terça-feira, 14 de setembro de 2004

«Eu não sou assim»

Vou entrar numa de auto-crítica. Ou não sei bem se a palavra crítica é a correcta, antes uma auto-análise.
Eu oiço, vejo, encontro, muitas pessoas, que ao admitiram alguns comportamentos que de alguma forma as prejudicaram, ou prejudicaram outros, usam a expressão: «Eu sou assim!» que tanto pode ser «sou assim e, paciência...» como «sou assim, e quem não gostar que se afaste». Mas o sentido é sempre de que não há nada a fazer. Nasceram assim, e a mudança é impossível - também não respiram debaixo de água, nem batem asas no céu. E creio que essa atitude é irritante para os outros mas lhes dá um certo consolo.
E quase os invejo. Eu tenho passado a vida a fazer burradas, e a pensar depois .”Como foi possível?!” Mas foi. Como se afinal “eu fosse assim”...
Tal como não pedir comprovativos de cursos que frequento com a ideia romântica de que o importante é ficar a saber. E depois como provo que sei? De não guardar documentos que imagino ninguém precisar de ver, e enganar-me. De só combinar preços de trabalhos no final de estarem feitos, com o risco de nunca vir a receber nada por isso. É que tem sido mesmo umas a seguir às outras e de cada vez o arrependimento tem sido maior. Como se de facto existisse um padrão de comportamento claramente totó. Mas custa-me admitir : Eu sou assim: totó!
M.L.

Obrigado, ...

... João.

Assobios

O Dr. Santana foi ouvir a Madonna. É lá com ele. Eu não iria, mas isso de gostos, cada um tem os seus. E lá que foi um acontecimento mediático, dos que ele gosta, ninguém pode negar. Agora... Surpresa!!! . Imagine-se que os espectadores o receberam ao assobio. Já não há respeito. Mas enfim, foi um baptismo: « O primeiro-ministro, Santana Lopes, recebeu ontem à noite a sua primeira grande vaia pública». Parabéns, Dr, Santana, afinal a sua popularidade é grande. Mesmo entre fãs da Madona, o que dá para imaginar que o leque de desapoio é bem aberto.

PS - Se calhar houve engano. Eram assobios de apreço à cantora. Foi, mas foi, uma confusão.
M.L.


Mais pobres e mais agressivos

Não é de estranhar. Uma coisa, normalmente, arrasta a outra. Dizia-se que “casa onde não há pão...”. Mas apesar de tudo, das censuras que faço, gosto muito da minha terra. E dói-me vê-la apontada como o segundo ... a contar do fim ou seja Portugal apenas à frente da Grécia entre os antigos Quinze no que toca à pobreza . Tanto quanto entendo, são dados fiáveis, do gabinete estatístico da União Europeia, o Eurostat. E ficamos também a saber que a violência subiu de um modo notável. Onde estão os “brandos costumes”? Devem ter ido atrás do pão.
M.L.


Justiça e bons exemplos

Não sou daquelas que acha que cada profissional tem de ser infalível quando “pratica a sua profissão”. Oiço muitas vezes comentários do tipo “olha, é psicólogo e está deprimido” ou “não deve ser bom pintor que a casa dele está a precisar de ser pintada”. Sei muito bem que uma coisa é a vida profissional e a outra particular, doméstica. E ainda mais, também sei que não são dois ou três casos, que podem servir para acusar um grupo profissional, o que acontece demasiadas vezes.
Pondo isto como ponto prévio, chamou-me a atenção que seja o terceiro processo instaurado a um juiz, na sequência de declarações no âmbito do processo Casa Pia . Em que ficamos? Há segredo de justiça, pelo menos formalmente, ou os próprios juizes saltam por cima desse pormenor? Por maior que seja a pressão da Comunicação Social, este é mesmo um campo onde devem dar o exemplo. Assim não vale.
M.L.

