Mas o que se passa na nossa terra? Por vezes tenho a sensação que regredimos alguns séculos e vivemos uma constante “caça às bruxas”. Do velho estereotipo “bom povo” hospitaleiro, tolerante, generoso, caímos agora no extremo de desconfiança permanente onde cada ser humano pode ser um perverso em vias de actuar contra a inocência desvalida.
Vou contar uma história que se passou há poucos dias.
Local – Um Jardim de Infância, em Lisboa, local central.
Hora – Cerca das 11da manhã, hora de recreio.
As crianças brincavam no jardim do infantário que é contornado por um gradeamento e reforçado por uma rede. O portão só abre por dentro e o trinco está fora do alcance das crianças. Passa uma senhora que conversa com uma das crianças, sob o olhar da educadora que não se aproximou. Após uns minutos de conversa, a senhora bate à porta e pede para falar com a Directora. No gabinete desta, prega-lhe uma enorme descompostura, exaltadíssima, que aquelas crianças estavam em grande perigo. A directora fica atónita, até perceber que essa senhora achava gravíssimo a educadora não ter corrido a afastar a criança, porque se ela fosse mal intencionada poderia ter dado ao menino algo que lhe fizesse mal! Aquilo tinha sido uma experiência e queria apresentar uma queixa.
Não inventei nada. Esta história é mesmo verdadeira, e eu nem faço comentários.
M.L.
quinta-feira, 1 de abril de 2004
Será?
Ensinaram-me agora mesmo uma experiência interessante.
Dou-lhes o mesmo conselho:
Vão ao Google e pesquisem a palavra - estúpido.
Vejam a primeira entrada.
Não conto mais nada...
Olhem que eu cá não tenho a culpa.
M.L.
Dou-lhes o mesmo conselho:
Vão ao Google e pesquisem a palavra - estúpido.
Vejam a primeira entrada.
Não conto mais nada...
Olhem que eu cá não tenho a culpa.
M.L.
Não é possível!
Li ISTO e não acredito! Vou ver se leio mesmo o inquérito, porque apesar de não estar sempre a pensar que "a culpa é dos jornalistas" que não se explicam bem, acho isto tudo tão aberrante, que deve ter uma outra explicação... Caramba, aquela gente do M.E. também não é assim tão má. Que raio se passou?
M.L.
Viva Abril !
VIVA ABRIL!
Hoje abri o Barnabé e senti-me roubada. Não é que eu tinha tido exactamente a mesma ideia? Bom, dizem que "les bons esprits" ... etc e tal. Mas, pronto, não vou desistir. O pior é a minha terrível inexperiência nestas artes de copiar imagens, mas quem dá o que tem...
M.L.
Hoje abri o Barnabé e senti-me roubada. Não é que eu tinha tido exactamente a mesma ideia? Bom, dizem que "les bons esprits" ... etc e tal. Mas, pronto, não vou desistir. O pior é a minha terrível inexperiência nestas artes de copiar imagens, mas quem dá o que tem...
M.L.
quarta-feira, 31 de março de 2004
Correr riscos
Como achega ao post mais atrás, "Pintainhos", encontrei um FW mais ou menos esquecido que não resisto a copiar para aqui. Não sei quem o escreveu, mas ao circular como FW tornou-se público! Estes pintos já não são Kalimeros
Para quem já tem mais de 22 anos... faz pensar que até tivemos sorte...
Olhando para trás, é difícil acreditar que estejamos vivos.
Nós viajávamos em carros sem cintos de segurança ou air bag. Não tivemos nenhuma tampa à prova de crianças em frascos de remédios, portas, ou armários e andávamos de bicicleta sem capacete, sem contar que pedíamos boleia. Bebíamos água directamente da mangueira e não da garrafa.
Gastámos horas a construir os nossos carrinhos de rolamentos para descer ladeira abaixo e só então descobríamos que nos tínhamos esquecido dos travões. Depois de colidir com algumas árvores, aprendemos a resolver o problema. Saíamos de casa de manhã, brincávamos o dia inteiro, e só voltávamos quando se acendiam as luzes da rua.
Ninguém nos podia localizar. Não havia telemóveis.
Nós partimos ossos e dentes, e não havia nenhuma lei para punir os culpados. Eram acidentes. Ninguém para culpar, só a nós próprios.
Tivemos brigas e esmurramos uns aos outros e aprendemos a superar isto.
Estávamos sempre ao ar livre, a correr e a brincar. Compartilhamos garrafas de refrigerante e ninguém morreu por causa disso.
Não tivemos Playstations, Nintendo 64, vídeo games, 99 canais a cabo, filmes em vídeo, surround sound, telemóveis, computadores ou Internet.
Nós tivemos amigos. Nós saíamos e íamos ter com eles. Íamos de bicicleta ou a pé até casa deles e batíamos à porta. Imaginem tal coisa! Sem pedir autorização aos pais, por nós mesmos! Lá fora, no mundo cruel!
Sem nenhum responsável! Como conseguimos fazer isto?
Fizemos jogos com bastões e bolas de ténis e comemos minhocas e, embora nos tenham dito que aconteceria, nunca nos caíram os olhos ou as minhocas ficaram vivas na nossa barriga para sempre.
Nos jogos da escola, nem toda a gente fazia parte da equipa. Os que não fizeram, tiveram que aprender a lidar com a decepção... Alguns estudantes não eram tão inteligentes quanto os outros. Eles repetiam o ano! Que horror! Não inventavam testes extras.
