terça-feira, 13 de abril de 2004

Que vergonha!

Há coisas que me incomodam. Que me incomodam mesmo muito. Não é a primeira vez que aqui refiro os enormes mal-entendidos que estão sempre a surgir quando há referências a essa mole indefinida e confusa que dá pelo nome de Administração Pública, ou Função Pública. São 2 blocos antagónicos. Quem trabalha no privado a considerar que “os outros” são um bando de calaceiros que não fazem nenhum, vivendo dos impostos que a malta da privada paga, e quem trabalha para o Estado a achar que é desconsiderada e mal paga e que todos a odeiam ( além de que também paga impostos, como é óbvio, é uma espécie de patrão de si mesmo no pior sentido). Raramente é referido que “funcionário público” é mais do que a senhora do guichet, - é o professor, o enfermeiro, o polícia, o médico. E é certo que “as senhoras do guichet” funcionam com uma horrorosa burocracia, mas não há nada mais hierarquizado do que o raio da Função Pública. Para se mexer um dedo o chefe tem de pedir ao chefe, que peça ao chefe, que vai pedir a outro chefe e entretanto já não vale a pena mexer o dedo. Onde quero chegar é que o que está mal, muito, muito mal é o sistema das chefias e a sua avaliação, que tem muito de partidário e muito pouco de técnico/profissional.

Esta manhã ia perdendo a cabeça por uma questão completamente ridícula. Ia a passar e esbarro com 2 senhoras com um ar meio desesperado em conversa com uma funcionária também com uma expressão desamparada. “Que se passa?”, quero saber. As desgraçadas tinham ido à Loja do Cidadão fazer uma pergunta sobre a ajuda que podiam ter em relação a um “Lar para Idosos” e tinham sido recambiadas para ali. Devo esclarecer que o serviço onde estávamos não tinha rigorosamente nada a ver com a questão. As senhoras, que não conheciam Lisboa, tinham feito uma enorme caminhada a pé e ali estavam completamente perdidas.
Devo reconhecer que eu também não fazia ideia da resposta. Nem era nada normal que soubesse. Mas naquele momento só podia levá-las para o meu gabinete, sentá-las comodamente e agarrar-me ao telefone até lhes resolver o problema. Era o mínimo. Mas atenção, ainda não eram 9 da manhã, pelo que o mais que conseguia obter eram telefonistas... Contudo a minha vergonha era tanta, pela imagem que a F.P. dava, que às tantas lá lhes arranjei um Nescafé, e tanto insisti que consegui finalmente que as recebessem num local confirmado e com hora confirmada. O ridículo desta história é que o meu tempo é proporcionalmente muito mais caro do que o da primeira pessoa que as atendeu mal. Eu tenho é vergonha na cara, e não olho para o relógio a ver as horas a que saio.
Nota – Também trabalho na função pública.
M.P.

E mai nada!

Não consegui fazer um link directo para este post do Cibertúlias mas está tudo dito.
Para quê mais conversas?

Chiça!
Uma simples palavra dita por um dos "heróis" da GNR põe por terra um ano de ilusão do Governo sobre a presença e participação portuguesa no Iraque: «Voltar? Chiça!»


Simples e directo. Tudo o mais são tretas.

M.L:

"Como são diferentes os Blogs em Portugal"

