos bem, enquanto o Benfica era o clube do povo. E ia-se mais longe – o Benfica era encarnado! Portanto era do povo, só podia!!! Eram uns tempos onde havia diferença entre encarnado e vermelho. Encarnado era uma côr. Vermelho uma posição política.
M.L.
Ontem foi dia de futebol porque o Benfica fazia anos. Cem anos. Realmente são muitos e foi engraçado ver por aí postadas várias bandeirinhas encarnadas, de águia de aza aberta.
O futebol não é coisa que me faça emocionar muito, embora agora que falo no assunto acho que o primeiro post que escrevi aqui, no Cão de Guarda, era exactamente sobre o tema, chamava-se O 3º Efe. Mas o que é interessante observar como um sinal dos tempos é que com a Democracia e o decorrer dos anos a diferença entre Sporting e Benfica é apenas e só clubística. Eu até pendo para o primeiro, por ambiente familiar. Mas ainda não foi assim há tanto tempo que se considerava o Sporting como um clube elitista, de meninos bem, enquanto o Benfica era o clube do povo. E ia-se mais longe – o Benfica era encarnado! Portanto era do povo, só podia!!! Eram uns tempos onde havia diferença entre encarnado e vermelho. Encarnado era uma côr. Vermelho uma posição política.
M.L.
sábado, 28 de fevereiro de 2004
Até é verdade
Experimentem. Olhem que é verdade.
De aorcdo com uma pqsieusa de uma uinrvesriddae ignlsea, nao ipomtra
a odrem plea qaul as lrteas de uma plravaa etaso, a úncia csioa
iprotmatne é que a piremria e útmlia lrteas etejasm no lgaur crteo.
O rseto pdoe ser uma ttaol csãofnuo que vcoe pdoe anida ler sem
gnderas pobrlmea. Itso é poqrue nós nao lmeos cdaa lrtea isladoa, mas
a plravaa cmoo um tdoo.
Cosiruo não?
M.L.
De aorcdo com uma pqsieusa de uma uinrvesriddae ignlsea, nao ipomtra
a odrem plea qaul as lrteas de uma plravaa etaso, a úncia csioa
iprotmatne é que a piremria e útmlia lrteas etejasm no lgaur crteo.
O rseto pdoe ser uma ttaol csãofnuo que vcoe pdoe anida ler sem
gnderas pobrlmea. Itso é poqrue nós nao lmeos cdaa lrtea isladoa, mas
a plravaa cmoo um tdoo.
Cosiruo não?
M.L.
«Être et Avoir» o ensino reabilitado
Fui ver um filme que tinha adiado por várias vezes e já receava que me fugisse. Não é a primeira vez que de desleixo um pouco com um espectáculo ou exposição e quando dou por mim, acabou e fico desapontadíssima. Ia com uma boa expectativa, que antes de mais devo dizer que foi compensada. O filme é belíssimo e merece os elogios que até hoje ouvi. Além de o tema me ser duplamente grato – fui criada em casa de professores ( daqueles mesmo a sério!) e há muitos anos que lido com pedagogias várias, crianças, pais e respectivos professores. O ensino a todos os níveis é algo que me é muito familiar.
Acontece é que vou ter de voltar para saborear como deve ser aquela hora e meia. A sala não estava muito cheia, mas por cada adulto contava-se uma criança, e crianças relativamente pequenas. Possivelmente, devidamente preparadas até seria interessante ver as reacções dos miúdos, mas aqueles estavam à espera de ver “uma história” e a agitação durante aquela hora e meia foi mais que muita. Para além dos que saiam para fazer xixi ou comprar bolachas, a maior parte ia perguntando “ele está a falar com quem?”, “e agora o que vão fazer?”, “porque é que ele está a chorar?”, ou “mas eu quando mudei de escola não chorei!” o que tornou muito complicado prestar atenção ao que se passava no écran.
Mas vou voltar. Um professor nas vésperas da reforma, com uma classe de 13 crianças que iam da pré até ao liceu, organizando-as com disciplina, ternura, cuidado, dando-lhes espaço sem ser demais, ouvindo-os mas também fazendo-se ouvir. A relação com as famílias num meio rural, num ambiente onde a natureza está mesmo ali, ao estender da mão.
Vou voltar. A uma hora sem crianças onde possa deixar-me envolver pelo filme.
M.L.
Acontece é que vou ter de voltar para saborear como deve ser aquela hora e meia. A sala não estava muito cheia, mas por cada adulto contava-se uma criança, e crianças relativamente pequenas. Possivelmente, devidamente preparadas até seria interessante ver as reacções dos miúdos, mas aqueles estavam à espera de ver “uma história” e a agitação durante aquela hora e meia foi mais que muita. Para além dos que saiam para fazer xixi ou comprar bolachas, a maior parte ia perguntando “ele está a falar com quem?”, “e agora o que vão fazer?”, “porque é que ele está a chorar?”, ou “mas eu quando mudei de escola não chorei!” o que tornou muito complicado prestar atenção ao que se passava no écran.
Mas vou voltar. Um professor nas vésperas da reforma, com uma classe de 13 crianças que iam da pré até ao liceu, organizando-as com disciplina, ternura, cuidado, dando-lhes espaço sem ser demais, ouvindo-os mas também fazendo-se ouvir. A relação com as famílias num meio rural, num ambiente onde a natureza está mesmo ali, ao estender da mão.
Vou voltar. A uma hora sem crianças onde possa deixar-me envolver pelo filme.
M.L.
Amizade é...
Ontem, passei mais de 7 horas a conversar com uma amiga que tem estado fisicamente longe. Há telefonemas e emails, mas claro que não é a presença, os olhos nos olhos. Os planos iniciais metiam jantar em restaurante e um cinema. Foi tudo sendo mudado à medida que a conversa avançava porque o que nos sabia bem era o prazer de estar juntas. Encontro obrigatório e ritual no café na Fnac com uma passagem também fatal pelos livros e músicas, e depois valeu tudo: um salto a umas compras domésticas urgentes mais um pequeno electrodoméstico, e “já agora” vamos deixar isto à tua casa, e “já agora” para que é que se vai sair se estamos aqui tão bem. E a magia da profunda amizade é esse entendimento sem palavras. Falou-se de política, dos filhos, da vida noutro país, do nosso passado, do alívio de ela ter terminado uma gigantesca tese de doutoramento, de namorados, desta coisa dos blogs (que lá na outra terra não têm esta expressão) de sentimentos, de arte, de amigos e seus problemas, da nossa vida profissional, de mais política, rimos muito, emocionámo-nos ainda mais, dissemos das saudades que tínhamos tido. Amizade é tudo isto. O saber que “ o outro” é diferente de nós e que isso nos enriquece; respeitar e amar essa diferença; entendermo-nos com uma troca de olhares que as palavras são só a cristalização do pensamento e por vezes são inúteis; o fazer planos e mudá-los alegremente; rirmo-nos com características dos outros, muito diferentes das nossas, mas que lhe dão mais côr; o profundo prazer de estar juntas sem que isso seja uma obrigação.
Acho que quando nasci a fada que se debruçou no meu berço me deu a maior prenda do mundo – “vais acreditar na amizade”. Realmente encontrei-a... Ela existe.
M.L.
Acho que quando nasci a fada que se debruçou no meu berço me deu a maior prenda do mundo – “vais acreditar na amizade”. Realmente encontrei-a... Ela existe.
M.L.
CARTA AO PÚBLICO NÃO PÚBLICADA...
Em respota às afirmações pessoais de Luís Villas-Boas e sem carácter ciêntifico algum, a Rita - minha mais que tudo - escreveu uma carta ao director do Público, mas esta nunca chegou a ser publicada. Pergunto-me quais os critérios de selecção nas publicações e de uma coisa estou certa, a imparcialidade não é ali chamada...
Aqui vos transcrevo a carta:
O que é afinal a homossexualidade?
Li atentamente a carta do senhor Carlos Gilbert na edição de Público de dia 24 de Fevereiro de 2004 e estranho como algumas pessoas heterossexuais (suponho ser o caso) pensam saber de modo pleno o que é a homossexualidade para afirmar que é uma "moda" ou insinuar que não há monogamia nas relações homossexuais. Lamento informar mas está totalmente errado. A homossexualidade não é uma moda, mas sim uma orientação sexual, tal como a heterossexualidade. O tipo de relações existentes entre pessoas homossexuais (quer casais de duas mulheres ou de dois homens) são tão diversos como o tipo de relações que existe entre os heterossexuais. Não há, e quem conhece de facto uma amosta significativa da população homossexual sabe-o, uma maneira típica de comportamentos, valores, atitudes, ideologias, pensamentos nas pessoas homossexuais e por esse motivo é possível encontrar pessoas de todos os géneros, tal como uma amostra das pessoas heterossexuais mostra o mesmo.
Visto que continua a desinformação entre muitos membros da população portuguesa gostaria de deixar alguns dados para esclarecimento que são dados tipicamente para quem está pouco informado sobre estas questões da orientação sexual homossexual.
