segunda-feira, 21 de agosto de 2006

[ anti-blog ]

Segunda-feira, 21 de Agosto de 2006

Blogosfera - Motivações Básicas I
O Mundo conhecido está recheado de blogs. Há blogs para todos os gostos e feitios, desde o blog da menina que regista publicamente as entradas do seu diário secreto ao maduro que anda por aqui a ver se dá numa de sedutor passando, claro está, pelas mais vistosas e suculentas bundas importadas directamente do Brasil e pelos sagrados vídeos pornográficos feitos por amadores. Também há os que não fazem absolutamente nada e que, à falta de projecto consistente, teimam em fundar blogs por aqui e por ali, matando-os logo de seguida por manifesta incapacidade de alimentar a besta, caso deste vosso dedicado escriba. Por fim, há os casos sérios de bloguística sapiência e maturidade, casos raros de longevidade lúcida e os seus opostos, casos de longevidade gágá mas que, ainda assim, mantêm os seus clientes pregados ao monitor fazendo comentários por dá cá aquela palha, mesmo que o assunto de um post seja tão merdoso como um "emoticon".
Andy Warhol deixou-nos em testamento o cronómetro da Fama a que cada um de nós tínhamos direito. A professora da série dos idos 70, "Fame", deixou-nos o pensamento "a Fama paga-se". Nota-se que tanto um como a outra não chegaram a conhecer a Internet.
Actualmente a Fama pode durar anos e, cada vez mais, cada um de nós tem direito a ela. Gratuitamente. A blogosfera está agora repleta de seres que se contradizem e que, estou convencido, começam a sofrer de dissociações de personalidade: cada um dos seres da blogosfera tem a sua realidade dividida entre o meio físico, onde cada passo que dá depende das condições da envolvente, e o meio do "media", onde um "nickname" lhe dá poderes extraordinários, poderes que lhe permitem ser quem deseja ser. Sem responsabilidade de maior.
Claro que há excepções e honrosas: existem os que escrevem na tentativa de serem, realmente, um canal de informação alternativa, uma escola, um romance... mas são poucos quando comparados com a autêntica galáxia de inutilidade que este meio apresenta.
Creio que, na maioria dos casos, o blog é uma personalidade secreta, daquelas que se ostenta apenas num determinado meio e que não se mostra em casa. E isso é triste.
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[ cjt ] às 14:57 link do post comentar

Proposta do [ anti-blog ]
A proposta do [anti-blog] é simples: tentará demonstrar que não é difícil criar um blog completamente inútil.
Esta demonstração pretende desmistificar a ideia segundo a qual apenas as mentes mais esclarecidas têm a capacidade de se revelarem totalmente inúteis, provando que o disparate está ao alcance de qualquer um.
As ferramentas utilizadas nesta demonstração são básicas: a descarada falta de inspiração do autor, os restantes blogs e uma enorme quantidade de tempo a dispender em exercícios de estilo completamente inúteis. Trata-se, assim, de um estudo perfeitamente credenciado e que, chegado o tempo, será constituído em tese de doutoramento sob o título "Da Imensidão De Inutilidades Que Podem Ser Encontradas Na Belogoesfera E Da Necessidade Espiritual Dos Tais 15 Segundos De Fama Que O Andy Prometeu Ao Pessoal - A Farsa Da Intelectualidade Caseira E As Inspirações Dos Mais Grandes Da Nossa Praça".
Por agora estamos conversados, a seguir se ditarão algumas considerações prévias.
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[ cjt ] às 14:42 link do post comentar

quarta-feira, 16 de agosto de 2006

qu’é qu’é isto?



quarta-feira, 9 de agosto de 2006

Morte [002]
É tarde, sabes?
Avançar no caminho, a esta hora, torna-se penoso. É já toda uma idade de corridas sem refúgio nem descanso. As pernas ressentem-se com facilidade, agora, e não obedecem como era costume.
Gostaria de ficar mais um pouco mas os olhos não querem acompanhar os teus movimentos, recusam-se a aceitar a luz que propagas. É pena, decerto, mas inevitável.
Haverá outras oportunidades. Agora deixo-te. Guarda-me.
[ CJT ]
Frase matinal

"[...] as Palavras parecem uma "arma" desigual. Parecem, não são. Cada palavra inquieta, cada palavra revoltada é uma palavra a menos, em nome de guerras a mais. "
[Eta]
Abrupto Hacker Blog Falso Conspiração [II]

À hora do fecho da redacção cumpre-me informar que não se verificou o desejado "Efeito Viagra" neste belogue.Tal falhanço poderá significar várias coisas:1 - Já não interessa a ninguém o caso da falsificação do belogue de JPP2 - Aquilo está definitivamente arranjado3 - Isto não adianta nada, o melhor é eu tentar escrever alguma coisa de jeito.Em todo o caso, não é o que se passa com o "Abrupto" que, conforme podemos ver no "Blogómetro" continua, a esta hora, comodamente instalado num saboroso terceiro lugar mesmo ali entre "O vizinho [M18] - Só carne de primeira" e o "Apanhadas na Net", numa lista encimada pelo incontornável "Aqui é só Gatas".
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onde está o vinho?

É o grito desesperado de Fernando Maurício muito bem explicado por polegar sangrento no seu post e comentário final [a ler também] e que termina com a constatação lúgrube e certeira de que "Realmente o mundo está todo fodido".
E está.
Parecendo que não, a constatação de Maurício e a sua pergunta não são descabidas. Bastará olhar para o que se passa em Canãa, a preterida libanesa em favor da nazarena, onde o vinho faltou nas bodas e onde falta agora, mais que nunca; bodas de sangue que não param.
Onde está o vinho? perguntam os milhões que assistem, tomam parte, são parte, que morrem, que ficam estropiados, desolados, desalojados, Onde está o vinho?, o vinho que um suposto deus resolveu arranjar à última hora para que a festa continuasse.
Não há vinho? Não há Deus? Não há Boda?
Há sangue.
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Abrupto Hacker Blog Falso Conspiração

Pois começa assim a minha experiência do "Efeito Viagra". Começo por falar no belogue "Abrupto" de JPP que, como sabemos é o belogue de um ilustre que calha de ser um dos mais lidos da belogoesfera.
Aparentemente este belogue tem sofrido ataques de um hacker [anglicismo para ácaro] e conseguiu ter um clone, um Falso Abrupto com o mesmo endereço e tudo.
Segundo JPP, tal situação configura-se, sem sombra para dúvidas, numa conspiração contra o intelectual da nossa praça cujos motivos obscuros não puderam, contudo, ser ainda apurados.
Se isto não me garante ainda um "Efeito Viagra", não sei o que faça a não ser englobar este post numa categoria mais alternativa e de conotação sexual e terrorista.
Entretanto, quem parece estar no bom caminho para auiliar JPP [e a nós que não teremos que apanhar com ele] é o "Apdeites" que já vai no 4º post acerca do assunto e que apresenta algumas sábias palavras acerca deste [sábias que devem ser, na medida que eu não percebo patavina do assunto - e quando eu não percebo é, de certeza, transcendente ao comum dos mortais].
Bom, agora vou preparar-me para o volumoso aumento de tráfego que este belogue irá, decerto, conseguir.
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efeito viagra

Sigo aqui as pisadas de Paulo Querido que faz experiências com o Google e restantes na tentativa de demonstrar o Efeito Viagra.
No entanto, quero acrescentar que a ideia não é nova. Eu próprio, há já alguns anos, tive uma "campanha" contra os tops do SAPO em que construí diversos belogues com títulos como "Delírios Anais", "Confissões de um Casal Depravado", "Freiras Gulosas", entre outros, e que iam dar directamente ao "Blog de Alterne" [entretanto desaparecido e que não tem nada a ver com o actual] tendo, quase de imediato, ascendido aos primeiros lugares do podium.
No entanto desta vez não vai ser assim conforme poderão ver a seguir.
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Adeus, Gi
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Carlos José Teixeira on Wed 02 Aug 2006 08:47 WEST