Éramos responsáveis por nossas acções e arcávamos com as consequências.
Não havia ninguém que pudesse resolver isso. A ideia de um pai nos protegendo, se desrespeitássemos alguma lei, era inadmissível! Eles protegiam as leis! Imaginem!
A nossa geração produziu alguns dos melhores compradores de risco, criadores de soluções e inventores. Os últimos 50 anos foram uma explosão de inovações e novas ideias. Tivemos liberdade, fracasso, sucesso e esponsabilidade, e aprendemos a lidar com isso.
Claro que isto não pretende ser uma crítica aos jovens actuais, até porque quem os educa são os pais, mas a verdade é que certos riscos, paradoxalmente, ajudam à segurança.
M.L.
Para quem já tem mais de 22 anos... faz pensar que até tivemos sorte...
Olhando para trás, é difícil acreditar que estejamos vivos.
Nós viajávamos em carros sem cintos de segurança ou air bag. Não tivemos nenhuma tampa à prova de crianças em frascos de remédios, portas, ou armários e andávamos de bicicleta sem capacete, sem contar que pedíamos boleia. Bebíamos água directamente da mangueira e não da garrafa.
Gastámos horas a construir os nossos carrinhos de rolamentos para descer ladeira abaixo e só então descobríamos que nos tínhamos esquecido dos travões. Depois de colidir com algumas árvores, aprendemos a resolver o problema. Saíamos de casa de manhã, brincávamos o dia inteiro, e só voltávamos quando se acendiam as luzes da rua.
Ninguém nos podia localizar. Não havia telemóveis.
Nós partimos ossos e dentes, e não havia nenhuma lei para punir os culpados. Eram acidentes. Ninguém para culpar, só a nós próprios.
Tivemos brigas e esmurramos uns aos outros e aprendemos a superar isto.
Estávamos sempre ao ar livre, a correr e a brincar. Compartilhamos garrafas de refrigerante e ninguém morreu por causa disso.
Não tivemos Playstations, Nintendo 64, vídeo games, 99 canais a cabo, filmes em vídeo, surround sound, telemóveis, computadores ou Internet.
Nós tivemos amigos. Nós saíamos e íamos ter com eles. Íamos de bicicleta ou a pé até casa deles e batíamos à porta. Imaginem tal coisa! Sem pedir autorização aos pais, por nós mesmos! Lá fora, no mundo cruel!
Sem nenhum responsável! Como conseguimos fazer isto?
Fizemos jogos com bastões e bolas de ténis e comemos minhocas e, embora nos tenham dito que aconteceria, nunca nos caíram os olhos ou as minhocas ficaram vivas na nossa barriga para sempre.
Nos jogos da escola, nem toda a gente fazia parte da equipa. Os que não fizeram, tiveram que aprender a lidar com a decepção... Alguns estudantes não eram tão inteligentes quanto os outros. Eles repetiam o ano! Que horror! Não inventavam testes extras.
Éramos responsáveis por nossas acções e arcávamos com as consequências.
Não havia ninguém que pudesse resolver isso. A ideia de um pai nos protegendo, se desrespeitássemos alguma lei, era inadmissível! Eles protegiam as leis! Imaginem!
A nossa geração produziu alguns dos melhores compradores de risco, criadores de soluções e inventores. Os últimos 50 anos foram uma explosão de inovações e novas ideias. Tivemos liberdade, fracasso, sucesso e esponsabilidade, e aprendemos a lidar com isso.
Claro que isto não pretende ser uma crítica aos jovens actuais, até porque quem os educa são os pais, mas a verdade é que certos riscos, paradoxalmente, ajudam à segurança.
M.L.
"A minha política é o trabalho"
Apesar de já ter as minhas ideias sobre o assunto, esta notícia do D.N. veio confirmar as minhas convicções. Com honrosas excepções dos "jotinhas" dos partidos, e muitos jovens que se envolvem em movimentos anti-globalização, ou de algum modo pacifistas, a verdade é que a juventude, e não só a portuguesa, parece desacreditar no instrumento base da democracia que é o voto popular. De uma forma geral, segundo a expressão popular "não sabem, não querem saber e têm raiva a quem souber". Transmitem a ideia de que a política "é suja", os políticos têm inúmeros defeitos ( como se as outras profissões os não tivessem) e sobretudo não há nada a fazer, o melhor é afastarem-se e ignorarem esse mundo esquisito e aborrecido. Quando se lhes diz, que essa atitude também é uma atitude política ficam furiosos e nem se consegue explicar o nosso ponto de vista. Já estou fartinha de ter passado por isso...
Só à minha volta estou a lembrar-me de 4 casos, e em famílias onde o modelo não é esse. Um jovem muito inteligente, num ano adiantado de engenharia informática estranhou que a manifestação de 20 de Março pudesse não ter autorização. "Mas é preciso autorização? Isso era antes do 25 de Abril!"; outro, também muito inteligente, interessado por muitas coisas e a terminar um curso de realização de cinema, "não teve tempo para se recensear"
Às vezes, por maldade vem-me à cabeça, a ideia de se alterar a idade de 18 para 25. Eles dariam conta? Tanto imagino que começavam a protestar e aí se interessavam como, o provável, é que nem dessem por isso. A sua política pode "não ser o trabalho", mas são obviamente outros interesses que não passam pela intervenção social.
M.L.
