quarta-feira, 28 de setembro de 2005

Murais do 25 de Abril

pravdamocas@hotmail.com

Estou a fazer um trabalho sobre Murais e comunicação. Neste contexto, gostaria que me enviassem endereços onde poderei recolher informação. OBG

sexta-feira, 23 de setembro de 2005

Blogs que importam (VI)

"A noite, o que é?, 54.
Havia um pátio, gente em redor, um colorido, tudo o que se perdeu ficou lá. Mesmo a felicidade, como um doença de que nunca me livrei. Mesmo aquele cheiro de que até hoje não me libertei. Aquele cheiro indefinido em volta de tudo. As pessoas liam e perguntavam. Procuravam sinais. O maior erro é o de procurar sinais no que se escreve. A infelicidade, às vezes, provoca grandes momentos de alegria. A alegria é uma fenda, uma noite no meio da folhagem. Escreve-se: «Folhagem, aroma, mão, braço, rosto, janela, noite.» E as pessoas não suspeitam que o sofrimento deixou de ser apenas uma espécie de metáfora mas que nunca se esquece essa imagem, as folhas das árvores vistas da janela. O grande mal que a literatura faz. Escrever é ser o contrário. Escreve-se contra a recordação, contra os sinais, contra as marcas; é a única honestidade, a única saída."

SC

poemas que estão (iv)

as primeiras coisas eram verdes ou azuis, com água pela cintura;
duras esmeraldas umas, outras animais, vibrantes
quando lhes toca a luz; o mais das vezes encostados
à parede do estábulo com grandes olhos húmidos
e um precipício ao fundo (e as núvens são o seu bafo).
e no entanto, visto à distância exacta, tudo se transforma:
o cenário do mundo é só um infinito espaço
cheio de coisa nenhuma, e a luz o puro efeito
de dois deuses menores que marcam o compasso.

é certo que, na chuva, o teu corpo anuncia
com seu distante olhar, um prazer que não cabe
na estreiteza da fábula; um céu, não duvidemos,
acolhe o terno gesto que não foi.
já na parede a meio branca traço, a contragosto,
o tempo mal passado que apodrece; e ruminante encosto
ao tampo de água o bico ou pincel fosco
onde surgira, de repente, nada.

os portões oscilam, e a erva adiante, se nos aproximamos.
claramente vejo como te divides
num infinito número simultâneo de mundos.
as palavras celebram, mudas, a água na paisagem,
verde ou azul, conforme desejaste.
avanço imóvel, descalço sobre a erva,
e quando fecho os olhos invade-me a luz por dentro
compacta, completa, como as coisas primeiras.

António Franco Alexandre, Poemas

SC

quinta-feira, 22 de setembro de 2005

poemas que estão (iii)

SÚMULA

Minha cabeça estremece com todo o esquecimento.
Eu procuro dizer como tudo é outra coisa.
Falo, penso.
Sonho sobre os tremendos ossos dos pés.
É sempre outra coisa, uma
só coisa coberta de nomes.
E a morte passa de boca em boca
com a leve saliva,
com o terror que há sempre
no fundo informulado de uma vida.
Sei que os campos imaginam as suas
próprias rosas.
As pessoas imaginam os seus próprios campos
de rosas. E às vezes estou na frente dos campos
como se morresse;
outras, como se agora somente
eu pudesse acordar.

Por vezes tudo se ilumina.
Por vezes canta e sangra.
Eu digo que ninguém se perdoa no tempo.
Que a loucura tem espinhos como uma garganta.
Eu digo: roda ao longe o outono,
e o que é o outono?
As pálpebras batem contra o grande dia masculino
do pensamento.

Deito coisas vivas e mortas no espírito da obra.
Minha vida extasia-se como uma câmara de tochas.

- Era uma casa - como direi? - absoluta.

Eu jogo, eu juro.
Era uma casinfância.
Sei como era uma casa louca.
Eu metias as mãos na água: adormecia,
relembrava.
Os espelhos rachavam-se contra a nossa mocidade.

Apalpo agora o girar das brutais,
líricas rodas da vida.
Há no esquecimento, ou na lembrança
total das coisas,
uma rosa como uma alta cabeça,
um peixe como um movimento
rápido e severo.
Uma rosapeixe dentro da minha ideia
desvairada.
Há copos, garfos inebriados dentro de mim.
- Porque o amor das coisas no seu
tempo futuro
é terrivelmente profundo, é suave,
devastador.