Não lhe conhecemos a cara, apenas o nome e a desconfortável situação de ter nascido num corpo estranho, coisa que à maioria de nós ultrapassa o sentido.Nascida Gisberto, deu em Gisberta por opção firme e contrariando o mundo. Talvez tenha sido essa opção que a fez viver a vida que viveu, talvez tenha sido essa que lhe tenha provocado a morte. E não foi uma morte normal, foi violenta, de excessiva violência.Foi espancada, violentada e atirada a um poço, sabe-se que ainda viva, por um grupo de jovens atiçados por motivações que só a psicologia e a psiquiatria entendem.Não vou aqui tecer considerações muito vastas acerca do assunto mas vejo-me obrigado a pensar na vítima primeira, a Gisberta e na vítima segunda, a sociedade.Gisberta morreu. Está morta para sempre, facto incontornável provado pelo corpo analisado na morgue. Os miúdos que cometeram este hediondo crime foram julgados e condenados a penas de semi-internato por períodos de relativa duração, como o são todas as durações e, por fim, a instituição que os abrigava irá ser, ao que parece, objecto de processo.O que está mal neste panorama?O que está mal é a forma como se diz a qualquer puto que poderá, a partir de agora, espancar, violentar, assassinar, profanar o cadáver de qualquer transexual, bicha, drogado, preto, arrumador, velho, indigente, sem-abrigo, que a pena não há-de ser grande coisa. É a forma como se diz a qualquer meliante que, de ora em diante, poderá usar crianças para concretizar assaltos e danos, ataques, seja o que for.O que está mal é ficarmos a saber que a Lei, serva da Justiça, e que deveria ser a garantia de que todos somos, efectivamente, iguais, apenas serve para nos informar que nós, a sociedade, estamos tão mortos como a Gisberta.
Agora vamos todos esquecer Gisberta se é que alguma vez a lembramos. É que ela nunca apareceu na televisão... existirá?
Adeus, Gi.
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Qana
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Carlos José Teixeira on Mon 31 Jul 2006 09:08 WEST

Era menino quando ouvi falar de Qana, eu e todos os que comigo andavam na catequese. Chamava-se, por essa alturas, Canãa e era o local onde Cristo teria operado o seu primeiro milagre, milagre feliz, de transformar a água em vinho para que as bodas pudessem continuar. Existe alguma polémica acerca do verdadeiro local referido por S. João - os israelitas afirmam que o local será um outro, na Galileia, próximo de Nazaré onde JC passou a infância e os peritos bíblicos parecem dar razão aos judeus.
Seja esta ou outra, Canã não é mais o local onde alegremente se transforma água em vinho, é antes o local onde se transforma vida em sangue que mancha as ruas empoeiradas dos bombardeamentos.
Em 1996, as forças armadas israelitas perpetraram um ataque à região que se saldou em 105 mortos, três dos quais seria capacetes azuis da ONU e os restantes civis que se refugiavam na área fugindo dos bombardeamentos às suas aldeias. A operação "As Vinhas da Ira", que se saldou em 200 mortos e 400 feridos entre as forças da ONU e civis libaneses. 600 incursões aéreas e 23.000 obuses mais tarde, israel deixou no chão regado de sangue 175 mortos e 351 feridos, na sua maioria civis.
Agora, um bombardeamento que tudo leva a crer ter sido planeado, mata 57 pessoas, crianças incluídas.
É uma falácia pensar que a guerra é feita por e para militares e considero uma falácia ainda maior o termo "danos colaterias". Nunca houve, nunca há-de haver uma batalha que não tenha a mórbida contabilidade da previsão das baixas militares e dos civis mortos, estropiados, desalojados. Esta é a realidade.
Não há guerras limpas, o cenário dantesco atinge todos os que lá estão. Apenas os que, sentados em obscuros gabinetes gerem os títeres descarnados da opressão dos Povos e do assassínio de crianças, escondidos em tenebrosas ondas de fumo de charutos cubanos - é assim que os imagino - podem furtar-se a estas visões aterradoras.
Eles e nós que, sentados frente ao televisor, fingimos a consternação politicamente correcta e passamos as imagens para um canto recôndito do nosso cérebro assim que começa o nosso concurso televisivo preferido.
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A Causa das Coisas [Parte I]
by
Carlos José Teixeira on Mon 31 Jul 2006 08:16 WEST

Fontes: Courrier Internacional por Fernando Madrinha, José Gil, Robert Fisk, Ari Shavit, Hani Al-Masri, Sever Plocker

Em 1953 Ben Gurion diria que “A menos que mostremos aos árabes que há um alto preço a pagar pelo assassínio de judeus, nós não iremos sobreviver”. Foi a partir desse momento que Israel adoptou o à-vontade com que pretende vingar-se da mais pequena provocação.
Durante os quase seis anos após o processo de paz de 2000 e o desmoronamento do plano de desocupação israelita para 2006, a estratégia israelita concentrou-se apenas no isolamento e no fecho das suas portas – o muro. Ao tirá-los da vista, desapareceria assim o mal estar de estarem, os próprios israelitas, fartos de toda a situação sem fim aparente à vista, conforme refere Ari Shavit. Mas essa estratégia não era assim tão primária e tinha factores a serem igualmente tomados em consideração como a demografia prestes a explodir, a ameaça existencial que pesava sobre o estado judaico e a ocupação sem futuro e, finalmente, na consciência perfeita de não existir uma parceiro palestiniano que os auxiliasse a sair dessa encruzilhada.
A desocupação originou a desordem absoluta em vez de criar uma nova ordem palestiniana, não criando uma estrutura política de consenso e estabilização do Médio Oriente e gerando o caos político inflamatório do conflito.
A Israel interessa agora isolar e destruir o Hezbollah, baluarte político-militar de um Líbano dependente.
As reacções desproporcionadas do exército israelita comportam já um saldo significativo de mortes numa proporção de um para 25 [sendo 25 as mortes de árabes, na sua esmagadora maioria civis inocentes, contra uma morte de um soldado israelita] e são, por si, um factor da escalada de violência nos territórios em conflito. A cada escalada do Tsahal, corresponderá sempre uma acção retaliatória do lado árabe. E o Tsahal é sempre desproporcionado na sua agressão.
A sociedade ocidental continua a aceitar placidamente expressões como “guerra”, “conflito regional”, “proporção de meios militares”, “âmbito territorial”, “duração prevista”, deixando assim que o número de vítimas libanesas aumente de dia para dia.
As críticas ao exército israelita, algumas feitas por judeus que apelidam o seu próprio estado de “Estado terrorista” ou as de Ahmadinejad que apelida esse estado de “nazi”, não poupam a antevisão de “danos colaterais” comuns a todas as guerras, quer queiramos, quer não.
É preciso insistir que a libertação de 1.3 milhões de palestinianos do jugo dos ocupantes israelitas é a única solução digna Mesmo agora, após as retaliações e ataques do Hezbollah que só servam aos opositores da desocupação, é necessário insistir que essa solução é a única adequada.
Entretanto, a opinião mundial deixa andar a situação em nome de uma suposta guerra contra o terrorismo e demais propaganda e aceita serena uma situação que acha normal e parte de uma guerra tradicional, com tudo o que de pior aí possa acontecer, uma guerra em que não se faz distinção entre alvos civis e alvos militares.
“Toda a gente vê uma dificuldade na questão entre árabes e judeus. Mas nem toda a gente vê que não há uma solução para esta questão. Nenhuma solução. Nós, enquanto nação, queremos que esta terra seja nossa; os árabes, como nação querem que esta terra seja deles.” diria, a propósito, o mesmo Ben Gurion citado pela “Time”. Isto demonstra cabalmente as motivações íntimas de Israel que parece, assim, não entender possível uma relação entre judeus e árabes no território. Como se fosse uma sina, indelével.

Esta agressão israelita provoca o apoio palestiniano às acções do Hezbollah contra Israel pois consideram ser esta a segunda frente que os aliviará dos seus sofrimentos. O Hezbollah, por seu turno, afirma querer a libertação dos prisioneiros palestinianos.
Na realidade, a população árabe acha que se todos os países árabes se empenhassem tanto como o Hezbollah, os resultados seriam muito mais concretos e favoráveis à sua causa.
No entanto, é nosso dever questionarmos o Hezbollah se este mediu realmente as consequências do seu acto ao sequestrar dois soldados israelitas, ao matar outros oito e, finalmente, a efectuar ataques com mísseis contra o território israelita.
O governo de Ehud Olmert tem usado estes actos como justificação para impor a resolução 1559 do Conselho de Segurança da ONU, que prevê o desarmamento do Hezbollah. Com isto, Israel poderá ainda provar ser o único senhor da região e que pode dela fazer o que muito bem entender, inclusivamente prolongar o actual estado das coisas indefinidamente. Ao transformar esta situação numa guerra regional, conseguiria assim tomar como cenário o dossier iraniano e as possíveis sanções contra Teerão. Assim, logo à partida, faria desaparecer a Palestina dos noticiários em horário nobre.
Por seu lado, o Hamas deveria repensar o facto de ter colocado o poder nas mãos de terceiros [Hezbollah, Síria e Irão] depois de não ter conseguido formar um governo estável e de ter provocado a reocupação da Faixa de Gaza ao ter sequestrado o cabo Gilad Shalit.
Como nos relembra Hani Al-Masri no seu artigo para o “Al-Ayyam” de Ramallah, “Tal como a Fatah, tem que evitar colocar todos os ovos no cesto de Washington, que está cada vez mais alinhado com Telavive, o Hamas tem que evitar entregar a causa palestiniana a potências regionais que só iriam explorá-la segundo os seus interesses.”
A entrega das negociações sobre os presos palestinianos e libaneses ao Hezbollah será, realmente, a melhor opção do Hamas? Ou irá complicar ainda mais as coisas?