Só à minha volta estou a lembrar-me de 4 casos, e em famílias onde o modelo não é esse. Um jovem muito inteligente, num ano adiantado de engenharia informática estranhou que a manifestação de 20 de Março pudesse não ter autorização. "Mas é preciso autorização? Isso era antes do 25 de Abril!"; outro, também muito inteligente, interessado por muitas coisas e a terminar um curso de realização de cinema, "não teve tempo para se recensear"
Às vezes, por maldade vem-me à cabeça, a ideia de se alterar a idade de 18 para 25. Eles dariam conta? Tanto imagino que começavam a protestar e aí se interessavam como, o provável, é que nem dessem por isso. A sua política pode "não ser o trabalho", mas são obviamente outros interesses que não passam pela intervenção social.
M.L.
Pintaínhos...?
O tema não é novo para mim, mas esta manhã ao ouvir na Antena 1 o Nicolau Santos e, vendo de novo um enorme engarrafamento à porta de uma escola, senti necessidade de o partilhar.
O Estado tem um papel importante de regulador das relações entre os cidadãos. Deve manter a ordem, evitar crimes entre as pessoas, apoiar os mais fracos, etc. Claro que nem todos temos as mesmas ideias sobre esse papel, e isso é nítido quando se defrontam conceitos de esquerda e direita. Mas há duas imagens que me inquietam:
o Estado-Polícia, e o Estado-Mamã.
Quanto ao primeiro, estamos entendidos, não vou acrescentar nada. Mas a que é que chamo Estado-Mamã? É quando somos protegidos "à força". Que os serviços públicos tenham a obrigação de avisar e prevenir de perigos possíveis parece-me pacífico. Mas o que é feito do livre-arbítrio de cada um? É que, com franqueza parece-me assistir a um movimento impressionante do desejo de envolver toda a gente em algodão em rama. Uma coisa que se aprende em pedagogia é que uma acção educativa só é eficiente quando é aceite "de dentro para fóra", é feita por se acredita no que se faz e não porque nos mandam.
Hoje o Nicolau Santos, a propósito da polémica do fumar, lembrou que os utensílios de madeira (colheres de pau, tábuas de bater bifes) tinham sido condenados por poderem transmitir germens. Eu sabia. Mas na casa de cada um continua a haver colheres de pau, eu respeito muito a ciência, mas não mandem na minha cozinha! Lá que é por bem, não tenho dúvida, mas cada um perante as informações tem de fazer a sua escolha pessoal. É que se corre o risco de perante uma chuva de excesso de informação, e muita dela, contraditória, não se ligar mesmo a nada! Está-se a infantilizar o cidadão, tratado como pintainho indefeso sob a asa protectora da galinha.
E é este modelo que se transmite aos miúdos. O tal constante engarrafamento que referi acima, veio lembrar-me os meus tempos de criança, quando aos 9/10 anos ia sozinha para a escola. Ia de transporte público, que eu morava no Areeiro e a escola era entre o Rato e o Príncipe Real. Acredito que me tornou mais responsável. E os meus pais não tinham de se ralar em me ir levar ou trazer, iam fazer o trabalho deles. Havia obrigações bem definidas e desde cedo éramos responsáveis pelos nossos actos e pelas nossas escolhas.
Estas crianças que vão para a escola no carro dos pais não se sabem, de facto, orientar sozinhas. É divertido não "terem tempo" para brincar entre eles, que é um exercício natural, porque essa é a hora de ir a um ginásio onde vão receber o estímulo que poderiam receber naturalmente e de graça.
Mundo cómico este, não é?
M.L.
terça-feira, 30 de março de 2004
Fumar ou não fumar
Não sei se alguém se lembra de dois filmes franceses ( ou podemos considerar um, “duplo” ? ) que passaram já há uns anos nos nossos cinemas, chamados, exactamente, um deles "Fumar" e o outro "Não Fumar". Era quase um exercício de estilo, uma história contada e recontada por diversas personagens sob o seu exclusivo ponto de vista. No filme "Fumar" toda a gente fumava. No filme "Não fumar" a história era rigorosamente igual mas ninguém fumava. Creio que o filme era do Resnais, mas já não vou jurar. Era leve, engraçado e nada tonto porque o que demonstrava era a enorme subjectividade com que se encara o grosso dos acontecimentos que nos rodeiam, a história era um caleidoscópio de opiniões.
Quando ontem ouvi a notícia sobre a lei irlandesa a propósito do tabaco, tive a certeza de que iria dar faísca por aqui na blogosfera. Era óbvio e os cerca de 80 comentários num post do Barnabé vieram logo confirmar esta previsão. Não fui lá comentar, já o tinha feito mais atrás quando o assunto tinha sido anteriormente abordado, e havia ali pano para muitas mangas mesmo sem a minha ajuda. Mas, não resisto a dar também opinião.
Não sei se interessa ao caso, mas não fumo. O meu vício é mais o café. Mas sou bastante tolerante com quem o faz, não me incomoda sentir um ou dois cigarros acesos na sala onde estou. E ainda por cima, graças a todas estas campanhas, a minha experiência pessoal é que os fumadores estão muito mais comedidos. Uma nota interessante é que se pode situar um filme no tempo pelo facto das personagens andarem ou não de cigarro na mão. Hoje, uma pessoa tira um maço e a cortesia manda perguntar "Não te incomoda?", há umas dezenas de anos, era-o tirar o maço e oferecer. Creio que é sintomático.