Uma coisa que li por aqui parece-me ser aqui lá para baixo onde diz "os blogs são uma feira de vaidades" fez-me reflectir neste fenómeno dos "nossos" blogs. Nesse post a Gin dizia que tinha pedido ao filho de 17 anos para a ajudar a criar o blog e ele lhe respondeu qualquer coisa do tipo "Blogs? Essas coisas para uns tipos preguiçosos e convencidos que não querem participar em chats, porque aí são um entre muitos? Não me interessa nada.". A frase chamou-me a atenção porque tenho encontrado esse tipo de reacções negativas em gente muito novinha ou, por outros motivos, em pessoas mais idosas.
Os muito jovens não entendem, nem querem entender, o que é um blog. A comparação com o chat, que já tenho ouvido mais vezes, revela isso mesmo. Ora um chat é um chat e um blog é um blog. Não pretendo criticar os chats, podem ter a sua graça embora, conversa por conversa, prefira ao vivo e a cores. Para mim não há nada com uma conversa entre amigos, vendo as expressões, ouvindo o tom de vós, com o calor que a presença viva transmite. É outra animação, gosto muito e nunca abdicarei. Mas a frase do filho da Gin, tenho-a ouvido num tom desdenhoso e trocista que me surpreende. Porquê esse desdém? Sentirão a existência dos blogs como uma imitação falsa do seu modo de comunicar?
Do lado dos mais velhos, aderem com muito mais facilidade a este esquema, mas custa-lhes um bocado participar com comentários. Tenho alguns amigos que me vêm aqui ler (e sei-o porque depois fazem referências a coisas que disse) mas nunca escrevem nada. Quando faço esse reparo justificam" Não sei o que hei-de dizer..." como se fosse necessário um grande discurso, que nem a caixa de comentários comportava!
Por outro lado, parece-me que este caso, com a dimensão que cá tem,só mesmo na nossa terra. Um pais tão pequeno com milhares de blogs a funcionar! Tenho amigos na América do Sul ou na Dinamarca e, pelo que dizem, o fenómeno aí nem tem quase expressão. Ouviram falar, mas vagamente. Dá que pensar, não é? O que é que existe em Portugal que é diferente dos outros (sem ser o Barnabé)? Lemos menos jornais? Não vamos tanto ao pub? Queremos trocar informações, mais do que os outros? Gostamos de falar de nós mesmos?
Questões a que não sei responder.
M.L.

As paredes continuaram a festa

Outra imagem de Abril



Mais um mural.
Mais uma vez as palavras se tornaram cor e forma, as emoções foram mais fortes.
Naqueles dias acabar a guerra era uma prioridade.
Paz sim, guerra não! Já tinha morrido muita gente, era hora de dialogar.
M.L.

segunda-feira, 12 de abril de 2004

Coisas pequeninas e agradáveis


Acho que tenho bom feitio.
A modéstia que nos ensinam em pequeninos diria que não o devia proclamar, mas é mesmo uma verdade. Tenho bom feitio. Não me irrito por dá cá aquela palha, tento resolver as coisas a bem e tenho uma cara que faz com que, invariavelmente, num grande grupo me escolham à primeira para me perguntar qual a linha de metro que um inexperiente deve tomar, qual o melhor caminho para qualquer lado, ou se o autocarro já passou. Cara de informadora, salvo seja.

Mas venho agora do supermercado com a auréola a deitar estrelinhas. Bati o meu prório record. Informei uma senhora que procurava um produto que o tinham mudado de sítio; deixei que 2 pessoas me passassem à frente na bicha (pediram, é claro...), li um preço e aconselhei outra senhora que “não-tinha-os-óculos” (entenda-se que não sabia ler), mas para terminar as boas acções, numa girândola, num corredor dei com um senhor que estava com os braços completamente cheios de mercadorias que iam desabar de um momento para o outro. Como boa samaritana avisei: “Olhe que isso vai cair ! É melhor arranjar uma caixa!” e enquanto o dizia agarrei num caixote de cartão vazio que ali estava ao pé e coloquei-o por baixo, no exacto momento em que tudo começava a cair. O senhor ficou-me a agradecer durante 5 minutos e a olhar para mim como se eu fosse a fada azul.
Ganhei o dia. Sabe mesmo bem ser “fada Azul” ! E afinal não custa mesmo nada.
Já viram o brilho da minha auréola?
M.L.