De Telavive chega a opinião de que o governo de Olmert foi arrastado contra a sua vontade para uma guerra de duas frentes. Dada a impopularidade do executivo que Olmert lidera, não iria ser limitando-se a ameaças verbais que ele restabeleceria a confiança dos israelitas e ainda menos a sua força de dissuasão. Com um ponto fraco ameaçado, resta a Israel escolher entre a palavra e os actos.
Como aponta Sever Plocker em artigo para o “Yediot Aharonot” de Telavive, “Israel está confrontado com uma declaração de guerra de duas organizações terroristas: o Hamas sunita, a sul, e o Hezbollah xiita a norte. Ambos se recusam a reconhecer o direito à existência do nosso Estado. Ambos estão implantados nos territórios de que retiramos unilateralmente: Gaza [Agosto de 2005] e sul do Líbano [Maio de 2000]. Ambos sublevam multidões e testam a capacidade do exército e da população civil israelita de suportar a pressão. Se conseguirem sair de cabeça erguida desta guerra e puderem brandir o estandarte da vitória, isso significará simplesmente o fim do projecto sionista.”

Segundo José Gil, a “Guerra Israelo-Libanesa”parece ser uma metáfora. O consentimento prévio deste conflito por parte dos americanos é agora evidente. Esta é uma guerra sem declaração, sem invasão do território, com retaliações desproporcionadas, com o objectivo de extermínio de um grupo fundamentalista e extinção de um estado terrorista.
Esta guerra teve início no momento em que as negociações de paz mediadas pelos egípcios estava a finalizar e com provável sucesso. O interesse no falhanço das negociações tem possíveis interessados, o Hezbollah e a ala dura do Hamas, bem como a direita israelita.
Israel quer anular a pressão do eixo Teerão-Síria-Hezbollah-Hamas. Já que nem Israel nem os Estados Unidos podem atacar directamente o Irão, lançam-lhe um aviso e testam-lhe as capacidades político-militares. Provocam assim Teerão até que este ponha as suas garras de fora mas sem adoptar uma clara demonstração de força perante os EUA e Israel. Isto poderia assumir rapidamente a escala de conflito mundial.
Assim, Israel está em posição de força para negociar com Teerão e com uns fundamentalistas islâmicos enfraquecidos.
Mas, como os EUA no Iraque, Israel não pode pensar que o fundamentalismo palestiniano está definitivamente vencido e que a paz poderá finalmente surgir. Esse foi o erro americano.
No fim das contas, o Líbano que erguia agora a cabeça após todos os anos de conflito acabou, uma vez mais por pagar o preço mais alto.

Robert Fisk, por seu lado, descreve o processo no “The Independent” da forma seguinte:
“É uma questão síria. Eis a assustadora mensagem emitida por Damasco, a 12 de Julho, quando autorizou os seus aliados do Hezbollah a franquear a Linha Azul das Nações Unidas no sul do Líbano, a matar três soldados israelitas, a capturar dois outros e a exigir a libertação de presos libaneses detidos em Israel. Em poucas horas, o Líbano que começara a acreditar na paz deu consigo uma vez mais em guerra. Israel atribuiu a responsabilidade por estes incidentes ao governo libanês como se, impotente e minado pelas dissensões confessionais, este estivesse em condições de controlar o Hezbollah.”
Quem dirige o Líbano, na realidade, parece ser o presidente Bashar al-Assad, a partir de Damasco. A Síria tem assegurado o seu papel de mediadora do descontrolo a que esta guerra há-de chegar, altura em que Israel irá propor um cessar-fogo e em que todas as potências se dirigirão então para Damasco e não para Beirute, Damasco, a verdadeira capital do Líbano.
No entanto este plano acarreta riscos que começam já a tornar-se visíveis. Ehud Olmert envia o Tshal para o Líbano perdendo mais soldados. Infringindo as regras das Nações Unidas no Sul do Líbano, o Hezbollah ataca e atrai as esperadas represálias dos três ramos do exército israelita que flagelam, em simultâneo, um território debilitado de um país perigoso. Em Beirute muitos libaneses assistem escandalizados aos desfiles do Hezbollah que celebram o ataque relizado na fronteira, demonstrando assim a mais completa impotência da Administração libanesa.
Esperemos que estas acções não se precipitem numa escalada sem retorno.
Todos os partidos desta contenda sabem já as regras por que se gere este jogo e têm consciência de como irá acabar. À semelhança de Janeiro de 2004, de 1985 ou de 1982, as trocas de prisioneiros acabarão por se concretizar. Resta, até lá, definir a cruel contabilidade dos necessários mortos e estropiados.
O Hamas retirou o seu nome da conjuntura quando, a 12 de Julho, o seu porta-voz no Líbano negou existirem acções concertadas entre este movimento e o Hezbollah. Mas o facto é que o Hezbollah lançou o seu ataque na altura em que as sanções contra o eleito governo do Hamas tomaram efeito e o exército israelita iniciou as operações em Gaza. O Hezbollah tirará, com toda a certeza, partido de toda essa frustração.
“Entretanto, muitas pessoas – entre as quais políticos libaneses – consideram que o filho de Hafez al-Assad, Bashar, não possui nem a sabedoria nem o entendimento do poder que o pai possuía. Não esqueçamos que a Síria é um país cujo ministro do interior se terá suicidado, no ano passado, e cujos soldados tiveram que, na mesma época, abandonar o Líbano, quando Damasco foi suspeito de ter ordenado o assassinato de Rafik Hariri, o antigo primeiro-ministro libanês. Hoje, tudo isto pode parecer fora do contexto. Mas uma coisa é certa: Damasco continua a ser a chave de tudo.”

Segundo Ari Shavit, o logro da desocupação dos territórios da Palestina potenciaram o já há muito esperado, a Intifada. Segundo o seu artigo no “Ha’aretz” de Telavive, “Desta vez trata-se de uma Intifada de mísseis Qassam e Katiuchas, dos túneis subterrâneos e dos sequestros, do Hamas e da Hezbollah, apoiada pelo Irão e pela Síria. Essa Intifada está prestes a infligir ao unilateralismo israelita aquilo que a Intifada das pedras infligiu à ocupação israelita: a sua desqualificação. Esta Intifada não significa forçosamente que a desocupação não seja uma opção, que nenhuma retirada irá conduzir à estabilidade. Nenhum muro será alguma vez suficientemente alto para manter os zelotas afastados das nossas casas e o conflito longe dos nossos filhos. Nada pode isolar a avenida israelita do Médio Oriente que a rodeia.”
Israel terá, mais tarde ou mais cedo, que terminar com a ocupação e partilhar o território. Não há, no entanto, uma forma simples de o fazer.
Ainda segundo o mesmo Ari Shavit, “Será preciso voltar a pôr em funcionamento a nossa obra e reflectir em novas pistas. Israel tem uma necessidade desesperada de um novo conceito diplomático, de um novo conceito estratégico, de uma Quarta Via.”

Não há solução aparente à vista e Israel teme que qualquer mínima vitória dos movimentos islamitas liberte os demónios aos quatro ventos árabes. É portanto essencial que Israel destrua as duas organizações e as obrigue a aceitar um cessar-fogo em posição de fraqueza.
No entanto, não deve esquecer que os golpes desferidos a estas organizações, por vezes, deixam-nas refortalecidas em vez de enfraquecidas.
Pergunta Sever Plocker se “Estaremos assim tão nostálgicos de um passado que tantas vidas humanas custou? Fará sentido submeter a pressão máxima as populações xiitas do Líbano para que estas façam pressão sobre Beirute, para que Beirute faça pressão sobre Damasco, para que depois a Síria faça pressão sobre o Irão e para que, finalmente, Teerão faça pressão sobre o Hezbollah e este último sobre o Hamas? Nos anos 90 Israel já testou, sem êxito, estas reacções em cadeia, aquando das suas ofensivas massivas no sul do Líbano.”