País real

Enquanto em Lisboa tropeçamos em pedintes constantemente ( basta sair de casa, parar em cruzamentos, andar de metro, por vezes apenas entrar num café ) vamos tendo a ideia falsa de que o “mal” está concentrado por aqui e as coisas no resto do país são menos gritantes. Se calhar o caso é esse: “menos gritantes”. A pobreza é mais envergonhada. Mas afinal verifica-se que
Em Guimarães, há 700 famílias inscritas na lista de pedidos de habitação social e perto de duas centenas a solicitar apoio alimentar
.
«É dramático» diz o Presidente da Câmara. Não há dúvidas. Porque o que se lê é que é uma pobreza escondida, tímida, diferente da que se vê na capital porque apesar da miséria custa-lhes recorrer a uma ajuda. Ainda doi mais.
Existe uma instituição chamada Fraterna que conjuga todas as ONGs de apoio para além da ajuda oficial. E afirma que «a lista tem vindo a aumentar e o perfil das pessoas que solicitam os apoios é cada vez mais diversificado». É este o nosso país. A nossa política social.
M.L.

Bowling for Columbine

Ora bem. Em 1994 Bill Clinton assinou uma proibição de fabrico e venda de armas semi-automáticas. Essa medida seguiu-se a uma série de tiroteios com armas semi-automáticas no estado da Califórnia, de que resultaram 34 mortos
Passaram-se 10 anos e a lei caducou. Óptimo. Podem voltar a matar-se à vontade.
Desculpem-me. Este tema é tão grave que não há humor possível. Mas custa ver uma cegueira tão grande. Como é possível continuar a vender-se armas de morte desta maneira. Será que aquela gente não aprende?
M.L.

Devemos ter ouvido discursos diferentes

Ontem à noite, estive a ouvir o Senhor Ministro das Finanças e fiquei na mesma. Não me disse nada que não soubesse. Minto. Disse-me uns números que eu não sabia mas que também não me adiantam muito. Sou tão saloia, que o dinheiro para além de um certo valor, deixa de ter sentido, é uma abstracção. Para mim, essas coisas das macro-economias são chinês. Falar em dois mil milhões de euros, é uma abstracção.
Portanto o que me disse foi mesmo muito vago. Entendi que ele não quer mas vai continuar a precisar de receitas extraordinárias. Bem. Já calculava. O resto para mim foram coisas completamente vagas.
Mas... o meu aparelho de TV não deve andar lá muito bom. Possivelmente o do Sr. Luis Delgado é de uma marca melhor, porque ele conseguiu ouvir Bagão Felix claro, objectivo, com metas, e sem promessas demagógicas . Que bom aparelho. Quero ver se arranjo um desses para mim.
M.L.

segunda-feira, 13 de setembro de 2004

O Ovo de Colombo

Pronto. Tudo o que ia escrever, está já escrito e melhor do que eu faria, pelo Luís Rainha . Mas como já vinha com esta engatilhada, não vou perder o post...
Como se trata de saúde é mais de chorar, mas a verdade é que dá vontade de rir. Uma ideia genial. Lembram-se de uma palavra de ordem que era "os-ricos-que-paguem-a-crise"? Era natural, quem tinha dinheiro, pagava. Agora temos que "os-doentes-que-paguem-o-tratamento". E porque não? Não adoecessem, ora então!? Fiquei mesmo interessada, um governo tipo Robin dos Bosques, que tira aos que têm mais, para subsidiar os pobrezinhos. São medidas de longo alcance e, em breve, os países nórdicos que tinham uma política social razoável, virão em fila a Portugal perguntar como se faz. Há para aí uns ricaços, que quando se sentam mal dispostos decidem ir entupir as urgências dos hospitais. É mal. Não se faz. E ficam 8 horas ali até serem atendidos enquanto o seu motorista lhes vai trazendo um termos com café e uns pastelinhos de nata. O Ambrósio trás "algo", à senhora do chapéu amarelo, enquanto ela espera por ser atendida. Agora isso vai acabar! A patroa do Ambrósio vai pagar muito mais do que o próprio Ambrósio, a não ser que... Espera, a não ser que, ele declare aquilo que ganha ( não tem outro remédio) e ela prove ter o salário mínimo nacional. E porque não?
O chocante nesta história é o reconhecimento público da fuga aos impostos e uma completa aceitação dessa situação. Com a maior franqueza, pagaria sem resmungar a minha parte de impostos se sentisse que era uma situação partilhada. Certo, estamos todos no mesmo barco, faz sentido remarmos mesmo contra a maré. Mas TODOS. Assim não.
M.L.