O que é a homossexualidade?
Independentemente do sexo por que cada pessoa se interessa, existe na maioria das pessoas uma capacidade para amar. E por amor não queremos dizer só sexo, mas também o desejo de intimidade, afectividade e companheirismo. Na realidade, tanto a homossexualidade, como a heterossexualidade não são muito mais do que isto, excepto que num caso a atração sexual e afectiva é dirigida a pessoas do mesmo sexo e no outro caso a pessoas de sexo diferente. A partir de 1970 começou a surgir uma perspectiva positiva, generalizada, em relação à homossexualidade. A APA (American Psychiatric Association) retirou a homossexualidade do seu "Manual de Diagnóstico e Estatística de Distúrbios Mentais" (DSM) em 1973, depois de rever estudos e provas que revelavam que a homossexualidade não se enquadra nos critérios utilizados na categorização de doenças mentais. Psicológos e sexólogos chegaram à conclusão de que a homossexualidade é uma variante da normalidade.
Os homossexuais são reconhecíveis fisicamente?
Geralmente não é possível ver a homossexualidade através da aparência. Os gays e as lésbicas têm a mesma aparência e agem tal e qual como todas as outras pessoas. As pessoas com maneirismos são uma minoria entre os homossexuais.
As pessoas podem "tornar-se" homossexuais?
As pessoas não "se tornam" homossexuais, mas antes descobrem essa faceta da sua sexualidade. Para praticamente todos os homossexuais, a homossexualidade não é uma escolha. A única escolha feita, quando decidimos viver a nossa sexualidade plenamente, é a de sermos honestos, de sermos nós próprios e de, acima de tudo, sermos felizes.
Será que é mesmo assim?
1. Nas relações homossexuais um ou uma faz o papel de mulher e o outro ou a outra de homem.
Errado. Nas relações homossexuais os parceiros partilham indiscriminadamente os papeis consignados socialmente a ambos os sexos. Isto quer dizer que nenhum finge que é do sexo oposto.
2. Os homossexuais são mais obcecados pelo sexo.
Errado. Sexo é tanto ou tão pouco importante para os homossexuais como para os heterossexuais. O que notamos, na realidade, é que a diferença entre a sexualidade masculina e feminina é bastante mais significativa do que a diferença entre a sexualidade homossexual e heterossexual.
3. Os homens homossexuais são pedófilos e molestam crianças.
Errado. Há proporcionalmente menos homens homossexuais do que homens heterossexuais que abusam sexualmente de crianças.
4. A homossexualidade é causada por um trauma durante a infância.
Errado. Ninguém sabe porque é que algumas pessoas são homossexuais. Há teorias diferentes que falam de hereditariedade e do ambiente. A maioria dos homossexuais não tiveram dificuldades especiais durante a sua infância.
5. Os filhos de homossexuais tornam-se homossexuais.
Errado. As investigações científicas que têm sido feitas mostram que estas crianças tornam-se tanto ou tão pouco homossexuais como os filhos de heterossexuais.
6. Os homossexuais sentem-se atraídos por todos os membros do seu sexo.
Errado. Não é suficiente que a pessoa seja do mesmo sexo. Os homossexuais têm critérios de escolha do parceiro tão exigentes como os heterossexuais.
7. Informação positiva sobre a homossexualidade resulta em mais pessoas "se
tornarem" homossexuais.
Errado. Informação positiva não faz com que haja mais homossexuais. Surgem sim mais pessoas com coragem para se assumir visto que a informação ajuda a diminuir os preconceitos.
8. Uma pessoa é homossexual porque não consegue relacionar-se com os membros do sexo oposto.
Errado. A homossexualidade não tem nada a ver com capacidades de atrair o sexo oposto. Tem sim com o facto de os homossexuais se interessarem por pessoas do mesmo sexo.
Rita
Lisboa
in http://cacaoccino.blogspot.com/2004_02_01_cacaoccino_archive.html#1077785844887093
Aqui vos transcrevo a carta:
O que é afinal a homossexualidade?
Li atentamente a carta do senhor Carlos Gilbert na edição de Público de dia 24 de Fevereiro de 2004 e estranho como algumas pessoas heterossexuais (suponho ser o caso) pensam saber de modo pleno o que é a homossexualidade para afirmar que é uma "moda" ou insinuar que não há monogamia nas relações homossexuais. Lamento informar mas está totalmente errado. A homossexualidade não é uma moda, mas sim uma orientação sexual, tal como a heterossexualidade. O tipo de relações existentes entre pessoas homossexuais (quer casais de duas mulheres ou de dois homens) são tão diversos como o tipo de relações que existe entre os heterossexuais. Não há, e quem conhece de facto uma amosta significativa da população homossexual sabe-o, uma maneira típica de comportamentos, valores, atitudes, ideologias, pensamentos nas pessoas homossexuais e por esse motivo é possível encontrar pessoas de todos os géneros, tal como uma amostra das pessoas heterossexuais mostra o mesmo.
Visto que continua a desinformação entre muitos membros da população portuguesa gostaria de deixar alguns dados para esclarecimento que são dados tipicamente para quem está pouco informado sobre estas questões da orientação sexual homossexual.
O que é a homossexualidade?
Independentemente do sexo por que cada pessoa se interessa, existe na maioria das pessoas uma capacidade para amar. E por amor não queremos dizer só sexo, mas também o desejo de intimidade, afectividade e companheirismo. Na realidade, tanto a homossexualidade, como a heterossexualidade não são muito mais do que isto, excepto que num caso a atração sexual e afectiva é dirigida a pessoas do mesmo sexo e no outro caso a pessoas de sexo diferente. A partir de 1970 começou a surgir uma perspectiva positiva, generalizada, em relação à homossexualidade. A APA (American Psychiatric Association) retirou a homossexualidade do seu "Manual de Diagnóstico e Estatística de Distúrbios Mentais" (DSM) em 1973, depois de rever estudos e provas que revelavam que a homossexualidade não se enquadra nos critérios utilizados na categorização de doenças mentais. Psicológos e sexólogos chegaram à conclusão de que a homossexualidade é uma variante da normalidade.
Os homossexuais são reconhecíveis fisicamente?
Geralmente não é possível ver a homossexualidade através da aparência. Os gays e as lésbicas têm a mesma aparência e agem tal e qual como todas as outras pessoas. As pessoas com maneirismos são uma minoria entre os homossexuais.
As pessoas podem "tornar-se" homossexuais?
As pessoas não "se tornam" homossexuais, mas antes descobrem essa faceta da sua sexualidade. Para praticamente todos os homossexuais, a homossexualidade não é uma escolha. A única escolha feita, quando decidimos viver a nossa sexualidade plenamente, é a de sermos honestos, de sermos nós próprios e de, acima de tudo, sermos felizes.
Será que é mesmo assim?
1. Nas relações homossexuais um ou uma faz o papel de mulher e o outro ou a outra de homem.
Errado. Nas relações homossexuais os parceiros partilham indiscriminadamente os papeis consignados socialmente a ambos os sexos. Isto quer dizer que nenhum finge que é do sexo oposto.
2. Os homossexuais são mais obcecados pelo sexo.
Errado. Sexo é tanto ou tão pouco importante para os homossexuais como para os heterossexuais. O que notamos, na realidade, é que a diferença entre a sexualidade masculina e feminina é bastante mais significativa do que a diferença entre a sexualidade homossexual e heterossexual.
3. Os homens homossexuais são pedófilos e molestam crianças.
Errado. Há proporcionalmente menos homens homossexuais do que homens heterossexuais que abusam sexualmente de crianças.
4. A homossexualidade é causada por um trauma durante a infância.
Errado. Ninguém sabe porque é que algumas pessoas são homossexuais. Há teorias diferentes que falam de hereditariedade e do ambiente. A maioria dos homossexuais não tiveram dificuldades especiais durante a sua infância.
5. Os filhos de homossexuais tornam-se homossexuais.
Errado. As investigações científicas que têm sido feitas mostram que estas crianças tornam-se tanto ou tão pouco homossexuais como os filhos de heterossexuais.
6. Os homossexuais sentem-se atraídos por todos os membros do seu sexo.
Errado. Não é suficiente que a pessoa seja do mesmo sexo. Os homossexuais têm critérios de escolha do parceiro tão exigentes como os heterossexuais.
7. Informação positiva sobre a homossexualidade resulta em mais pessoas "se
tornarem" homossexuais.
Errado. Informação positiva não faz com que haja mais homossexuais. Surgem sim mais pessoas com coragem para se assumir visto que a informação ajuda a diminuir os preconceitos.
8. Uma pessoa é homossexual porque não consegue relacionar-se com os membros do sexo oposto.
Errado. A homossexualidade não tem nada a ver com capacidades de atrair o sexo oposto. Tem sim com o facto de os homossexuais se interessarem por pessoas do mesmo sexo.