As cadeiras ardiam nos lugares.
Minhas irmãs habitavam ao cimo do movimento
como seres pasmados.
Às vezes riam alto. Teciam-se
em seu escuro terrífico.
A menstruação sonhava podre dentro delas,
à boca da noite.
Cantava muito baixo.
Parecia fluir.
Rodear as mesas, as penumbras fulminadas.
Chovia nas noites terrestres.
Eu quero gritar paralém da loucura terrestre.
- Era húmido, destilado, inspirado.
Havia rigor. Oh, exemplo extremo.
Havia uma essência de oficina.
Uma matéria sensacional no segredo das fruteiras,
com as suas maçãs centrípetas
e as uvas pendidas sobre a maturidade.
Havia a magnólia quente de um gato.
Gato que entrava pelas mãos, ou magnólia
que saía da mão para o rosto
da mãe sombriamente pura.
Ah, mãe louca à volta, sentadamente
completa.
As mãos tocavam por cima do ardor
a carne como um pedaço extasiado.

Era uma casabsoluta - como
direi? - um
sentimento onde algumas pessoas morreriam.
Demência para sorrir elevadamente.
Ter amoras, folhas verdes, espinhos
com pequena treva por todos os cantos.
Nome no espírito como uma rosapeixe.

- Prefiro enlouquecer nos corredores arqueados
agora nas palavras.
Prefiro cantar nas varandas interiores.
Porque havia escadas e mulheres que paravam
minadas de inteligência.
O corpo sem rosáceas, a linguagem
para amar e ruminar.
O leite cantante.

Eu agora mergulho e ascendo como um copo.
Trago para cima essa imagem de água interna.
- Caneta do poema dissolvida no sentido
primacial do poema.
Ou o poema subindo pela caneta,
atravessando seu próprio impulso,
poema regressando.
Tudo se levanta como um cravo,
uma faca levantada.
Tudo morre o seu nome noutro nome.

Poema não saindo do poder da loucura.
Poema como base inconcreta de criação.
Ah, pensar com delicadeza,
imaginar com ferocidade.
Porque eu sou uma vida com furibunda
melancolia,
com furibunda concepção. Com
alguma ironia furibunda.

Sou uma devastação inteligente.
Com malmequeres fabulosos.
Ouro por cima.
A madrugada ou a noite triste tocadas
em trompete. Sou
alguma coisa audível, sensível.
Um movimento.
Cadeira congeminando-se na bacia,
feita o sentar-se.
Ou flores bebendo a jarra.
O silêncio estrutural das flores.
E a mesa por baixo.
A sonhar.


Herberto Hélder,
"Ou o poema contínuo", Assírio e Alvim

SC

quarta-feira, 21 de setembro de 2005

segunda-feira, 19 de setembro de 2005

Setembro (V)

La foule
Je revois la ville en fête et en délire
Suffoquant sous le soleil et sous la joie
Et j'entends dans la musique les cris, les rires
Qui éclatent et rebondissent autour de moi
Et perdue parmi ces gens qui me bousculent
Étourdie, désemparée, je reste là
Quand soudain, je me retourne, il se recule,
Et la foule vient me jeter entre ses bras...

Emportés par la foule qui nous traîne
Nous entraîne
Écrasés l'un contre l'autre
Nous ne formons qu'un seul corps
Et le flot sans effort
Nous pousse, enchaînés l'un et l'autre
Et nous laisse tous deux
Épanouis, enivrés et heureux.
Entraînés par la foule qui s'élance
Et qui danse
Une folle farandole
Nos deux mains restent soudées
Et parfois soulevés
Nos deux corps enlacés s'envolent
Et retombent tous deux
Épanouis, enivrés et heureux...
Et la joie éclaboussée par son sourire
Me transperce et rejaillit au fond de moi
Mais soudain je pousse un cri parmi les rires
Quand la foule vient l'arracher d'entre mes bras...
Emportés par la foule qui nous traîne
Nous entraîne
Nous éloigne l'un de l'autre
Je lutte et je me débats
Mais le son de sa voix
S'étouffe dans les rires des autres
Et je crie de douleur, de fureur et de rage
Et je pleure...
Entraînée par la foule qui s'élance
Et qui danse
Une folle farandole
Je suis emportée au loin
Et je crispe mes poings, maudissant la foule qui me vole
L'homme qu'elle m'avait donné
Et que je n'ai jamais retrouvé...