É claro que tudo o que é proibido gera logo anti-corpos a desafiar. E o que eu sinto é que "não havia necessidade" como diria o nosso diácono. O caminho tem-se feito, lentamente talvez, mas no mesmo sentido. Hoje achamos natural não se fumar nos cinemas, mas antigamente fumava-se e muito. Hoje não se fuma em transportes públicos, mas é coisa recente. Já há uns anos que não andava de avião e riram-se quando pedi um lugar de "não-fumadora"; afinal agora são todos. Mesmo nos restaurantes não se vê assim tanta gente a fumar... A pressão social está a fazer o seu caminho. E acredito que uma lei tão severa tenho um efeito perverso: o fruto proibido é o mais apetecido, e pode haver quem a queira desafiar exactamente pela proibição.
Se calhar tenho sorte. Lembro-me de reuniões de trabalho de 15 pessoas, por exemplo, onde 2 ou 3 não fumavam e a sala parecia um aquário de fumo; hoje a percentagem inverteu-se são 2 ou 3 que necessitam fumar e vão para o corredor ou à varanda. Civilizadamente. Ninguém lhes ralha, e creio que não se sentem discriminados.
É que receio muito os fundamentalismos. E implicar com a liberdade de cada um. Isto anda tudo muito poluído, talvez devêssemos é andar de máscara como se vê muito no oriente. Assim já filtrava tudo - tabaco, tubos de escape, porcarias que andam por aí. Que tal lançar a moda? Um pouco paranóico, não?
M.L.
Confissão de Ignorância
Oiço agora na rádio que a Nato foi alargada a mais 7 países e sentia-se que com bastante gáudio de quem o estava a comentar. Fico perplexa. Lembrava-me que esta organização militar tinha sido criada após a última Grande Guerra para servir de tampão ao alastramento do movimento comunista. Caiu o Muro de Berlim e essa tal ameaça, que se note, não parece já existir. O que alastra é a própria Nato. E para que é que serve? Engloba agora quase toda a Europa e os E.U. Vai defender-nos de uma ameaça, parece. Qual? Do terrorismo não, pelo que já se viu, não é essa a sua vocação. Quererá dizer que se a Coreia do Norte nos atirar com uma bomba atómica a Nato abre um guarda-sol anti-bomba? Talvez também não seja bem isso. Tenho uma ideia que para resolver conflitos, no ovo, antes de sairem da casca, havia a O.N.U. e a diplomacia. Devo reconhecer que minha ignorância é grande e cada vez mais aquilo me parece um grupo de meninos a brincar aos soldadinhos. O pior é que é um brinquedo bastante caro, em tempo de enormes dificuldades económicas - fala-se em crise - e onde o dinheiro para políticas sociais anda bastante arredado. Deve ser por isso que o Dr. Portas anda agora recrutar rapazes para as Forças Armadas - é para combater o desemprego. Lá vai servir para alguma coisa.
Mas isto sou eu a pensar, que não entendo nada disto.
M.L.
Mas isto sou eu a pensar, que não entendo nada disto.
M.L.
segunda-feira, 29 de março de 2004
Com amigos destes não há necessidade de inimigos
Eu não ouvi com os meus ouvidos. Limito-me a citar uma informação que outras pessoas, que considero fontes fieis, me fizeram chegar. E sobretudo, como conheço a senhora acredito piamente que ela disse exactamente o que me relataram. E os factos são estes:
Há pouco tempo, aquela figura inclassificável que dirige o Centro Aboim Ascensão lá no Algarve voltou a proferir umas declarações ao arrepio de tudo o que é justo e legal. Parece que lá no seu exemplar domínio, onde as criancinhas desamparadas recebem todo o conforto, mimo, e bens materiais se tropeça, apesar disso, num pequeno senão. Ali acolhe-se todos os meninos desde que ... sejam normais. Normais ???!
Estão a ver ? Criança com deficiência ou doença isso já é outro material, é melhor não se chegarem. Mas como o Sr. Major Vilas Boas já tinha revelado toda a sua capacidade de empatia com minorias, de sensibilidade, de actualização com os mais recentes dados científicos, dele já pouco me espantaria. Aliás foi muito interessante vê-lo na TV a “esquecer-se” de que anteriormente tinha sido entrevistado como “psicólogo” (!?) - daí o escândalo que as suas palavras motivaram - e passar a falar exclusivamente em lei. Parecia até muito entendido nessas artes. Entende-se, portanto, a excelente relação com a Presidente da Comissão de que faz parte, a Dra. Dulce Rocha.
Ora é exactamente a Dra. Dulce Rocha que me motiva o post de hoje.
O que me contaram é que, entrevistada pela TV, ( e esta senhora nunca perde uma ocasião de aparecer no pequeno ecran ) ela acudiu pressurosa em defesa do major Vilas Boas achando muito natural que se “defendessem” as outras crianças do tal Refúgio de uns contactos maléficos. Estou a imaginá-la na sua vozinha melada, a esclarecer que era natural proteger os outros meninos, coitadinhos, que podiam não se sentir bem ao pé de crianças com deficiência ou doentes. Ficavam logo contagiados com a deficiência, não é? Mas a Dra. Dulce é jurista, magistrada como refere muitas vezes, era curadora de menores portanto tudo isto são motivos para conhecer a Declaração de Salamanca que exactamente é muito explícita quanto à não-segregação de qualquer deficiência e Portugal assinou e comprometeu-se a cumpri-la! E, se não me falha a memória, esta senhora até foi há alguns anos, a presidente da Comissão Nacional dos Direitos das Crianças que tinha como maior função a defesa da Convenção dos Direitos da Criança Convenção essa que Portugal foi dos primeiros países a assinar e muito bem.