Rita
Lisboa
in http://cacaoccino.blogspot.com/2004_02_01_cacaoccino_archive.html#1077785844887093
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2004
Ecopontos e ...”educação à força”
Lá mais atrás, tinha escrito uma vez "Reciclar a simpatia". Chamava nesse post a atenção para o facto da separação dos materiais a reciclar não ser tão simples como os anúncios faziam crer. E continuo a achar o mesmo: num país com tanto analfabeto funcional, ler e compreender as indicações que lá estão escritas não é para qualquer um.
Mas adiante. Desta vez a notícia que me faz pasmar é outra. Penso que só pode ser brincadeira de Carnaval, a proposta de multar (?) os cidadãos que deixem no lixo material reciclavel, se tiverem um Ecoponto perto de casa. Estão a brincar, com certeza! Ora vamos a ver:
1 - O que se entende por "perto de casa"? 1, 2, 5, 10 quilómetros?
2 - A norma abrange qualquer pessoa? Ou especifica "pessoa dos 15 aos 60 anos, saudável, sem problemas motores nem de coluna"?
3 - Quem vai pagar a multa? A dona da casa? O filho que pôs o lixo à porta?
4 - Como se vai provar que "aquele lixo" é "daquela pessoa" ? Se eu quiser mal ao meu vizinho, digo que o lixo é dele e fico-me a rir...
5 - O mais interessante vai ser a fiscalização. Parece que para as finanças, controlos de qualidade, assuntos assim secundários, faltam fiscais. Mas é uma boa medida para combater o desemprego, criar os "fiscais do lixo". É que vão ser precisos muitos e muitos milhares. O que aí vem de postos de trabalho!
Por outro lado, lembrava que talvez não fosse má ideia, vigiar o esvaziamento dos tais depósitos dos Ecopontos. Porque se TODOS os cidadãos desta terra cumprissem religiosamente estas orientações, eu gostaria de apreciar as consequências. Nesta altura do campeonato, já é fácil verificar que muitos depósitos ficam a deitar por fóra, sem ninguém os esvaziar. As empresas de recolha não são multadas?
E por último, depois de recolhidos, estes lixos vão sempre para a reciclagem? É que ouvi uns zunzuns de que há por aí câmaras que os vão despejar nas lixeiras... Só pode ser mentira, não é?
M.L.
Mas adiante. Desta vez a notícia que me faz pasmar é outra. Penso que só pode ser brincadeira de Carnaval, a proposta de multar (?) os cidadãos que deixem no lixo material reciclavel, se tiverem um Ecoponto perto de casa. Estão a brincar, com certeza! Ora vamos a ver:
1 - O que se entende por "perto de casa"? 1, 2, 5, 10 quilómetros?
2 - A norma abrange qualquer pessoa? Ou especifica "pessoa dos 15 aos 60 anos, saudável, sem problemas motores nem de coluna"?
3 - Quem vai pagar a multa? A dona da casa? O filho que pôs o lixo à porta?
4 - Como se vai provar que "aquele lixo" é "daquela pessoa" ? Se eu quiser mal ao meu vizinho, digo que o lixo é dele e fico-me a rir...
5 - O mais interessante vai ser a fiscalização. Parece que para as finanças, controlos de qualidade, assuntos assim secundários, faltam fiscais. Mas é uma boa medida para combater o desemprego, criar os "fiscais do lixo". É que vão ser precisos muitos e muitos milhares. O que aí vem de postos de trabalho!
Por outro lado, lembrava que talvez não fosse má ideia, vigiar o esvaziamento dos tais depósitos dos Ecopontos. Porque se TODOS os cidadãos desta terra cumprissem religiosamente estas orientações, eu gostaria de apreciar as consequências. Nesta altura do campeonato, já é fácil verificar que muitos depósitos ficam a deitar por fóra, sem ninguém os esvaziar. As empresas de recolha não são multadas?
E por último, depois de recolhidos, estes lixos vão sempre para a reciclagem? É que ouvi uns zunzuns de que há por aí câmaras que os vão despejar nas lixeiras... Só pode ser mentira, não é?
M.L.
1984
Esta história das "escutas" aos grandes deste mundo ( Secretário Geral da O.N.U., Hans Blist, etc.) tem aspectos quase caricatos mas no conjunto é assustador. Porque afinal quem é o Big Brother? Estas operações de invasão da privacidade são decididas por quem? Dito de outro modo, quem vai ser responsabilizado? Pelo que me lembro, Watergate fez cair um governo, desta vez fica tudo em branca núvem?
Quando disse acima que tem algo de caricato, é puro humor cinzento (que nem chega a negro...) porque afinal pareciam que o que eles diziam não era ouvido, porque ninguém ligava nenhuma! Mas não, prova-se que eram bem escutados. Até demais, bolas, não era preciso tanto!
Claro que o pior cego é o que não quer ver e o pior surdo o que não quer ouvir...
M.L.
Quando disse acima que tem algo de caricato, é puro humor cinzento (que nem chega a negro...) porque afinal pareciam que o que eles diziam não era ouvido, porque ninguém ligava nenhuma! Mas não, prova-se que eram bem escutados. Até demais, bolas, não era preciso tanto!
Claro que o pior cego é o que não quer ver e o pior surdo o que não quer ouvir...
M.L.
É só cultura ! (p'ro menino e p'ra menina)
Conversa ouvido no metro entre jovens alunas de uma Escola Superior de Educação
- Não sei bem como vou fazer este trabalho, e já tenho pouco tempo...
- Também acho que é difícil.
- O que vale é que a peça tem poucas personagens, mas como é que as vou vestir para fantoches?
- É que é tudo muito escuro, cores escuras.
- Pois é! Ainda com a Maria pode fazer-se um fantoche de cores clarinhas, mas o Romeiro, o Telmo e mesmo D. Manuel de Portugal deve ser preto ou castanho.
- E é para crianças de 5 anos. Tão sombrio, já viste?
- Ou menos... E achas elas que vão perceber?
Não resisti e meti-me na conversa. Tinha razão no que estava a suspeitar. O trabalho para aquela cadeira era “traduzir” para fantoches o “Frei Luís de Sousa” - para crianças de cinco anos !
Ás vezes nem sei quem não regula bem, se eu, se pessoas tidas por responsáveis.
P.S. Isto é a sério, não foi uma brincadeira.
M.L.
- Não sei bem como vou fazer este trabalho, e já tenho pouco tempo...
- Também acho que é difícil.
- O que vale é que a peça tem poucas personagens, mas como é que as vou vestir para fantoches?
- É que é tudo muito escuro, cores escuras.
- Pois é! Ainda com a Maria pode fazer-se um fantoche de cores clarinhas, mas o Romeiro, o Telmo e mesmo D. Manuel de Portugal deve ser preto ou castanho.
- E é para crianças de 5 anos. Tão sombrio, já viste?
- Ou menos... E achas elas que vão perceber?
Não resisti e meti-me na conversa. Tinha razão no que estava a suspeitar. O trabalho para aquela cadeira era “traduzir” para fantoches o “Frei Luís de Sousa” - para crianças de cinco anos !
Ás vezes nem sei quem não regula bem, se eu, se pessoas tidas por responsáveis.
P.S. Isto é a sério, não foi uma brincadeira.
M.L.
Quando o mar bate na rocha
Através da imprensa chega-nos uma dança de informações e números um 9ocado contraditórios quanto ao que se gasta em medicamentos, o que se poupou ou quem paga mais nesta história toda.
A Ordem dos Médicos garante que estes estão a passar mais receitas de genéricos (o “mais” é relativo porque dantes não se receitavam) e que este ano foi muito positivo.
Por outro lado a Associação Nacional de Farmácias diz que os utentes poderiam ter poupado 40 milhões de euros se os médicos tivessem realmente receitado “a sério”. Isto, pelo que a ANF diz, porque o Estado deixou de comparticipar pelo preço de venda ao público e comparticipa sobre um preço mais baixo, os genéricos.
[Há também gente pouco informada, que imagina que se o genérico é mais barato não deve ser tão bom... E ouvi contar de casos onde o doente começou a acumular: tomava o medicamento que já tinha (para aproveitar) e por cima o genérico, fazendo autênticas overdoses!]
Mas o engraçado é que neste ping-pong de acusações, como era de prever, o Estado ainda poupou 36 milhões de euros e os utentes pagaram mais 85 milhões. Nada que nos espante, o mexilhão é o mesmo...
M.L.
A Ordem dos Médicos garante que estes estão a passar mais receitas de genéricos (o “mais” é relativo porque dantes não se receitavam) e que este ano foi muito positivo.
Por outro lado a Associação Nacional de Farmácias diz que os utentes poderiam ter poupado 40 milhões de euros se os médicos tivessem realmente receitado “a sério”. Isto, pelo que a ANF diz, porque o Estado deixou de comparticipar pelo preço de venda ao público e comparticipa sobre um preço mais baixo, os genéricos.
[Há também gente pouco informada, que imagina que se o genérico é mais barato não deve ser tão bom... E ouvi contar de casos onde o doente começou a acumular: tomava o medicamento que já tinha (para aproveitar) e por cima o genérico, fazendo autênticas overdoses!]