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Abrupto, claro.
by
Carlos José Teixeira on Thu 13 Jul 2006 01:51 WEST

LÁ VAMOS CANTANDO E RINDO...
Próxima agenda nacional: férias. Férias a seguir a férias, porque isto do Mundial foram também férias. Duvido que este festival de "auto-estima" não dê lugar a uma maior depressão. E não demorará muito tempo.
Os fogos continuam a bom ritmo, matando pelo caminho. Mas, como foram chilenos a maioria dos mortos, sem estarem embrulhados nas cores verde-rubras, não haverá muita comoção. Lá por Outubro, com as primeiras chuvas, com os meninos a ir para a escola, os engarrafamentos, a insuportável banalidade do dia a dia, a bolsa a apertar, as dívidas para pagar, como acontece sempre estas euforias vão azedar-se em múltiplas irritações. E como é que podia deixar de ser assim? O que é que construímos para ser diferente? Onde é que trabalhámos para ter mais? Onde é que poupámos para os dias maus? O que é que aprendemos para nos melhorarmos?
Para onde foi o tempo? A culpa será certamente dos "políticos", como é costume.Volto à minha velha imagem: parece o Titanic, com a orquestra a tocar e a maioria dos viajantes convencida de que é mais um concerto, mais um jogo, mais um Rock in Rio, tudo está bem, curte-se esta cena boa, amanhã se verá. Mais uma cerveja, mais um cachecol, mais uma bandeira, mais um "às armas" que "nós até os comemos!". E a água gelada a subir no porão, atingindo primeiro os da "terceira classe", mas subindo sempre. Sempre.
[in Abrupto, José Pacheco Pereira]
...
De: Carlos José Teixeira
Enviado por: googlemail.com
Para: jppereira@
Data: 13/07/2006 00:56

Assunto: Acerca do "LÁ VAMOS CANTANDO E RINDO..."
Curiosa, a sua analogia do Titanic e muito bem empregue [como lhe é próprio].
O problema, caro JPP, é que chegada a água ao compartimento da primeira classe - altura em que soam os apitos e os escaleres são baixados com toda a pressa - já a terceira e a segunda estão afogadas há muito...
O que resta então? Uma primeira classe que não terá mais nada a fazer senão boiar placidamente durante algum tempo até que um qualquer barco de pesca calhe de passar - declaradamente impune - por águas territoriais. Não se julgue, no entanto, que seja coisa digna de se ver, a dos infelizes náufragos que, sem terem quem lhes sirva o champanhe gelado e borbulhante com que se banqueteiam nas "tendas VIP" tão em voga, ver-se-ão reduzidos uma vez mais à infame condição de pedintes em "vernissages" europeias de brigadas do croquete. Os da segunda e terceira rapidamente serão esquecidos e depressa serão substituídos... à velocidade que desaparecerão dos "prime-times" que se ocuparão, uma vez mais, das escandaleiras substitutas do saudoso "pão e circo" tão amplamente distribuído. E os subsídios, a prorrogação dos prazos, o D. Sebastião, virão.
Que fazer, então?
Enveredar pela recuperação económica? Questionar uma agenda de farsa política e económica? Reconquistar a confiança política dos [alguns] eleitores? Tornarem-se, definitivamente, honestos e transparentes?
Façam o que fizerem, que não vão a banhos, diz-se que os afogados têm a mania de voltar e puxar ao fundo os que se aventuram em trágicas águas.
Cumprimentos,
Carlos José Teixeira
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Filantropias e "Empreendorismo Social"
by
Carlos José Teixeira on Thu 13 Jul 2006 01:46 WEST

São os olhares de Tiago Azevedo Fernandes nos artigos publicados sob os títulos Filantropia e o "empreendorismo social" a focarem visões relacionadas com o tema Liberal-Comunismo, escarrapachado lá mais abaixo.
Valha-me o tempo e hei-de fazer um "digest" das fontes lá publicadas.
Para já, vão lá e leiam esses e os outros.
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Depois de Zarqawi
by
Carlos José Teixeira on Thu 13 Jul 2006 00:35 WEST

"A nossa nação muçulmana surpreendeu-se ao saber que o valente cavalheiro, o leão da Jihad e o homem de decisão e rectidão, Abu Musab al-Zarqawi, tinha morrido numa operação americana vergonhosa. Esperamos que Deus o receba entre os mártires". "O estandarte não foi derrubado, foi apenas transferido de um leão do Islão a outro". "Vamos continuar, com a permissão de Deus, a luta contra vós e os vossos aliados em todos os lugares... No Iraque, Afeganistão, Somália e Sudão, até que acabemos com seu dinheiro, matemos seus homens, e vocês voltem para casa como perdedores, como na Somália". “Zarqawi matava todo aquele que fizesse parte dos cruzados, contra os muçulmanos, não importava quem fosse, independentemente de sua crença ou seu clã".
Foram estas algumas declarações de Osama Bin Laden divulgadas num site da organização terrorista que lidera.No último dia 23, o número dois da Al Qaeda, o egípcio Ayman al-Zawahiri, comprometeu-se a vingar a morte de Zarqawi, chamado de "emir dos mártires". Na fita de vídeo divulgada pelo canal "Al Jazira", Zawahiri pediu aos "mujahedin" (combatentes islâmicos) do Iraque que continuassem a luta contra as tropas americanas no país.



1. E a vida continua

Zarqawi
A fotografia do cadáver de Abu Mussab al-Zarqawi correu o mundo como troféu da caça à famigerada rede terrorista Al-Qaeda.
Zarqawi conseguiu, com eficácia, lançar uma contra a outra as duas principais correntes religiosas islâmicas recorrendo a estratégias de violência extrema como atentados em grande escala como o perpetrado contra a Mesquita de Ouro em Samarra, Fevereiro passado. Tão importante é esta situação que começou a falar-se no “efeito Zarqawi” como maior potenciador do afastamento de muçulmanos do radicalismo que a própria “campanha de democratização” americana.
Zarqawi tinha frequentes confrontos com Bin Laden acerca da forma de actuação, tendo sido mais que uma vez chamado à atenção de que este tipo de estratégia – os ataques a xiitas - iria, mais tarde ou mais cedo, trazer para a organização. Zarqawi não o ouviu.

Apesar de não ter uma estatura como a de Bin Laden, detinha bastante influência na organização. Utilizava o Iraque como base de desestabilização do Médio Oriente e, desde Novembro passado, exportava o terrorismo como fez na Jordânia ao explodir três hotéis geridos por americanos. Conseguiu ainda explorar eficazmente a frustração sunita sentida pelo fim do seu período de dominação do Iraque, cólera que se faz sentir a nível mundial dados os conflitos explícitos ou latentes que se verificam entre as duas correntes religiosas.
Arábia Saudita, Bahrain, Líbano, Paquistão, Turquia, são alguns dos pontos do globo onde estas diferenças poderão assumir proporções desastrosas. Refira-se ainda que grande parte dos territórios “barril de pólvora” são produtores de petróleo.
O National Couterterrorism Center informa que os homens de Zarqawi operam pelo menos em 40 países tendo ligações com 24 organizações extremistas tendo conseguido infiltrar um grande número de agentes no Afeganistão por forma a expandir os actos de violência contra o governo e as forças da Nato, informação adiantada pelos serviços secretos afegãos.

Continuidade
É certo que a organização terrorista de Bin Laden ficou debilitada com a perda de uma rede eficaz como a de Zarqawi. No entanto, não é de considerar que não hajam ou não venham a haver terroristas com igual ou superior capacidade à do recentemente abatido líder. É, portanto, uma questão de substituição, pura e simples. As motivações continuam… e agravam-se.
Uma das principais causas de a continuação das actividades terroristas poderem continuar é a sistemática ignorância ocidental no que se refere à compreensão do que é, realmente, a “jihad”.
Os americanos sabiam que Zarqawi circulava em terreno iraquiano há bastante tempo, já antes da invasão norte americana, mas Bush optou por divulgar a ideia de que as suas actividades estariam ligadas a Saddam Hussein, estabelecendo entre este e a Al-Qaeda uma ponte, uma ponte imaginária. Com o que Bush não contou foi com a insurreição que este vinha preparando.
Distraídos com a sua mentira, os americanos chegaram a deixar escapar duas boas oportunidades de o capturar na sua base, na zona curda do Iraque. Não passou muito tempo sem que se apercebessem da sua real importância, altura em que, ainda assim, optaram por divulgar a imagem de Zarqawi como sendo um líder de um pequeno grupo de terroristas.
Entretanto, assiste-se já à formação de novos terroristas e a mais ataques no estrangeiro. Toma-se conhecimento de células em vários países, como no Canadá onde foram presos 17 conspiradores na cidade de Toronto.

Autismo
Mas as autoridades e os media continuam a classificar as acções como “terrorismo jihadista”, modelo-chave que se apressaram a catalogar e que serve como pau para toda a colher: para a hierarquia da Al-Qaeda, para os iraquianos de Zarqawi, para os terroristas de Londres, para os de Madrid.
Insistem assim em ignorar a complexidade da questão que ultrapassa meras entradas em catálogos: as autoridades de Madrid referem uma possível ligação dos terroristas ao grupo de Zarqawi, alguns dos autores do atentado em Londres teriam sido formados no Paquistão, os recentes detidos em Toronto tinham ligações ao grupo iraquiano.