Um texto fundamental que nos faz pensar

Como creio que todos fazemos por aqui na blogosfera, para além de ir escrevendo umas coisas da nossa lavra, visitamos regularmente os blogs da nossa preferência e, quando há um pouco mais de tempo, alargamos a volta a damos um passeio maior. Um blog, por onde costumava passar, era o Gin Tónico, desde que uma vez que lá fui dar por um link e o estilo me agradou. No outro dia reparei que tinha aqui um comentário simpático da Gin e, é irresistível, "amor com amor se paga" de modo que comecei a visitá-los com maior frequência. Em boa hora.
Encontrei lá ontem um magnífico texto, dividido em 3 partes,
aqui , e mais aqui e por último aqui ainda É certo que já tenho lido estas teorias em manuais, também bem escritos e que nos levam a reflectir, mas aqui encontrei um resumo com os pontos fundamentais e quem tiver mais interesse (espero que o tenham) sempre poderá procurar os tais manuais de sociologia da família moderna. Isto é um aperitivo, mas eficiente e bem escrito.
As frases que a própria autora escreveu a bold são as essenciais, mas diz-se lá muita outra coisa de enorme importância. Gostaria de deixar já claro, que nesta apreciação não me coloco na posição da saudosista que "quer voltar ao passado". É absurdo. O criticar-se aspectos negativos do mundo presente é para o melhorar, não para o anular.
Por exemplo, o texto diz esta verdade," Do lado do idoso, havia uma certa lógica nas sociedades do antigamente. Vivia-se até aos 50 anos, o tempo de criar os filhos era a conta justa. Hoje uma pessoa pode perfeitamente viver até aos 80 ou mais anos e a 3ª idade atinge uma dimensão que cobre um quarto e um terço da nossa vida" É certo, mas todos concordamos que é bem melhor termos uns pais velhinhos do que perdê-los aos 50 ou 60 anos. Houve uma melhoria. Mas, agora vamos ver, isso correspondeu a qualidade de vida? Qual a qualidade de vida dos nossos idosos? Os jovens entravam no mundo do trabalho e criavam uma família muito mais cedo. Também é verdade. Mas essa adolescência tardia tem criado necessidades que vão trazer emprego a outras pessoas e criar postos de trabalho. Temos é que nos adaptar.
O que considero que merece muita reflexão são sobretudo os valores. Esta frase, por exemplo, merece uma pausa-reflexão "O trabalho, privado da sua dimensão afectiva de relacionamento [... ] gera gradualmente um deserto onde vemos pouco sentido no que fazemos no emprego, a não ser no dinheiro do fim do mês, na compra de uma TV, na troca do sofá."O modo de encarar o trabalho, privado da sua dimensão afectiva de relacionamento. Isto é fundamental. Havia dantes uma frase que parecia parva " o trabalho dá saúde" ( bem pensado não era tão parva assim, que a inércia causa mesmo depressão...) mas há outra ideia em que acredito, é que o trabalho pode dar satisfação. E isso tem a ver com a atitude com que se trabalha. Tenho encontrado essa atitude por vários sítios e nem sempre é preciso ser um trabalho muito qualificado. Já ouvi uma empregada dizer com grande sorriso: "Olhe como ficou lindo o chão com a nova cera!" Estava contente. Um padeiro a descarregar um enorme cesto de pão comentar" Este está bem cozido! Cheira mesmo bem!" com ar orgulhoso.
Ora isto não se mede pelo dinheiro recebido, ou a importância do estatuto. É o tal prazer que o trabalho pode trazer e que se encontra cada vez menos. Não será tempo de reformular alguns conceitos?
M.L.

Era um redondo vocábulo...

Uma coisa simpática deste aniversário do 25 de Abril tem sido uma relativa mobilização em diversas áreas. Penso que, se calhar, terá a ver com o facto de serem 30 anos, um número certo, um número redondo. O que é redondo rola. É mais certinho, não tem uma ponta para se lhe pegar e estragar. E, a propósito, porque é que arredondamos de 5 em 5 ? Terá a ver com os dedos da mão? As datas acabadas em zero ou cinco são sempre um pouco mais simpáticas...
Mas recomeçando que já me perdi, para além do movimento por aqui na net, na blogosfera, sobretudo a iniciativa do AQUI, POSTO DE COMANDO que considero excelente, no resto dos media também noto um movimento maior, pelo menos em comparação com o ano passado. A Antena 1, todas as manhãs tem lembrado o correspondente dia de Abril de há 30 anos, o principal que se tinha passado, e é mesmo verdade que há muitas coisas que estavam bem esquecidas! Por exemplo a inflação. Para muitos saudosistas, em 24 de Abril a vida corria sobre rodas, tirando "essa coisa" da liberdade de expressão, o dia a dia era de uma enorme suavidade. Não era, não. É certo que a guerra era o pesadelo maior, quase não havia família que não vivesse com o coração apertada por essa perspectiva, mas o tal dia a dia não andava sobre rodas. E a inflação. de que hoje nos queixamos (com razão), pelo que ouvi esta manhã, era há 30 anos bem pior. O que é curioso é que tudo isto tem muito a ver com hábitos novos e novas necessidades. O que era um luxo dantes hoje é mesmo uma necessidade e não podemos voltar atrás. E isto para dizer que, embora pareça o contrário, afinal a vida é hoje bem melhor! O tempo ensina muito.
M.L.