Mas o engraçado é que neste ping-pong de acusações, como era de prever, o Estado ainda poupou 36 milhões de euros e os utentes pagaram mais 85 milhões. Nada que nos espante, o mexilhão é o mesmo...
M.L.
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2004
Ainda dizem que somos pessimistas!
Andou por aí a circular um estudo a dizer que os portugueses são pessimistas. Logo na altura achei que aquilo estava um pouco pobrezinho e incompleto, porque esse estudo esquecia que por um lado temos um enorme sentido de humor, - pode ser humor negro, mas é humor! - e por outro lado parecia-me que o pessimismo é, perante uma situação, realçar os seus aspectos negativos ( o optimista realçará os positivos...) e achei que não era exactamente isso que se passava cá no burgo.
Ora, BINGO ! Hoje é divulgado um estudo da Proteste / Deco efectuado em 13 países e 55 cidades, onde se pode concluir que na nossa terra se paga o mesmo, ou mais, por muitos produtos que se podem comprar em grande parte de países europeus. Se a isto se associar a média do salário nacional, e a taxa crescente de desemprego, quem acha que somos pessimistas?
Para andar muito contentinhos só mesmo uns totós! O que o português é na minha opinião, é realista! E mais nada!
M.L.
Ora, BINGO ! Hoje é divulgado um estudo da Proteste / Deco efectuado em 13 países e 55 cidades, onde se pode concluir que na nossa terra se paga o mesmo, ou mais, por muitos produtos que se podem comprar em grande parte de países europeus. Se a isto se associar a média do salário nacional, e a taxa crescente de desemprego, quem acha que somos pessimistas?
Para andar muito contentinhos só mesmo uns totós! O que o português é na minha opinião, é realista! E mais nada!
M.L.
Feios, porcos e maus
No Barnabé, o Daniel Oliveira escreveu um post falando de uma petição que corre para atribuir cidadania europeia aos cidadãos residentes. Explica que se trabalham, pagam impostos, obedecem às leis, ou seja, têm os deveres, seria justo terem também os direitos.
Acredito que este tema vá dar muita controvérsia, porque se compreendem e até aceitam posições diferentes. Mas chocou-me um comentário, logo o segundo na caixa de comentários, que diz textualmente : “Muita desta gente veio para a Europa apenas com o intuito de poder vir ganhar dinheiro, simplesmente porque a Europa é rica e a América fica muito longe”.
Primeiro, o falar em : esta gente. Esta gente??? Os portugueses que foram há 100 anos para o Brasil com o intuito de ganhar dinheiro, ou os que imigraram para o Canadá, para a Alemanha, França, Luxemburgo,.... creio que foi com o intuito de ganhar dinheiro. Só que neste caso não é “esta gente” é “a nossa gente”.
Depois a continuação: “porque a Europa é rica e a América fica longe”. Como é? A Europa é rica? A pessoa que escreve, e deve ser europeu, é rico? O que é isso da Europa? E depois a continuação “...a América fica muito longe” ou seja a Europa é uma 2ª escolha, os menos pobres vão para a América, os mais pobres ficam pela Europa.
Será que tem uma ideia do que são as leis de imigração para a América? E “esta gente” que vem destes países pobres, os seus países de origem são pobres porque certamente eles são preguiçosos, talvez burros, ignorantes, “feios, porcos e maus”, será? Possivelmente o comentário foi escrito sem reflectir, no impulso do momento, e pensando melhor talvez a pessoa não o tivesse feito. Dou-lhe o benefício da duvida.
Mas que há quem assim pense e é lamentável, isso é um facto. Vamos ver o que este post do Barnabé vai dar, que o dia ainda agora começou...
M.L.
Acredito que este tema vá dar muita controvérsia, porque se compreendem e até aceitam posições diferentes. Mas chocou-me um comentário, logo o segundo na caixa de comentários, que diz textualmente : “Muita desta gente veio para a Europa apenas com o intuito de poder vir ganhar dinheiro, simplesmente porque a Europa é rica e a América fica muito longe”.
Primeiro, o falar em : esta gente. Esta gente??? Os portugueses que foram há 100 anos para o Brasil com o intuito de ganhar dinheiro, ou os que imigraram para o Canadá, para a Alemanha, França, Luxemburgo,.... creio que foi com o intuito de ganhar dinheiro. Só que neste caso não é “esta gente” é “a nossa gente”.
Depois a continuação: “porque a Europa é rica e a América fica longe”. Como é? A Europa é rica? A pessoa que escreve, e deve ser europeu, é rico? O que é isso da Europa? E depois a continuação “...a América fica muito longe” ou seja a Europa é uma 2ª escolha, os menos pobres vão para a América, os mais pobres ficam pela Europa.
Será que tem uma ideia do que são as leis de imigração para a América? E “esta gente” que vem destes países pobres, os seus países de origem são pobres porque certamente eles são preguiçosos, talvez burros, ignorantes, “feios, porcos e maus”, será? Possivelmente o comentário foi escrito sem reflectir, no impulso do momento, e pensando melhor talvez a pessoa não o tivesse feito. Dou-lhe o benefício da duvida.
Mas que há quem assim pense e é lamentável, isso é um facto. Vamos ver o que este post do Barnabé vai dar, que o dia ainda agora começou...
M.L.
Necessidades...
Já aqui falei do meu programa de humor favorito.
Pelo menos de manhã, não perco o “Palmilha Dentada” e recomendo-o a todos, para começar o dia com um largo sorriso. Mas hoje o sorriso tornou-se gargalhada, ao pequeno almoço cá de casa. O tema de reflexão do “Palmilha” foi o drama das famílias numerosas com uma única casa de banho. É certo que famílias numerosas cada vez há menos. E também é verdade que não será o caso da minha. Mas como demonstrava o “Palmilha” bastam 3 pessoas para fazer uma multidão quando há pressa! E, oh, que sabedoria...
A verdade é que as necessidades de uma higiene mais apurada têm aumentado com o rodar dos anos. Os andares das Avenidas Novas, em Lisboa (já foram “novas” há 80 anos) eram espaços com 8, 10 assoalhadas e uma única casa de banho. Hoje, as leis de construção nunca o permitiriam. E as necessidades vão realmente aumentando. A família que o “Palmilha” estava a entrevistar lamentava-se porque bem queria ter outro filho mas era completamente impossível sem outra casa de banho. E também citava casos de divórcio pelo mesmo motivo.
Sem ir tão longe, temos de reconhecer que esse é um dos “dramas” do nosso tempo. Oh, higiene a quanto obrigas!!!
M.L.
Pelo menos de manhã, não perco o “Palmilha Dentada” e recomendo-o a todos, para começar o dia com um largo sorriso. Mas hoje o sorriso tornou-se gargalhada, ao pequeno almoço cá de casa. O tema de reflexão do “Palmilha” foi o drama das famílias numerosas com uma única casa de banho. É certo que famílias numerosas cada vez há menos. E também é verdade que não será o caso da minha. Mas como demonstrava o “Palmilha” bastam 3 pessoas para fazer uma multidão quando há pressa! E, oh, que sabedoria...
A verdade é que as necessidades de uma higiene mais apurada têm aumentado com o rodar dos anos. Os andares das Avenidas Novas, em Lisboa (já foram “novas” há 80 anos) eram espaços com 8, 10 assoalhadas e uma única casa de banho. Hoje, as leis de construção nunca o permitiriam. E as necessidades vão realmente aumentando. A família que o “Palmilha” estava a entrevistar lamentava-se porque bem queria ter outro filho mas era completamente impossível sem outra casa de banho. E também citava casos de divórcio pelo mesmo motivo.
Sem ir tão longe, temos de reconhecer que esse é um dos “dramas” do nosso tempo. Oh, higiene a quanto obrigas!!!
M.L.
Generosidade com o dinheiro alheio
Por acaso, não sou nada sensível às campanhas de publicidade. Acho até que, muitas vezes funciono ao contrário do previsto e desconfio dos produtos muito publicitados. É evidente que acontece, por vezes, despertar-me a curiosidade o modo como algumas coisas são apresentadas, também não sou exactamente o perfeito “espírito de contradição”... Há frases e expressões que parecem meias tontas e creio que por isso mesmo “entram no ouvido” e acabam por ser usadas no quotidiano de todos nós.
Mas isto vem a propósito de um anúncio que tem o tal efeito oposto ao pretendido – no meu caso em concreto.
O Banco Totta quer convencer-nos a abrir uma conta-ordenado com o chamariz de que uma percentagem do lucro irá para a AMI. Não é exactamente publicidade enganosa, mas olhem que anda por lá perto. Uma conta-ordenado é, para todos os efeitos, um crédito aberto, (embora com limites, é certo) com tudo o que isso implica: podemos gastar mais do que temos mas depois pagamos com língua de palmo. E, é desse lucro que o banco vai ter, que dará uma percentagem, mínima, à AMI.