Facilidade
É um movimento social que a “jihad” se prende. As organizações terroristas são apenas uma ferramenta. São oportunistas e adaptáveis. São os nossos preconceitos que alimentam o seu sucesso, o nosso autismo preso em esquemas e organizações rígidas.
As nossas armas são a flexibilidade e a inovação, pelo menos tantas como as deles…

[“1. E a vida continua” contém adaptações de excertos do artigo de Daniel Benjamim e Steven Simon para o “The New York Times”]

2. A opção política
Segundo o “Al-Hayat”, a chave para o sucesso da operação que derrubou o líder terrorista deveu-se à sua associação com os sunitas no poder em Bagdade que deixaram de proteger Zarqawi. Para tal, aparentemente, terão utilizado a estrutura de poder em construção objectivando lugares a ocupar.
De qualquer forma é claro que esta operação foi somente possível porque muitos iraquianos se cansaram de olhar para o lado enquanto crimes hediondos eram praticados, crimes que não se enquadram nos seus objectivos nacionais, contrários ao pan-islamismo preconizado por Zarqawi.
Todavia, será conveniente recordar a Bush, acrescenta o jornal, que Zarqawi estava já derrotado politicamente no Iraque pelos sunitas… não vá eles esquecer-se.

3. A história futura
Sabemos que os atentados no Iraque têm tido a participação de suicidas vindos de Beirute, mais de mil árabes entraram no país para cometer atentados dessa espécie e entre eles, palestinianos de campos de refugiados no Líbano.
Sabemos que o apoio aos senhores da guerra na Somália não é eficaz contra os islamitas que, a partir de Mogad´scio já conseguiram organizar dois grandes atentados no Quénia e na Tanzânia, em 2001.
Sabemos que os Talibãs afegãos enviam regularmente felicitações pelos ataques às forças da coligação de ocupação do território iraquiano e que se reagrupam actualmente no Baluquistão com o apoio das autiridades.
Sabemos das células espalhadas pelo mundo.
O que não sabemos, afinal?

Consequências
O tipo de terrorismo actual praticado pelas organizações como a Al-Qaeda não é possível sem um treino adequado. Este tipo de eficácia é consequência directa do apoio e treino dos dirigentes e formadores dessas organizações por parte dos países ocidentais.
Os EUA têm a sua grande fatia desse bolo entalada na garganta:
No Afeganistão apoiaram os talibãs para expulsar os soviéticos, na Somália apoiaram um senhor da guerra contra os islâmicos, e por aí fora…
São simplesmente jogadas de apoios militares, tácticos, que cobrem os interesses políticos de poder na região.
O tipo de terrorismo actual é, simplesmente, consequência de não sabermos manter princípios básicos de honestidade política.

Futuro
A Al-Qaeda espalha já a sucessão pelos principais canais de informação, publicita-a e, sobretudo, coloca-a em prática.
A guerra da fé contra a guerra dos números – números económico-financeiros, números de efectivos armados, números de barris de petróleo – irá continuar a ser uma guerra terrorista e sem quartel sem conseguir obter a mínima compreensão ocidental acerca das motivações e das estratégias estupendamente flexíveis e adaptáveis aos mais variados contextos operacionais. Assistiremos ao aumento de demonstrações de força e de efectivos militares nas regiões afectadas assegurando a manutenção do “bem” e a derrota do “mal”. Assistiremos, por fim, ao recrudescimento das acções em grande escala nos territórios do Médio Oriente e, sobretudo, nos países “infiéis”.
Ou então, se tudo correr bem, assistiremos ao desenrolar de negociações políticas e sociais com as organizações que apoiam ou colidem com os grupos terroristas, criaremos grupos de pressão que lhes reduzam o espaço.
Para tal é essencial a transparência. Nos processos, na informação, na criação de oportunidades de negociação que não sejam espartilhadas por obscuros poderes económicos ou militares.
Talvez, um dia.




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Da Propaganda à Prepotência Arrivista
by
Carlos José Teixeira on Tue 11 Jul 2006 03:07 PDT

é um interessante post do Biranta no Sociocracia.
A focar sem reticências as hipocrisias da comunicação, as dualidades da linguagem, as "boas-vontades" difundidas em "prime-time" e os obscuros interesses dos que, encapotadamente, colaboram com as mais sinistras potências.
A ler, AQUI.
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Liberal-Comunismo
by Carlos José Teixeira on Tue 11 Jul 2006 00:57 WEST


Slavoj Zizek, London Review of Books [via COURRIER INTERNACIONAL]

Desde 2001, Davos e Porto Alegre são as cidades gémeas da globalização. Na elegante estância suíça de Davos, a elite mundial dos patrões, chefes de Estado e personalidades mediáticas reúne-se, sob forte vigilância policial, para o Fórum Económico Mundial, a fim de nos convencerem (e a eles mesmos) de que a globalização contém em si o seu próprio antídoto. Em Porto Alegre, um porto subtropical brasileiro, uma contra-elite defensora de uma globalização alternativa tenta persuadir-nos de que a globalização capitalista não é o nosso destino e que “outro mundo é possível”, para retomar o slogan inicial. Mas, desde há dois anos, as reuniões do Fórum Social fazem cada vez menos títulos de primeira página.
O que aconteceu Às grandes figuras de Porto Alegre? Uma coisa é certa: alguns passaram para Davos. Hoje, os que dão o tom ao Fórum Económico Mundial são o grupo de empresários que se definem ironicamente como “liberais-comunistas” e não aceitam oposição entre Davos e Porto Alegre. A acreditar neles, podemos ter o bolo capitalista mundial (prosperar nos negócios) e comê-lo (defender causas anticapitalistas, tais como a responsabilidade social, a ecologia, etc.). Não há necessidade de Porto Alegre: Davos pode passar a Porto Davos.
Quem são, então, esses liberais-comunistas? Os suspeitos do costume: Bill Gates e George Soros, os administradores do Google, da IBM, da Intel e do eBay, bom como os filósofos da corte, como Thomas Friedman (editorialista do “The New York Times”). Os verdadeiros conservadores de hoje, garantem eles, pertencem não apenas à velha direita, com o seu ridículo apego à autoridade, o seu gosto pela ordem e o seu patriotismo exacerbado, mas também à velha esquerda, perpetuamente em guerra contra o capitalismo. À esquerda e à direita, combate-se num teatro de sombras, a mil léguas das novas realidades. Na nova linguagem truncada dos liberais-comunistas, a palavra-chave desta realidade é “smart” (vivo, esperto). Ser “smart” é ser dinâmico e nómada, inimigo da burocracia centralizada, acreditar no diálogo e na cooperação contra a autoridade central, jogar na flexibilidade contra a rotina, pôr a cultura e o saber contra a produção industrial, privilegiar as trocas espontâneas e a autogestão dos sistemas contra as hierarquias imobilistas.
Bill Gates é o protótipo daquilo a que ele chama o “capitalismo sem fricções”, a sociedade pós-industrial e o “fim do trabalho”. Os programas informáticos estão a levar a melhor sobre o material e os jovens “nerds” (informáticos obcecados) sobre o velho director de fato preto. Nas sedes das novas empresas há pouca disciplina aparente: antigos “hackers” reinam como mestres, fazem jornadas de trabalho muito longas, bebem bebidas gratuitas num enquadramento esverdeado. Por trás de tudo isso está a ideia de que Gates é um marginal subversivo, um antigo “hacker” que tomou o poder e se disfarçou de administrador respeitável.
Os liberais-comunistas são quadros superiores que fazem renascer o espírito de contestação ou, para formular as coisas de outra maneira, uma espécie de tortuosos da contracultura que tomaram de assalto grandes empresas. A sua doutrina é uma versão modernizada da “mão invisível” de Adam Smith: o mercado e a responsabilidade social não são antagónicos, podem ser conciliados com vantagens mútuas. Como diz Friedman, já não é preciso ser-se um bandalho para fazer negócios: a colaboração com os assalariados, o diálogo com os consumidores e o respeito pelo ambiente são a chave do sucesso. Oliver Malnuit fez recentemente o levantamento dos dez mandamentos dos liberais-comunistas, na revista francesa “Tecnikart” (nº99, 25 de Janeiro de 2006), lista essa de que se segue um resumo:
Darás tudo (programas de livre acesso, fim dos direitos de autor); não facturarás senão os serviços adicionais, o que fará de ti rico.
Mudarás o mundo em vez de te contentares em vender coisas.
Terás sentido de partilha e responsabilidade social.
Serás criativo: privilegiarás o “design”, as novas tecnologias, as ciências.
Dirás tudo: não terás segredos, sacrificarás tudo ao culto da transparência e da livre circulação da informação; toda a Humanidade deve colaborar e dialogar.
Nunca trabalharás: os empregos fixos, das 9 às 17, não são para ti; para ti é a comunicação “smart”, dinâmica, flexível.
Voltarás para a escola: praticarás a formação permanente.
Serás uma enzima: não contente em trabalhar para o mercado, criarás novas formas de colaboração social
Acabarás pobre: redistribuirás as tuas riquezas por aqueles que delas necessitam pois possuis mais do que alguma vez poderás gastar.
Tu serás o estado: as empresas devem trabalhar em parceria com o estado.
Os liberais-comunistas são gente pragmática, recusam qualquer atitude doutrinária. Já não há classe operária explorada, apenas problemas concretos a resolver: fome em África, o destino das mulheres muçulmanas, violência fundamentalista. Não há nada de que os liberais-comunistas gostem tanto como de crises humanitárias: permitem-lhes dar o melhor deles mesmos. Assim que estala uma crise dessas em África, em vez de se porem com discursos anti-imperialistas, encontram em conjunto a melhor maneira de resolver o problema: pôr os indivíduos, os governos e as empresas ao serviço do interesse colectivo, agitar as coisas em vez de esperar toda a ajuda dos estados, abordar a crise de uma maneira criativa e original.
Os liberais-comunistas gostam de recordar que certas multinacionais não respeitaram as regras do “apartheid” no seio das suas próprias companhias. Abolir a segregação no seio da empresa, dar o mesmo salário a brancos e pretos pelo mesmo trabalho; eis um exemplo perfeito de imbricação entre o combate político e os interesses económicos, na medida em que as mesmas empresas prosperam agora na África do “pós-apartheid”.
Os liberais-comunistas adoram o Maio de 68. Que explosão de energia e criatividade juvenis! A ordem burocrática feita em estilhaços! A vida económica e social recebeu um tal impulso, depois de terminadas as ilusões políticas! Os que tinham idade para participar andavam na rua a contestar e a combater. Hoje, mudaram eles próprios, a fim de mudarem o mundo e revolucionam as nossas vidas à séria. Marx não tinha dito que todas as sublevações políticas não eram nada se comparadas com a invenção da máquina a vapor? Não teria ele dito hoje: o que são os combates anti-globalização comparados com a expansão da Internet?
Os liberais-comunistas são, sobretudo, verdadeiros cidadãos do mundo, gente boa que se preocupa com o resto do planeta. Inquietam-se com o fundamentalismo, o populismo e a irresponsabilidade de certos gigantes do capitalismo. Sabem bem que os problemas de hoje têm “causas profundas”: a pobreza e o desespero em grande escala geram o terrorismo fundamentalista. O objectivo dos liberais-comunistas não é ganhar dinheiro, mas mudar o mundo (e, de caminho, enriquecer ainda mais). Bill Gates é hoje o maior benfeitor individual da história da Humanidade. Estende o seu amor ao próximo dedicando milhões de dólares à educação, à luta contra a fome e o paludismo, etc. No entanto, as riquezas que se querem distribuir, têm que ser ganhas (ou, como diriam os liberais-comunistas, têm de ser criadas). E aí é que está o busílis. Para ajudar as pessoas, justificam-se, têm de obter os meios para o fazerem. E a experiência prova que a empresa privada é, de longe, a forma mais eficaz. Os métodos estatistas centralizados e colectivistas deram provas da sua ineficácia. Regulando a actividade das empresas, exigindo-lhes impostos desmedidos, o Estado mina a sua própria razão de ser: dar uma vida melhor ao maior número de pessoas, ajudar os que têm necessidade.