Continuamos em Abril




O exílio nao era apenas para activistas políticos.
A Arte também fugiu. Muitos grandes artistas não se sentiam bem em Portugal.
Vieira da Silva foi um deles. Mas aqui temos um dos seus testemunhos do que sentiu nesse dia.
Grande pintora a quem o fascismo não deu condições de trabalho.
Não vamos recomeçar, pois não?

M.L.

domingo, 11 de abril de 2004

Fim de férias...

Fim de férias...
De volta a Lisboa, depois deste período de pausa ( que alarguei deslocando alguns dias das minhas férias “grandes” para estas, pequeninas) quase nem conheço a minha cidade num final de Domingo de perfeito sossego.
Sou Lisboeta. Gosto de Lisboa. Sei perfeitamente que é uma cidade-manta-de-retalhos, onde cada Bairro tem características bem distintas e que resolvem competir entre si. Ter nascido e vivido em Campo de Ourique não tem nada a ver com ter nascido e vivido em Alvalade por exemplo, ou na Graça, ou em Alcântara, etc. Quem cai cá no burgo de pára-quedas – sem ofensa – pode não sentir nada disto, mas olhem que é mesmo verdade. Dizem-me que ninguém conhece ninguém. Quando se sai do bairro é certo, mas... Eu conheço bem a gente do meu prédio e, de vista, a da minha rua. No meu bairro sinto-me em casa. No quiosque dos jornais já sabem o que eu compro, no café trazem-me a bica cheia sem pedir.
Mas reconheço que é um inferno as obras permanentes e tudo indica que descoordenadas, o trânsito caótico, a impaciência que se apodera das pessoas todas as manhãs. E quando volto de mini-férias já venho preparada para a dança da procura de estacionamento, para um mergulho no barulho e confusão.
Mas hoje, devo dizer aleluia ! de acordo com a quadra. Deve ter saído muita gente para longe, é o que imagino, que a cidade está irreconhecível. Quase nem espero nos semáforos, não se ouve barulho, e até tenho lugar para estacionar mesmo em frente de casa. Parece magia.
E ainda por cima um entardecer lindíssimo, com uma luz suave e doce, para me aconchegar melhor neste regresso.
Vamos ver como me sinto amanhã de volta ao trabalho...

M.L.

A Revolução que ficou conhecida por nome de flor





Nasceu como um Golpe Militar.
Mas quando o povo encheu as ruas e choveram flores
transformou-se numa Revolução.
Podemos ter orgulho em ter conseguido que das armas não saíssem balas e mesmo assim o país se transformasse.
Foi em Abril.
Foi há 30 anos.
M.L.