Não, muito obrigada! Tenho muita simpatia pela AMI, tanta que prescindo de intermediários; prefiro ir directamente à fonte.
M.L.
Mas isto vem a propósito de um anúncio que tem o tal efeito oposto ao pretendido – no meu caso em concreto.
O Banco Totta quer convencer-nos a abrir uma conta-ordenado com o chamariz de que uma percentagem do lucro irá para a AMI. Não é exactamente publicidade enganosa, mas olhem que anda por lá perto. Uma conta-ordenado é, para todos os efeitos, um crédito aberto, (embora com limites, é certo) com tudo o que isso implica: podemos gastar mais do que temos mas depois pagamos com língua de palmo. E, é desse lucro que o banco vai ter, que dará uma percentagem, mínima, à AMI.
Não, muito obrigada! Tenho muita simpatia pela AMI, tanta que prescindo de intermediários; prefiro ir directamente à fonte.
M.L.
quarta-feira, 25 de fevereiro de 2004
Enfim, gostos...
Há uma voltinha que costumo dar todos os dias, não com o cão que não o tenho (este vou-o passeando graças à simpatia do dono...) mas pelos blogs da minha maior simpatia, a ver o que se diz e se pensa por aí. Demoro-me mais e comento alguma coisa nos que se situam mais à esquerda, mas dou uma olhadela também nos que, mais clara ou menos discretamente podemos definir como de direita. Gosto de ver tudo.
E, não gostando nada de generalizar, há contudo uma constante que me incomoda. ( Claro que posso estar enganada e ter sempre tropeçado nas excepções que confirmam a regra...mas. ..) Há comentadores de direita que vêm a blogs de esquerda, educadamente contrapor as suas razões, muitas vezes repetindo os mesmos argumentos à exaustão mas, enfim, estão no seu pleno direito. Com menos frequência tenho visto a inversa – gente de esquerda aventurar-se aos terrenos da direita para criticar alguns pontos. Mas o que vejo muitíssimo é, de vez em quando, irromperem, como toiros desembolados, umas criaturas que se limitam a insultar. Acabei agora mesmo de ver um desses casos. Não vêm dizer nada, vêm dizer insultos puros. Qual será o gozo? Já tenho reparado que ao fim de alguns dias, cansam-se e não voltam.
Sempre é preciso uma paciência...
M.L.
E, não gostando nada de generalizar, há contudo uma constante que me incomoda. ( Claro que posso estar enganada e ter sempre tropeçado nas excepções que confirmam a regra...mas. ..) Há comentadores de direita que vêm a blogs de esquerda, educadamente contrapor as suas razões, muitas vezes repetindo os mesmos argumentos à exaustão mas, enfim, estão no seu pleno direito. Com menos frequência tenho visto a inversa – gente de esquerda aventurar-se aos terrenos da direita para criticar alguns pontos. Mas o que vejo muitíssimo é, de vez em quando, irromperem, como toiros desembolados, umas criaturas que se limitam a insultar. Acabei agora mesmo de ver um desses casos. Não vêm dizer nada, vêm dizer insultos puros. Qual será o gozo? Já tenho reparado que ao fim de alguns dias, cansam-se e não voltam.
Sempre é preciso uma paciência...
M.L.
Preso por ter cão... ( mas não "de guarda"!)
É bastante vulgar uma pessoa ter a sensação de que perante uma escolha ou opinião, faça como fizer será sempre criticada. (criticada negativamente, é bom de ver)
Vem isto a propósito de um post do Rui Tavares no Barnabé, onde criticava a Xis do "Público" e logo lhe caíram em cima censurando que estava a para ali a mandar vir mas... também lia a revista. Este tipo de argumento, com que obviamente também apanho, deixa-me sempre irritada. É que é o perfeito sofisma, porque se dizemos que não vimos / ou ouvimos / ou lemos, é claro que a crítica até tem a sua razão: “Então se não viu como é que diz que é mau?!”. Mas se confirmamos que estamos a dizer isso com fundamento, porque vimos, a crítica é ao contrário “Pois, é mau, é mau, mas sempre vai vendo!” Sinto-me completamente encurralada porque, por esta ordem de ideias, NUNCA se poderia criticar nada!
Em relação a vários programas da TV costumo ver um ou dois antes de tomar uma posição(apesar de, confesso, muitas vezes já antecipadamente ter minha opinião, que só se confirma). É claro que até com este método posso apanhar com a resposta: “Tiveste a pouca sorte de ver os piores”. Mas defendo que o método de ir ver, mas de espírito aberto para mudar de opinião, se for caso disso, ainda é o mais correcto. Reconheço que quase sempre sem sorte, pelo que já tenho tido pegas valentes!
De facto vivemos no país da história “do velho, o rapaz e o burro”
M.L.
Vem isto a propósito de um post do Rui Tavares no Barnabé, onde criticava a Xis do "Público" e logo lhe caíram em cima censurando que estava a para ali a mandar vir mas... também lia a revista. Este tipo de argumento, com que obviamente também apanho, deixa-me sempre irritada. É que é o perfeito sofisma, porque se dizemos que não vimos / ou ouvimos / ou lemos, é claro que a crítica até tem a sua razão: “Então se não viu como é que diz que é mau?!”. Mas se confirmamos que estamos a dizer isso com fundamento, porque vimos, a crítica é ao contrário “Pois, é mau, é mau, mas sempre vai vendo!” Sinto-me completamente encurralada porque, por esta ordem de ideias, NUNCA se poderia criticar nada!
Em relação a vários programas da TV costumo ver um ou dois antes de tomar uma posição(apesar de, confesso, muitas vezes já antecipadamente ter minha opinião, que só se confirma). É claro que até com este método posso apanhar com a resposta: “Tiveste a pouca sorte de ver os piores”. Mas defendo que o método de ir ver, mas de espírito aberto para mudar de opinião, se for caso disso, ainda é o mais correcto. Reconheço que quase sempre sem sorte, pelo que já tenho tido pegas valentes!
De facto vivemos no país da história “do velho, o rapaz e o burro”
M.L.
Sinais Exteriores de Ternura
Quando ontem fui reler o Zé Gomes Ferreira ( ao que nos podem levar os concursos de TV!) acabei por ficar colada ao livro, a relembrar passados. E logo na primeira poesia que escolhi, o primeiro verso, “dá-me a tua mão” desencadeou montes de recordações.
O mundo da ternura é enorme mas é de grande delicadeza. E o gesto de “dar a mão” sendo dos mais puros, mais limpos, é um dos que mais me perturba. É certo que se começa por dar a mão quando se é criança e é um gesto de confiança e entrega. Quando damos a mão ao adulto acreditamos que estamos protegidos, que estamos a salvo do mal.
Mais tarde, ainda criança mas mais crescidos, entre amigos, é cumplicidade é algo de indizível. Nunca hei-de esquecer, uma menina dos seus 10 anos que, transferida para uma terra estranha e uma escola desconhecida, se queixava à mãe com uma vozinha a tremer “Mas, mãe, eu cá não tenho uma amiga-de-dar-a-mão !”
E, em adulto, é um gesto no limiar do gesto erótico, mas mesmo no limiar. É aquela margem onde tudo é ainda permitido, se pode ousar, se pode sonhar, mas se pode também recuar. É um toque muito expressivo, mas inocente. Se me permitem, para mim, é talvez de todos o mais sensual. Exactamente por tudo ser ainda permitido.
M.L.
O mundo da ternura é enorme mas é de grande delicadeza. E o gesto de “dar a mão” sendo dos mais puros, mais limpos, é um dos que mais me perturba. É certo que se começa por dar a mão quando se é criança e é um gesto de confiança e entrega. Quando damos a mão ao adulto acreditamos que estamos protegidos, que estamos a salvo do mal.
Mais tarde, ainda criança mas mais crescidos, entre amigos, é cumplicidade é algo de indizível. Nunca hei-de esquecer, uma menina dos seus 10 anos que, transferida para uma terra estranha e uma escola desconhecida, se queixava à mãe com uma vozinha a tremer “Mas, mãe, eu cá não tenho uma amiga-de-dar-a-mão !”
E, em adulto, é um gesto no limiar do gesto erótico, mas mesmo no limiar. É aquela margem onde tudo é ainda permitido, se pode ousar, se pode sonhar, mas se pode também recuar. É um toque muito expressivo, mas inocente. Se me permitem, para mim, é talvez de todos o mais sensual. Exactamente por tudo ser ainda permitido.
M.L.
terça-feira, 24 de fevereiro de 2004
Zé Gomes Ferreira
Há minutos, uma concorrente do concurso da RTP “Um contra todos” declarou que nunca tinha ouvido falar em José Gomes Ferreira
XXIII(mais outra canção para a inventada)
Dá-me a tua mão
Deixa que a minha solidão
prolongue mais a tua
- para aqui os dois de mãos dadas
nas noites estreladas,
a ver os fantasmas a dançarem na lua.