Esse documento, que a Dra. Dulce Rocha deve conhecer de cor e salteado, afirma, no artigo 23 exactamente o contrário do que diz a douta magistrada. Alguém anda muito distraído!
Ou, o que é mais provável, há teias tão preciosas e que nos podem levar tão alto que é muito melhor estar de bem com esses interesses do que estragar essa valiosa e protectora rede. Mesmo que quem assim se prejudique sejam as crianças. As tais que ela jurou proteger.
Mas proteger de quem?
M.L.
Há pouco tempo, aquela figura inclassificável que dirige o Centro Aboim Ascensão lá no Algarve voltou a proferir umas declarações ao arrepio de tudo o que é justo e legal. Parece que lá no seu exemplar domínio, onde as criancinhas desamparadas recebem todo o conforto, mimo, e bens materiais se tropeça, apesar disso, num pequeno senão. Ali acolhe-se todos os meninos desde que ... sejam normais. Normais ???!
Estão a ver ? Criança com deficiência ou doença isso já é outro material, é melhor não se chegarem. Mas como o Sr. Major Vilas Boas já tinha revelado toda a sua capacidade de empatia com minorias, de sensibilidade, de actualização com os mais recentes dados científicos, dele já pouco me espantaria. Aliás foi muito interessante vê-lo na TV a “esquecer-se” de que anteriormente tinha sido entrevistado como “psicólogo” (!?) - daí o escândalo que as suas palavras motivaram - e passar a falar exclusivamente em lei. Parecia até muito entendido nessas artes. Entende-se, portanto, a excelente relação com a Presidente da Comissão de que faz parte, a Dra. Dulce Rocha.
Ora é exactamente a Dra. Dulce Rocha que me motiva o post de hoje.
O que me contaram é que, entrevistada pela TV, ( e esta senhora nunca perde uma ocasião de aparecer no pequeno ecran ) ela acudiu pressurosa em defesa do major Vilas Boas achando muito natural que se “defendessem” as outras crianças do tal Refúgio de uns contactos maléficos. Estou a imaginá-la na sua vozinha melada, a esclarecer que era natural proteger os outros meninos, coitadinhos, que podiam não se sentir bem ao pé de crianças com deficiência ou doentes. Ficavam logo contagiados com a deficiência, não é? Mas a Dra. Dulce é jurista, magistrada como refere muitas vezes, era curadora de menores portanto tudo isto são motivos para conhecer a Declaração de Salamanca que exactamente é muito explícita quanto à não-segregação de qualquer deficiência e Portugal assinou e comprometeu-se a cumpri-la! E, se não me falha a memória, esta senhora até foi há alguns anos, a presidente da Comissão Nacional dos Direitos das Crianças que tinha como maior função a defesa da Convenção dos Direitos da Criança Convenção essa que Portugal foi dos primeiros países a assinar e muito bem.
Esse documento, que a Dra. Dulce Rocha deve conhecer de cor e salteado, afirma, no artigo 23 exactamente o contrário do que diz a douta magistrada. Alguém anda muito distraído!
Ou, o que é mais provável, há teias tão preciosas e que nos podem levar tão alto que é muito melhor estar de bem com esses interesses do que estragar essa valiosa e protectora rede. Mesmo que quem assim se prejudique sejam as crianças. As tais que ela jurou proteger.
Mas proteger de quem?
M.L.
domingo, 28 de março de 2004
A França Cor-de-rosa
Acabo de ouvir as notícias sobre os resultados eleitorais em França. Fui espreitar
ao Le Monde e confirmava-se o que acabava de ouvir. É claro que não dá para embandeirar em arco, mas parece que a maré está a mudar.
Estou á espera de ouvir um coro de vozes a esclarecer que eram APENAS regionais, etc, etc. Sei muito bem que são regionais. Também me lembro que foi com um resultado destes que o PS se foi embora...
Que as regiões onde a vitória foi de esquerda estejam em cor-de-rosa, já é simpático, mas do que gosto mesmo é ver as outras em cinzento! É que é uma não-côr, cinzento é o tom exacto. Hoje vou dormir melhor.
M.L.
ao Le Monde e confirmava-se o que acabava de ouvir. É claro que não dá para embandeirar em arco, mas parece que a maré está a mudar.
Estou á espera de ouvir um coro de vozes a esclarecer que eram APENAS regionais, etc, etc. Sei muito bem que são regionais. Também me lembro que foi com um resultado destes que o PS se foi embora...
Que as regiões onde a vitória foi de esquerda estejam em cor-de-rosa, já é simpático, mas do que gosto mesmo é ver as outras em cinzento! É que é uma não-côr, cinzento é o tom exacto. Hoje vou dormir melhor.
M.L.
Barnabé no seu melhor
Desculpem, porque de certo quem passa por aqui já passou antes pelo Barnabé, blog de referência. Mas eu achei tanta graça, mas mesmo tanta a
esta observação que não quero que a percam. Quem ainda lá não foi , vá lá rir um pouco.
E quem diz que o humor não é uma arma?
Mortífera!!!
Mas é mortífera quando usada com inteligência e quando tem de facto graça.
M.L.
Ora chega, chega, chega, ora arreda lá p’ra trás
Na Primavera e Outono temos uma dança das horas especial. Costumamos refilar, o refilanço faz parte da nossa natureza, mas a verdade é que estamos acostumados e ano onde isto falhasse toda a gente ia estranhar e os protestos seriam ao contrário. No tempo do Cavaco houve uma alteração que caiu muito mal! Tão mal que não se repetiu.