Mérito


A palavra é bonita. MÉRITO. É esdrúxula, e o E muito aberto dá-lhe uma certa alegria. Também é um pouco imponente
- M É R I T O ! Assim a modos que como uma condecoração, "pelo seu mérito, ofereço-lhe esta medalha". Tá, tá, tá, tá !!! E, pelo que se ouviu agora, quem trabalha para a função pública vai ser classificado segundo o seu mérito, o que só lhes fica bem. Claro que se põe o problema de quem avalia o mérito de quem. Mas isso fica para uma segunda investigação. Por hoje o que me fez pensar foi a informação de que as pessoas passariam a ser pagas segundo o respectivo "mérito" ou por outras palavras, pelo seu desempenho. Portanto, o que me parece até muito bem, colegas de trabalho com desempenhos diferentes passarão a receber ordenados diferentes. E agora vem a tal perguntinha antipática: Essa avaliação chega a todos os cargos? Vamos ter ministros a ganhar menos do que outros? Estou ansiosa por ver. Por exemplo, a Ministra da Educação...
M.L.

Regresso ou ...férias?


Há cerca de 4 meses e meio, escrevi aqui "Adeus, até ao meu regresso". Estava de abalada para outro blog onde
colaborei durante todo este tempo. Lá diverti-me, emocionei-me, vibrei, conheci muita gente (virtualmente) e fiquei a simpatizar fortemente com alguns outros bloggers. Uma experiência muito enriquecedora. Sinto-me sinceramente grata por ma terem proporcionado e a poder ter vivido. São estas coisas que dão colorido à vida para não ser de um cinzentismo bem triste.
É claro que escrever no Cão de Guarda é um acto de cuco - estou a esconder uns ovos num ninho que não fiz. Mas a verdade é que esta porta aberta é uma tentação. Fica tudo muito mais fácil, o trabalho da criação do blog está feito, e este senhorio não podia ser mais simpático.
Se hoje aqui volto é porque estou numa pausa de meditação. Um blog colectivo como aquele onde estive levanta por vezes emoções difíceis de gerir. Precisamos de pausa. Até aí tudo bem, mas o complicado é a tal blogodependência, como já lá reconheci. Habituei-me de tal forma a escrever diariamente que, se me falta a droga, entro a ressacar. Difícil, não é? Valha-me o Cão de Guarda !
De modo que, enquanto o dono do Cão deixar, vou ficando por aqui. Se quem por aqui passar for atirando um ossinho ( e, como pedir não custa, com alguma carne...) ficava muito agradecida.
M.L.

quarta-feira, 8 de setembro de 2004

do Bósforo à Capadócia

Gurme, deģişik lezzetleri tatmaktan zevk almakla kalmayıp, sırtını yasladıģı kültürden de haberdar olanlara denir. Bir meslek olarak görmemek lazım.


segunda-feira, 23 de agosto de 2004

Chavela Vargas

Que no somos iguales, dice la gente
Que tu vida y mi vida se van a perder,
Que yo soy muy canalla y que tú eres decente,
Que dos seres distintos no se pueden querer

Pero yo ya te quise y no te olvido
Y morir en tus brazos es mi ilusión
Di con todas tus fuerzas
Lo que soy en tu vida
Di también que me quieres
Y que te quiero yo

Y vámonos, donde nadie nos juzgue
Donde nadie nos diga que hacemos mal
Ay, vámonos, alejados del mundo
Donde no haya justicia
Ni leyes, ni nada, nomás nuestro amor