Dá-me a tua mão, companheira
até o Abismo da Ternura Derradeira
(entre 1943 e 1945)
ou
musicada pelo Lopes Graça
XXXV(pastoral)
Ó pastor que choras,
O teu rebanho onde está?
- Deita as mágoas fóra,
carneiros é o que mais há.
Uns de finos modos,
Outros vis por desprazer...
Mas carneiros todos
Com carne de obedecer.
Quem te pôs na orelha
essas cerejas, pastor?
São de cor vermelha,
Vai pintá-las de outra cor.
Vai pintar os frutos
As amoras, os rosais...
Vai pintar de luto
As papoilas dos trigais.
(entre 1945 e 1948)
Já se percebe porque a pergunta à concorrente era “quem se designava por “poeta militante”. Militante na dupla acepção – militante na poesia, militante na política
M.L.
XXIII(mais outra canção para a inventada)
Dá-me a tua mão
Deixa que a minha solidão
prolongue mais a tua
- para aqui os dois de mãos dadas
nas noites estreladas,
a ver os fantasmas a dançarem na lua.
Dá-me a tua mão, companheira
até o Abismo da Ternura Derradeira
(entre 1943 e 1945)
ou
musicada pelo Lopes Graça
XXXV(pastoral)
Ó pastor que choras,
O teu rebanho onde está?
- Deita as mágoas fóra,
carneiros é o que mais há.
Uns de finos modos,
Outros vis por desprazer...
Mas carneiros todos
Com carne de obedecer.
Quem te pôs na orelha
essas cerejas, pastor?
São de cor vermelha,
Vai pintá-las de outra cor.
Vai pintar os frutos
As amoras, os rosais...
Vai pintar de luto
As papoilas dos trigais.
(entre 1945 e 1948)
Já se percebe porque a pergunta à concorrente era “quem se designava por “poeta militante”. Militante na dupla acepção – militante na poesia, militante na política
M.L.
Aviso aos pais
Ontem, por motivos familiares, fui ao cinema ver um filme chamado “A Casa Assombrada”. Não, não vou entrar no campo da crítica de cinema, outro dia será. O que me deixou inquieta foi aquilo ser um filme da Disney, com o Eddie Murphy, e com todas as indicações de se tratar de um filme bom para meninos. Era Comédia/Fantasia. Eu ia tranquila quanto a isso, e apesar de uma voz amiga, me ter dito “tens a certeza de que não é mesmo assombrada?” ia muito convicta de que era tudo a brincar e muito levezinho. Bolas, o Gasparzinho também era um fantasma, não era? E não me lembro de ouvir falar em crianças que tivessem pesadelos com o Gasparzinho.
Pois bem, os fantasmas, de facto, podiam ser vistos por qualquer idade. Uns perfeitamente reais que, plofft, desapareciam em nuvem, outros transparentes como no Harry Potter. Quanto a fantasmas, no problem, qualquer criança de hoje come-os ao pequeno-almoço
Mas há uma sequência, muuuuito prolongada, passada numa cripta/túmulo de um cemitério que, aviso quaisquer pais para terem cuidado. O Eddie tem de abrir um túmulo e tirar uma chave. Só que a chave está “enterrada” no corpo de uma espécie de múmia que cria vida própria. E. segundos depois, ele vê-se perseguido por hordas de criaturas, naquele estado semi-putrefacto onde ainda não são esqueletos mas estão em estado avançado de decomposição. Talvez fosse para ter graça, o medo do Eddie, mas o que vi à minha volta foi muita gente a fechar os olhos e agarrados às cadeiras.
Acabou bem, é claro. Mas, à saída, os sorrisos que vi eram muito amarelos.
Alguém me diz qual a vantagem daquelas imagens? Exorcizar o medo da morte? Rir com o horror? Atenção, era para crianças, era da Disney!
.
M.L.
Pois bem, os fantasmas, de facto, podiam ser vistos por qualquer idade. Uns perfeitamente reais que, plofft, desapareciam em nuvem, outros transparentes como no Harry Potter. Quanto a fantasmas, no problem, qualquer criança de hoje come-os ao pequeno-almoço
Mas há uma sequência, muuuuito prolongada, passada numa cripta/túmulo de um cemitério que, aviso quaisquer pais para terem cuidado. O Eddie tem de abrir um túmulo e tirar uma chave. Só que a chave está “enterrada” no corpo de uma espécie de múmia que cria vida própria. E. segundos depois, ele vê-se perseguido por hordas de criaturas, naquele estado semi-putrefacto onde ainda não são esqueletos mas estão em estado avançado de decomposição. Talvez fosse para ter graça, o medo do Eddie, mas o que vi à minha volta foi muita gente a fechar os olhos e agarrados às cadeiras.
Acabou bem, é claro. Mas, à saída, os sorrisos que vi eram muito amarelos.
Alguém me diz qual a vantagem daquelas imagens? Exorcizar o medo da morte? Rir com o horror? Atenção, era para crianças, era da Disney!
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M.L.
segunda-feira, 23 de fevereiro de 2004
Zeca Afonso
Não gosto de me lembrar que já foi há 17 anos.
Parece-me ainda tão perto, a emoção, a cumplicidade, os sentimentos tão fortes.
São outros os momentos que quero lembrar:
Quando se comprava os discos em vinil, entre amigos para ajudar o Zeca.
Quando foi para Moçambique pelas dificuldades que lhe embaraçavam a vida como um novelo cheio de nós.
25 de Abril, sonho, alegria, esperança, tudo é possível!!!
O Zeca a cantar e a não se lembrar a letra das canções entre a galhofa da malta que se metia com ele. O Zeca em vários registos, a canção de combate, o profundo lirismo, a influência da música de África.
O amigo. O companheiro. O sentimental.
É claro que continua connosco. E continuará enquanto nós também por cá andarmos.
E como é belo ouvir jovens de hoje voltarem a cantar as suas cantigas. Nunca haverá melhor homenagem nem melhor modo de garantir esse toque continuidade.
Por favor continuem a cantá-lo.
M.L.
Foguetes
Escrevi ainda ontem um postezinho a descair para o piegas sobre os benefícios da despoluição sonora do campo, versus cidade.
Venho acrescentar um P.S. mais realista de um facto de que me tinha esquecido.
Basta uma palavra: foguetes. Acho que não preciso de dizer mais nada. Quem já passou por uma ”alvorada” às 7 da manhã sabe do que falo. Ou outros não me vão entender.
(antes que me esqueça, sabem o que é "deitar foguetes antes da festa"? não sei porque é que me fui lembrar das presidenciais... pois se a festa ainda vem tão longe )
M.L.
Sempre-em-pé
Quando eu era criança lembro-me de ver uns brinquedos chamados sempre-em-pé, coisa muito simples mas engraçada: era como 2 bolinhas de ping-pong coladas, numa estava desenhada uma cara, e na outra uns traços correspondiam ao corpo. Na base do “corpo” havia uma substância pesada, e como o conjunto era muito leve, mesmo que se deitasse o boneco, ele imediatamente se “punha em pé”, porque o corpo era mais leve que os pés.
Quem se dê ao cuidado de prestar atenção ao que dizem pessoas que ligam para programas de rádio ou alguns “interactivos” (?) de TV, ouve muitas vezes este tipo de diálogo:
- Bom dia, caro ouvinte. Então, bem disposto/a?
- Sempre!!!
- Óptimo, isso é que se quer.
........etc.
Fico sempre a pensar que não ouvi bem. Alguém que esteja SEMPRE bem disposto só pode ser um totó. E ainda por cima com o aplauso risonho do animador que fala com ele. Mas lá que este diálogo é frequente, ai isso é.
Dado o ar feliz e contente do “nosso primeiro” só me dá para lembrar os sempre-em-pé ou, na versão moderna, os sempre-bem-dispostos.
Será que estes senhores andam num mundo real? Só ouvem e vêm aquilo que querem? Os “sempre-em-pé” tinham pés de chumbo mas a cabeça era muito levezinha – pois se era oca!
M.L.
domingo, 22 de fevereiro de 2004
De volta ao passado III
Uma vez pode ser descuido ou distracção. Duas vezes já se vê que é intencional, mas poderá ser uma “flor de retórica”. Agora quando passa a ser sistemático já nos pode causar cuidados. Por que raio, o Durão Barroso quer reduzir Portugal às chefias do PSD/PP ? Quem não aceita as suas conclusões é porque “não quer o melhor para Portugal”???? É que já nem fala em povo português, por exemplo, enche a boca com PORTUGAL. É o tipo de linguagem que, de tão demagógica, acaba por perder o efeito pretendido. Assim como que uma espécie de “eixo do mal” dos pequeninos...
Por favor, Dr. Durão, poupe-nos! Já ouvimos esse discurso há 40 anos.
M.L.
Por favor, Dr. Durão, poupe-nos! Já ouvimos esse discurso há 40 anos.
M.L.