Também já se sabe que, quer atrase quer adiante, nunca agrada ( ou desagrada ) a todos. Quando há mais luz de manhã, gostam os que se têm de levantar cedo e custa tanto saltar da cama com noite escura... Dizemos que “é outra coisa”, um raiozinho de sol de manhã dá outro gosto à vida! Mas como o tempo não estica, nessa altura também passa a anoitecer mais cedo o que põe de mau humor outra fatia de portugueses. Só um parêntesis, que se o tempo não estica muitas vezes parece que encolhe!
Hoje, Domingo, caminhamos ao contrário. Vamos acordar com menos luz, mas também para compensar vai anoitecer “mais tarde”. Isto merece aspas porque o que tem graça é que anoitece e amanhece sempre na mesma altura: quando o sol se levanta ou se põe. A natureza é muito regular e certinha, os homens é que têm manias! O que dança são os nossos relógios, uma invenção do homem. É a mais pura das convenções.
Contudo, segundo essa tal natureza, é bem verdade que as horas de luz vão aumentando daqui para a frente. Para os amantes da noite pode ser uma perca, mas eu confesso que adoro as tardes enormes, as horas do entardecer que parecem arrastar-se numa grande preguiça, onde parece haver tempo para tudo. Viva a luz, aleluia vem aí o Verão.
M.L.
sábado, 27 de março de 2004
Partilha de Tarefas
Lido numa redacção infantil sobre definição de papeis numa família bastante tradicional:
"Um casal é formado na maior parte dos casos por um papá e uma mamã ou o inverso. Em geral um papá é mais inteligente, mas é a mamã que faz os bebés, o papá não tem tempo para isso…
Muitas vezes as tarefas são partilhadas: o papá deita-se primeiro, a mamã levanta-se primeiro. Como ela não precisa de fazer a barba, a mamã pode, durante esse tempo, preparar o pequeno almoço.
Embora o papá saiba cozinhar coisas muito boas, é a mamã que cozinha todos os dias. Mas por outro lado a mamã sabe melhor lavar a loiça e portanto é ela que a lava. O papá sabe melhor ler o jornal: portanto é ele que o lê. Ele não entende nada de crianças, portanto é ela que trata disso. Mas ela não entende nada de futebol, e portanto é o papá que assiste."
E viva a mamã!
M.L.
"Um casal é formado na maior parte dos casos por um papá e uma mamã ou o inverso. Em geral um papá é mais inteligente, mas é a mamã que faz os bebés, o papá não tem tempo para isso…
Muitas vezes as tarefas são partilhadas: o papá deita-se primeiro, a mamã levanta-se primeiro. Como ela não precisa de fazer a barba, a mamã pode, durante esse tempo, preparar o pequeno almoço.
Embora o papá saiba cozinhar coisas muito boas, é a mamã que cozinha todos os dias. Mas por outro lado a mamã sabe melhor lavar a loiça e portanto é ela que a lava. O papá sabe melhor ler o jornal: portanto é ele que o lê. Ele não entende nada de crianças, portanto é ela que trata disso. Mas ela não entende nada de futebol, e portanto é o papá que assiste."
E viva a mamã!
M.L.
Solidariedade blogueira
Uma confissão pública: a internet ainda há muito pouco tempo era um mistério para mim. Bom, era e ainda é... Sou é atrevida e tenho sorte. Vou experimentando e às vezes consigo coisas. Contudo, estas coisas de links e imagens, metiam-me algum... digamos que receio. Mas lembrei-me de uma colega da blogosfera que se tinha mostrado simpática e atrevi-me a pedir-lhe ajuda. Foi a Sara de um blog que costumo visitar, e mesmo sem a conhecer mandei-lhe um S.O.S.
Impecável. Deu-me as indicações todas e acho que estou a conseguir. Não lhe posso oferecer nada de especial mas este por do sol é para ela com toda a minha gratidão!
Muito OBRIGADA, Sara.
M.L.
Impecável. Deu-me as indicações todas e acho que estou a conseguir. Não lhe posso oferecer nada de especial mas este por do sol é para ela com toda a minha gratidão!
Muito OBRIGADA, Sara.
M.L.
Das vantagens de ser-se mulher
Que ser-se mulher hoje em dia, é ainda uma desvantagem social, já todos sabemos e estamos conversados. Na sociedade ocidental este “mal” tem melhorado muito, mas há muito ainda para melhorar. Mas hoje venho pregar o discurso inverso. É que exactamente nesta sociedade também há aspectos onde ser mulher é uma vantagem. E vou falar de algo muito simples que é a psicoterapia mais barata e simpática que existe: um cabeleireiro.
É o meu maior luxo.
Vou sempre que posso a um magnífico cabeleireiro, casa que já existia nos anos 40, onde ia a minha avó, e continua igual. No coração de Lisboa (Rua Garrett) mantém a decoração arte nova com que foi decorado inicialmente, os azulejos com rosinhas, as cadeiras “de barbeiro” extremamente confortáveis, os lavatórios de loiça antiga. E o ambiente ! Nunca ouvi ali criticar o trabalho de um colega ( do tipo “Oh, quem lhe fez esse corte?!” ou “Tem o cabelo estragado, onde é que tem ido?” como se ouve noutros locais), existe um clima de simpática boa disposição, respeitam os nossos desejos embora ofereçam soluções diferentes por vezes. As revistas são actualizadíssimas e de qualidade, muitas vezes apanhamos o Expresso ou Público que a dona tinha comprado para si mas nos empresta. Como sabem que sou cafédependente, enquanto seco o cabelo aparece muitas vezes uma chaveninha de café no meu colo. Percebe-se o que quero dizer? É um ambiente muito feminino no seu melhor.