sábado, 10 de abril de 2004

Custa a acreditar

Não comprei o Expresso (sou um bocado irregular nestas compras...) e portanto só através deste post do Grão de Areia tive conhecimento desta ideia sinistra.
Julgava eu que já poucas coisas me podiam espantar. Burra! Sou de facto completamente idiota. Se tivesse sido no 1º de Abril ainda pensaria numa brincadeira... de muito mau gosto. Afinal parece que é a sério.
Da parte de alguns outros jornais, esta iniciativa chocava-me na mesma, mas não estranhava. Viesse do Independente, para não falar no Diabo, e seria MAIS UMA. Mas da parte do Expresso, que tem derrapado muito, mas ainda considerava um jornal com qualidade deixa-me seriamente impressionada.
É mau gosto, é jogar com ideias-feitas e profundamente reaccionárias. Alguns comentários no Barnabé em relação a certos cartazes que têm sido postados, irritam-me um pouco, mas a verdade é que as caixas de comentários são abertas e livres. É natural que apareçam perspectivas de direita ou mesmo claramente reaccionárias. Tenho-me refreado para não ir respondendo a algumas declarações idiotas e fora do contexto histórico.
Mas o Expresso tinha obrigações. Julgava eu. Este jogo sujo, esta manipulação grosseira e mentirosa, ultrapassa tudo o que eu concedia na minha tolerância.
O. K. Está decidido. Vou passar a poupar mais uns euros que me dão jeito para uma pequena ajuda ao desenfreado aumento do custo de vida.
Pois é. Afinal há males que vêm por bem.
M.L.

A nossa saúde está mesmo, mesmo, doente!

Já começa a ser costume ouvirmos e lermos notícias sobre o estado em que estão os nossos hospitais, por um lado do ponto de vista material – falta de equipamentos, enfermarias em mau estado e superlotadas - e por outro do ponto de vista humano - falta de especialistas, muitos técnicos a terem de fazer horas extraordinárias, e em muitos sítios ausência mesmo de técnicos, tendo os doentes de se deslocar a muitos quilómetros de distância, para serem atendidos.
Ultimamente para além destas notícias, chegam-nos de vários pontos do país, descrições de epidemias, por exemplo, no Instituto Ricardo Jorge, em Portalegre, em Pombal, onde os próprios técnicos de saúde são contaminados com vírus cuja origem nunca fica lá muito bem explicada.

A última das notícias preocupantes tem a ver com a morte de doentes que ao serem anestesiados para pequenas cirurgias, tiveram uma anestesia mortal. Houve um caso em Beja e dois em Faro. Para o público as explicações têm sido pouco claras. Entretanto foram suspensos médicos em Faro e a Ordem interveio, a explicar que existe uma droga, chamada Procofol, que a Infarmed só tinha alertado parcialmente para os seus perigos, portanto a culpa não era dos médicos e sim da falta de informação.
Até aqui, apenas há a registar entre nós grande preocupação, mas sem particular escândalo. O que me deixou claramente chocada foi a resposta dada pela directora do Hospital de Beja. Inquirida por um repórter sobre o óbito no seu hospital, a senhora teve o descaramento de responder que como não estava provado que fosse essa droga a causadora da morte, até ter essa certeza continuaria a utiliza-la.
Repare-se que ela não respondeu que “não havia alternativa, e portanto até surgir uma outra hipótese continuavam a arriscar porque as cirurgias tinham de se fazer”... Seria uma resposta possível, e aceitável. Não. Disse claramente que até estar provada que a substância era nociva continuaria a ser utilizada!!! Ora o raciocínio teria de ser inteiramente inverso. Até ter a certeza de que não era nociva, teria de suspender a sua aplicação. O que está em risco são vidas humanas. E ficamos à espera até ter a certeza se causa ou não a morte?! Ouve-se e não se acredita!
M.L.

Em defesa da memória




A memória também pode ser uma arma. E boa.
Mas não a deixemos enferrujar !

M.L.

sexta-feira, 9 de abril de 2004

Santuários, afinal só na idade média.

Não, acho que não tem a ver com perspectivas de direita ou de esquerda. É apenas puro bom senso. Se há refúgio sagrado por excelência, são os templos religiosos. E posso falar disto com serenidade porque, como já tenho dito, estou distante do fenómeno religioso. Mas ainda há poucos dias nos lembrámos do horror dos massacres no Uganda, e um dos pontos chocantes foi o ataque a uma igreja, onde as pessoas se imaginavam relativamente a salvo. Agora as tropas aliadas têm a ideia peregrina de ir ao Iraque bombardear uma mesquita! Está tudo louco. Será que querem mesmo dar o aval aos fundamentalistas e transformar esta luta numa guerra religiosa, uma jihad??? É que era mesmo só o que faltava. Por todo o mundo, os templos religiosos são santuários, os militares deviam aprender isso lá na escola do exército. Ou então é mesmo de propósito, deitar-se petróleo no lume.
Ai, mas de onde me surgiu esta imagem?
M.L.