Ouvir o silêncio
Quando se vive numa cidade grande (mas Lisboa será cidade grande?) criamos umas defesas especiais, e deixamos de ouvir o ruído de fundo permanente. É uma espécie de “surdez citadina” específica. Não estou a pensar nos casos extremos de buzinas, ambulâncias, o coro infernal de máquinas de construção civil; falo do som geral de uma cidade que nem se dá muito por ele. Mas se, por acaso, passamos uns dias, um fim-de-semana que seja, numa aldeia, longe da estrada, de repente começamos a ouvir a vida. A natureza está cheia de animais! São galos, cães e gatos, rolas, passarinhos com piares diferentes entre si, rãs, grilos, cigarras... E no meio desses sons muito vivos, há por vezes momentos de verdadeiro silêncio. Silêncio que só se atenua quando ouvimos mesmo muito ao longe o sino da igreja para lá do monte.
M.L.
M.L.
Pedir a mão
Neste fim-de-semana, mais prolongado por obra e graça do Carnaval, tive ocasião de fazer umas “releituras” de que estava a precisar. E, num romance, tropecei por várias vezes em situações onde personagens masculinas vão (ou evitam ir / ou desejam ir / ou planeiam ir) “pedir” meninas em casamento, aos pais das ditas. Conforme o estatuto social, e a época, pode tratar-se de uma cerimónia imponente, ou coisa mais simples e modesta. Aliás, literatura à parte, ainda recentemente vimos nos nossos cinemas um filme romântico “O amor acontece” onde um inglês vinha “pedir a mão” de uma rapariga portuguesa, numa sequência ridícula e absurda tal como era contada.
Mas o que me deixa a pensar é o que a noção implica: pede-se uma coisa que é de alguém e que desejamos possuir, não é? Portanto, as raparigas pertencem aos pais, até estes as cederem aos futuros maridos. Só para ficar mais nítido o significado do acto é fazer um exercício de imaginação muito fácil e virar a situação “do avesso” : imaginem que uma rapariga vai a casa do namorado pedi-lo aos pais em casamento! Porque é que a imagem nos choca?
M.L.
Mas o que me deixa a pensar é o que a noção implica: pede-se uma coisa que é de alguém e que desejamos possuir, não é? Portanto, as raparigas pertencem aos pais, até estes as cederem aos futuros maridos. Só para ficar mais nítido o significado do acto é fazer um exercício de imaginação muito fácil e virar a situação “do avesso” : imaginem que uma rapariga vai a casa do namorado pedi-lo aos pais em casamento! Porque é que a imagem nos choca?
M.L.
sexta-feira, 20 de fevereiro de 2004
Humor
Acabo de ouvir o "Palmilha Dentada", minutos diários de humor que não perco, porque dá para começar o dia com um sorriso. Para mim é melhor programa de humor do momento!!!
Excelente!
M.L.
Excelente!
M.L.
Pontos de vista ...
Pois é! Tudo depende da informação.
Ouvido, cá por casa, na boca de um otimista em relação ao Portugal-Inglaterra:
"Portugal meteu 2 golos ! " Espantei-me, mas antes de me alegrar, ele concluíu : "Um na própria balisa"
Por vezes encontro estranhas semelhanças entreo futebol e a nossa terra...
M.L.
Ouvido, cá por casa, na boca de um otimista em relação ao Portugal-Inglaterra:
"Portugal meteu 2 golos ! " Espantei-me, mas antes de me alegrar, ele concluíu : "Um na própria balisa"
Por vezes encontro estranhas semelhanças entreo futebol e a nossa terra...
M.L.
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2004
Cá vamos, cantando e rindo...
Já se sabia, mas é bom ver em letra de imprensa [ é que ninguém inventa, nada não senhor!]
« Pouco depois de assumir a pasta da Justiça, Celeste Cardona defendeu a extinção do Gabinete de Auditoria e Modernização por considerá-lo inútil.
Quase dois anos depois, o gabinete onde já trabalharam 16 funcionários conta apenas com o motorista, já que todos os outros foram transferidos. Essa realidade não impediu a ministra de nomear, a semana passada, dois jovens quadros para a direcção.
A nova directora tem 30 anos e licenciou-se em 1997. O sub-director tem 29 anos, licenciou-se em 2001 e tem como única experiência profissional a de consultor de um gabinete do Ministério.
O «Diário de Notícias» diz que estas nomeações estão a causar mal-estar no Ministério da Justiça, dado que os dois quadros têm pouca experiência e vão receber os ordenados máximos permitidos na Função Pública, ficando imediatamente abaixo do primeiro-ministro.
Assim, a direcção vai receber uma remuneração de 5541 euros e o sub-director vai receber 5380.»
Então? Poupadinha, trocou 16 por 2, e ainda jovens com muita vida à frente. Ganda negócio!!!!
M.L.
« Pouco depois de assumir a pasta da Justiça, Celeste Cardona defendeu a extinção do Gabinete de Auditoria e Modernização por considerá-lo inútil.
Quase dois anos depois, o gabinete onde já trabalharam 16 funcionários conta apenas com o motorista, já que todos os outros foram transferidos. Essa realidade não impediu a ministra de nomear, a semana passada, dois jovens quadros para a direcção.
A nova directora tem 30 anos e licenciou-se em 1997. O sub-director tem 29 anos, licenciou-se em 2001 e tem como única experiência profissional a de consultor de um gabinete do Ministério.
O «Diário de Notícias» diz que estas nomeações estão a causar mal-estar no Ministério da Justiça, dado que os dois quadros têm pouca experiência e vão receber os ordenados máximos permitidos na Função Pública, ficando imediatamente abaixo do primeiro-ministro.
Assim, a direcção vai receber uma remuneração de 5541 euros e o sub-director vai receber 5380.»
Então? Poupadinha, trocou 16 por 2, e ainda jovens com muita vida à frente. Ganda negócio!!!!
M.L.
Por onde andam os colos ?
Desde que se inventaram as cadeirinhas "de transportar bebés" tornou-se moda levar as criancinhas nessas famosas cadeirinhas, que parecem cestos de supermercado acolchoados, em vez do os transportar simplesmente ao colo. É certo que ainda existem as "bolsas canguru" onde algumas mães mais antiquadas levam os seus bebés perto do coração, mas cada vez são mais raras. O que está in é tirar a criança do carro nesse "artefacto" e levá-la directamente para o infantário, encaixada no cesto/ cadeirinha.
A completar, já há anos que me faz impressão ( que isto agora é coisa já antiga) o facto de nas zonas reservadas, nos transportes públicos, a "grávidas, deficientes e pessoas com crianças de colo", por sistema, vemos uma criança pequenina sentada no assento e a avó ou mãe, carregada de sacos, com ar fatigado, agarrada ao varão. Acho profundamente antipedagógico! Aquele lugar é para um adulto com uma criança ao colo ! A criancinha repimpada num grande assento, a baloiçar as pernas e por vezes a ferrar pontapés na pessoa da frente e o adulto a vigiá-la em pé é um absurdo. É mau porque o menino imagina que "tem direito" aquele lugar, e é mau porque acaba por não ter o tal colo que só lhe fazia bem.
M.L.
A completar, já há anos que me faz impressão ( que isto agora é coisa já antiga) o facto de nas zonas reservadas, nos transportes públicos, a "grávidas, deficientes e pessoas com crianças de colo", por sistema, vemos uma criança pequenina sentada no assento e a avó ou mãe, carregada de sacos, com ar fatigado, agarrada ao varão. Acho profundamente antipedagógico! Aquele lugar é para um adulto com uma criança ao colo ! A criancinha repimpada num grande assento, a baloiçar as pernas e por vezes a ferrar pontapés na pessoa da frente e o adulto a vigiá-la em pé é um absurdo. É mau porque o menino imagina que "tem direito" aquele lugar, e é mau porque acaba por não ter o tal colo que só lhe fazia bem.
M.L.
Carnaval e Consumismo
Agora que o Carnaval está à porta, não se entra em qualquer supermercado ou "loja de 300" sem sermos rodeados dos mais variados fatos de máscaras. Cada ano se escolhe e compra já feito um fato que corresponde ao que é "moda" para esse ano nas crianças.
Como é? Moda na imaginação?
Quando eu era criança brincava-se muito ao "faz de conta", o que quer dizer aos polícias e ladrões, aos pais e filhos, aos médicos, aos cowboys e índios, às escolas... eu sei lá. era o que apetecia no momento, mas para isso quase sempre tinhamos que nos vestir de acordo com o "teatro" que se fazia. Roubava-se os sapatos e carteiras da mãe, colchas de cama, cabides, lenços, panelas, muita roupa dos mais crescidos e adaptações várias. Claro que não se ficava tal e qual o modelo, mas a imaginação fazia o resto.
Esses teatros que duravam todo o ano, tinham o seu ponto alto no Carnaval. Aí a máscara era mais "a sério" o que quer dizer que havia uns retoques da família, a avó fazia uma saia comprida de "dama antiga com uma cortina, ou um colete de pirata de um antigo do avô mais uns bordados por cima. mas aquele fato era mesmo nosso ninguém tinha um igual e podia continuar a servir para brincar o resto do ano em casa.