E digo que é uma psicoterapia porque de facto nos ajuda. Voltamos a ser crianças, há quem cuide de nós fisicamente. Fazem-nos festinhas na cabeça, vestem-nos uma bata, tomam cuidado para não nos sujarmos nem ficarmos molhadas como fazia a nossa mãe. Põem um banquinho debaixo dos nossos pés, ligam o aquecedor se está frio, abrem a janela se está calor. Uma pessoa sente-se envolvida em mimo e é muito bom. E ainda por cima ficamos com melhor aspecto o que também é excelente. Uma pontinha de depressão é atenuada se ao olhar para o espelho ele nos mostrar uma cara mais composta e agradável, não é?
Claro que também ajuda ao bem-estar, dentro de uma impecável e correcta boa educação, “sentirmos” que ali falam a nossa língua do ponto de vista sócio-político. Encontro frequentemente as minhas amigas naquela casa, o que nos dá vontade de rir quando, saindo dali em momentos diferentes, encontramo-nos sem o ter combinado, lá em frente na “Ler devagar”... Dizemos uma para a outra – Tinha de ser!
É mesmo verdade. Afinal o ter-se nascido mulher é uma vantagem!
M.L.
É o meu maior luxo.
Vou sempre que posso a um magnífico cabeleireiro, casa que já existia nos anos 40, onde ia a minha avó, e continua igual. No coração de Lisboa (Rua Garrett) mantém a decoração arte nova com que foi decorado inicialmente, os azulejos com rosinhas, as cadeiras “de barbeiro” extremamente confortáveis, os lavatórios de loiça antiga. E o ambiente ! Nunca ouvi ali criticar o trabalho de um colega ( do tipo “Oh, quem lhe fez esse corte?!” ou “Tem o cabelo estragado, onde é que tem ido?” como se ouve noutros locais), existe um clima de simpática boa disposição, respeitam os nossos desejos embora ofereçam soluções diferentes por vezes. As revistas são actualizadíssimas e de qualidade, muitas vezes apanhamos o Expresso ou Público que a dona tinha comprado para si mas nos empresta. Como sabem que sou cafédependente, enquanto seco o cabelo aparece muitas vezes uma chaveninha de café no meu colo. Percebe-se o que quero dizer? É um ambiente muito feminino no seu melhor.
E digo que é uma psicoterapia porque de facto nos ajuda. Voltamos a ser crianças, há quem cuide de nós fisicamente. Fazem-nos festinhas na cabeça, vestem-nos uma bata, tomam cuidado para não nos sujarmos nem ficarmos molhadas como fazia a nossa mãe. Põem um banquinho debaixo dos nossos pés, ligam o aquecedor se está frio, abrem a janela se está calor. Uma pessoa sente-se envolvida em mimo e é muito bom. E ainda por cima ficamos com melhor aspecto o que também é excelente. Uma pontinha de depressão é atenuada se ao olhar para o espelho ele nos mostrar uma cara mais composta e agradável, não é?
Claro que também ajuda ao bem-estar, dentro de uma impecável e correcta boa educação, “sentirmos” que ali falam a nossa língua do ponto de vista sócio-político. Encontro frequentemente as minhas amigas naquela casa, o que nos dá vontade de rir quando, saindo dali em momentos diferentes, encontramo-nos sem o ter combinado, lá em frente na “Ler devagar”... Dizemos uma para a outra – Tinha de ser!
É mesmo verdade. Afinal o ter-se nascido mulher é uma vantagem!
M.L.
sexta-feira, 26 de março de 2004
Causa e Efeito
Parece que na nossa terra se casa menos. Menos do que dantes pelo menos, porque não sei bem qual o termo de comparação, se também é com outras paragens. Mas, pelo que li, os dados dizem que se registam menos casamentos
Li-o por aqui.(vamos ver se desta vez o link fica certo, que às vezes sai-me o tiro ao lado) Bom, casa-se menos. Contudo, honestamente, o amor não me parece em baixa, se olharmos à nossa volta tropeçamos constantemente em casalinhos a mostrar efusivamente o que lhes vai na alma. Mas então porque é que não casam? Para além do aspecto também conhecido do aumento das uniões de facto, casamento sem contrato escrito, há ainda muitos jovens que continuam uns namoros muito prolongados pelo facto tão elementar de não conseguirem pagar uma habitação para si próprios.
Tenho uma jovem amiga que "tem a sorte" de ter um emprego e o namorado também é um bom profissional e também tem emprego estável. Procuram uma casa, e imagine-se o civismo ( ! ) queriam num local com transportes razoáveis para evitar andar de carro. Têm andado por todo o lado sem nada lhes agradar muito. Recentemente tinham ficado mais animados porque lhes falaram de um empreendimento da EPUL que ia a licitação. Bom, pensaram, inocentes, se é da EPUL é natural que já seja mais acessível, vamos lá espreitar. Ontem falou-me. Só para rir, é claro! O T1 mais barato tinha licitamento de base de 40.000 contos; outro ainda T1, já andava pelos 60.000contos. Se este casal pensar ter filhos teriam que pensar era num T2 não é? Estamos mesmo a brincar... Já se imaginou o que é 60.000 contos de base ? Claro que podemos pensar "Quem quer luxos, paga-os!", mas atenção, isto é da EPUL. A vocação da EPUL não era fazer equipamentos para a alta burguesia, que eu soubesse.