Dar sentido ao sucesso económico

Os liberais-comunistas não querem ser simples máquinas de lucros: querem dar um verdadeiro sentido às suas vidas. São contra as religiões de antigamente, apesar de serem adeptos da espiritualidade, da meditação não confessional (é sabido que o budismo prefigura as ciências cognitivas e o poder da meditação pode ser cientificamente medido). Fizeram da responsabilidade social e da gratidão o seu credo: são os primeiros a reconhecer que a sociedade os favoreceu incrivelmente, que lhes permitiu desenvolver os seus talentos e criar riqueza. Por isso, consideram ser seu dever dar contrapartidas à sociedade e ajudar as pessoas. O sucesso económico ganha assim todo o sentido.
Não se trata de um fenómeno inteiramente novo. Recordemos Andrew Carnegie que recrutou um exército privado para reprimir os movimentos sociais dentro das suas empresas metalúrgicas, o que não o impedia de redistribuir boa parte da sua fortuna para causas educativas, culturais e humanitárias, provando que, apesar de ser um homem de ferro, nem por isso deixava de ter um coração de oiro. Também os liberais-comunistas de hoje dão com uma mão o que tiram com outra.
Encontra-se hoje nas prateleiras americanas um laxante de gosto achocolatado cuja publicidade contém esta recomendação paradoxal: “Sofre de prisão de ventre? Coma muito deste chocolate!” Por outras palavras, coma uma coisa que, em si, é um factor de prisão de ventre. Reencontramos esta estrutura do laxante de chocolate na paisagem ideológica actual. E é isso que torna insuportável um personagem como George Soros. Ele encarna uma exploração financeira feroz aliada ao seu próprio antagonismo: uma preocupação humanitária pelas consequências sociais catastróficas de uma economia de mercado descontrolada. A rotina quotidiana de um Soros é aldrabice em dois actos: consagra metade do seu tempo de trabalho a especulações financeiras, a outra metade a actividades “humanitárias” (financiar actividades culturais e democráticas nos países pós-comunistas, escrever ensaios, etc.) que compensam os efeitos das suas próprias especulações. As duas faces de Bill Gates são exactamente como as duas caras de Soros: de um lado, um homem de negócios implacável, que esmaga ou compra os concorrentes para construir um quase-monopólio; do outro, o grande filantropo que faz questão de lembrar: “Para que serve terem computadores se as pessoas não têm o que comer?”.

Segundo a ética liberal comunista, a procura do lucro tem por contrapartida a caridade, que faz parte do jogo. A exploração económica dissimula-se por detrás dessa máscara humanitária. Os países desenvolvidos não cessam de “ajudar” os países não-desenvolvidos, inclusive através de créditos, recusando-se assim a reconhecer o verdadeiro problema: a sua cumplicidade e responsabilidade na miséria do terceiro Mundo. Para tudo o que se enquadra na oposição entre “smart” e “não-smart”, a ideia-chave é deslocalizar. Exporta-se a face escondida (e indispensável) da produção – o trabalho especializado e hierarquizado, a poluição – para países do Terceiro Mundo “não-smart” (países invisíveis do mundo capitalista). A prazo, o liberal-comunista sonhava exportar o conjunto da classe operária para as “sweat shops” (oficinas com efectivos mal pagos do terceiro Mundo).
Não tenhamos ilusões: hoje, os liberais-comunistas são o único e verdadeiro inimigo de todas as lutas progressistas. Todos os outros – fundamentalistas religiosos, terroristas, burocracias corruptas e ineficazes – são o produto de situações locais contingentes. Ora, é precisamente por quererem resolver todos estes desvios secundários do sistema global que os liberais-comunistas encarnam o que não funciona neste sistema. Pode revelar-se tacticamente necessária uma aliança com os liberais-comunistas para lutar contra o racismo, o sexismo e o obscurantismo religioso, mas não podemos esquecer do que são capazes.
Em “La crainte des masses” (O medo das massas, editora Galilée, 1997, inédito em português), Etienne Balibar distingue dois modos de violência excessiva, opostos mas complementares, no capitalismo de hoje: a violência objectiva (estrutural), inerente às condições sociais do capitalismo mundial (a criação automática de excluídos e indivíduos descartáveis, dos desempregados aos sem-abrigo) e a violência subjectiva dos novos fundamentalistas étnicos e/ou religiosos (racistas, em suma). Apesar se poderem combater a violência subjectiva, os liberais-comunistas são agentes dessa violência estrutural que exacerba a violência subjectiva. O mesmo Soros que dá milhões para financiar a educação destruiu a vida a milhares de pessoas com as suas especulações e assim as condições para uma escalada da intolerância que denuncia.

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Rageh Omaar - entrevista ao "The Independent"
by Carlos José Teixeira on Mon 10 Jul 2006 22:01 WEST

Em entrevista ao “The Independent”, Rageh Omaar, recentemente saído das fileiras da BBC para integrar a equipa da Al-Jazira, acusa os media ocidentais de fraude para com o público. Segundo ele, a apresentação que fazem deste conflito é tendenciosa.