Não costumo ser saudosista, mas acho que estes fatos feitos em série, além de obviamente mais caros, são um pouco de usar e deitar fóra, não tem metade da magia dos meus!
M.L
Como é? Moda na imaginação?
Quando eu era criança brincava-se muito ao "faz de conta", o que quer dizer aos polícias e ladrões, aos pais e filhos, aos médicos, aos cowboys e índios, às escolas... eu sei lá. era o que apetecia no momento, mas para isso quase sempre tinhamos que nos vestir de acordo com o "teatro" que se fazia. Roubava-se os sapatos e carteiras da mãe, colchas de cama, cabides, lenços, panelas, muita roupa dos mais crescidos e adaptações várias. Claro que não se ficava tal e qual o modelo, mas a imaginação fazia o resto.
Esses teatros que duravam todo o ano, tinham o seu ponto alto no Carnaval. Aí a máscara era mais "a sério" o que quer dizer que havia uns retoques da família, a avó fazia uma saia comprida de "dama antiga com uma cortina, ou um colete de pirata de um antigo do avô mais uns bordados por cima. mas aquele fato era mesmo nosso ninguém tinha um igual e podia continuar a servir para brincar o resto do ano em casa.
Não costumo ser saudosista, mas acho que estes fatos feitos em série, além de obviamente mais caros, são um pouco de usar e deitar fóra, não tem metade da magia dos meus!
M.L
Desabafo
Há uns tempos que receci via email estes comentários:
Já percebeste o que os anos 90 fizeram contigo?
1. Tentas teclar o teu pin no display do micro-ondas;
2. Não jogas paciência com cartas de verdade há anos,
ou então nunca conheceste outra forma de jogar paciência!
3. Perguntas, via e-mail, se o teu colega ao lado vai
almoçar contigo e ele responde-te, por e-mail claro:
"Dá-me cinco minutos!";
4. Tens 15 números de telefone diferentes para falares
com a tua família de 3 pessoas;
5. O motivo pelo qual perdeste o contacto
com os teus antigos amigos e colegas é porque eles
têm um novo endereço de e-mail;
6. Não sabes o preço de um envelope comum;
7. Para ti, ser organizado significa ter vários
bloquinhos de Post-It de cores diferentes;
8. A maioria das piadas que conheces, recebeste por
e-mail (e ainda por cima ris-te sozinho...);
9. Já dizes o nome da firma onde trabalhas quando
atendes o telefone em casa;
10. Digitas o 0 para telefonar de tua casa;
11. Vais para o trabalho quando ainda está escuro,
voltas para casa quando já escureceu de novo;
12. Quando o teu computador pára de funcionar, parece
que foi o teu coração que parou. Ficas sem saber o que
fazer, sentes-te perdido;
13. Sentes-te nu quando te esqueces do telemóvel;
14. Leste este email e balanças-te afirmativamente com
a cabeça em diversos pontos;
e o pior é que é mesmo verdade!!!!
Então o ponto 10 como os telefones são mesmo iguais, é todos os dias!
M.L.
Já percebeste o que os anos 90 fizeram contigo?
1. Tentas teclar o teu pin no display do micro-ondas;
2. Não jogas paciência com cartas de verdade há anos,
ou então nunca conheceste outra forma de jogar paciência!
3. Perguntas, via e-mail, se o teu colega ao lado vai
almoçar contigo e ele responde-te, por e-mail claro:
"Dá-me cinco minutos!";
4. Tens 15 números de telefone diferentes para falares
com a tua família de 3 pessoas;
5. O motivo pelo qual perdeste o contacto
com os teus antigos amigos e colegas é porque eles
têm um novo endereço de e-mail;
6. Não sabes o preço de um envelope comum;
7. Para ti, ser organizado significa ter vários
bloquinhos de Post-It de cores diferentes;
8. A maioria das piadas que conheces, recebeste por
e-mail (e ainda por cima ris-te sozinho...);
9. Já dizes o nome da firma onde trabalhas quando
atendes o telefone em casa;
10. Digitas o 0 para telefonar de tua casa;
11. Vais para o trabalho quando ainda está escuro,
voltas para casa quando já escureceu de novo;
12. Quando o teu computador pára de funcionar, parece
que foi o teu coração que parou. Ficas sem saber o que
fazer, sentes-te perdido;
13. Sentes-te nu quando te esqueces do telemóvel;
14. Leste este email e balanças-te afirmativamente com
a cabeça em diversos pontos;
e o pior é que é mesmo verdade!!!!
Então o ponto 10 como os telefones são mesmo iguais, é todos os dias!
M.L.
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2004
INFÂNCIA DESVALIDA (3ª parte)
E agora o Sr. Villas ( acho que é com éle duplo) Boas. Este senhor que já é conhecido há bastante tempo porque é uma classe especial : um fura-vidas jet-set. É amigo íntimo de toda a gente importante, consegue subsídios e dinheiro lá para o seu lar, vindo de toda a parte. Aliás, no site da Fundação, até lá vem que é apadrinhado pelos Duques de Bragança, atenção que não é qualquer um ! Existe cá pelo burgo este tipo de pessoas que desenvolvem muito trabalho vistoso porque sabem mexer os cordelinhos necessários.
Por outro lado os números de crianças recolhidas, parece-me desadequado. Não é que não haja necessidade de socorrer centenas de miúdos, mas, por favor, não os juntem. Não é um supermercado de protecção à criança! Uma casa que tenha mais de umas 12 crianças começa a não ser humana nem natural. Conheço outros casos de pessoas que descobrem fontes de financiamentos para as suas acções beneméritas e conhecem todos os truques para aproveitarem os subsídios possíveis mas nenhum tão vaidoso como este senhor. Não foi preciso estas declarações infelizes para o conhecer. Até acho que foi um bem ele ter dado esta barraca, sempre foi uma maneira de se poder arejar uma história que precisava de um pouco de ar fresco.
M.L.
Por outro lado os números de crianças recolhidas, parece-me desadequado. Não é que não haja necessidade de socorrer centenas de miúdos, mas, por favor, não os juntem. Não é um supermercado de protecção à criança! Uma casa que tenha mais de umas 12 crianças começa a não ser humana nem natural. Conheço outros casos de pessoas que descobrem fontes de financiamentos para as suas acções beneméritas e conhecem todos os truques para aproveitarem os subsídios possíveis mas nenhum tão vaidoso como este senhor. Não foi preciso estas declarações infelizes para o conhecer. Até acho que foi um bem ele ter dado esta barraca, sempre foi uma maneira de se poder arejar uma história que precisava de um pouco de ar fresco.
M.L.
INFÂNCIA DESVALIDA (2ª parte)
Claro que há casos, muitos até, onde a miséria é moral. Crianças maltratadas, violadas, rejeitadas. Meninos criados em ambiente de abandono, de indiferença. Mas também aí, na minha opinião há trabalho a fazer com a família. Essas famílias “disfuncionais”, desde que se invista, podem receber orientação e “tratamento”. São sempre situações complicadas mas para isso é que há técnicos e trabalho de equipa, não é? Por outro lado, para além dos pais, é muitas vezes possível encontrar no agregado familiar, tios, padrinhos, primos, cunhados, compadres, eu sei lá, parentes mesmo afastados que com o apoio económico que se vai gastar quando se interna uma criança numa instituição, poderão dar uma resposta muito mais semelhante à vida que a criança tinha na sua casa, e portanto mais adequada.
Temos depois as “famílias de acolhimento”; famílias apoiadas por serviços públicos a quem se paga para receberem a tal criança que não tem lar próprio. Já é uma resposta mais delicada, terá de haver muita vigilância do que se passa entre aquelas paredes, mas... é um lar, uma casa.
E também há a adopção. Também é uma resposta que convém ser cuidadosa, mas sem fundamentalismos. Muitas vezes os técnicos que decidem quais os casais com perfil adoptante, projectam as suas ideias, e muitas vezes inacreditáveis estereótipos. Os processos, como é norma na nossa terra, arrastam-se anos e anos pondo á prova a capacidade de resistência dos candidatos a pais.
E tudo isto, é sempre melhor do que o internamento, que deve ser o último recurso.
M.L.
Temos depois as “famílias de acolhimento”; famílias apoiadas por serviços públicos a quem se paga para receberem a tal criança que não tem lar próprio. Já é uma resposta mais delicada, terá de haver muita vigilância do que se passa entre aquelas paredes, mas... é um lar, uma casa.
E também há a adopção. Também é uma resposta que convém ser cuidadosa, mas sem fundamentalismos. Muitas vezes os técnicos que decidem quais os casais com perfil adoptante, projectam as suas ideias, e muitas vezes inacreditáveis estereótipos. Os processos, como é norma na nossa terra, arrastam-se anos e anos pondo á prova a capacidade de resistência dos candidatos a pais.
E tudo isto, é sempre melhor do que o internamento, que deve ser o último recurso.
M.L.
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