"Paixão"? Não, obrigada.

De um modo geral quando um livro, um filme, um espectáculo qualquer levanta polémica, gosto de ir lá meter o nariz para poder dar opinião com algum fundamento. Digo “de um modo geral”. Acontece às vezes não ter tempo, não ter dinheiro, distrair-me e deixar passar a oportunidade. Mas desta vez, não tive foi mesmo o menor interesse. Estou a falar da Paixão do Mel Gibson, ou de Cristo (parece-me que é de um pelo outro, mas tenho dúvidas como será mais correcto dizer).
Quando digo o não ter o menor interesse é mesmo isso, tal e qual.
*Primeiro, não aprecio particularmente filmes de tipo religioso – deve ter a ver com o meu ateísmo ou agnosticismo, não sei bem como lhe chamar. Misticismo não é comigo. O mais perto que estou é uma olhadela aos horóscopos e mesmo aí troco os signos todos...
*Segundo, gosto de alguns filmes históricos, e seria nessa condição que o poderia ir ver, mas quando o mesmo tema é tratado várias vezes perde a graça. E este tema todas as Páscoas temos as mais variadas versões nas nossas TVs. Demais é demais.
*Terceiro, o triller não é nada o meu género de estimação e pelo que ouvi isto encaixa exactamente em tal categoria. E nem sequer pode ser um bom triller porque já se sabe como acaba, e sem suspence qual é o interesse?
Não, obrigada. Ver um ser humano a ser torturado realisticamente, chicoteado durante ¼ de hora, o sangue a jorrar, enorme sofrimento físico, ...dispenso.
Será uma das vezes onde não vou ter opinião fundamentada; enfim, ninguém é perfeito.
M.L.


Em que mãos?



Abril começou em boas mãos. Agora por onde anda?
Quero acreditar que ainda está nas nossas mãos construir o nosso futuro.

M.L.
Ouguela com vida!...
Escola de Ouguela - Campo Maior - Portugal

www.eb1-oguela.rcts.pt info@eb1-ouguela.rcts.pt www.ouguela.blogspot.com


Congresso Alentejo XXI
Semeando novos rumos ...


Todo o Alentejo esteve representado em Montemor-o-Novo no congresso de todos os alentejanos...
Que lindo que é assistir à manifestação do sentir alentejano!...
Ouguela esteve presente e transmitiu um testemunho do trabalho conjunto desenvolvido entre a escola e a comunidade.
Ouvimos muito sobre os sonhos e os anseios do povo alentejano...
Ouvimos que a educação não poderá ser encarada como uma questão económica, mas sim como um direito de cidadania...
Ouvimos que o esquecimento a que alguns autarcas condenam as suas populações é criminoso....

De Ouguela vieram o Sr. António Gadanha e o Ricardo Encarnação...
...que transmitiram um testemunho pessoal do trabalho desenvolvido em conjunto pela escola e pelo Centro Comunitário.
O resumo previamente apresentado ao congresso não faz justiça ao encanto daquilo que foi a sua intervenção, mas aqui fica...