Que no somos iguales
Qué nos importa
Nuestra historia de amores
Tendrá que seguir
Pero alguien me dijo
Que la vida es muy corta
Y esta vez para siempre
Yo he venido por ti

Pero quiero que sepas
Que no te olvido
Que si vienes conmigo
Es por amor
Yo no entiendo esas cosas
De las clases sociales
Sólo sé que me quieres
Y que te quiero yo

Vámonos, donde nadie nos juzgue
Donde nadie nos diga que hacemos mal
Ay, vámonos, alejados del mundo
Donde no haya justicia,
Ni leyes, ni nada nomás nuestro amor
Que no somos iguales
Qué nos importa


nomes

que têm em comum a Vanessa Solange, a Cátia Gisela, a Olga Carina, a Severina Daniela, a Cátia Cristina, o Frederico Eugénio, o Manuel Filipe?


sexta-feira, 20 de agosto de 2004

Debates socialistas

(Vital Moreira, ontem, no Causa Nossa)

É de louvar que os socialistas tenham decidido travar perante a opinião pública os debates sobre a eleição do próximo líder do Partido, na sequência da súbita saída de Ferro Rodrigues, após o desenlace da crise política que terminou na nomeação do actual Governo. Mas, perante várias tomadas de posição verbalmente pouco contidas dos candidatos e dos seus apoiantes mais excitados, não será descabido lembrar-lhes que depois das eleições e da vitória de um deles todos continuarão membros do mesmo partido e terão de cooperar na realização dos seus objectivos. Por isso, seria aconselhável alguma moderação nas palavras e nas atitudes. O crédito público do partido também passa por aí.


a Europa Social

o maior alargamento da história da União Europeia, ocorrido a 1 de Maio, será/ia porventura o seu maior desafio e a sua mais ansiada oportunidade. a perspectiva duma Europa do Atlântico ao Bósforo, e do que revelará em termos económicos e sociais, procurando dar resposta aos desafios transversais que a Cimeira de Lisboa agendou para esta década, no sentido de tornar a União Europeia a mais dinâmica e competitiva economia, criando emprego e garantindo um desenvolvimento social e ambiental sustentáveis, pareciam desafios ambiciosos e fascinantes.

mas com as eleições europeias de Junho chegou um novo presidente da comissão, que “considera difícil que a União Europeia a 25 consiga alcançar o objectivo de se tornar na economia mais competitiva do mundo em 2010. Por isso, vai propor aos Estados-membros a alteração da data.” (TSF). da data? mais importante será o relançamento das políticas sociais, designadamente pela articulação e acompanhamento da estratégia europeia de emprego, dos planos nacionais de acção para a inclusão e da coordenação aberta da política europeia de pensões, entre outras não menos exigentes missões.

ou será que quando o “antigo primeiro-ministro português considera que a opinião pública está agora mais preparada para aceitar reformas e garante que, actualmente, existe uma maior consciência para os problemas da competitividade económica”, se prepara para uma maior flexibilização, sem segurança, da Europa Social?


terça-feira, 17 de agosto de 2004

louvor n.º 527/2004

"... honra as suas capacidades de portuguesa e de mulher."


sexta-feira, 13 de agosto de 2004

louvor n.º 519/2004

(de Teresa Caeiro, ex-Secretária de Estado da Segurança Social)

"A essência da segurança social são as pessoas, as suas vidas, alegrias e desgraças."


quarta-feira, 11 de agosto de 2004

tribuna da desonra

custa muito ver o Eusébio misturado com o senhor Vieira e o senhor Félix


segunda-feira, 2 de agosto de 2004

Aljezur 30.07.2004

a todos os estimados/as
clientes que ainda näo
informo que a moagem
vai ficar fechada para
o moleiro também descansar
um pouco que será do
01.08.2004 a 15 do mesmo

reabre dia 16.08.2004

bom trabalho para quem
trabalha e boas férias
para quem tem férias
obrigado a todos.

(assinatura inelegível)