O jornalista de 38 anos de idade afirma que os media não informam suficientemente o seu público da forma como as reportagens e as entrevistas são preparadas. “Alguns de nós somos culpados de fraude para com o público britânico”, explica. “Sinto-me muito incomodado com o facto de não acompanharmos de advertências as reportagens sobre o Iraque, porque não fazê-lo dá-lhes credibilidade.”
Em conversa com vários correspondentes veteranos Omaar ficou a saber que muitos deles não sentem vontade de voltar ao Iraque pois consideram não poder fazer o seu trabalho de forma correcta. “Quando um apresentador anuncia que Rageh Omaar, ou X, fez uma reportagem a partir de Bagdade, isso não é verdade porque eu nunca filmei no local. É demasiado perigoso. E não fui visitar as diferentes regiões porque é demasiado arriscado.” Segundo o jornalista é chegada a altura de os media assumirem as suas responsabilidades confessando que grande parte das imagens foram filmadas por free-lancers anónimos enquanto os jornalistas ocidentais permanecem em segurança na zona verde de Bagdade.
A Al-Jazira difundirá um novo trabalho de Omaar, “Witness”, no qual o jornalista apresentará trabalhos e perfis de colegas geralmente desconhecidos do grande público e ignorados pelas cadeias ocidentais, difundindo trabalhos desde Cuba e, Irão, entre outros, oferecendo assim “aos realizadores do mundo inteiro uma tribuna para se exprimirem.”
Omaar parece estar perfeitamente inserido na sua nova cadeia de televisão. Segundo ele, a Al-Jazira “quebrou o monopólio ocidental” e critica a forma como as cadeias ocidentais caracterizam esta estação. “A Al-Jazira é a porta-voz de Bin-Laden, é uma estação terrorista e, ainda mais escandaloso e delirante, estaria ligada à Al-Qaeda.” Para ele, a reputação não é justa pois a Al-Jazira teve a coragem de “lançar bombas culturais e políticas” num mundo árabe habituado ao peso e à censura. O exemplo que toma é o da denúncia, quando da divulgação das condições dos presos de Abu Grahib, das condições também desumanas das prisões árabes.
Omaar parece assim decidido a ficar pela estação que “não aceitará nenhuma influência. Não se preocupará com o que os outros jornais escrevem sobre ela. O pior já foi dito.”
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Ventos de Guerra [003]

"No Público ficamos a saber que a emoção nos tolda o entendimento. É óbvio, quem considera inadmissível o massacre de crianças é porque esconde um terrorista dentro. A incansável Esther Mucznik explica-nos que a nossa “compaixão é um instrumento de ódio”. A guerra é desigual, embora Israel tenha um armamento muito sofisticado, nenhum país “civilizado” poderá vencer o Hezbollah por causa da sua arma secreta – “o desprezo pela vida humana”.
Sábias palavras! Ficamos a perceber que as centenas de mortos civis em Gaza e os 800 mortos no Líbano, só neste último mês, significam o profundo respeito pela vida humana do Estado de Israel. Certamente que há dezenas de anos matam palestinianos por amor, e o Supremo Tribunal de Justiça aprova o direito das autoridades torturarem suspeitos por caridade. No mesmo diário, o director confirma a cronista, dizendo que Israel está em desvantagem nesta guerra, porque os terroristas querem provocar as emoções e manipular a opinião pública. E apesar de estarmos num país em que a quase totalidade dos jornais, os seus donos e os comentadores são favoráveis a Israel, os pobres portugueses continuam a revolver-se quando vêem uma criança morta. Tenhamos esperança que, com tanto editorial esclarecido, alguém conseguirá separar a razão da emoção, tenhamos coragem de perceber que há massacres bons! Basta ler as notícias do Público."
A não perder a leitura integral do artigo de Nuno Ramos de Almeida.
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Anti-Ciclone [001]

Notas para o diário
[Al Berto]

deus tem que ser substituído rapidamente por poemas, sílabas sibilantes, lâmpadas acesas, corpos palpáveis, vivos e limpos.

a dor de todas as ruas vazias

sinto-me capaz de caminhar na língua aguçada deste silêncio. e na sua simplicidade, na sua clareza, no seu abismo.
sinto-me capaz de acabar com esse vácuo, e de acabar comigo mesmo.

a dor de todas as ruas vazias

mas gosto da noite e do riso de cinzas. gosto do deserto, e do acaso da vida. gosto de enganos, da sorte e de encontros inesperados.
pernoito quase sempre no lado sagrado do meu coração, ou onde o medo tem a precaridade de outro corpo.

a dor de todas as ruas vazias

pois bem, mário - o paraíso sabe-se que chega a lisboa na fragata do alfeite. basta pôr uma lua nervosa no cimo do mastro, e mandar arrear o velame.
é isto que é preciso dizer: daqui ninguém sai sem cadastro.

a dor de todas as ruas vazias

sujo os olhos com sangue. chove torrencialmente. o filme acabou. não nos conheceremos nunca.

a dor de todas as ruas vazias

os poemas adormeceram no desassossego da idade. fulguram na perturbação de um tempo cada dia mais curto. e, por vezes, ouço-os no transe da noite. assolam-me as imagens, rasgam-me as metáforas insidiosas, porcas... e nada escrevo.
o regresso à escrita terminou. a vida toda fodida - e a alma esburacada por uma agonia tamanho deste mar.

a dor de todas as ruas vazias.


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Ventos Alíseos [002]



Não resisti. Roubada ao "Abrupto"

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Tell me when this blog is updated








what is this?




A partir de agora podem encontrar ali ao lado na "sidebar" a figurinha acima. Esta maravilha tecnológica serve para obterem os produtos da Fábrica de Vento em primeira mão e no e-mail. Também servem para os restantes milhões de belogues de qualidade bastante inferior a este e para os dois de qualidade superior: o Abrupto genuíno e o Abrupto Falso [com isto já garanti tráfego para aqui a partir do Google...].
O processo de inscrição é simples e só se faz uma vez. A partir daí, é só acrescentar os preferidos e recebê-los descontraidamente no e-mail.
E é grátis...


E agora, um momento de narcisismo:


You Are 80% Open Minded


You are so open minded that your brain may have fallen out!
Well, not really. But you may be confused on where you stand.
You don't have a judgemental bone in your body, and you're very accepting.
You enjoy the best of every life philosophy, even if you sometimes contradict
yourself.



Ele é só coisas boas...

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Sons do Vento [002]


No menu para hoje vai constar, entre outros, o saudoso "The Friend Catcher" [1980] dos "The Birthday Party" [Nick Cave, Rowland Howard, Phil Calvert, Tracy Pew], EP generosamente gravado e oferecido para delírio solitário. A escutar, então, "Waving My Arms" e "Catman".

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Ventos de Guerra [002]

Mais uma escalada de violência em Darfur provocou, em apenas duas semanas, mais mortes entre os funcionários de ajuda humanitária que os anteriores dois anos.
A província mais rica do Sudão em recursos naturais vê-se assim uma vez mais manchada pelo horror da guerra sem quartel, após um período de estabilização ocorrido no final do ano passado.
.
Silêncio.
Quando falamos de Darfur, falamos de silêncio. Silêncio acerca do extermínio, violação em massa das mulheres, entre outras atrocidades cometidas pela "Janjawid", a milícia árabe aliada do governo sudanês. O mundo cala-se, absorvido pela informação massiva da "luta contra o mal" e do "anti-terrorismo". O mundo cala-se e esquece Darfur, entretanto afastado do soundbyte e do horário nobre da televisão.

"Mas, aqui como sempre, é a vontade política dos membros do Conselho de Segurança que é determinante e não um suposto activismo institucional da ONU.
Que os EUA, visivelmente movidos pelos seus objectivos estratégicos de combate ao terrorismo islâmico e de procura de fontes energéticas alternativas (o petróleo do sul do Sudão), e a União Europeia se mostrem agora disponíveis para uma condenação firme e com consequências políticas é, de facto, a diferença clara relativamente à passividade registada no caso do Ruanda, há precisamente dez anos atrás, e em muitas outras catástrofes que têm pautado o mais de meio século de existência das Nações Unidas."
[José Manuel Pureza]


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Políticas Ventosas [002]

Israel é nosso amigo. Já todos sabíamos. Temos uma vasta tradição de arrependimentos e, no caso dos judeus, somos fartos em material sujeito a revisão e penitência.
Em acto de contrição, talvez, o governo português deu autorização de aterragem a um aparelho militar israelita na base das Lajes. O avião fazia escala e transportava "material bélico não ofensivo".
Felizmente Manuel Lobo Antunes, ministro-substituto de Luís Amado garantiu ter informado Israel de que a aterragem do aparelho foi uma excepção. "Considerámos o pedido excepcional e informámos Israel de que não aceitaríamos outros pedidos, por exemplo de material contencioso. Ficou claro que não daríamos mais respostas positivas."
Estamos muito mais descansados.