www.eb1-oguela.rcts.pt info@eb1-ouguela.rcts.pt www.ouguela.blogspot.com




Ouguela Com Vida


“Entre O Caia, o Xévora e o Abrilongo há um mundo de magia, entre o sonho e a realidade. Há um ambiente e uma comunidade com vida, que merecem ser estudados e protegidos”.
Ouguela é uma aldeia rural do Concelho de Campo Maior. Aqui, entre o Caia, o Xévora e o Abrilongo desde sempre que as populações viveram em comunhão com a natureza, cultivando a terra, pescando nas águas límpidas dos rios e vivendo em equilíbrio com a natureza.
Aqui ainda vivem a Abetarda, o Sisão e o Grou. Aqui as Bogas e os Barbos ainda sobem o rio para desovarem e para se alimentarem. Aqui o vimieiro e o salgueiro ainda dão a matéria prima com que os mais velhos nos ensinam a construir galritos, cestos e todo o tipo de artesanato.
Aqui lembram-se as técnicas tradicionais de trabalhar a terra, “de dar e tirar” dela a subsistência de todo um povo. Lembram-se também as “Estórias”, as alegrias e tristezas e os saberes ancestrais que compõem a memória cultural de um povo.
Aqui, com o apoio de organizações ambientais como o GEDA de Campo Maior, procurámos criar espaços vivos para o convívio com a natureza e a educação ambiental.
Aqui, em Ouguela, procurámos estudar as artes e os saberes ancestrais, fazendo deles o ponto de partida para os ensinamentos escolares. Desta forma, os alunos tornaram-se em construtores da sua própria aprendizagem e tomaram atitudes intervenientes na defesa da sua herança cultural e ambiental.
Juntos, estudámos a fauna e a flora locais, procurando contribuir para a preservação das espécies em vias de extinção; procedemos à colocação de ninhos e ao estudo das espécies existentes em redor da aldeia; promovemos a recolha, reutilização, e reciclagem do papel e de outros produtos; a redução da produção de resíduos provenientes do consumo das sociedades modernas; a necessidade de poupança de energia e de utilização de energias renováveis.
Em Ouguela desenvolvemos actividades de educação ambiental e de intervenção comunitária que congregaram a escola e a comunidade, em particular os idosos, que participaram na construção da horta pedagógica, recuperando os saberes tradicionais e tornando-os parte integrante da formação cívica e cultural das novas gerações.
Com estas actividades procurámos, de igual modo, permitir a criação de espaços de troca, partilha e aprendizagem entre a escola e a comunidade, contribuindo para a criação de uma escola inclusiva e reforçando os laços e a identificação entre ambas as instituições.
De igual modo procurámos partilhar estas actividades com os nossos parceiros europeus da Grécia, Alemanha, Roménia, Suécia, Itália e Espanha, com os quais desenvolvemos o projecto “De mãos dadas por uma escola melhor” que pretende reforçar os laços entre as diversas instituições vivas da comunidade.
A Internet e a intercomunicação permitiram transmitir para além do horizonte aquilo que é a razão de ser desta comunidade, trazendo de volta mensagens de esperança que criaram uma verdadeira espiral de solidariedade para com o desejo deste povo de ver valorizada a sua cultura.
Em cada dia, em Ouguela, os alunos trabalham conscientes de que a sua riqueza cultural é valorizada pelos seus colegas de escolas distantes e sabendo que o seu trabalho de pesquisa, recolha e reconstituição das tradições é valorizada por todos os que estão ligado à educação.
A Internet ensinou assim os alunos a aprender com os pais e com os avós, pois são esses os conteúdos que mais receptividade apresentam junto dos colegas com quem comunicam. Por outro lado, aprendendo com os seus familiares, os alunos aprenderam que podem ser eles mesmos “aprendizes de Pigmaleão”, transmitindo preciosos conhecimentos sobre a sua cultura não só aos seus colegas alunos mas, igualmente, aos professores que carinhosamente os incentivam a continuar no seu trabalho.
Desta forma, a Internet e todos os que através dela se juntaram aos 89 professores de Ouguela, deixaram um pouco de si no processo de aprendizagem e crescimento dos alunos. Cada um dos correspondentes tornou-se assim num actor privilegiado da afirmação de uma comunidade e contribuiu de forma decisiva para o crescimento destes alunos como elementos activos, críticos, participativos e conscientes da sua riqueza cultural, ambiental, histórica e paisagística. Riqueza essa que assim se afirmará como meio privilegiado para para a formação das futuras gerações de Ouguelenses.

Viva Ouguela!...
Viva o Alentejo!....
Viva Portugal!...

António Gadanha, Ricardo Encarnação e António Mendes
Escola e comunidade de Ouguela


Aos amigos do Cão de Guarda:

Parabéns pela democratização deste espaço!...

Isto é o verdadeiro "Empowerment"

Vocês São os maiores...

quinta-feira, 8 de abril de 2004

Ele há cada vício...