SC

Blogs que importam (V)


I wanna go south, again and again...

apontamentos d'estrada, a lembrar o mesmo sul maltratado que habita "The heart is a lonely hunter", esse manifesto poético-marxista em forma de prosa...

segue-se, em leituras, a balada do café triste

a cada um, a sua obsessão.

SC

Pai, pedido satisfeito



mergulha em busca de sonhos
ou um lema pode vergar-te
(árvores são raízes
e vento é vento)

confia no coração
se os mares arderem
(e vive por amor
mesmo que estrelas recuem)

honra o passado
mas saúda o futuro
(e dança para longe
a tua morte nesta união)

não te importes com um mundo
com seus vilões e heróis
(porque deus gosta de raparigas e do amanhã
e da terra)


e.e.cummings, ninety - five poems


SC (tradução)

Setembro (IV)


Eu, 33N 03' 16W 19'


SC

Setembro (III)


Hermanos, Clube Lua


SC

Setembro (II)


Clã, Avante




SC

sexta-feira, 16 de setembro de 2005

top +

Česká Republika, Polska, Suomi, Sverige (esta incrivelmente morena, estilo persa-magrebina)

contagem decrescente?

parece que ultrapassei metade da vida esperada para a média dos homens nascidos em Portugal em 2004

mais de 20 anos perdidos



cerca das 3 da tarde descubro que esquecera a máquina de calcular na sala da reunião da manhã. pânico! tem mais de 20 anos, nunca me deixou ficar mal, era um complemento quando o cérebro ficava preguiçoso ou os números infinitamente grandes ou graciosamente pequenos

a média das estatísticas

em Portugal, a esperança de vida à nascença para homens é de cerca de 74 anos e em 2050 ultrapassará os 81. aos 65 anos de idade, a esperança de vida é de mais de 15 anos e em 2050 será de quase 20. se eu chegar aos 82, mesmo que não me recandidate a PR, ultrapassarei a esperança média de vida de quem nasce em 2050 e viverei mais cerca de 3 anos

esperando só ser aposentado compulsivamente aos 70, terei contribuído com descontos para a segurança social durante 47 anos e só receberei pensão durante 15. palpita-me que mesmo assim contribuirei para uma segurança social deficitária, independentemente de vir a ter 3 filhos

iranianos marxistas em Bruxelas

cruzei-me na 4ª feira, em Schuman, com uma manif de 20 iranianos marxistas. agitavam bandeiras vermelhas com a imagem estilizada de Marx, e chamavam assassino ao presidente iraniano. tentei encontrar o partido que se agitava, mas não encontrei a bandeira, apesar de outras bastante sugestivas

entre outras, vale a pena ver o que dizem do Álvaro


quinta-feira, 8 de setembro de 2005

ao estilo Bin Laden

a minha DG fez hoje uma referência “ao seu [meu] amigo”

espero que a associação não tenha sido terrorista

domingo, 4 de setembro de 2005

Setembro (I)

A vida é como uma corda
De tristeza e alegria
Que saltamos a correr
Pé em baixo, pé em cima
Até morrer

Não convém esticá-la
Nem que fique muito solta
Bamba é a conta certa
Como dança de ida e volta
Que mantém a via aberta

Dançar na corda bamba
Não é techno, não é samba
É a dança do ter e não ter
É a dança da Corda Bamba

Salta agora pelo amor
Ele dá o paladar
Mesmo que a tua sorte
Seja a de um perdedor
Nunca deixes de saltar

Se saltares muito alto
Não tenhas medo de cair (baby)
De ficar infeliz
Feliz a cem por cento
Só mesmo um pateta feliz

Dançar na Corda Bamba
Não é techno, não é samba
É a dança do ter e não ter
É a dança da Corda Bamba



SC

sexta-feira, 2 de setembro de 2005

antes da Festa

se o Ricardo deixar…



Os Mostar Sevdah Reunion são considerados o expoente máximo da música feita na Bósnia–Herzegovina. Após quatro discos, dois em nome próprio, um com Ljiljana Butler e outro com o lendário cantor cigano Saban Bajramovic, este grupo colocou a destruída Mostar do pós guerra no mapa da World Music e deu a conhecer o Sevdah (palavra de origem árabe que significa amor, desejo e êxtase) ou, como muitos lhe chamam, o Blues dos Bálcãs.

quinta-feira, 1 de setembro de 2005