segunda-feira, 3 de janeiro de 2005

Jordão (para o João)



O apodo de Gazela Negra até ficava bem a Jordão. Ágil e felino, foi mais uma pérola descoberta na inesgotável África, pelo Benfica, nos prodigiosos anos 60. Espírito Santo, José Águas, Costa Pereira e Santana eram já saudade; Coluna e Eusébio aproximavam-se do final da carreira; Nené, Shéu e Jordão seriam os herdeiros do aroma africano.

(in Memorial Benfica – 100 Glórias)


quarta-feira, 29 de dezembro de 2004

amantes



Firenze, Agosto de 2000, uma exposição de fotografia, pintura, guarda-roupa, do Zefirelli sobre a Callas, com a música sempre presente

nunca mais chega o filme com a Fanny Ardant e o Jeremy Irons




Cinemateca Portuguesa, hoje




segunda-feira, 27 de dezembro de 2004

Genova (actualização)



Genova capital da cultura lembra Lisboa em 1994 e o Porto em 2001, zonas históricas degradadas em obras, um rio a chamar por nós, iniciativas deslumbrantes para quem perdeu a magia do império e a recupera durante uns meses. até final de Janeiro ainda será possível ver a exposição Arti&Architettura 1900-2004, originais de António Sant’Elia (como é possível que a sua obra tenha sido fruto de menos de 30 anos de vida, apenas até 1916?), Ivan Leonidov e toda a beleza do marxismo-leninismo-soviético, e Joaquín Torres Garcia (há 75 anos percursor da obra de José Soromenho, sem este o saber)



mas durante todo o ano vale a pena deambular pelo cemitério de Staglieno (ainda mais bonito que o de Šibenik)

quinta-feira, 23 de dezembro de 2004

desaires?

um desaire do Benfica é uma espinha encravada na garganta do Bagão!

zé (benfiquista e cidadão)

quarta-feira, 22 de dezembro de 2004

femme fatal



é pena



20 de Fevereiro de 2005

há um novo cartaz da Câmara Municipal de Lisboa que diz algo como 'tira as pantufas, sai do sofá e anda de patins'. é para aplicar daqui a 2 meses, pais, tias, avós, velhotas do bairro, para os por a andar de patins

terça-feira, 21 de dezembro de 2004

o sistema

se a A.D.Oliveirense for hoje eliminada da Taça de Portugal pelo Sport Lisboa e Benfica, só haverá um nome a acusar: Santana e Bagão (esta é parecida com aquele cujo coração só tinha uma cor: azul e branca)

arte periférica (II)



arte periférica



mercearia de bairro, Ajuda, Lisboa

há muito tempo que não o via, está mais magro (velhota)

tenho perdido peso nestas últimas semanas, ando a trabalhar mais

mas é para correr com eles?

sim, sim, somos todos precisos

a ver se os pomos a andar de patins duma vez por todas

segunda-feira, 20 de dezembro de 2004

outro Natal é preciso

(ou já te converteste às luzes natalícias?)

… As lágrimas corriam-lhe enquanto se ouvia A Internacional.

Mas Ruža era crente. À medida que se aproximava o Natal, ela fazia sempre algo, ora limpava o pó, ora trocava os cortinados, ora ia ao cabeleireiro, ora vestia melhor as crianças, mas ele limitava-se a olhar, carrancudo. Sabia o que se estava a passar. Dois ou três dias antes do Natal chamava-a junto de si e dava-lhe um sermão: «Na minha casa o Natal não se festejará. Eu decidi-me uma vez por todas e não quero fazer como alguns. Lá fora é comunista, mas em casa parece a catedral de Zagrebe. Mas tu, perfeitamente, se queres o Natal, leva as crianças para casa da tua mãe ou para casa da minha. Festeja quanto quiseres, mas não me metas nisso.» E Ruža pegava nas crianças e um ano festejava em casa da mãe, outro na da sogra. A certa altura, aparecia, como passando por acaso, também Ivo T., vestido como num dia normal, sentava-se à mesa, como que por acaso bebia e petiscava, felicitava aqueles que festejavam e sublinhava: «A liberdade religiosa é garantida no socialismo.»


a ponte de Norman Foster



fosse El Puerto de Santa Maria perto de Millau como é de Cadiz

doce gerúndio



obrigado Luíza, Sheila, Horacio, obrigado Barcelona, obrigado Lula

Foi bonita a festa, pá
Fiquei contente
E inda guardo, renitente
Um velho cravo para mim

Já murcharam tua festa, pá
Mas certamente
Esqueceram uma semente
Nalgum canto do jardim

Sei que há léguas a nos separar
Tanto mar, tanto mar
Sei também quanto é preciso, pá
Navegar, navegar

Canta a primavera, pá
Cá estou carente
Manda novamente
Algum cheirinho de alecrim


chegará a primavera um mês mais cedo?


Eros



os desenhos, a música de Caetano Veloso sobre Michelangelo Antonioni, a água e o mar, as sombras de Steven Soderbergh em Robert Downey Jr, os vestidos e a câmara ao retardador de Wong Kar Wai, não chegam para tornar Eros um filme sensual

existe erotismo e sensualidade sim, mas no Imortal do Enki Bilal (mais ainda na trilogia Nikopol em livro que no filme, especialmente em A Mulher Armadilha), n’A Vida é um Milagre de Emir Kusturica, ou numa das últimas crónicas da Faíza Hayat (Sagoate)



terça-feira, 14 de dezembro de 2004

As noites de Sarajevo (II)



… vários Outonos depois dos dias de Sarajevo, vejo que há algo inapreensível que une a guerra e o amor, pois a promessa de uma vida eterna caminha sempre ao lado da horrenda presença da morte. Há qualquer coisa que os iguala, possivelmente porque o amor e a guerra deslizam sobre um fio invisível que pode conduzir à queda. Na guerra não há vitórias, apenas umas quantas derrotas para repartir; não há heróis, apenas vítimas, incluindo os que sobrevivem e também aqueles que escrevem e falam sobre elas. E o amor? Se esperamos muito dele, podemos ver que, algum tempo depois, tudo o que resta entre os nossos dedos é apenas um pedaço do nada. Alma não está, a sua voz já não ecoa nos meus ouvidos, é como se se tivesse esfumado da vida ou nunca tivesse existido. Talvez agora escreva apenas num intento vão de recuperar o que perdi, de ter o seu fantasma junto a mim e guardá-lo à sombra da minha vida.

Air Nostrum

conheci-a num voo entre o Porto e Barcelona, fiquei agradavelmente surpreendido e deliciado. voltei a encontrá-la ao regressar de Torino: as hospedeiras mais bonitas e simpáticas, o mais saboroso serviço de bordo

aviones pequeños, grandes detalles…

Genova



Genova capital da cultura lembra Lisboa em 1994 e o Porto em 2001, zonas históricas degradadas em obras, um rio a chamar por nós, iniciativas deslumbrantes para quem perdeu a magia do império e a recupera durante uns meses. até final de Janeiro ainda será possível ver a exposição Arti&Architettura 1900-2004, originais de António Sant’Elia (como é possível que a sua obra tenha sido fruto de menos de 30 anos de vida, apenas até 1916?), Ivan Leonidov e toda a beleza do marxismo-leninismo-soviético, e Joaquín Torres Garcia (há 75 anos percursor da obra de José Soromenho, sem este o saber)



mas durante todo o ano vale a pena deambular pelo cemitério de Staglieno (ainda mais bonito que o de Šibenik)