Aqui há uns dias li no "meu" BdE um post do Luís Rainha a que achei graça por me ter identificado muitíssimo com a situação. Sendo nova nestas andanças de net, blogs, posts, liks, - o que para aqui vai de termos exóticos ! – esta mania deu-me forte. Se passo um dia sem aqui vir, sinto falta, imagine-se. E tendo conseguido uns dias de férias longe de Lisboa, vim de portátil e tudo, ainda assim perdesse qualquer coisa. E, se em Lisboa tenho a netcabo que não me trás surpresas, perdida numa aldeia tenho de recorrer a outro servidor e ia-me passando quando ao chegar vi que o telefone não estava operacional! Quando a irritação passou, deu-me um ataque de riso daqueles que parece não acabarem. Só visto! Que ridículo incrível esta autêntica dependência...
Quando durante a minha adolescência mantive um diário (e ainda foi ao longo de uns 5 ou 6 anos) não sentia a mesma necessidade compulsiva de escrever. Também é certo que aqueles cadernos só eram lidos por mim própria e aqui tenho sempre a ideia de que alguém dará uma espreitadela – e fico toda orgulhosa quando há um comentário a comprová-lo.
Mas esta “adolescência” blogística também vai com certeza ser ultrapassada, e eu vou conseguir atingir a maturidade serena de quem olimpicamente faz aqui uma visita quando tem algo de verdadeiramente sério e importante a dizer. Ups! Nesse caso fechava já a porta. Algo de sério? Estou parva, ou quê?
M.L.

Também acho


Encontrei neste blog um texto muito bom, mas como não consegui o endereço certo para o linkar vou reproduzi-lo todo com a "devida vénia" ao autor

Uma percentagem significativa dos portugueses ou nasceram ou foram educados depois do 25 de Abril, e muitos deles encaram aquela data como mais uma data histórica; como sucede com todas as datas históricas, não é raro que encontremos mesmo alguma ignorância.
Pessoalmente considero o 25 de Abril uma data histórica, e que como tal deve ser considerada. Para quem teve que se confrontar com o regime anterior e com todas as suas consequências é, muito provavelmente, a data política mais importante das suas vidas; foi a liberdade, o fim de uma guerra para onde se era mandado sem o direito de a questionar, foi a aquisição de novos valores políticos e civilizacionais, foi um país embriagado pela própria liberdade.
É uma data tão importante que sentimos alguma dor quando um jovem revela pouco conhecimento ou mesmo algum desprezo pela mesma.
Ao contrário do que muitos pensam considero que isso não tem nada de grave, sendo mesmo uma inevitabilidade. Nós, os que com mais ou menos idade já vamos tendo o estatuto de cotas, conhecemos a diferença; os mais jovens ainda bem que não a conhecem.
Mas, mais importante do que conseguirem fazer uma linda redacção sobre o 25 de Abril é que encarem o autoritarismo como um absurdo, e que assumam o direito à indignação como um acto natural da nossa sociedade; e nesse aspecto, sem terem vivido o 25 de Abril e mesmo sem lhe darem a devida importância, são portadores dos seus valores, são os verdadeiros protagonistas da profunda mudança civilizacional que Portugal sofreu graças ao 25 de Abril.
Que se indignem perante o abuso, que se revoltem contra a injustiça, que digam o que a cada momento o que lhes vai na alma, que digam não à subserviência e ao despotismo e, mesmo sem o saber, estarão a interpretar melhor os valores do 25 de Abril do que as gerações que o protagonizaram e que, não rara vezes, são portadores de hábitos e princípios inquinados por um passado de ditadura.

O único acrescento é que eu chamaria Fascismo ao fascismo e não eufemísticamente "regime anterior", mas é apenas um pormenor. O nosso fascismo teve características próprias, mas os valores que o caracterizavam estavam lá...

M.L.

Quando as paredes começaram a falar




A palavra tanto tempo presa, soltou-se enfim.
O desejo de falar era tanto que até os muros falavam.
Nem sempre o talento de quem fazia estes murais era do tamanho do seu entusiasmo. Fizeram-se alguns lindos, de outros só ficava a boa vontade.
Mas essa, ninguém a pode negar.

M.L.