Ventos de Mudança [001]

Fidel Castro morreu. A sua cabeça será conservada em reservatório próprio para um episódio especial de Futurama.


Podia ser uma notícia, mas não é. A sê-lo, não seria tão impossível quanto isso. Mesmo sem a possibilidade de guardar a cabeça e continuar a utilizá-la, como acontece na série de Matt Groening, quanto tempo demoraria Cuba a descartar-se da herança de Castro? E a seguir?
Aguardemos para ver, já não tanto tempo como isso. Afinal, Fidel Castro é um homem.

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Ventos Alíseos [001]

Gostei da imagem e do poema em [ argumentum ad ignorantiam ].
A visitar.

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[ Post-It Voador ]

Pode ter sido uma de muitas coisas. Uma misteriosa e única conjunção de estrelas ou um simples candeeiro que subitamente ficou a descoberto das árvores.Pode ter sido algo vindo do espaço ou simplesmente o carro pelo qual passava.Pode ter sido, quem sabe, uma aparição fátua de uma divindade qualquer ou apenas imaginação minha.Mas uma coisa vos digo: se o flash que vi ontem na A13 pelo rectrovisor do meu carro era do radar desta vez estou mesmo mal...

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Feromonas ao Vento [001]

O PureScore é entretenimento puro e simples. Entretenimento baseado nas preferências e oportunidades sexuais de cada um. Simples de fazer, rápido e com perguntas divertidas, o PureScore é um teste com apresentação de estatísticas e tudo. Bastante completas, por sinal.Entrem no site, cliquem no logo e façam o teste. Depois de enviarem a informação anónima para a estatística, façam "Seguinte"... irão ver que, afinal, é mais que um jogo...

Políticas Ventosas [001]

Por políticas ventosas entendam-se as políticas que, à semelhança deste blog, são apenas e nada mais que um enorme, redondo e ambulante saco de vento. São também, porque ventosas, as que se agarram teimosamente a um objecto quando se lhes tira o ar deixando, no espaço do vento, o mais absoluto vácuo.
A "Guerra das Rosas" na assembleia da República fez a sua primeira vítima: a Democracia.
Ao ver promulgada a "Lei da Paridade", os partidos políticos vêem-se assim na obrigação de eleger a quota de mulheres necessária ao cumprimento da lei.
Ao reconhecer que na Assembleia da República, orgão máximo da soberania popular, não existe paridade, o que estão o governo e restantes políticos a admitir? Nada menos que a inexistência de factores económicos, sociais e sobretudo culturais que permitam o aumento da desejável quota de mulheres representantes do Povo.
Esta lei, que desagrada a alguns dos partidos por comprometer a liberdade partidária, a mim desagrada-me por motivos diferentes: porque é uma lei que, em vez de atacar o problema na sua génese, o vai atacar nas consequências; porque é uma lei que vai perverter a real condição de igualdade entre os sexos - uma igualdade forçada não é mais que uma falácia.
E depois vamos a quê? Aos deficientes, aos brancos e pretos? Aos licenciados e não licenciados?
A tomar nota da imagem abaixo [via "Lua"]...
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Cinzas ao Vento [001]

Tenho agora a juntar aos meus cabelos grisalhos as pintas cinza que vão caíndo do céu. Ali à frente, a coluna de fumo ergue-se saudando as criminosas mãos descerebradas que ateiam as chamas por aí.
O ruído das sereias chama a atenção e deixamos passar as carros com os bombeiros do costume - gente rude e voluntária, sem pagamento e invariavelmente conotada com o tasco onde lavam a garganta - que irão, uma vez mais, aguentar a noite sem dormir, enfrentando as altas labaredas de um pinhal qualquer para no dia seguinte serem considerados ineficazes e atrasados.
Os gritos de quem viu a terra crescer e tem agora ameaçada a casa, o gado, os haveres, são de pura impotência. Perder tudo. Ideia avassaladora. Perder tudo, esses que já pouco têm.
Porque não há incêndios na Quinta da Marinha ou na Quinta do Lago?
Portugal em chamas, uma vez mais, e outra, e outra, até que não sobre uma flor viva.
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Ventos de Guerra [001]

Israel continua a ignorar os pedidos de cessar fogo, o Hezbollah continua a responder com violência, os dois povos continuam a sofrer.
Todos sabemos como vai acabar isto: com a troca de prisioneiros e com um cessar fogo unilateral de Israel, à semelhança do que se tem passado anteriormente.
Tudo isto não passa de uma demonstração de força, de um braço de ferro entre Israel e os árabes, devidamente sancionados pelo ocidente autista ao sofrimento dos povos. Aproveita-se assim para enviar a mensagem a Teerão e à Síria e podemos continuar descansados com a nossa lança enterrada no médio oriente.
O petróleo é nosso, o controlo territorial também.
Até quando, a que preço?
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Sons do Vento [001]

Como iniciar o blog? não creio haver melhor maneira: música.
Ontem fui comprar música - em saldo, claro está - e trouxe na bagagem dois discos: "Generation X - Live at the Paris Theatre '78 & 81'" e "John Cale - Hobo Sapiens", ambos em saldo [FNAC, à volta de 5 euros cada].
Andam a girar no meu laptop desde hoje de manhã e dou por grata a ideia de tê-los trazido comigo. Ando agora a reviver o fabuloso "Dancing With Myself" - "malha" que me fez saltar em tempos cada vez mais longínquos - e a ouvir obras singulares como "Look Horizon" deste álbum relativamente recente do ex-Velvet Underground.
Amanhã há mais, devo lá ir outra vez. Vivam os saldos que vendem a música ao preço mais aproximado do que seria o normal.
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em audição (bright eyes)

é só para avisar que eu ando a ouvir os bright eyes do conor orbest em repeat há mais de um ano...

é que agora começaram a passar na radar e eles vão ficar incrivelmente famosos e todos vocês se tornarão absolutamente convertidos e seguidores e haverá um concerto em Portugal e todos vamos curtir imenso

oiçam bem... é aquela canção que acaba assim:

And I stood nervous next to you in the dark room
You dropped the paper in my water
And it all begins to bloom

Yeah, they go wild, yeah, they go wild
Yeah, they go wild, yeah, they go wild

And just when I get so lonesome I can't speak
I see some flowers on a hill side
Like a wall of new TVs

Yeah, they go wild, yeah, they go wild
Yeah, they go wild, yeah, they go wild
Yeah, they go wild, yeah, they go wild
Yeah, they go wild, yeah, they go wild
e olhem, descubri agora mesmo um concerto inteiro aqui:

http://www.npr.org/programs/asc/archives/brighteyes/

ao lado de um de Coco Rosie e outro de Tilly and the Wall (outra banda de Omaha)

andrezero

terça-feira, 8 de agosto de 2006

não ao racismo!



Uranium


(Não aconselhavel a pessoas mais impressionáveis)

POISONOUS LEGACY
BMC

não esquecer (sobreviver)



sábado, 5 de agosto de 2006

Visionado na Cinemateca - Les Invasions barbares



Memorable Quote:

Hospital Patient Assistant
: Good morning, guys. Welcome to America. Remy: Praise the Lord.
Sébastian: Hallelujah.


na Wikipedia
no IMDb

BMC

sexta-feira, 4 de agosto de 2006

em audição (para recordar)



De volta "a pouco e pouco" (favas com chouriço)

em audição dos 13 em palco



quinta-feira, 3 de agosto de 2006

modernidade?

desde a Festa do Avante no Alto da Ajuda que esperei a mudança do antigo ISE do Quelhas para o pólo da Técnica, achava mesmo que só devia acabar a licenciatura quando a mudança se desse. hoje passei por lá pela 1ª vez e curiosamente, junto ao ISCSP, sob o sol das 2 da tarde, mais velho e com menos cabelo, cambaleante e mais lento, mas ainda de fato e gravata, o professor Óscar Soares Barata

Missão Líbano



fim de vacances



belos finais

somewhere i have never travelled, gladly beyond
any experience, your eyes have their silence:
in your most frail gesture are things which enclose me,
or which i cannot touch because they are too near

your slightest look easily will unclose me
though i have closed myself as fingers,
you open always petal by petal myself as Spring opens
(touching skilfully, misteriously) her first rose

or if your wish be to close me, i and
my life will shut very beautifully, suddenly,
as when the heart of this flower imagines
the snow carefully everywhere descending;

nothing we are to perceive in this world equals
the power of your intense fragility: whose texture
compels me with the colour of its countries,
rendering death and forever with each breathing

(i do not know what it is about you that closes
and opens; only something in me understands
the voice of your eyes is deeper than all roses)
nobody, not even the rain, has such small hands
e.e.cummings

SC