Ainda dizem, e com razão, que hoje os jovens saem de casa dos pais cada vez mais tarde. Pudera. Mas sair para onde? Tudo indica que não será nos meses mais próximos que vou visitar a Dulce e o João no seu espaço próprio !
M.L.
Li-o por aqui.(vamos ver se desta vez o link fica certo, que às vezes sai-me o tiro ao lado) Bom, casa-se menos. Contudo, honestamente, o amor não me parece em baixa, se olharmos à nossa volta tropeçamos constantemente em casalinhos a mostrar efusivamente o que lhes vai na alma. Mas então porque é que não casam? Para além do aspecto também conhecido do aumento das uniões de facto, casamento sem contrato escrito, há ainda muitos jovens que continuam uns namoros muito prolongados pelo facto tão elementar de não conseguirem pagar uma habitação para si próprios.
Tenho uma jovem amiga que "tem a sorte" de ter um emprego e o namorado também é um bom profissional e também tem emprego estável. Procuram uma casa, e imagine-se o civismo ( ! ) queriam num local com transportes razoáveis para evitar andar de carro. Têm andado por todo o lado sem nada lhes agradar muito. Recentemente tinham ficado mais animados porque lhes falaram de um empreendimento da EPUL que ia a licitação. Bom, pensaram, inocentes, se é da EPUL é natural que já seja mais acessível, vamos lá espreitar. Ontem falou-me. Só para rir, é claro! O T1 mais barato tinha licitamento de base de 40.000 contos; outro ainda T1, já andava pelos 60.000contos. Se este casal pensar ter filhos teriam que pensar era num T2 não é? Estamos mesmo a brincar... Já se imaginou o que é 60.000 contos de base ? Claro que podemos pensar "Quem quer luxos, paga-os!", mas atenção, isto é da EPUL. A vocação da EPUL não era fazer equipamentos para a alta burguesia, que eu soubesse.
Ainda dizem, e com razão, que hoje os jovens saem de casa dos pais cada vez mais tarde. Pudera. Mas sair para onde? Tudo indica que não será nos meses mais próximos que vou visitar a Dulce e o João no seu espaço próprio !
M.L.
Causas Naturais
Acabo de ler aqui esta notícia que me deixa muito perplexa. Mas... o quê, causas naturais??? Uma construção cai por causas naturais? Parece-me que ainda existem pontes romanas que estão de pé! Nem o tempo é uma "causa natural" e esta até era uma ponte recente. Se calhar estou enganada, mas tanto quanto me lembro, acho que na altura até "caiu" um ministro por causa dessa fatal ponte. O governo do PS teve a vergonha suficiente para assumir até erros dos quais não tinha uma culpa directa. Tinha culpa porque era governo, é claro, e não se podia por de fóra. Mas hoje em dia leio coisas que tenho de voltar a reler por não acreditar à primeira. Neste caso , que já tinha comentado mais abaixo, pode haver meandros processuais que um leigo em direito não entenda. Mas uma coisa é Direito como ciência, outra coisa é o que é justo e direito como moral. A culpa, ou se quisermos, a responsabilidade, tem de ser de alguém. Ela pode não querer casar, mas por favor solteira não fique. Pede-se uma união de facto, por favor!
M.L.
M.L.
quinta-feira, 25 de março de 2004
Dois modos de olhar a lei
Sem querer voltar à discussão da morte do Sheik Yassin não posso deixar de pensar como há mesmo dois modos de pensar e duas civilizações. Que distância!!! Acabei de ler aqui em
Tribunais e Estados de Direito Democrático uma referência a um modo de tratar um criminoso que me parece normal. Há um crime, há um julgamento, e há uma condenação. Mas será que os suecos têm uns genes tão diferentes de grande parte da humanidade como isso? O que é necessário para se atingir aquele modo de pensar e aquela dignidade? Enfim, quero ser optimista e pensar que dentro de sabe-se quanto tempo mas algum dia, a humanidade terá aquela serenidade.
M.L.
Tribunais e Estados de Direito Democrático uma referência a um modo de tratar um criminoso que me parece normal. Há um crime, há um julgamento, e há uma condenação. Mas será que os suecos têm uns genes tão diferentes de grande parte da humanidade como isso? O que é necessário para se atingir aquele modo de pensar e aquela dignidade? Enfim, quero ser optimista e pensar que dentro de sabe-se quanto tempo mas algum dia, a humanidade terá aquela serenidade.
M.L.
Humor Negro
Todos conhecemos expressões que, porque são idiomáticas, se levadas à letra fica uma patetice. Isso torna-se muito evidente quando se traduz para outra língua uma dessas expressões. E, nessa linha de pensamento, ainda há momentos apanhei no ar uma conversa que se tornava perfeitamente cómica. Uma senhora dum quiosque de jornais conversava com um cego total, de bengala, óculos pretos e com uma postura que indicava ser completamente cego. Perguntava-lhe se tinha arranjado casa, pelo que percebi. Resposta: " Ná... Ainda não! Tenho ali uma em vista, mas ...." e a outra lá o incitava : "Mas vá vendo mais!"
Fazia todo o sentido essa busca, é claro, mas bolas se o homem era cego ! ! !
M.L.
Fazia todo o sentido essa busca, é claro, mas bolas se o homem era cego ! ! !
M.L.
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